Espirituialidades e Sociedade


Notícias:

>    A ridícula ideia de nunca mais te ver - resenha



Compartilhar
 

 

 

24/05/2019

 

 

Um livro sobre o luto e suas consequências, que navega com maestria entre a ficção e a memória. Quando Rosa Montero leu o impressionante diário (incluído como apêndice neste livro) que Marie Curie escreveu após a morte de seu marido, ela sentiu que a história dessa mulher fascinante guardava uma triste sintonia com a sua própria: Pablo Lizcano, seu companheiro durante 21 anos, morrera havia pouco depois de enfrentar um câncer. As consequências dessa perda geraram este livro vertiginoso e tocante a respeito da morte, mas sobretudo dos laços que nos unem ao extremo da vida.

 

por Cynthia de Almeida

 

Um livro fascinante sobre a história pessoal da cientista Marie Curie entrelaça o seu luto pela perda do marido com o da própria autora, a espanhola Rosa Montero

 

O titulo já dá uma boa pista sobre o tema do livro. A Ridícula Ideia de Nunca Mais te Ver, da autora espanhola Rosa Montero, trata de vidas e mortes. As vidas da própria autora e da cientista Marie Curie. E o pano de fundo do luto de ambas: o de Rosa, pela perda do marido Pablo Lizcano e o de Madame Curie, única mulher até hoje a ganhar 2 prêmios Nobel, cujo marido, Pierre Curie também morre precocemente.

 

 

Como não tive filhos, a coisa mais importante que me aconteceu na vida foram meus mortos, e com isso me refiro à morte dos meus entes queridos”. Esta é a primeira frase do livro, que traça o paralelo entre o nascimento e a morte, os dois únicos acontecimentos certos e naturais da vida.

 

 

O livro é daqueles que a gente lê numa sentada e revela um lado humano de Marie Curie, que todos conhecemos na escola pela descoberta revolucionária dos elementos polônio e rádio, mas cuja história pessoal, com suas paixões, depressões, família e a dor dilacerante da perda do grande amor da vida e parceiro do trabalho é bem menos contada.

Impossível não se encantar com a história eletrizante dessa mulher nascida no final do século 19 , tão à frente do seu tempo, que viveu e morreu por seu trabalho (a radioatividade a que se expôs em seu laboratório a matou, assim como a sua filha mais velha, Irene, esta também ganhadora de um Nobel de química), em uma época em que mulheres não eram sequer autorizadas a estudar.

Ao se reconhecer no luto da cientista , Rosa Montero se autoriza pela primeira vez a falar do seu e do sofrimento que define de uma forma contundente:

A verdadeira dor é indizível. Se você consegue falar a respeito das suas angustias, está com sorte: significa que não é nada tão importante. Porque quando a dor cai sobre você sem paliativos, a primeira coisa que ela lhe arranca é a #palavra. É provável que você reconheça o que estou dizendo; talvez já o tenha experimentado, pois o sofrimento é algo muito comum em todas as vidas (assim como a alegria). Falo daquela dor que é tão grande que nem parece nascer de dentro, como se você tivesse sido soterrada por uma avalanche. E está tão enterrada debaixo dessas toneladas de dor pedregosas que não consegue nem falar. Você tem certeza de que ninguém vai ouvi-la.“

É muito bom ouvir a voz dessas duas mulheres maravilhosas.

 

 

Fonte: http://vamosfalarsobreoluto.com.br/2019/05/15/a-ridicula-ideia-de-nunca-mais-te-ver/?fbclid=IwAR2cFxDqV33pCiyWAmEHdPtMBjP87PwXL7FdqKIxqz-Y0b2Rl5dViyDrhlM#.XNxOTAgtj5g.facebook

 

 

>>>   clique aqui para acessar a página principal de Notícias

>>>   clique aqui para voltar a página inicial do site

>>>   clique para ir direto para a primeira página de Artigos, Teses e Publicações