Os católicos e protestantes seguem a doutrina de Santo Tomas
de Aquino, que defendia a “fé” como uma opção
exclusiva da vontade, sem interferência da “razão”,
distinguindo-a da “dúvida” porque nesta há
indecisão entre os dois conceitos opostos, e da “opinião”
que é a aceitação de um juízo sem excluir
totalmente outros, mas já aí com base em fatores racionais.
Também a distingue da “certeza”, porque está
assentada no conhecimento científico.
Na época atual já não é admissível
a concepção aquiniana da fé, por ser evidente que:
A fé depende da razão, pois quem crê deve ter uma
razão para crer. A fé em Jesus é a aceitação
dele como Messias e Salvador. Mas a aceitação não
é só um ato de vontade, mas um ato de discernimento, portanto
um ato de razão. Como posso aceitar isto e condenar aquilo, sem
recorrer ao juízo, que é a função da razão?”
(Herculano Pires, em “Revisão do Cristianismo”, pg.
89)
Aprendidos estes conceitos, vejamos como se processaria a “salvação
pela fé”, no entendimento dos evangélicos: Um incrédulo
ouve o sermão, sente-se tocado pela comovente mensagem do pregador
e se torna um “convertido”, recebe Cristo no seu coração
e acredita “nascido de novo”, salvo pela graça do
Senhor, e purificado dos seus pecados pelo sangue do Cordeiro. Em seguida,
filia-se a congregação dos fiéis através
do batismo e passa, ao menos em teoria, a viver sua existência
dentro dos preceitos do Evangelho, podendo tornar-se até um dos
“mensageiros da palavra”, no afã de trazer outros
pecadores aos braços do Salvador.
Longe de nós o intuito de parecer de alguma forma irreverente
para com os nobres sentimentos dos nossos irmãos. Sabemos que
agem movidos pela mais pura das intenções, cheios daquela
fé que descrevemos acima como “convicção
íntima inabalável”. Mas seja-nos lícito perguntar:
É suficiente essa atitude tão simples para modificar uma
vida e transformar substancialmente um caráter? Basta mesmo esse
“pequeno passo” para o crente se credenciar a “comunhão
dos santos” e ter assegurada a sua admissão a “eterna
bem aventurança”? Então, por que só uns poucos,
talvez os de espírito mais evoluído, permanecem realmente
regenerados? A maioria ostenta um cristianismo de fachada, persistindo
com os mesmos sentimentos íntimos de “homem velho”:
egoísmo, desamor, intolerância, racismo, ausência
de empatia e de fraternidade. Mesmo admitindo que os indivíduos
se transformem, que efeitos tem produzido o Evangelho nos grupos sociais
que se intitulam cristãos, tanto católicos como protestantes?
Acaso o mundo foi transformado, após quase dois mil anos de catequese?
Reinam paz e harmonia entre os povos cristãos? Foi implantado
nos corações o ideal da solidariedade humana? Ou continuam
os homens a digladiar-se, não raro trucidando os adversários
em nome do próprio Cristo, como ocorreu nas “Cruzadas”,
nos tribunais da “Santa Inquisição”, no massacre
dos camponeses alemães (com o apoio do próprio Lutero),
na matança dos huguenotes e nas lutas fratricidas dos nossos
dias entre os cristãos irlandeses? Observe-se que o próprio
Jesus preveniu: “Pelos frutos os conhecereis”... (Mat. 7:16)
Quem tiver olhos de ver e ouvidos de ouvir, por favor leia o Novo Testamento
com os olhos bem abertos e a mente despida de preconceitos, e chegará
fatalmente a conclusão de que Jesus não desceu a este
mundo para fundar nenhuma religião, e sim para trazer a noção
de uma vida futura e da sobrevivência da alma, de recompensas
e punições segundo as obras que os seres humanos tenham
praticado, enfim, veio apresentar aos homens um Deus de amor e misericórdia,
muito diferente daquele Jeová rancoroso do Velho Testamento.
Palavras da Bíblia
Católicos e Protestantes nos criticam por não
crermos na Bíblia como a Palavra de Deus inquestionável.
Realmente, damos importância apenas a Jesus, pois nada há
de útil no Velho Testamento para os dias de hoje, exceto os Dez
Mandamentos. O próprio Jesus afirmou: “Respondeu-lhe Jesus:
Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração,
de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande
e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás
ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem
toda a lei e os profetas”. (Mateus 22:37-40)
No Sermão da Montanha, Jesus revogou algumas coisas do Antigo
Testamento, retificando o que era humano nas leis mosaicas: “Ouvistes
que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos
digo...” (Mateus 5:38 a 42) “Ouvistes o que foi dito: amarás
o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém,
vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.”
(Mateus 5:43 e 44)
Paulo também disse: “Com efeito: Não adulterarás;
não matarás; não furtarás; não cobiçarás;
e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume:
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Romanos
13:9)
O que aí não se inclui, são quinquilharias humanas.
Jesus não trabalhou aos sábados; não permitiu que
apedrejassem a adúltera; foi contra o divórcio, contrariando
Moisés, pois, afinal, eram leis de Moisés, leis para doutrinar
aquele povo, e não leis divinas, que nunca se alteram. A expressão
“a palavra de Deus” é de origem judaica. Foi naturalmente
herdada pelo Cristianismo, que a empregou para o mesmo fim dos judeus:
dar autoridade à Igreja. A Bíblia, considerada a "palavra
de Deus", reveste-se de um poder mágico: a sua simples leitura,
ou simplesmente a audiência dessa leitura, pode espantar o Demônio
de uma pessoa e convertê-la a Deus. Claro que o Espiritismo não
aceita nem prega essa velha crendice, mas não a condena. A cada
um, segundo suas convicções, desde que haja boa intenção.
