Vários são os precursores do
Mandato Mediúnico de Chico Xavier no Brasil, sem os quais o Espiritismo
não se consolidaria no país.
Sem esgotar a lista de missionários de Jesus
no campo político e educacional do Espiritismo no Brasil, citarei
apenas cinco deles: Bezerra de Menezes, Batuíra, Cairbar
Schutel, Anália Franco e Eurípedes Barsanulpho.
Em todos eles, o mesmo esforço missionário fundado na
Filosofia Espírita e na Pedagogia Espírita - uma fidelidade
ao caráter educacional do Espiritismo, a partir do pedagogo e
professor Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec).
Rivail - e depois Allan Kardec- foi professor, pedagogo,
escritor, fundador e diretor de escolas, pesquisador nato; codificador
do Espiritismo, fundou e presidiu a primeira Revista Espírita
intitulada Jornal de Estudos Psicológicos e a primeira Sociedade
de Estudos Espíritas do mundo (Sociedade Parisiense de Estudos
Espíritos).
A codificação do Espiritismo por Allan
Kardec inaugurou, sob sua responsabilidade e escrita, diversas áreas
epistêmicas, entre as quais estão: Epistemologia Espírita,
Estética Espírita (e suas subáreas de Ética,
Moral, Arte, Poética), Pedagogia Espírita, Educação
Espírita, Antropologia Espírita, Psicologia Espírita,
Filosofia Espírita, Ciência Espírita, Política
Espírita.
1) Bezerra de Menezes foi
médico, político, escritor profícuo de artigos,
de contos e de crônicas espíritas em jornal de âmbito
nacional e autor de livros espíritas.
Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, renascido a 29 de agosto de 1831
e desencarnado aos 11 de abril de 1900, renascimento e desencarne no
Rio de Janeiro.
Cognominado Apóstolo do Espiritismo no Brasil
e Kardec brasileiro, Bezerra de Menezes cumpre no Espiritismo a missão
de preparar caminho para outro Apóstolo da Mediunidade - Chico
Xavier.
A mesma preparação exercida por João
Batista referente ao posterior Mandato Divino de Jesus ecoa no século
XX com relação a Bezerra de Menezes e a vinda posterior
de Chico Xavier.
João Batista afirmará, resoluto (Mateus, 3:11 e 12): \"Preparai
o caminho do Senhor, aplainai as suas veredas...Aquele que vem depois
de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno
nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará
com o Espírito Santo e com fogo. A pá está na sua
mão: vai limpar a sua eira e recolher seu trigo o celeiro: mas,
quanto à palha, vai queimá-la num fogo inextinguível.\"
O trabalho sociopolítico de Bezerra de Menezes
para consolidação do Espiritismo no Brasil é pedagogicamente
comparável ao ministério de aplainamento das veredas referido
pelo apóstolo Mateus quanto a João Batista e a Jesus.
O cumprimento do Mandato Mediúnico de Chico Xavier
foi possível graças ao trabalho anterior de Bezerra de
Menezes e é talvez por isso que este esteve ligado àquele
durante todo aquele Mandato.
Aquele trabalho de aplainamento, realizado por Bezerra
de Menezes, pode ser acompanhado e estudado na obra publicada pela Fraternidade
Assistencial Esperança (FAE) em três volumes e intitulada
Espiritismo, Estudos Filosóficos. Nesta obra estão os
artigos escritos por Bezerra de Menezes e publicados no jornal O Paiz,
de 1887 a 1895.
Nascido em Riacho do Sangue, no Ceará, Bezerra
de Menezes transferiu-se para o Rio de Janeiro no ano de 1851 para cursar
Medicina; em 1858 casou-se com Maria Cândida de Lacerda, dona
Mariquinhas, com a qual teve dois filhos; foi vereador municipal da
então Freguesia de São Cristóvão pelo Partido
Liberal, no ano de 1861; sua eleição foi impugnada sob
a alegação de que a essa época era médico
militar; foi reeleito para o período de 1864 - 1868 e, posteriormente
entre 1873 e 1881; tornou-se presidente efetivo da Câmara Municipal
da Corte de 1878 a 1881; de 1878 a 1885 foi deputado geral do Rio de
Janeiro.
