Ademir Xavier

Uma proposta experimental para detecção de movimentos de fluidos nas cercanias de médiuns de efeitos físicos

6.º ENLIHPE - Trabalhos apresentados


Autor(es):

Título: UMA PROPOSTA EXPERIMENTAL PARA DETECÇÃO DE MOVIMENTOS DE FLUIDOS NAS CERCANIAS DE MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS

GEAE
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Resumo: A palavra “Espírito” deriva do latim “spiritus” que significa sopro. Não seria a origem dessa palavra ligada a constatações antiqüíssimas de movimento de objetos, provocados por médiuns de efeitos físicos, sob influências de Espíritos, mas por analogia com a ação intempestiva dos ventos?
Temos aqui um paralelo que não pode ser meramente acidental. Em princípio, o comportamento dos fluidos físicos e suas propriedades dinâmicas é objeto de estudo da fluidodinâmica. Neste trabalho reunimos argumentos físicos a fim de propor um arranjo experimental capaz de evidenciar modificações no estado termodinâmico do ar que cerca um médium de efeitos físicos.


Uma proposta experimental para detecção de movimentos de fluidos nas cercanias de médiuns de efeitos físicos



Introdução

Nossa compreensão acerca da existência dos Espíritos teve como origem a ocorrência de fenômenos de natureza essencialmente material. Ruídos e movimento de objetos sem causa física ordinária formaram a base para o movimento espiritualista em países anglo-saxões que culminou com a edição de O Livro dos Espíritos de A. Kardec na França em 1857. Descobriu-se que a causa desses fenômenos se deve a integração de dois agentes fundamentais: a existência de um médium de efeitos físicos e ao controle exercido por agentes inteligentes, capazes de controlar os movimentos. O papel do médium é o de fornecer um fluido (de natureza e composição ainda desconhecidos) que serve como meio de transporte de energia que, fluindo do médium, é capaz de se manifestar como energia cinética de movimento ou da
realização de outros tipos de ocorrências tangíveis.

Embora os detalhes do processo de conversão de energia sejam desconhecidos, é razoável imaginar que a lei de conservação desse atributo da matéria (a energia) seja igualmente válida nas manifestações físicas. Portanto, energia do médium (como fonte bioquímica) é transformada em energia cinética ou potencial (no caso de elevação de objetos, levitação etc). Como em todo processo de conversão de energia, parte dela é dissipada no ambiente de acordo também com a 2ª lei termodinâmica, que prevê aumento da entropia envolvida no processo. O médium, entretanto, não é um sistema isolado, de forma que devem ocorrer interações pronunciadas entre ele e o meio que o cerca.

Espera-se, assim, que a ocorrência das manifestações físicas seja acompanhada por variações nas propriedades termodinâmicas do ar que cerca o médium. É objetivo deste trabalho sugerir como seria possível observar e mensurar essas variações de forma não invasiva, sem prejuízo à ocorrência do fenômeno. Para isso, iniciamos o trabalho colhendo alguns informes a cerca de fenômenos de ectoplasmias e citando fontes de experimentos realizados por Metapsiquistas. Embora saibamos que manifestações físicas tenham se dado de forma espontânea, o fenômeno pode ser controlado, de certa forma, com médiuns bem treinados. Assim, é viável a realização de experiências com o objetivo de medir as propriedades termodinâmicas da atmosfera que envolve o fenômeno. Para isso, sugerimos um
arranjo experimental, que torna possível a visualização de variações pequenas no índice de refração do ar. Finalmente, na conclusão, chamamos a atenção para a importância de se implementarem projetos com o objetivo de se estudar as manifestações físicas.

Observações colhidas de fenômenos de Ectoplasmias

Charles Richet criou o termo “Ectoplasma” para designar a substância que se observou
ser produzida por médiuns de efeitos físicos na realização de vários fenômenos cinéticos,
além de materializações. Mais recentemente, André Luiz em “Mecanismos da Mediunidade”
[1] afirma sobre essa substância:

O ectoplasma está situado entre a matéria densa e a matéria perispirítica, assim como um produto de emanações da alma pelo filtro do corpo, e é recurso peculiar não somente ao homem, mas a todas as formas da Natureza.