As pesquisas históricas revelam que os livros que compõem
a Bíblia tem origem na literatura oral do povo hebreu. Só
depois do exílio na Babilônia foi que Esdras conseguiu
reunir e compilar os livros orais (guardados na memória) e proclamá-los
em praça pública como a lei do judaísmo, ditada
por Deus. É impossível provar que "de capa a capa"
a Bíblia é divinamente inspirada. O "credo quia absurdum"
(acredito mesmo que absurdo) é fruto do dogmatismo, criação
humana dos concílios, enquanto o Espiritismo é a doutrina
do livre-exame e consiste na fé raciocinada, apta a "encarar
a razão face a face em todas as épocas". Somente
às religiões dogmáticas, que se apresentam como
vias exclusivas de salvação, interessa o velho conceito
da Bíblia como palavra de Deus. Primeiro, porque esse conceito
impede a investigação livre. Considerada como a palavra
de Deus, a Bíblia é indiscutível, deve ser aceita
literalmente ou de acordo com a "interpretação autorizada
da igreja". Por isso, as igrejas sempre se apresentam como "autoridade
única na interpretação da Bíblia".
Segundo, porque essa posição corresponde aos tempos mitológicos,
ao pensamento mágico, e não a era de razão em que
vivemos.
Há contradições insanáveis em que se afundam
os hermeneutas religiosos. Vêem-se eles obrigados a perigosas
ginásticas de raciocínio, apoiadas em fórmulas
pré-fabricadas, para se safarem das contradições
do texto. Mas não escapam jamais a contradição
fundamental que é esta: consideram a Bíblia como a palavra
de Deus, mas estabelecem, para sua interpretação, regras
humanas. Dessa maneira, é o homem que faz Deus dizer o que lhe
interessa. As supostas condenações do Espiritismo pela
Bíblia, por exemplo, decorrem das interpretações
sacerdotais, até alterando os textos, moldando a "Palavra
de Deus" segundo suas conveniências. A Bíblia é
um dos maiores repositórios de fatos espíritas de toda
bibliografia religiosa. E os textos bíblicos estão eivados
de passagens tipicamente espíritas. (leia o item sobre a proibição
bíblica e a comunicação com mortos)
Emmanuel, trabalhador incansável do Cristo, através da
psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos diz: "O ato
de crer em alguma coisa demanda a necessidade do sentimento e do raciocínio,
para que a alma edifique a fé em si mesma. Admitir as afirmativas
mais estranhas, sem um exame minucioso, é caminhar para o desfiladeiro
do absurdo, onde os fantasmas dogmáticos conduzem as criaturas
a todos os despautérios." (O Consolador, Ed. FEB, pág.
201)
Será mesmo que tudo na Bíblia tem inspiração
divina? A despeito da expressa proibição: "Em ti
não se achará quem faça passar pelo fogo seu filho
ou a sua filha" (Deut. 18:10), os judeus de vez em quando queimavam
seus filhos em sacrifício (II Reis 17:17) e até alguns
reis cometeram esse crime hediondo, como Manasses (II Reis, 21:16) e
Acaz (II Cron. 28:3), e até o grande libertador Jefté,
que foi Juiz em Israel por seis anos, foi "cheio de espírito
e ofereceu a sua filha em holocausto a Deus" (Juizes 11:29 e 39).
Alguns textos levam a supor que os sacrifícios humanos tinham
o beneplácito de Jeová, uma vez que "o homem consagrado
a Deus nao poderá ser resgatado, será morto" (Lev.
27:29). Jeu, rei de Israel por 28 anos, matou 2 reis israelitas, Acazias
e Jorão (II Reis 9:24-33), bem como toda a linhagem do ex-rei
Acab, inclusive seus 70 filhos (II Reis 10:7) e mais 42 irmãos
de Acazias (II Reis 10:14), além de inúmeros adoradores
de Baal (II Reis, 10:25) e apesar de tão zeloso "não
se apartou dos pecados do ex-rei Joroboão e nem destruiu os bezerros
de ouro" (II Reis 10:29). Pois foi a esse rei idólatra e
sanguinário que Jeová afirmou: "Bem obraste em fazer
o que é reto aos meus olhos" (II Reis 10:30)
Samuel era vidente de Deus (I Samuel 9:19), mas mandou que o rei destruísse
totalmente os amalequitas, "matando desde o homem até a
mulher, desde os meninos até os de mama, desde os bois até
as ovelhas e desde os camelos até os jumentos" (I Samuel,
15:3). Mas Saul poupou os animais e por isso foi castigado (I Sam.,
15:26).
Moisés, que "era o mais manso de todos os homens que havia
na Terra" (Num. 12:13), desce do Sinai com as "Tábuas
da Lei", onde constava o mandamento "Não Matarás"
e logo, para passar da teoria à prática, manda matar 3
mil dos seus compatriotas e ainda por cima pede a benção
de Deus para os assassinos (Êxodo 32:28/29). Josué conquistou
todas as cidades da prometida "Canaã destruindo totalmente
a toda alma que nelas havia" (Jos. 10:35), "destruindo tudo
que tinha fôlego, como ordenara o Senhor Deus" (Jos 10:42),
o que não é de se admirar, uma vez que Jeová é
"homem de guerra" (Êxodo 15:3).
"Cada um tome a sua espada e mate cada um a seu irmão, cada
um a seu amigo, cada um a seu vizinho" (Êxodo 32:27) "Nenhuma
coisa que tem fôlego deixarás com vida" (Deut. 20:16)
"Se o povo de uma cidade incitar os moradores a servir outros deuses,
destruirás ao fio de espada tudo quanto nela houver, até
os animais" (Deut. 13:12/15)
Nossa, até os inocentes animais!!