A atividade política de Bezerra de Menezes e
a sua centralidade para o Espiritismo no Brasil do século XIX
atestam a concepção de Política na Doutrina Espírita
como instrumento de transformação das sociedades humanas.
Com o falecimento de sua primeira esposa em 1863, Bezerra
de Menezes casou-se com Cândida Augusta de Lacerda Machado em
1865 e com a qual teve sete filhos.
Em 16 de agosto de 1886, Bezerra de Menezes proclama
publicamente ser adepto do Espiritismo, proferindo palestra no auditório
da Federação Espírita Brasileira (FEB), fundada
em 2 de janeiro de 1884: à época, um escândalo nos
campos político, religioso e médico.
A revista da FEB, o Reformador, teve Bezerra de Menezes
como seu redator-chefe; escritor, também publicou de sua autoria
as seguintes obras:
- A Casa Assombrada;
- A Loucura sob novo prisma;
- A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica (reeditado
com o título Uma Carta de Bezerra de Menezes);
- Casamento e Mortalha;
- Pérola Negra;
- Lázaro - o leproso;
- História de um sonho;
- Evangelho do Futuro.
Bezerra de Menezes foi vice-presidente da FEB em 1890
e em 1891, sendo eleito presidente em 3 de agosto de 1895: sua ação
consolidadora do Espiritismo no Brasil se expressa no campo da Educação
Espírita, através da instituição do estudo
sistemático e público de O Livro dos Espíritos,
e no campo da Ação Espírita fiel ao Evangelho de
Jesus.
Em apenas 14 anos (de 1886 a 1900) de profissão
de fé espírita, Bezerra de Menezes consolidou a integração
do Espiritismo no Brasil: seu esforço foi o de integrar o movimento
espírita brasileiro em torno da própria Filosofia Espírita
codificada e expressa por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos.
Talvez por isso mesmo os seus 316 artigos, crônicas e contos publicados
no Jornal O Paiz e sob o pseudônimo de Max, foram apresentados
com o título Espiritismo, estudos filosóficos.
2) Batuíra,
de instrução primária, foi entregador de jornais,
teatrólogo, tipógrafo espírita, criador de jornal
e de centros espíritas, tradutor, homeopata por autodidatismo,
médium curador, conferencista, livreiro.
Antônio Gonçalves da Silva, cognominado Batuíra,
renasceu em 19 de março de 1839, na então freguesia de
Águas Santas, e desencarnou em 22 de janeiro de 1909, em São
Paulo.
O trabalho cultural iniciante de Batuíra iniciou-se
em 1899 quando se tornou até 1900 e na cidade de São Paulo
o exclusivo agente da revista Reformador, órgão de difusão
do Espiritismo da Federação Espírita Brasileira.
Porque era um rico proprietário de terras e de
imóveis, Batuíra construiu uma Tipografia Espírita,
inaugurada em 20 de maio de 1890 com a publicação do jornal
Verdade e Luz: este jornal, iniciado com dois mil exemplares chegou
à expressiva tiragem de 15 mil exemplares distribuídos
em todo o território brasileiro.
A atividade de Educação Espírita
de Batuíra estendeu-se à criação de vários
grupos e centros espíritas, sob sua direta influência,
nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além
de incontáveis conferências por ele realizadas em ambientes
espíritas.
Em 1904 fundou a Instituição Cristã
Beneficente Verdade e Luz: a esta instituição de assistência
doutrinária, terapêutica e assistencial agregaram-se a
tipografia, uma livraria, uma chácara em Santo Amaro (São
Paulo).
3) Cairbar Schutel
foi prático de farmácia, político, fundador de
centro espírita, criador e fundador de uma Revista Internacional
de Espiritismo, escritor profícuo de obras espíritas,
dono de editora espírita.
Caírbar de Souza Schutel renasceu na cidade do
Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1868 e desencarnou na cidade de
Matão - São Paulo em 30 de janeiro de 1938.
Cognominado "Pai da Pobreza" e "Apóstolo
de Matão", Caírbar Schutel foi prático de
farmácia, tendo assumido o cargo político de presidente
da Câmara Municipal de Matão em 1889; convertido ao Espiritismo,
fundou o Centro Espírita Amantes da Pobreza em 15 de julho de
1905, o jornal O Clarim em 15 de agosto de 1905, a Revista Internacional
do Espiritismo em 15 de fevereiro de 1925 e a Empresa Editora O Clarim
na qual publicou, a partir de 1911, vários livros espíritas
e particularmente os de sua autoria.