André Luiz também confirma que o ectoplasma está sujeito “invariavelmente ao pensamento e à vontade do médium que o exterioriza ou dos Espíritos desencarnados ou não”. Essa substância está associada à produção de fenômeno de transporte, sendo produzida por todos os seres vivos. Em um interessante livro “Um fluido vital chamado Ectoplasma” [2], Mattieu Tubino descreve experiências de vários anos em torno da tese de que o ectoplasma não precisa necessariamente ser visível para que possa causar vários sintomas ao organismo de quem o produz. O ectoplasma de Tubino, Richet e André Luiz corresponde ao fluido magnético animal de que falam os Espíritos no Livro dos Médiums [3] e são a mesma coisa, em estados diferentes de densidade ou concentração. A tese principal do livro de Tubino, entretanto, defende a idéia de que o ectoplasma é produzido continuamente pelo organismo humano e liberado de forma normal em grande parte dos indivíduos. O acúmulo desse fluido pode provocar, entretanto, manifestações físicas, conforme narrado no livro através de vários casos. Ainda segundo Tubino, em algumas pessoas, a liberação é interrompida e, de seu acúmulo, surgem moléstias ou alterações de saúde (a maior parte delas considerada de natureza 'psicosomática') com sintomas facilmente identificáveis. Não deixa de ser interessante também a correlação que esse autor faz entre os sintomas da histeria (que vem do grego 'histerion' ou útero, uma possível alusão ao inchaço abdominal causado pelo acúmulo do fluido) com aqueles identificados com o 'acúmulo de ectoplasma'.

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Variação de densidade e sua mensuração por meio de processos ópticos especiais

Em seu estado mais comum, o ectoplasma é um fluido invisível, talvez um subproduto da atividade metabólica do organismo humano. Em um estado concentrado, ele torna-se visível, inicialmente, como matéria opaca. Há, entretanto, descrições na literatura que este estado de matéria visível opaca não é único: com o tempo ele pode se tornar luminoso (ou, talvez, 'bioluminoso'). De qualquer forma, algo extraordinário ocorre quando o fluido torna-se material à custa de esforço do médium. Nesse esforço, energia é gasta para produzir, libera e movimentar a substância, que também serve de 'alavanca' para a produção de fenômenos de transporte de objetos.

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Conclusão e perspectivas futuras

O objetivo deste trabalho foi apresentar um projeto viável para futuras pesquisas na área de ectoplasmias ou estudo de movimentação de fluidos em torno de médiuns de efeitos físicos. Embora tenhamos frequentemente frisado a necessidade de médiuns dessa categoria, outros tipos de modalidade mediúnica também podem ser estudados com a mesma técnica. A idéia de Dalziel, Hughes e Sutherland [9] tornou bastante simples a construção e operação de uma câmera Schlieren. Esse sistema é capaz de registrar variações sutis na densidade do ar e, por meio de uma equação, variações térmicas ou de pressão no ar circundante, podem ser visualmente observadas e medidas. Discutimos a possibilidade, baseado em argumentos termodinâmicos, de que o ambiente onde se encontre um médium de efeitos físico em transe seja modificado de forma a se observarem, por meio da técnica sugerida, variações pequenas na densidade do ar. Em particular, nosso interesse maior é observar variações de densidade produzidas por meio da emissão de fluidos por parte do médium, o que coincidiria com observações realizadas por E. Osty durante a década de 30.

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REFERÊNCIAS

1 - A. Luiz, Mecanismos da Mediunidade, p. 271, 22ª Edição, FEB (1955).
2 - M. Tubino, Um „Fluido Vital? chamado Ectoplasma, 1ª Edição, Lachâtre (1997).
3 - A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Cap. IV, 74, questão XIV, 58ª Edição, FEB (1944).
4 - R. C. Johnson, Materialisations, Psycho-Kinesis and Poltergeist Phenomena. Em
www.survivalafterdeath.org.uk/articles/johnson/materialisations.htm.
5 - Em www.survivalafterdeath.org.uk/mediums/schneider.htm. Esse texto tem como referência: E. Osty: Les Pouvoirs inconnus de l'esprit sur la matiere (1932).
6 - G. S. Settles, Schlieren and Shadowgraph Techniques, Springer (2001).
7 - B. H. Pandya, G. S. Settles e J. D. Miller, Schlieren imaging of shock waves from a trumpet, J. Acoust. Soc. Am. 114 (6).
8 - N. Kudo, H Ouchi, K Yamamoto e H Sekimizu, A simple Schlieren system for visualizing a sound field of pulsed ultrasound, Journal of Physics: Conference Series 1 (2004) p. 146–149.
9 - S. B. Dalziel G. O. Hughes and B. R. Sutherland, Method and apparatus for obtaining images and measurements of density fluctuations in transparent media, U.S. Provisional Patent Application (No. 60/170,928).
10 - S. B. Dalziel, G. O. Hughes, B. R. Sutherland, Whole-field density measurements by 'synthetic schlieren', Experiments in Fluids 28 (2000) p. 322-335. Springer-Verlag (2000).
11 - S. Décamp, C. Kozack and B. R. Sutherland, Three-dimensional schlieren measurements using inverse tomography, Experiments in Fluids, 44, 5 (2008).
12 - I. Ihrke e M. Magnor, Image-Based Tomographic Reconstruction of Flames, R. Boulic, D. K. Pai (Editors), Eurographics/ACM SIGGRAPH Symposium on Computer Animation (2004).

 


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