Veja também que havia diversos "Deuses", não
só Jeová . Este, claro, era o "Deus" oficial
do povo e, sob o seu nome, houve de fato manifestações
de espíritos enviados por Deus. Isaías 8:19 também
sugere a mesma coisa.
Está escrito em Deuteronômio, capítulo 21, versículo
23: "o que for pendurado em um madeiro é maldito de Deus".
Logo, se Jesus passou por semelhante apróbio pode-se concluir
que as "Escrituras Sagradas" estão denominando o Mestre
de "maldito de Deus". Se a Bíblia não pode ser
discutida para um cristão dogmático, como sair dessa??
Quando se tem acesso ao livro de Jonas, nota-se um paradoxo: "Deus"
se apieda da cidade de Nínive, a grande inimiga de Israel, mandando
o profeta Jonas pregar aos seus habitantes, em detrimento dos amalequitas,
assassinados por ordem "divina", sem chance de arrependimento.
Afinal, há preferência de "Deus" por alguns de
seus filhos ? Portanto, que "Deus" é esse? Prejulga
merecer o povo de Nínive a sua misericórdia, enquanto
os amalequitas foram cruelmente assassinados por sua ordem;
Vemos em Levítico 21:16-24:
16Disse mais o Senhor a Moisés: 17Fala a Arão, dizendo:
Ninguém dentre os teus descendentes, por todas as suas gerações,
que tiver defeito, se chegará para oferecer o pão do seu
Deus. 18Pois nenhum homem que tiver algum defeito se chegará:
como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente
compridos, 19ou homem que tiver o pé quebrado, ou a mão
quebrada, 20ou for corcunda, ou anão, ou que tiver belida, ou
sarna, ou impigens, ou que tiver testículo lesado; 21nenhum homem
dentre os descendentes de Arão, o sacerdote, que tiver algum
defeito, se chegará para oferecer as ofertas queimadas do Senhor;
ele tem defeito; não se chegará para oferecer o pão
do seu Deus. 22Comerá do pão do seu Deus, tanto do santíssimo
como do santo; 23contudo, não entrará até o véu,
nem se chegará ao altar, porquanto tem defeito; para que não
profane os meus santuários; porque eu sou o Senhor que os santifico.
24Moisés, pois, assim falou a Arão e a seus filhos, e
a todos os filhos de Israel.
Raciocinem um pouco: um ato tão desumano de PRECONCEITO teria
vindo do próprio Deus??
Também em Levítico, "Deus" não parece
ser o grande Fisiologista, o Supremo Criador da natureza humana, desconhecendo
que o processo da menstruação é natural, não
podendo lhe ser imposto a pecha de imundo.
Assim está escrito: "Se um homem se deitar com uma mulher
no tempo da enfermidade dela, e lhe descobrir a nudez, descobrindo a
sua fonte, e ela descobrir a fonte do seu sangue, ambos serão
eliminados no meio do seu povo". Menstruação é
enfermidade? O próprio "Criador" desconhecendo o que
criou? Um "Deus" preconceituoso, anatematizando uma função
normal do aparelho sexual feminino? Ainda por cima, violento, ao ponto
de expulsar o casal de seu povo? Em Deut. 13:6, 9 e 10, há uma
ordem de matar a pedradas os adeptos de outras crenças. Uma apologia
à intolerância religiosa. Em Levítico 22:17-18 "Deus"
ordena que a oferta a ser oferecida no altar seja de animais sem defeito.
E é mais exigente ainda, quando determina que não devam
ser ofertados bichos que tiverem testículos machucados, ou moídos,
ou arrancados, ou cortados (Levítico 22:24). Os sacrifícios
de animais na Bíblia lembram bem o que acontece no Candomblé
e Quimbanda nos nossos dias.
Paulo afirmou: "Vós recebestes a lei por mistérios
dos anjos" (Atos 7:53), explicando ainda em Hebreus 2:2: "Por
que a lei foi anunciada pelos anjos", e confirmando na mesma epistola,
1:14: "Espíritos são administradores, enviados para
exercer o ministério". Também em Hebreus, (1:7) Paulo
afirma: "o que faz os seus anjos espíritos e os seus ministros
chamas de fogo". Está claro que os anjos são espíritos
reveladores das leis de Deus aos homens, como afirma o Espiritismo.
Paulo vai ainda mais longe, afirmando em Atos 7:30-31, que Deus falou
a Moisés através de um anjo na sarça ardente. Os
anjos são, portanto, espíritos, ministros de Deus, que
os faz chama de fogo nas aparições mediúnicas.
Em Hebreus, 12:9, Paulo se refere a Deus como "Deus dos Espíritos".
Houve casos estudados de manifestações de espíritos
que eram na forma de línguas de fogo. Essas manifestações
confirmam que os fenômenos de Pentecostes e o anjo da sarça
ardente foram mediúnicos. O Espiritismo reconhece a ação
de Deus na Bíblia, mas não pode admiti-la como a "Palavra
de Deus". Na verdade, como ensinou o apóstolo Paulo, foram
os mensageiros de Deus, os Espíritos, que guiaram o povo de Israel,
através dos médiuns, então chamados profetas. O
próprio Moisés era um médium, em constante ligação
com Iavé ou Jeová, o deus bíblico, violento e irascível,
tão diferente do Deus Pai do Evangelho. Devemos respeitar a Bíblia
no seu exato valor, mas nunca fazer dela um mito, um novo bezerro de
ouro. Deus não ditou nem dita livros aos homens.
Em Números, 11:23-25, temos a descrição de dois
fatos mediúnicos valiosos. Primeiro, o Senhor fala a Moisés.
Depois, Moisés reúne os setenta anciãos, formando
uma roda, e o Senhor se manifesta materialmente descendo numa nuvem.