Dos expressivos livros publicados de autoria de Schutel,
destacam-se:
- Espiritismo e Protestantismo (1911)
- Histeria e Fenômenos Psíquicos (1911)
- O Diabo e a Igreja (1914)
- Espiritismo para as crianças (1918)
- Interpretação Sintética do Apocalipse (1918)
- Médiuns e Mediunidades (1923)
- Gênese da Alma (1924)
- Materialismo e Espiritismo (1925)
- Fatos Espíritas e as Forças X (1926)
- Parábolas e Ensinos de Jesus (1928)
- O Espírito do Cristianismo (1930)
- A Vida no Outro Mundo (1932)
- Vida e Atos dos Apóstolos (1933)
- Livro de preces (1936)
- Conferências Radiofônicas (1937)
- Cartas a Esmo
- O Batismo.
Caírbar Schutel é o pioneiro do Espiritismo
propagado através do rádio no Brasil, durante os anos
de 1936 e 1937 na Rádio Cultura de Araraquara, PRD-4.
4) Anália Franco
foi professora e sua imensa obra social e educativa teve por base político-pedagógica
enfrentar a marginalização da criança negra, o
abandono da mulher e da criança pobre, a discriminação
religiosa e sexual, a marginalização da mulher prostituída:
para esse enfrentamento criou e supervisionou Escolas Maternais, Creches,
Cursos Profissionalizantes e de Formação de Professoras,
Casas de Recuperação ou de Regeneração,
Asilos e Colônias, Revistas.
A originalidade pedagógica da obra de educação
de Anália Franco pode ser estudada em várias direções:
- foi a primeira educadora no Brasil a empregar os termos Escolas Maternais
e Creches ao invés de Jardins da Infância e Orfanatos ou
Asilos Infantis;
- criadora da primeira banda de música inteiramente feminina
no Brasil;
- indiscriminação de crença, raça e etnia
em suas Escolas;
- não separar educação e trabalho profissionalizante
para alunos mais velhos;
- valorização social e política da mulher numa
época em que o único lugar permitido para a mulher era
o de ser esposa e \"dona\" do lar.
Anália Emília Franco renasceu no em Resende - Rio de Janeiro
a 1 de fevereiro de 1856; aos cinco anos, seus pais (Antônio Maria
Franco e Teresa Franco) mudaram-se para São Paulo aonde desencarnou
aos 20 dias de janeiro de 1919, vitimada pela gripe espanhola.
Anália Franco, a Mãe da Pedagogia Espírita
no Brasil, Grande Dama da Educação no Brasil e Mãe
dos órfãos e das viúvas, foi casada com Francisco
Antônio Bastos - continuador de sua obra e também seu biógrafo;
após o casamento, passou a chamar-se Anália Branco Bastos.
Na Escola Normal Secundária de São Paulo
Anália Franco estudou e diplomou-se professora, dedicando-se
por toda a sua vida ao magistério público.
O caráter precursor de Anália Franco, no campo da Pedagogia
do Espírito e particularmente na Pedagogia Espírita, materializou-se
em suas fundações nos Estados de São Paulo e de
Minas Gerais e em mais de vinte municípios:
- Colégio Santa Cecília, internato e externato para ensino
primário e secundário;
- Revista Álbum das Meninas, periódico literário
cujo primeiro número foi em 30 de abril de 1898;
- Associação Feminina Beneficente e Instrutiva do Estado
de São Paulo em 17 de novembro de 1901, destinada ao amparo,
à instrução e à educação de
crianças pobres e indigentes. Esta Associação foi
a mantenedora de mais de setenta outras Escolas Maternais diurnas e
noturnas;
- Liceu Feminino (noturno e diurno), inaugurado a 25 de janeiro de 1902
e responsável pela criação de cursos para formação
de professoras voluntárias a serviço das Escolas Maternais,
além de vários outros cursos profissionalizantes para
as alunas das Escolas Maternais;
- Revista A Voz Maternal da Associação Feminina com primeiro
número publicado a 1 de março de 1903, destinada a ser
o órgão de literatura e de educação e chegando
à tiragem mensal de 6 mil exemplares;
- Asilos-Creches para amparo de viúvas, mães abandonadas
e seus filhos e órfãos em geral; o primeiro asilo-creche
foi criado em meados de 1903;
- Oficinas e cursos de tipografia, de costura, de flores artificiais,
de chapéus, de música, de escrituração mercantil,
de prática de Enfermagem, de arte dentária - todas criadas
nos próprios Asilos-Creches;
- Manual Educativo e posteriormente denominado Novo Manual Educativo
- uma publicação mensal com tiragem de 5 a 6 mil exemplares
para distribuição gratuita entre as alunas das Escolas
Maternais;
-Bazar da Caridade, criado a partir de 1906 para vender ao público
os trabalhos produzidos nos Asilos-Creches;
- Colônia Regeneradora erguida em fazenda adquirida no bairro
da Mooca para abrigar inicialmente mulheres arrependidas, oferecendo-lhes
ofícios ministrados por professoras especializadas além
da organização de uma orquestra e de um Grupo Dramático
Musical;
- Liga Educativa Maria de Nazaré, criada em 1914 para auxiliar
as escolas maternais, creches, asilos e colônias fundadas pela
Associação Feminina Beneficente e Instrutiva.
