Resumo: Desenvolve-se a teoria das manifestações
físicas utilizando alguns apontamentos da teoria dos fluidos
físicos como auxiliares na apreensão de algumas características
do fenômeno. Uma nova conjectura a cerca da ocorrência de
fenômenos de transporte em condições físicas
especiais será feita.
Os fundamentos do presente trabalho são: existência de
um fluido produzido pelo médium que se exterioriza, fluido de
origem desconhecida que parece interagir com radiação
eletromagnética. Esse fluido está provavelmente associado
a um tipo de matéria exótica que é segregada pelo
organismo em colaboração com o corpo perispiritual em
seres humanos.
Introdução e
definições
A foto da Fig. 1 é um instantâneo do fenômeno que
deu origem ao movimento espírita em escala planetária:
o famoso fenômeno das mesas girantes. Tomado como evento sobrenatural
por alguns, considerado como diversão por muitos, e, hoje em
dia, um tanto esquecido, as mesas girantes constituem um dos fenômenos
mais extraordinários da Natureza.
A explicação para o movimento das mesas forneceram os
próprios Espíritos: um fenômeno de transporte realizado
sob a influência de entidades desencarnadas (por eles controlados),
sob a ação promotora de um fluido produzido por um médium
de efeitos físicos. A necessidade da existência de um médium
é considerada fato incontestável e um dos requisitos para
a funcionalidade da teoria das manifestações físicas
proposta pelos Espíritos [1].
Fig. 1 Levantamento de uma mesa em uma sessão
com a médium Eusápia Paladino.
Considerando o movimento da mesa e a necessidade do médium, não
é difícil imaginar um modelo para contabilizar a transferência
de uma entidade fundamental também presente em qualquer fenômeno:
a energia. Aqui adentramos em uma área onde é conveniente
explicar de antemão o significado dos termos:
Fluido. No sentido da teoria dos
transportes do Livro dos Médiuns, é uma substância
produzida pelo médium e envolvida nos fenômenos de efeitos
físicos. O fluido é manipulado ou manipulável
por entidades desencarnadas e pode dar origem ao movimento de objetos
nas
manifestações físicas espontâneas.
Ele é produzido em abundância por médiuns
de efeitos físicos. É relevante para o estudo aqui desenvolvido
o exposto no parágrafo 98, Capítulo V, página 112
do Livro dos Médiuns [1]:
(...) porque o sistema nervoso facilmente excitável
de tais médiuns lhes permite, por meios de certas vibrações,
projetarem abundantemente em torno de si, o fluido animalizado que
lhes é próprio.
Segundo o Livro dos Médiuns, acresce ainda que,
na maioria das pessoas, existe um “envoltório refratário”
que não permite a expansão do perispírito.
Fluido físico. Um fluido físico
é definido como uma substância que se deforma continuamente
(flui) sob aplicação de uma tensão de cisalhamento,
independentemente da amplitude da tensão aplicada. É
um subconjunto das fases da matéria que inclui líquidos,
gases, plasmas e, até certo ponto, sólidos plásticos.
Fluidos também são divididos em líquidos e gases.
Líquidos formam uma superfície livre (isto é,
que não se prende à superfície do vaso que o
contém) enquanto que gases não fazem isso. Fluidos guardam
a propriedade de não resistir à deformação
e de possuírem habilidade de fluir (também descrita
como a de se moldarem ao vaso). Essas propriedades são advindas
da incapacidade de suportar tensão de cisalhamento em equilíbrio
estático. [2]
Já a divisão entre sólidos e fluidos
não é tão óbvia. A distinção
é feita avaliando a viscosidade da matéria.
Tensão de cisalhamento. Uma
tensão que aparece ou é aplicada na direção
tangencial ou paralela a superfície onde se aplica a força.
Energia. Não é uma substância
no sentido material, mas uma quantidade de algo que mede a propensidade
para o movimento cinético (mecânico) ou a outras manifestações
de ordem elétrica, magnética, térmica, gravitacional,
nuclear etc, sem a qual nenhum fenômeno físico acontece.
É evidente que o conceito de energia, tal como
utilizado pela física, também deve se aplicar aos fenômenos
físicos de natureza psíquica. De qualquer forma, energia
aqui não tem outro significa além do fornecido acima.
Balizados nos conceitos de fluido e energia acima apresentados, aventuramo-nos
a ir um pouco além no desenvolvimento da teoria dos transportes
de efeitos físicos: os transportes ocorrem por transferência
de energia do médium ao objeto. Mas, não se trata de ação
de um fluido? Não se está a propor uma modificação
na explicação original. De fato, o fenômeno ocorre
por meio do fluido, mas há uma transferência de energia
do médium para o objeto, como exigência da lei de conservação
de energia.
Fig. 2 Comparação entre o movimento
de um pistão pela expansão de um gás e o levantamento
de objetos por um médium de efeitos físicos. Nesse paralelo,
tanto o movimento do pistão como da mesa se dá pela ação
de um fluido invisível (no caso A é o gás em expansão).
No caso B é o fluido de que fala o Livro dos Médiuns.
Para tornar claro esse tipo de afirmação,
fazemos uso de um paralelo. Na Figura 2 (A) representa-se um cilindro
dotado de um êmbolo sobre o qual se deposita um peso. Um gás
é aquecido e provoca o movimento do êmbolo por meio de
um processo termodinâmico de expansão do gás. Esse
gás, ao elevar o peso de uma distância h, realiza trabalho.