Temos a comunicação pessoal de Jeová a Moisés,
e a seguir o fenômeno evidente de materialização
de Jeová, através da mediunidade dos anciãos, reunidos
para isso na Tenda, cedendo ectoplasma para o fenômeno. A nuvem
é a formação de ectoplasma na qual o espírito
se corporifica. Só os que não conhecem os fenômenos
espíritas podem aceitar que ali se deu um milagre, um fato sobrenatural.
E podem aceitar, também, a manifestação do próprio
Deus. Longe disso. Jeová era o espírito protetor de Israel,
que se apresentava como Deus, porque a mentalidade dos povos do tempo
era mitológica, e os espíritos eram considerados deuses.
O filósofo Tales de Mileto já dizia, na Grécia,
cinco séculos antes do Cristo: "O mundo é cheio de
deuses". Os espíritos elevados eram considerados deuses
benéficos, e os espíritos inferiores eram deuses maléficos.
O Capítulo V do Deuteronômio é inteiramente mediúnico.
Mas convém lembrar que os sucessos desse capítulo são
melhor compreendidos quando lemos o Êxodo, caps. 18 a 20. Nos
versículos 13 a 16, do capítulo 18, vemos Moisés
diante do povo, para ser o mediador, o interprete – mas na verdade
o médium –, entre Deus e o povo. Nos versículos
22 a 31, Cap. V, do Deuteronômio, temos uma bonita descrição
de conhecidos fenômenos mediúnicos: o monte Horebe envolto
em chamas, a nuvem de fluídos ectoplasmáticos (materializantes),
e a voz-direta de Jeová. que falava do meio do fogo, sem se apresentar
ao povo. E Moisés, como sempre, servindo de intermediário,
na sua função mediúnica. Por fim, Jeová
recomenda a Moisés que mande o povo embora, mas permaneça
com ele, para receber as demais instruções. (Vers. 31,
cap. 5 de Deut.)
No famoso cap. 18 de Deuteronômio, tão citado contra o
Espiritismo, logo após os versículos das proibições,
temos a promessa de Jeová, de que suscitará um grande
profeta para auxiliar e orientar o povo. Como fazia com Moisés,
o próprio Jeová promete que porá as suas palavras
na boca desse médium. Não obstante, sabendo que todo médium
está sujeito a envaidecer-se e dar entrada a espíritos
perturbadores, Jeová determina que o profeta seja morto: "Se
falar em nome de outros deuses". Esta passagem (vers. 20 do cap.
XVIII) é mais uma confirmação bíblica do
ensino espírita de que, naquele tempo, os espíritos eram
chamados "deuses". Jeová era espírito-guia do
povo hebreu, e por isso considerado como o seu Deus, o único
verdadeiro. Mas os profetas (médiuns) de Jeová podiam
receber outros deuses, como Baal, Apolo ou Zeus, pelo que a proibição
bíblica nesse sentido é terrível e desumana, como
podemos ver nos textos. A evolução espiritual do povo
hebreu permitiria a Jesus vir corrigir esses abusos e substituir a concepção
bárbara de Deus dos Exércitos pela concepção
evangélica do Deus-Pai, cheio de amor com todas as criaturas.
O Espírito que ditou os Dez Mandamentos a Moisés desempenhava
uma elevada missão, preparando o povo hebreu para o monoteísmo,
a crença num só Deus, pois os deuses da Antigüidade
eram mitos. Através da mediunidade, ensinava aos homens rudes
do tempo as verdades espirituais que deveriam frutificar no futuro.
E por isso que encontramos, nas páginas da Bíblia, não
só o relato de fenômenos espíritas ocorridos com
o povo hebreu, mas também ensinamentos precisos e claros sobre
a mediunidade. No Capitulo XII, do Livro de Números, vemos Jeová
dar aos Hebreus uma das lições que só mais tarde
apareceriam de novo, mas então no O Livro dos Médiuns,
de Allan Kardec.
Mirian e Aarão falavam mal de Moisés, por haver ele tomado
uma nova mulher, de origem cusita. Jeová não gostou disso
e subitamente "desceu da nuvem", para repreende-los. Descer
da nuvem é materializar-se, pois a nuvem é simplesmente
a formação de ectoplasma, como a Bíblia deixa bem
claro nos seus relatos. Imagina se o Senhor do Universo, o Deus-Pai
do Evangelho, faria este papel de alcoviteiro!! Seria absurdo tomarmos
este Jeová, sempre imiscuído nos assuntos domésticos,
pelo próprio Deus! Como espírito-guia, podemos compreende-lo.
E é como espírito-guia que ele repreende os maldizentes,
castiga Mirian, mas antes ensina.
Primeiro, diz ele que pode manifestar-se aos profetas (médiuns)
por meio de visão (vidência) ou de sonhos. Depois, lembrando
que Moisés é o seu instrumento para direção
do povo, esclareceu: "Não é assim com o meu servo
Moisés, que é fiel em toda a minha casa". E acrescenta:
"Boca a boca fale com ele, claramente e não por enigmas".
Cinco formas de mediunidade figuram nesse ensino bíblico:
1) vidência;
2) a de desprendimento, ou sonambúlica;
3) a de materialização;
4) a de voz-direta;
5) a de audiência.
O próprio Jeová ensinava a mediunidade, como o apóstolo
Paulo, em sua Primeira Epistola aos Coríntios, ensinaria mais
tarde a fazer uma reunião mediúnica.
Quem examinar com isenção o texto bíblico, observará
que aquele Jeová do Antigo Testamento nada tem de comum com o
Deus apresentado por Jesus no Novo.
Tudo faz crer que o protetor imediato da nação judaica
era uma Entidade mais ou menos identificada com a índole guerreira
da raça. Cada homem, cada povo, tem o Guia Espiritual que merece,
compatível com o seu grau de evolução moral. Podia
ser, talvez, um dos antepassados, com autoridade para impor seu domínio
sobre os homens. Tais entidades, por atrasadas que sejam, não
ficam ao desamparo da Espiritualidade Superior, mas é claro que
esta não pode impor ensinamentos que os assistidos não
estejam ainda em condições de assimilar. A evolução
tem que vir naturalmente, sempre respeitando o livre-arbítrio
de cada ser.