As escolas maternais, creches, asilos, colônias, revistas, o Liceu
e a Liga fundadas pela Associação Feminina Beneficente
e Instrutiva de Anália Franco realizaram uma revolução
social, política e pedagógica no Brasil - particularmente
nos estados de São Paulo e de Minas Gerais.
Anália Franco foi escritora e publicou várias obras, entre
romances, contos, poesias, peças teatrais e crônicas.
Relevante é o fato da contemporaneidade de Anália Franco
e de Eurípedes Barsanulpho.
5) Eurípedes Barsanulpho,
um Sol de Cultura Espírita, foi professor no ensino primário
e secundário, nada menos do que o criador e fundador do primeiro
colégio espírita do Brasil - o Colégio Allan Kardec,
em Sacramento, Minas Gerais. Médium espírita de diversas
e desenvolvidas faculdades mediúnicas, entre as quais estão
a de cura, de receitista, clariaudiência, clarividência,
psicofonia, psicografia: legitimamente pode ser cognominado Apóstolo
da Mediunidade: tradicionalmente, os espíritas brasileiros o
referenciam como Apóstolo da Caridade e Apóstolo do Triângulo
Mineiro.
Esses expoentes do Espiritismo no Brasil, sobretudo
Eurípedes Barsanulpho, e tidos como precursores do trabalho educacional
e mediúnico ininterruptos de Chico Xavier (de 1932 a 2002) afirmam
e reafirmam a finalidade básica do Espiritismo colocada por Pires
nestes termos:
-"a finalidade básica do Espiritismo não é
terapêutica, mas cultural." (PIRES, José Herculano.
Agonia das Religiões. São Paulo: Paidéia. 1976;
p.92)
-"Espiritismo é educação. Educação
individual e educação em massa... [Educação
Espírita é] o processo de orientação das
novas gerações de acordo com a visão nova que o
Espiritismo nos oferece da realidade." (PIRES, José Herculano.
Pedagogia Espírita. 10. ed. São Paulo: Paidéia.
2004; ps.31, 33)
Eurípedes Barsanulpho renasceu a 1º. de
maio de 1880 e desencarnou a 1º. de novembro de 1918, renascimento
e desencarnação na cidade mineira de Sacramento.
Cognominado o "Apóstolo do Triângulo
Mineiro", Eurípedes Barsanulpho reúne todos os qualificativos
expressivos da grandeza apostolar de um herói da fé, de
um mártir cristão, de um homem de bem em sua máxima
significação, de um santo.
Assistido diretamente pelo espírito conhecido
pelo nome de Vicente de Paulo, Eurípedes Barsanulfo ergue por
símbolo supremíssimo do seu Apostolado o Colégio
Allan Kardec, destinado ao ensino fundamental, médio e superior
para ambos os sexos.
Ex e brilhante aluno do famoso Colégio Miranda
de Sacramento, inaugurado em 1889 e cujo proprietário era o major
João Derwil de Miranda, Eurípedes Barsanulpho e os professores
João Gomes Vieira de Melo, José Martins Borges, Inácio
Martins de Melo, Teófilo Vieira e o padre Augusto da Rocha Maia
fundam o Liceu Sacramentano no ano de 1902.
