Ademir L. Xavier Jr.
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosAX/RITOS_E_DOUTR_ESPIR_AX.html
"(...) Será que vocês poderiam me explicar a enquadração
de alguns ritos como: Nascimento, Morte, Casamento, Puberdade, Oração
e Libertação na pratica da religião espírita.
Poderiam me ajudar?"
Marcos Inácio
A respeito
da questão que você propôs, avanço aqui algumas considerações muito
breves. Informações mais detalhadas você pode conseguir na literatura
espírita especializada (que você pode consultar posteriormente).
De
uma maneira bastante geral, o Espiritismo é uma doutrina filosófica
de implicações científicas, religiosas e filosóficas (principalmente
éticas). Não há, assim, dentro dele uma "enquadração de ritos" como
você se refere abaixo.
Na
verdade, o que o Espiritismo procura fazer é compreender a vida humana
em seus múltiplos aspectos dentro de um ponto de vista espiritualista,
isto é, aquele que prevê a sobrevivência do ser ao fenômeno da morte
corporal e sua existência antes do ingresso nele, ou seja, do nascimento.
O objetivo fundamental do Espiritismo (assim como o de qualquer doutrina
do pensamento, ao menos em suas origens) é a felicidade do ser humano.
Assim,
a doutrina espírita prevê que essa felicidade é conseguida na razão
direta em que conhecemos as coisas importantes ao nosso redor, bem
como soubermos aplicar esse conhecimento em favor de nós e de nossos
semelhantes. As fases a que você se referem são, assim, simplesmente
estágios da existência humana que devem ser compreendidos plenamente
dentro de uma visão do mundo (o que inclui todo o Universo) e não
"ritualizados".
O nascimento
é o regresso da alma à vida corporal, regresso esse que não é único
mas apenas um entre muitos já ocorridos e que estão para ocorrer.
A morte
é o regresso dessa mesma alma à vida espiritual, fenômeno igualmente
comum na vida maior do Espírito.
A puberdade
é entendida dentro do conhecimento fisiológico atual, bem como uma
fase de amadurecimento do ser recém encarnado e vivendo seus primeiros
estágios de adaptação à difícil realidade do mundo.
O casamento
de forma alguma constitui uma instituição dentro da prática espírita.
Trata-se apenas da união, segundo as consciências de cada um, de dois
seres que se reconheçam como devendo mútuas responsabilidades por
se amarem. Essa união, também, de maneira alguma deve ser obrigatória
já que a liberdade de consciência é um princípio fundamental, e ninguém
deve tê-la violada em nome de qualquer outra idéia secundária.
A oração
é uma prática saudável de relacionamento da criatura (que já dispõe
de semelhante conhecimento para tal) com seu criador e com outros
seres (os Espíritos), mais próximos, visando o equilíbrio do corpo
espiritual que é fundamental para o equilíbrio e sucesso da vida do
ser. Esse equilíbrio é conseguido não somente pela prece mas igualmente
pelo ajuste das atividades do indivíduo segundo as práticas do bem.
Não
existe nenhuma fórmula explícita para a oração, nem número ou extensão,
mas tem como quesito fundamental que seja praticada com o coração
acima de tudo. Isto quer dizer que o indivíduo deve estar consciente
de suas responsabilidades perante as faltas que houver cometido contra
os outros (se as tiver) antes de procurar qualquer ajuda divina.
Não
existe, também, "troca de favores" entre os homens e os Espíritos
ou Deus. Os que assim pensam agir estão mal informados a respeito
da verdadeira relação que deve existir entre os homens, Deus e os
espíritos.
Finalmente,
para dizer alguma coisa sobre a "libertação" vou fazer uma interpretação
pessoal dessa palavra. Libertar significa restituir a liberdade aquele
que se lhe foi subtraída. Se tratamos aqui da liberdade do ser, esta
se encontra em sua liberdade de ir e vir, pensar e agir. Essa liberdade
implica em certas Responsabilidades, já que ela tem um limite traçado
no lugar onde começa a liberdade alheia.
O ser
(ou Espírito) adquire liberdade a medida que ele evolui. Coincidentemente,
ele também adquire felicidade. A evolução espiritual da criatura é,
assim, sinônimo desse ganho de liberdade. O Espiritismo prescreve
que isso é conseguido tão só (como disse) pelo ajuste dos atos da
criatura à regras do bem, da ética e da felicidade dos semelhantes.
Toda
moral espírita resume-se, portanto, àquela prescrita por Jesus em
seus evangelhos e que foram resumidas pela regra áurea de "não
fazer aos outros aquilo que se não gostaria fosse feito a si mesmo"
acrescida do "amar aos outros como assim mesmo". Por
"outros" ou "próximos" o Espiritismo entende todas as criaturas que
estão próximas, ou seja, em contato com o ser (e não aquelas que lhe
são caras).
Como
Jesus ainda tenha acrescentado o "assim como eu vos amei",
a prática desse amor tem como modelo o próprio Jesus.
O ponto
fundamental da regra áurea trazido por Jesus está na misericórdia
que deve guiar os atos do indivíduo, princípio enunciado no "amar
aos seus inimigos", de ainda muito difícil aceitação na atualidade.
Finalmente o Espiritismo entende que essa "libertação" espiritual
se estende a todos os indivíduos na Terra, não há condição para que
eles pertençam a essa ou aquela denominação religiosa (nem mesmo ao
próprio Espiritismo).
Essas
regras ou leis que cito acima são leis naturais, assim como as leis
da Física, Química etc e, portanto, regem e julgam os atos de todos
os seres. É claro que o conhecimento facilita o avanço evolutivo e
isso é a razão de existir de todas as religiões da Terra, a refletir
parcelas do conhecimento divino entre nós.
Este artigo foi publicado
originalmente no Grupo de Estudos Avançados Espíritas
- GEAE
http://www.geae.inf.br/pt/index.html
Boletim do GEAE
Ano 07 - Número 337 - 1999
Boletim GEAE 337