O mesmo ocorre ainda hoje, com os "pretos-velhos" e "orixás"
que orientam os cultos africanos. Quando se dedicam ao bem, trabalhando
em favor dos que sofrem, recebem assistência e orientação
dos Espíritos elevados. Se preferem a prática do mal,
tornam-se vitimas de entidades malévolas e ficam entregues a
própria sorte até que, caindo em si, percebam a voz da
consciência e, arrependidos, se voltem para Deus. O exame do Velho
Testamento nos leva a duas alternativas: ou era o próprio legislador
quem, com o propósito de infundir respeito, atribuía a
Divindade todos aqueles rompantes de ferocidade de que o Antigo Testamento
está repleto, ou Deus se fazia representar ante o povo por uma
deidade tribal, talvez ate mais de uma, como se infere de Gen. 3:22:
"Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem
e o mal".
E a prova de se tratar de espirito ainda um tanto materializado é
que "habitava no tabernáculo" (II Sam. 7:6), ou "de
tenda em tenda" (I Cron. 17:5) e "se comprazia com o cheiro
dos animais imolados em holocausto" (Números 29:36)
O Deus que amamos e adoramos não pode estar sujeito as paixões
humanas. Não se concebe um Deus de infinita perfeição
tomado de rancor, pronto a descarregar sobre suas criaturas a sua tremenda
ira. E no entanto, embora Ele se diga "misericordioso e piedoso,
tardio em se irar e grande em beneficência e verdade" (Êxodo
34:6), contam-se para mais de 60 acessos de cólera entre os livros
Êxodo e II Reis.
O Jeová do Antigo Testamento, que deu ao seu povo o mandamento
"não matarás", mandava exterminar os inimigos
(e ate os amigos...) com incrível ferocidade. Como explicar tamanha
contradição?
O apóstolo João afirmou: "Deus nunca foi visto por
ninguém" (João 1:18) e "ninguém jamais
viu a Deus" (I João 4:12), o que foi confirmado por S. Paulo:
"(aquele) a quem nenhum dos homens viu nem pode ver" (I Timoteo
6:16) e pelo próprio Jesus: "Não que algum homem
tenha visto o Pai" (João 6:46). Mas lemos no Antigo Testamento
que Deus disse: "Eu apareci a Abraão, Isaac e Jaco"
(Êxodo 6:3) e que Moisés, Arao, Nadib e Abiu e mais 70
anciãos viram Deus (Êxodo 24:9-11).
"Falava Deus a Moisés face a face, como qualquer homem fala
ao seu amigo" (Êxodo 33-11) e contudo o advertiu: "Não
poderás ver a minha face, porque homem nenhum verá a minha
face e viverá" (Êxodo 33:20) e em seguida abriu uma
concessão: “ver-me-as pelas costas, mas a minha face não
se vera” (Êxodo 33:23). E no entanto o próprio Deus
afirmou: “Eu falo com Moisés boca a boca e ele vê
a forma do Senhor” (Num. 12:8) e mais: “Cara a cara o Senhor
falou conosco no monte, no meio do fogo” (Deut. 5:4) e "(Moisés)
a quem o Senhor conhecera cara a cara" (Deut. 34:10). Finalmente,
"Deus por duas vezes apareceu a Salomão" (I Reis 11:9).
Afinal, Deus foi visto ou não?
Afirmando que a Bíblia é a palavra de Deus, se baseiam
nos versículos abaixo:
16Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar,
para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; 17para
que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda
boa obra. (II Timóteo 3)
Pois bem, a minha João F. de Almeida de 1948 diz: "Toda
escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar...".
Paulo se referia as escrituras que realmente são inspiradas,
não considerando outras. E se fosse como querem, também
seria uma contradição. Não dizem os católicos
e protestantes que nem tudo é inspirado, e chamam de "apócrifos"
livros que não constam em suas bíblias? Ainda por cima,
a Bíblia protestante exclui livros que estão na Bíblia
dos católicos... E gostaria de saber em que toda aquela guerra
e, principalmente, aquela demonstração de PRECONCEITO
contra deficientes físicos, poderia ser "proveitosa para
ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça;
para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para
toda boa obra.". Não creio MESMO que Paulo estivesse falando
de toda a Bíblia.
Outras argumentações dos que afirmam ser a Bíblia
a "Palavra de Deus":
" Jesus:
a. leu-a (Lc 4:16-20);
b. ensinou-a (Lc 24:27);"
Mas também a resumiu em "Amar a Deus sobre todas as coisas
e ao próximo como a si mesmo". Nós, espíritas,
acreditamos que a Bíblia CONTÉM a Palavra de Deus, mas
não é inteiramente a Palavra de Deus, infalível,
inquestionável...
“Jesus afirmou que elas eram a verdade” (Jo 17:17);
Diz o versículo 14: "Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo
os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não
sou do mundo." Jesus se referia a palavra que Ele trouxe. Essa,
sim, veio de Deus.
Jesus chamou-a "A Palavra de Deus" (Mc 7:13);
Novamente, não toda a Bíblia.
"Jesus viveu e procedeu de acordo com ela" (Lc 18:31);
"Tomando Jesus consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém
e se cumprirá no filho do homem tudo o que pelos profetas foi
escrito;"
Se referia as profecias sobre o Messias, que se cumpriam com Ele.
