Ademir Xavier

Desenvolvimento na teoria de transporte e manifestações físicas

6.º ENLIHPE - Trabalhos apresentados


Autor(es):

Título: DESENVOLVIMENTOS NA TEORIA DE TRANSPORTE E MANIFESTAÇÕES FÍSICAS

GEAE
www.geae.inf.br

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Resumo: Desenvolve-se a teoria das manifestações físicas utilizando alguns apontamentos da teoria dos fluidos físicos como auxiliares na apreensão de algumas características do fenômeno. Uma nova conjectura a cerca da ocorrência de fenômenos de transporte em condições físicas especiais será feita.
Os fundamentos do presente trabalho são: existência de um fluido produzido pelo médium que se exterioriza, fluido de origem desconhecida que parece interagir com radiação eletromagnética. Esse fluido está provavelmente associado a um tipo de matéria exótica que é segregada pelo organismo em colaboração com o corpo perispiritual em seres humanos.

 

Introdução e definições

A foto da Fig. 1 é um instantâneo do fenômeno que deu origem ao movimento espírita em escala planetária: o famoso fenômeno das mesas girantes. Tomado como evento sobrenatural por alguns, considerado como diversão por muitos, e, hoje em dia, um tanto esquecido, as mesas girantes constituem um dos fenômenos mais extraordinários da Natureza.
A explicação para o movimento das mesas forneceram os próprios Espíritos: um fenômeno de transporte realizado sob a influência de entidades desencarnadas (por eles controlados), sob a ação promotora de um fluido produzido por um médium de efeitos físicos. A necessidade da existência de um médium é considerada fato incontestável e um dos requisitos para a funcionalidade da teoria das manifestações físicas proposta pelos Espíritos [1].


Fig. 1 Levantamento de uma mesa em uma sessão com a médium Eusápia Paladino.


Considerando o movimento da mesa e a necessidade do médium, não é difícil imaginar um modelo para contabilizar a transferência de uma entidade fundamental também presente em qualquer fenômeno: a energia. Aqui adentramos em uma área onde é conveniente explicar de antemão o significado dos termos:

Fluido. No sentido da teoria dos transportes do Livro dos Médiuns, é uma substância produzida pelo médium e envolvida nos fenômenos de efeitos físicos. O fluido é manipulado ou manipulável por entidades desencarnadas e pode dar origem ao movimento de objetos nas
manifestações físicas espontâneas.

Ele é produzido em abundância por médiuns de efeitos físicos. É relevante para o estudo aqui desenvolvido o exposto no parágrafo 98, Capítulo V, página 112 do Livro dos Médiuns [1]:

(...) porque o sistema nervoso facilmente excitável de tais médiuns lhes permite, por meios de certas vibrações, projetarem abundantemente em torno de si, o fluido animalizado que lhes é próprio.

Segundo o Livro dos Médiuns, acresce ainda que, na maioria das pessoas, existe um “envoltório refratário” que não permite a expansão do perispírito.

Fluido físico. Um fluido físico é definido como uma substância que se deforma continuamente (flui) sob aplicação de uma tensão de cisalhamento, independentemente da amplitude da tensão aplicada. É um subconjunto das fases da matéria que inclui líquidos, gases, plasmas e, até certo ponto, sólidos plásticos. Fluidos também são divididos em líquidos e gases. Líquidos formam uma superfície livre (isto é, que não se prende à superfície do vaso que o contém) enquanto que gases não fazem isso. Fluidos guardam a propriedade de não resistir à deformação e de possuírem habilidade de fluir (também descrita como a de se moldarem ao vaso). Essas propriedades são advindas da incapacidade de suportar tensão de cisalhamento em equilíbrio estático. [2]

Já a divisão entre sólidos e fluidos não é tão óbvia. A distinção é feita avaliando a viscosidade da matéria.

Tensão de cisalhamento. Uma tensão que aparece ou é aplicada na direção tangencial ou paralela a superfície onde se aplica a força.

Energia. Não é uma substância no sentido material, mas uma quantidade de algo que mede a propensidade para o movimento cinético (mecânico) ou a outras manifestações de ordem elétrica, magnética, térmica, gravitacional, nuclear etc, sem a qual nenhum fenômeno físico acontece.

É evidente que o conceito de energia, tal como utilizado pela física, também deve se aplicar aos fenômenos físicos de natureza psíquica. De qualquer forma, energia aqui não tem outro significa além do fornecido acima. Balizados nos conceitos de fluido e energia acima apresentados, aventuramo-nos a ir um pouco além no desenvolvimento da teoria dos transportes de efeitos físicos: os transportes ocorrem por transferência de energia do médium ao objeto. Mas, não se trata de ação de um fluido? Não se está a propor uma modificação na explicação original. De fato, o fenômeno ocorre por meio do fluido, mas há uma transferência de energia do médium para o objeto, como exigência da lei de conservação de energia.


Fig. 2 Comparação entre o movimento de um pistão pela expansão de um gás e o levantamento de objetos por um médium de efeitos físicos. Nesse paralelo, tanto o movimento do pistão como da mesa se dá pela ação de um fluido invisível (no caso A é o gás em expansão). No caso B é o fluido de que fala o Livro dos Médiuns.