Energia proveniente de uma fonte de calor (Q) provoca a expansão
do gás. Em (B) representa-se um médium de efeitos físicos,
e a elevação de um objeto de uma altura h. O peso do objeto
multiplicado pela altura fornece uma medida da energia associada ao
fenômeno: essa energia é proveniente do médium e,
na ausência de maiores detalhes, trata-se de um fenômeno
de conversão de energia química (do organismo do médium)
em energia mecânica. Podemos imaginar que o organismo do médium
– através de nutrientes contidos no alimento – é
capaz de gerar uma substância, o fluido, que é manipulada
pelos Espíritos na produção da elevação
da mesa. O paralelo que existe entre (A) e (B) se justifica: tanto em
um como em outro efeito, um fluido não visível está
associado na produção do fenômeno. Esse paralelo
não passou despercebido a Kardec [3]:
Quando se produz o vácuo na campânula
da máquina pneumática, essa campânula adere com
força tal ao seu suporte, que impossível se torna suspendê-la,
devido ao peso da coluna de ar que sobre ela faz pressão. Deixe-se
entrar o ar e a campânula pode ser levantada com a maior facilidade,
porque o ar que lhe fica por baixo contrabalança o ar que,
pela parte exterior, a comprime. Contudo, se ninguém lhe tocar,
ela permanecerá assente no suporte, por efeito da lei de gravidade.
Agora, comprima-se-lhe o ar no interior, dê-se-lhe densidade
maior que a do que está por fora, e a campânula se erguerá,
apesar da gravidade. Se a corrente de ar for violenta e rápida,
a mesma campânula se manterá suspensa no espaço,
sem nenhum
ponto visível de apoio, à guisa desses bonecos que se
fazem rodopiar em cima de um repuxo dágua.
A quantidade de energia necessária para o movimento
é proporcional à massa do objeto, bem como a quantidade
de fluido envolvido que é liberado pelo médium [4]:
A massa dos fluidos combinados é proporcional
à dos objetos. Numa palavra, a força deve estar em proporção
com a resistência; donde se segue que, se o Espírito
apenas traz uma flor ou objeto leve, é muitas vezes porque
não encontra no médium, ou em si mesmo, os lementos
necessários para um esforço mais considerável.
Já se reportou a elevação ou movimentação
de objetos da ordem de muitos quilos por médiuns de efeitos físicos.
Para um objeto da ordem de 50 kg, uma elevação da ordem
de 2 metros requer um mínimo de 980 Joules de energia, ou, aproximadamente,
234 calorias. Isso é 1% do conteúdo energético
de um biscoito (Um biscoito salgado contém da ordem de 100 mil
Joules, ou 40 kcal). Como todo sistema de conversão ou transformação
de energia, é possível imaginar médiuns como 'máquinas
pouco eficientes', de forma que bem mais energia deve estar envolvida
na produção desses fenômenos, energia essa que é
perdida para o ambiente, por conta da irreversibilidade do fenômeno.
A baixa eficiência deve estar provavelmente associada à
natureza bioquímica da fonte de energia envolvida.
A importância de se considerar a eficiência
e a quantidade de energia envolvida em um fenômeno de transportes
de efeitos físicos está nos eventuais “rastros”
deixados pelo fluido na produção do fenômeno. De
fato, é bastante possível que ocorram modificações
mensuráveis nas propriedades termodinâmicas do ar de uma
sala onde se passa um efeito desse tipo. Não sendo eficiente
a conversão energética, é possível que parte
da energia seja dissipada no ar (além de, obviamente, no próprio
corpo do médium, fonte do fluido). Se isso acontecer, variações
pequenas na temperatura e densidade do ar podem resultar em pistas importantes
da presença do fluido no início ou durante a realização
do fenômeno.
Fluidos físicos, pressão
e distribuição estatística de velocidades.
Em todos os desenvolvimentos subseqüentes de fluidodinâmica,
fluidos físicos são descritos como substâncias formadas
por partículas de natureza microscópica. É objeto
da Física Estatística [5] determinar as propriedades dos
fluidos físicos (como eles se comportam frente a variações
de pressão, densidade, temperatura etc) por meio dessa descrição
microscópica. Assim, as características dos fluidos são
propriedades emergentes deriváveis das propriedades dessas partículas
e de como elas se comportam de forma coletiva.
(...)
(...)
(...)
- abaixo outros trechos da
dissertação - * os trabalhos
completos estarão disponíveis em forma de livro *
(...)
(...)
(...)
Conclusão
Embora nossa tentativa de formulação
de uma previsão sobre como se daria o fenômeno possa parecer
estranha, pois mistura elementos matemáticos (alguns diriam „redundante?),
não estamos a dizer que essa descrição é
necessária. Nosso objetivo aqui foi tão só a clareza
na compreensão das idéias, tendo como ponto de partida
construções teóricas elementares da Física
Estatística. De qualquer forma, inexistem quaisquer garantias
de que nossa proposta esteja correta. Nossa previsão é
o resultado da aplicação de algum raciocínio teórico
em torno de conhecidas dessas leis e as descrições típicas
dos fenômenos de transporte, mas ela pode muito bem estar equivocada.
(...)
(...)
(...)
* os
trabalhos completos estarão disponíveis em forma de livro
*
REFERÊNCIAS
1 A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Cap. IV, 74, questão
XIV, 58ª Edição, FEB (1944).
2 http://pt.wikipedia.org/wiki/Fluido
3 Opus cit [1], Capítulo V, parágrafo 79.
4 Opus cit [1], Capítulo V, parágrafo 99, 14ª questão.
5 R. Reif, Fundamentals of Statistical and Thermal Physics, McGraw-Hill
(1985)
6 Opus cit [1], Capítulo V, parágrafo 81.
7 A. J. Smits (Editor), T. T. Lim (Editor), Flow Visualization: Techniques
and Examples, World Scientific Publishing Company (2000)