"Declarou que o escritor Davi falou pelo Espírito Santo"
(Mc 12:35,36);
Inspiração mediúnica (leia o item Espirito Santo)
"Jesus cumpriu-a (Lc 24:44). Jesus põe sua aprovação
em todas as Escrituras do Antigo Testamento pois" Leis, Salmos
e Profetas "eram as três divisões da Bíblia
nos dias em que o Novo Testamento ainda estava sendo formado. "
"44Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei,
estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de
mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.
45Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;
46e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e
ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos;" (Lc 24:44-46)
Mais uma vez, se referia apenas as profecias a seu respeito.
"Em cada pessoa que aceita a Jesus como Salvador, o Espírito
Santo põe em seu espírito a certeza quanto à autoria
da Bíblia. É uma coisa automática. Não é
preciso ninguém ensinar isso. Quem de fato aceita a Jesus, aceita
também a Bíblia como a Palavra de Deus, sem argumentar."
Ora, isso é um convite a fé cega!
Em Jo 7:17, Jesus mostra como podemos ter dentro de nós o testemunho
do Espírito Santo quanto a autoria divina da Bíblia: “Se
alguém quer fazer a vontade de Deus . . .” .
“14Estando, pois, a festa já em meio, subiu Jesus ao templo
e começou a ensinar. 15Então os judeus se admiravam, dizendo:
Como sabe este letras, sem ter estudado? 16Respondeu-lhes Jesus: A minha
doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. 17Se
alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se
a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo. 18Quem fala por
si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a
glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não
há nele injustiça. (João 7:14-18)
Mostra Jesus que não é Deus, mas um enviado de Deus, trazendo
a palavra de Deus. E diz o óbvio: que devemos reconhecer o que
é a sua palavra e a palavra de Deus, para procurar cumprir essa
última. Não diz nada sobre a Bíblia ser divina.
???
"O Espiritismo e as Igrejas Reformadas"
As falhas da Bíblia
"1 - Como pode Deus criar a luz antes do Sol? –
(Gênesis 1:3 14). Como separou Ele a luz das trevas (Gênesis
1:4), se estas nada mais são do que a privação
da luz? Como fez o dia antes que o sol fosse criado?
2 - Como afirmar que do Éden saia um rio que se dividia em outros
quatro, um dos quais, o CIOM, que corria no país de Cuse (Etiópia)
(Gênesis, 2:13) só podia ser o Nilo, cuja nascente distava
mais de mil léguas da nascente do Eufrates?
3 - Por que a proibição de comer do fruto da “árvore
da ciência do bem e do mal” (Gênesis 2:17), se é
fato que, dando a razão ao homem, Deus só poderia encoraja-lo
a instruir-se? Acaso preferia Ele ser servido por um tolo?
4 - Por que se atribuiu a serpente o papel de Satã (Apoc. 12:9),
se a Bíblia apenas diz que “a serpente era o mais astuto
dos animais” (Gênesis 3:1)? Que língua falava essa
serpente, e como andava ela antes da maldição de que passaria
a arrastar-se sobre o ventre e comer pó? (Gênesis 3:14)
E como explicar a desobediência da serpente, se nunca se ouviu
falar de cobra que comesse pó? E como explicar que tantas mulheres
possam hoje dar a luz sem dor e tantos homens comam o seu pão
sem precisarem de suar o rosto? (Gen. 3:16/19)
5 - Como pode ser punido com tanto rigor um ente primitivo como Adão,
que não sabia discernir entre o bem e o mal? (e a prova disso
se encontra no verso 22: 'Eis que o homem é como um de nós,
sabendo o bem e o mal'). Caim cometeu um fratricídio e não
mereceu uma pena tão severa; a despeito da maldição:
“Fugitivo e vagabundo será na Terra” (Gênesis
4:12) foi para Node, onde constituiu família e até construiu
uma cidade (Gênesis 4:17) e “seus descendentes foram mestres
em varias artes” (Gênesis 4:20/22)
6 - Os teólogos pretendem que a morte entrou no mundo em conseqüência
do pecado de Adão (pelo menos este é o ensino de Santo
Irineu no 1o Século, confirmado por Santo Agostinho). Pergunta-se:
como estaria hoje a população da Terra se a humanidade
só fizesse nascer? E por que a punição teve de
se estender aos animais, que nada tiveram a ver com o pecado de Adão?
7 - Como poderam encerrar “casais de todos os animais da Terra”
(Gênesis 6:19) numa arca de 300 côvados (198 m) de comprimento
por 50 de largura e 30 de altura (Gênesis 6:15) ? Como conseguiram
apanhar todos esses animais e reunir tantos e tão variados alimentos
e de que modo se houveram as 8 pessoas a bordo (Gênesis 7:13)
para alimentar todos eles (e limpar todos os dejetos) durante mais de
um ano? Note-se que o diluvio começou a 17 do 2o mês (Gênesis
7:11) e os que nela haviam entrado sete dias antes (Gênesis 7:10)
só saíram da Arca a 27 do segundo mês (do ano seguinte
é obvio) (Gênesis 8:14)
8 - Se Deus é justo e se foi Ele próprio que endureceu
o coração do Faraó para que não permitisse
a saída dos israelitas (Êxodos 11:10), por que teria de
matar todos os primogênitos do Egito, inclusive muitos milhares
de inocentes crianças e até os primogênitos de todos
os animais? (Êxodo 12:29)
9 - Como teriam os magos egípcios transformado a água
do Nilo em sangue (Êxodo 7:22), se Moisés já o fizera
antes? (Êxodo 7:20). E como puderam perseguir os israelitas com
o seu exercito desfalcado de todos os primogênitos (Êxodo
12:29) e empregando a sua cavalaria (Êxodo 14:23), se na 5.a praga
haviam sido mortos todos os cavalos? (Êxodo 9:6)
10 - Se o mar tragou todo o exercito do Faraó, este inclusive
(Êxodo 14:28) não é de se estranhar que com a decifração
dos hieróglifos, que permite hoje conhecer toda a história
do antigo Egito, não se tenha encontrado uma só referência
a tão espantosa calamidade?