Para tornar claro esse tipo de afirmação, fazemos uso de um paralelo. Na Figura 2 (A) representa-se um cilindro dotado de um êmbolo sobre o qual se deposita um peso. Um gás é aquecido e provoca o movimento do êmbolo por meio de um processo termodinâmico de expansão do gás. Esse gás, ao elevar o peso de uma distância h, realiza trabalho. Energia proveniente de uma fonte de calor (Q) provoca a expansão do gás. Em (B) representa-se um médium de efeitos físicos, e a elevação de um objeto de uma altura h. O peso do objeto multiplicado pela altura fornece uma medida da energia associada ao fenômeno: essa energia é proveniente do médium e, na ausência de maiores detalhes, trata-se de um fenômeno de conversão de energia química (do organismo do médium) em energia mecânica. Podemos imaginar que o organismo do médium – através de nutrientes contidos no alimento – é capaz de gerar uma substância, o fluido, que é manipulada pelos Espíritos na produção da elevação da mesa. O paralelo que existe entre (A) e (B) se justifica: tanto em um como em outro efeito, um fluido não visível está associado na produção do fenômeno. Esse paralelo não passou despercebido a Kardec [3]:

Quando se produz o vácuo na campânula da máquina pneumática, essa campânula adere com força tal ao seu suporte, que impossível se torna suspendê-la, devido ao peso da coluna de ar que sobre ela faz pressão. Deixe-se entrar o ar e a campânula pode ser levantada com a maior facilidade, porque o ar que lhe fica por baixo contrabalança o ar que, pela parte exterior, a comprime. Contudo, se ninguém lhe tocar, ela permanecerá assente no suporte, por efeito da lei de gravidade. Agora, comprima-se-lhe o ar no interior, dê-se-lhe densidade maior que a do que está por fora, e a campânula se erguerá, apesar da gravidade. Se a corrente de ar for violenta e rápida, a mesma campânula se manterá suspensa no espaço, sem nenhum
ponto visível de apoio, à guisa desses bonecos que se fazem rodopiar em cima de um repuxo dágua.

A quantidade de energia necessária para o movimento é proporcional à massa do objeto, bem como a quantidade de fluido envolvido que é liberado pelo médium [4]:

A massa dos fluidos combinados é proporcional à dos objetos. Numa palavra, a força deve estar em proporção com a resistência; donde se segue que, se o Espírito apenas traz uma flor ou objeto leve, é muitas vezes porque não encontra no médium, ou em si mesmo, os lementos necessários para um esforço mais considerável.

Já se reportou a elevação ou movimentação de objetos da ordem de muitos quilos por médiuns de efeitos físicos. Para um objeto da ordem de 50 kg, uma elevação da ordem de 2 metros requer um mínimo de 980 Joules de energia, ou, aproximadamente, 234 calorias. Isso é 1% do conteúdo energético de um biscoito (Um biscoito salgado contém da ordem de 100 mil Joules, ou 40 kcal). Como todo sistema de conversão ou transformação de energia, é possível imaginar médiuns como 'máquinas pouco eficientes', de forma que bem mais energia deve estar envolvida na produção desses fenômenos, energia essa que é perdida para o ambiente, por conta da irreversibilidade do fenômeno. A baixa eficiência deve estar provavelmente associada à natureza bioquímica da fonte de energia envolvida.

A importância de se considerar a eficiência e a quantidade de energia envolvida em um fenômeno de transportes de efeitos físicos está nos eventuais “rastros” deixados pelo fluido na produção do fenômeno. De fato, é bastante possível que ocorram modificações mensuráveis nas propriedades termodinâmicas do ar de uma sala onde se passa um efeito desse tipo. Não sendo eficiente a conversão energética, é possível que parte da energia seja dissipada no ar (além de, obviamente, no próprio corpo do médium, fonte do fluido). Se isso acontecer, variações pequenas na temperatura e densidade do ar podem resultar em pistas importantes da presença do fluido no início ou durante a realização do fenômeno.

Fluidos físicos, pressão e distribuição estatística de velocidades.


Em todos os desenvolvimentos subseqüentes de fluidodinâmica, fluidos físicos são descritos como substâncias formadas por partículas de natureza microscópica. É objeto da Física Estatística [5] determinar as propriedades dos fluidos físicos (como eles se comportam frente a variações de pressão, densidade, temperatura etc) por meio dessa descrição microscópica. Assim, as características dos fluidos são propriedades emergentes deriváveis das propriedades dessas partículas e de como elas se comportam de forma coletiva.

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Conclusão

Embora nossa tentativa de formulação de uma previsão sobre como se daria o fenômeno possa parecer estranha, pois mistura elementos matemáticos (alguns diriam „redundante?), não estamos a dizer que essa descrição é necessária. Nosso objetivo aqui foi tão só a clareza na compreensão das idéias, tendo como ponto de partida construções teóricas elementares da Física Estatística. De qualquer forma, inexistem quaisquer garantias de que nossa proposta esteja correta. Nossa previsão é o resultado da aplicação de algum raciocínio teórico em torno de conhecidas dessas leis e as descrições típicas dos fenômenos de transporte, mas ela pode muito bem estar equivocada.

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REFERÊNCIAS


1 A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Cap. IV, 74, questão XIV, 58ª Edição, FEB (1944).
2 http://pt.wikipedia.org/wiki/Fluido
3 Opus cit [1], Capítulo V, parágrafo 79.
4 Opus cit [1], Capítulo V, parágrafo 99, 14ª questão.
5 R. Reif, Fundamentals of Statistical and Thermal Physics, McGraw-Hill (1985)
6 Opus cit [1], Capítulo V, parágrafo 81.
7 A. J. Smits (Editor), T. T. Lim (Editor), Flow Visualization: Techniques and Examples, World Scientific Publishing Company (2000)

 


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