Convertido ao Espiritismo no ano de 1905, Eurípedes
Barsanulpho é alvo das hostilidades locais: os pais dos alunos
matriculados no Liceu Sacramentano retiraram os seus filhos do colégio
e os demais professores o abandonam.
O prédio aonde funcionava o Liceu e todo o seu
mobiliário foram entregues aos seus proprietários: eis
o motivo pelo qual Eurípedes Barsanulpho reinauguraria em 1907
o Liceu Sacramentano com o nome de Colégio Allan Kardec e funcionando
inicialmente em sua residência.
Notavelmente, todos os ex-alunos do Liceu Sacramentano
se rematriculam no Colégio Allan Kardec.
Se Bezerra de Menezes eleva a significação
espírita da ação política, Eurípedes
Barsanulpho dignifica, em máxima expressão, a ação
mediúnica; com ele, revive-se o conhecido dia de Pentecostes.
Com Eurípedes Barsanulpho reinaugura-se, sem dúvida, a
Era da Mediunidade dos tempos de Jesus de Nazaré, continuada
pelo seu sucessor Francisco Cândido Xavier; e, nesse sentido,
é legítimo o título dado a Eurípedes - O
Médium de Jesus.
A Pedagogia de Jesus, reverenciada pela Pedagogia de
Allan Kardec, revive e se consolida na Pedagogia de Barsanulpho: o próprio
espírito Allan Kardec comunica-se através de Eurípedes,
em 25 de fevereiro de 1906, parabenizando-o pela construção
do Colégio Allan Kardec posteriormente inaugurado em 2 de abril
de 1907.
Em Sacramento existia o jornal - o Borá; ainda em sua juventude
e juntamente com José Martins Borges, Leão de Almeida
e o professor Inácio G. Melo, Eurípedes Barsanulpho fundou
(e foi o redator d) o jornal A Gazeta de Sacramento cuja circulação
semanal foi até aproximadamente o ano de 1918.
Eurípedes criou uma Farmácia Homeopática,
totalmente gratuita e funcionante durante 15 anos consecutivos, aonde
ele mesmo manipulava, receitava e atendia, primeiramente a população
de Sacramento e, depois, toda a população brasileira que
recorria àquela Farmácia: essa iniciativa atendia à
lacuna de que em Sacramento não existiam hospitais e raros médicos
e enfermeiros.
Eurípedes torna-se espírita entre os anos
de 1903 e 1905: em 1905 funda, com o apoio de sua família, o
Grupo Espírita Esperança e Caridade.
Quanto à vida política, Eurípedes foi vereador
em Sacramento, de 1904 até o seu pedido de afastamento em 23
de setembro de 1910.
Finalmente, renasce o menino registrado com o nome de
Francisco de Paula Cândido, posteriormente alterado para Francisco
Cândido Xavier: 2 de abril de 1910 é a data do seu renascimento
em Pedro Leopoldo - Minas Gerais; 20 de junho de 2002 é a data
do seu desencarne em Uberaba - Minas Gerais.
Em seus mais de quatrocentos livros psicografados, os
seus precursores compareceram grafando instruções e esclarecimentos,
segundo a Filosofia Espírita: mais intensivamente assinada em
texto escrito é a presença de Bezerra de Menezes e de
Batuíra junto ao Mandato Mediúnico de Chico Xavier.
Sem o trabalho mediúnico sistemático de
Chico Xavier, a Cultura Espírita no Brasil não teria se
consolidado após os esforços pioneiros de Bezerra de Menezes
e de Eurípedes Barsanulpho em particular: sua obra psicografada
ainda constitui desafio para leigos e estudiosos espíritas, sem
falar em seu trabalho permanente centrado nos lemas de Allan Kardec
\"Fora da Caridade Não Há Salvação\"
e \"Trabalho, Tolerância e Solidariedade\".
Pela sistematicidade de sua obra mediúnica,
Chico Xavier é o legítimo e único continuador do
trabalho de Pedagogia Espírita inaugurado por Allan Kardec com
as obras O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O
Evangelho Segundo O Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese.
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(Obs.; tratando-se de nome próprio, mantenho
a grafia do nome Eurípedes Barsanulpho)
Fonte: http://filosofia.portaldoespiritismo.com.br/col_62.php
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