11 - Como entender que os autores do Antigo Testamento, tão precisos
ao citar pelos nomes dezenas de pequenos reis das cidades vencidas,
como Adonizedeque (Josué 10-1), Hoão, Pira, Zafia, Debir
(Josué 10:3), Hoão (Jos. 10:33), Jabim, Jobab (Josué
11:1), Seom (Josué 12:2), Igue (Josué 12:4), Jeeb (Juizes
7:25), Salmuna e Zeba (Juizes 8:5), Agag (I Samuel 15:8), Aquis (I Samuel
21:10), etc., não tenham mencionado o nome do Faraó que
reinava ao tempo da fuga dos israelitas, o qual é citado tantas
vezes nos primeiros 14 capítulos do livro de Êxodo?
(...)
14 - Como entender que fossem eleitos e protegidos por Deus assassinos
como Eude, que apunhalou a traição o rei Eglom (Juizes
3:21), Davi, que fez morrer Urias, para tomar-lhe a mulher (II Samuel
11:15) e Salomão, que tendo 700 mulheres e 300 concubinas (I
Reis 11:3), mandou matar seu irmão Adonias só porque este
lhe pedira uma? (I Reis 2:21 e 25)
(...)
A história de todos os povos está repleta de lendas, crendices,
mitos, alegorias, superstições. Por que a dos judeus teria
que ser diferente? Quando o historiador pertence a outra comunidade,
ou se encontra afastado dos acontecimentos no tempo e no espaço,
ainda se pode esperar alguma imparcialidade. Mas, se quem narra a historia
é um dos próprios interessados, é natural que procure
exagerar os feitos dos compatriotas, sejam contemporâneos ou antepassados,
e subestimar os dos seus adversários. Isso ocorre até
nos tempos atuais, em que os eventos ficam registrados na imprensa,
em livros, nos filmes, nas fitas de vídeo, etc.
Mesmo fatos contemporâneos, amplamente divulgados e documentados
por todos os meios de registro disponíveis, se prestam a interpretações
diferentes, ao sabor das conveniências de cada grupo. A paternidade
do avião, inventado já no início deste século,
não é atribuída pelos norte-americanos aos irmãos
Wright, com evidente indiferença aos méritos do nosso
Santos Dumont? Imagine-se o que não ocorreria nos tempos primevos,
quando os acontecimentos eram transmitidos por tradição
oral, e só muito depois vinham a ser registrados por escrito...
(...) Não há evidente exagero em afirmar que os israelitas
num só dia mataram 100 mil sírios? (I Reis 20:29). A nosso
ver, cem mil homens não morrem num só dia nem com as mais
devastadoras armas modernas. Com as bombas nucleares existe a possibilidade,
mas até o momento não nos conta tenha de fato ocorrido.
As lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 6 e 9-8-45 não
chegaram a exterminar tanta gente, pelo menos não no primeiro
dia. E note-se que não foram arremessadas contra exércitos
aguerridos, mas contra populações civis. Se com os recursos
altamente sofisticados da tecnologia atual a empresa não é
fácil, imagine-se o que não seria nos tempos em que as
armas mais letais eram espadas e lanças, e os veículos
mais velozes eram carros puxados por cavalos e camelos...
Pela mesma razão não nos parece muito verossímil
que o "Anjo do Senhor" tenha numa só noite exterminado
180 mil assírios (II Reis 19:35), nem que 120 mil “midianitas”
tenham sido mortos pelos 300 de Gedeão (Juizes 8:10), nem que
os judeus tenham eliminado em um só dia 120 mil da tribo de Judá,
“todos homens poderosos, por terem abandonado o Senhor Deus de
seus pais” (II Crônicas 28:6), e ainda levado cativas 200
mil mulheres e crianças do seu povo irmão (II Crônicas
28:8). E o que dizer dos “500 mil homens escolhidos que caíram
feridos em Israel” (II Crônicas 13:17). E o que dizer do
1 milhão (1 milhão!) de etíopes que 'foram destroçados
sem restar nem um sequer' ? (II Crônicas 14:9 e 13). Será
que a Etiópia já dispunha naquele tempo de 1 milhão
de habitantes? (nota no rodapé da página: Temos duas bíblias
traduzidas Almeida, ambas editadas pela Sociedade Bíblica Brasileira,
com redação diversa do cap. 13. A de 1966 diz como esta
acima. A de 1969 (edição revista e CORRIGIDA) reza: “caíram
tantos etíopes que já não havia neles vigor algum”...
Veja-se como vão aos poucos alterando o texto!)
(...) jamais nos passaria pela idéia o intuito de amesquinhar
o papel da Bíblia como regra de fé da Cristandade, e nem
seriam pigmeus como nós que ousariam tão inexeqüível
tarefa. Sabemos e proclamamos que ela é o fanal de todos os povos
cristãos, e que os preciosos ensinamentos morais nela contidos
brilharam e continuarão a brilhar por muitos séculos concorrendo
para dissipar as trevas da ignorância dos homens sempre que eles
estiverem a altura de os assimilar. Aquilo que unicamente contestamos
é a tese da “inerrancia” da Bíblia, a idéia
de que ela encerra toda a Verdade e de tudo quanto contém é
a palavra saída dos lábios do próprio Deus. O que
afirmamos é que a Bíblia foi escrita por homens e por
isso mesmo esta repleta de falhas resultantes da imperfeição
humana. Pretender que ali esteja a Verdade como um bloco monolítico,
é semear confusão na mente de homens que já aprenderam,
ou pelo menos deviam ter aprendido, a raciocinar."
Pedro - Primeiro Papa
Os católicos nos criticam (e também
aos protestantes) por não aceitarmos os Papas como sucessores
de Pedro e inspirados pelo Espírito Santo.
Vejamos os argumentos usados por eles:
"Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta
pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela" (Mateus 16:18)
Na Epístola aos Efesios, Cap II, v.20, está escrito claramente
que a Igreja está fundamentada sobre a fé dos apóstolos
e Profetas, sendo Jesus Cristo a principal pedra do angulo. S. Cirilo
escreveu: "A rocha ou pedra de que nos fala Mateus, é a
fé imutável dos apóstolos". S. Crisóstomo
quando, em sua homilia 56 a respeito de Mateus, escreve: "Sobre
esta rocha edificarei minha igreja: e esta rocha é a confissão
de Pedro."
E qual foi a confissão de Pedro?
Está no versículo 16: "Tu es Cristo, o Filho de Deus
vivo".
Santo Agostinho se expressa assim sobre a Primeira Epistola de S. João:
"Edificarei minha igreja sobre esta rocha, significa claramente
que é sobre a fé de Pedro".
No seu tratado 124 sobre o mesmo S. João, encontra-se essa frase:
"Sobre esta rocha, que acabais de confessar, edificarei minha igreja;
e a rocha era o próprio Cristo, filho de Deus".
Tanto esse santo não acreditava que a Igreja fosse edificada
sobre São Pedro, que disse em seu sermão no 13:
"Tu és Pedro, e sobre esta rocha ou pedra que me confessaste,
que reconheceste, dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo,
edificarei a minha igreja, sobre mim mesmo; pois sou o Filho de Deus
vivo. Edificarei sobre mim mesmo, e não sobre ti."
Haverá coisa mais clara??
Dizem as escrituras que Cristo até proibiu Pedro e seus colegas
de reinarem ou exercerem senhorio (Lucas, XXII, 25 e 26). Cristo prometeu
tronos aos apóstolos (Mateus, Cap. XIX, v. 28), sem dizer que
o de Pedro seria mais elevado que os dos outros.
Os concílios do quatro primeiro séculos nunca deram, nem
reconheceram o poder e a jurisdição que os bispos de Roma
queriam ter.
Claro que Pedro, depois de Jesus desencarnar, seria o ponto de partida
para as futuras pregações evangélicas. E assim,
depois da crucificação, vamos encontrar Pedro em Jerusalém,
como centro irradiador de forças espirituais e de ensinamentos
para o Cristianismo nascente. E mais tarde, ao lado de Paulo em Roma,
Pedro articula os trabalhos evangélicos que se desenvolviam na
grande cidade, trabalhando fielmente até cair vítima da
perseguição. Atendendo à sua fé franca e
sincera e ao seu espírito ponderado e humilde com muita coragem
de lutar, Jesus confia a Pedro a orientação dos primeiros
passos do Cristianismo e a direção dos primeiros trabalhos
da disseminação do Evangelho.
Mas onde está escrito que Pedro teria sucessores, escolhidos
pelos homens, e que esses sucessores viveriam da religião e não
para a religião? Onde diz que os sucessores seriam considerados
infalíveis e seriam chamados "santidade"? Não
disse isso, nem que os padres seriam sucessores dos apóstolos
com poder de perdoar pecados. Disse que apóstolos perdoassem,
pois esses eram médiuns, estavam preparados, sabiam reconhecer
quem tinha realmente fé, quem estava realmente transformado e
merecia ser perdoado, como fazia Jesus, inclusive CURANDO os enfermos
após perdoar, obviamente livrando eles das enfermidades causadas
pelos pecados de que agora eram perdoados.
É um absurdo comparar o exemplo de humildade e luta de Pedro
com os Papas ao longo da História. Pedro jamais aceitaria o título
de "Santidade", muito menos ser considerado infalível.
Maior absurdo ainda dizer que o Papa é representante de Jesus
ou Deus (o que para os católicos e evangélicos é
a mesma coisa) na Terra. Só podemos considerar isso como uma
enorme PRESUNÇÃO. Cristo disse: "O filho do homem
não tem uma pedra para reclinar a cabeça, embora as aves
do céu tenham seus ninhos e os lobos tenham os seus covis".
Nasceu numa manjedoura, num lugar modesto, numa gruta. Morreu na cruz.
Toda a sua vida foi muito simples. Ele é o chefe da Igreja Católica.
Não mais do que isso. O século IX é conhecido pelos
escândalos pontificiais. O tempo em que os papas, sanguinários
e mundanos, eram designados por mulheres dissolutas, como Teodora e
Marozzia. O Papa Gregório, o Grande, condenou o culto aos ídolos
e Bonifácio III e IV restabeleceram o mesmo culto. Quais destes
era mais infalível e inspirado pelo Espírito Santo?
No início do século V, o padre João Huss, mártir
e herói nacional da antiga Checoslováquia, reitor da Universidade
de Praga, foi mandado para fogueira pela Igreja, por causa dos seus
trabalhos negando a autoridade do Papa, censurando os vícios
do clero, as indulgências, etc. Apelam os católicos para
o fato de Jesus ter prometido assistência para sua Igreja e que
as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Mas Jesus
certamente não foi conivente com os absurdos cometidos pela Igreja
Católica ao longo da História. Sua Igreja é a de
"um só rebanho e um só pastor", e não
exclusivamente a Católica ou uma das diversas igrejas evangélicas,
cada uma delas dizendo ser a Verdade. Jesus falava da VERDADEIRA IGREJA
DO CRISTO, a que leva a reforma íntima, a transformação
do indivíduo e, por fim, de toda a Humanidade. O inferno não
prevalecera contra os que colocarem seus ensinos em prática,
e não os dessa ou daquela Igreja.
Jesus não criou uma Igreja com uma hierarquia baseada em valores
materiais, e sim espirituais.
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