Em recente número de Psychic
News, - o jornal espírita de maior circulação
no mundo, como dizem os ingleses, - tive ocasião de ver que certa
articulista, cujo nome não anotei pois não havia ainda
pensado neste trabalho, respondia, em termos, a um desses parapsicólogos
que nunca fizeram experiências espíritas e andam por aí
proclamando que o ilustre sábio inglês Sir William Crookes,
já com mais de quarenta anos de idade e grandes experiências
realizadas no terreno científico, portanto, um homem sereno e
observador, fôra ingênua e redondamente enganado pela jovem
médium Florence Cook.
Como isto se passou na Inglaterra, deixei-o ficar por lá, porém,
tendo tido também o ensejo de comprar a versão brasileira
de uma obra intitulada: “Os poderes secretos do homem”,
da autoria do francês Robert Tocquet, diz que essa médium
inglesa (como eles julgam todos os espíritas!) aprendera desde
cedo enganar esses tolos espíritas e que as suas sessões
com Crookes foram todas fraudulentas, resolvi capitular, resumidamente,
a história das aparições do espírito de
“Katie King” por meio da referida médium, mas desde
as suas primeiras sessões da materialização, a
fim de que os nossos esclarecidos leitores julguem o caso, já
que estes “poderes secretos do homem” ou “poderes
ocultos da mente” não chegaram, nem chegam (porque não
o puderam) a explicar como a mente de uma pessoa ou pessoas funciona
para alucinar uma máquina fotográfica a ponto desta fotografar
coisas que não existem para eles, parapsicólogos. Porque,
diga-se a verdade, esse espírito foi fotografado por diversas
vezes, na presença de muitos assistentes, pessoas de grandes
nomes e não menor reputação, entre as quais Sir
William Crookes, considerado, na sua época, um dos três
maiores sábios da Inglaterra.
Como a palavra de um espírita é sempre
suspeita para esses parapsicólogos-negativistas, vamos recorrer
a um dos mais reputados dicionários enciclopédicos brasileiros,
qual o organizado pela Editora Globo, sob a competente direção
do professor Álvaro Magalhães. Da página 664, da
edição que temos em mãos, transcrevemos a seguinte
nota biográfica:
CROOKES, Sir William
– “Biógrafo, Químico e físico inglês
(1832-1919). Nascido e educado em Londres, estudou com A. W. Hofmann
no Royal College of Chemistry. Fundou a importante revista Chenical
News, na qual publicou o primeiro número em 1859. Notabilizou-se
por suas pesquisas na espectografia, sobre reios catódicos e
fenômenos radioativos, pelas quais se tornou o precursor imediato
das idéias atuais acerca da constituição da matéria.
Inventou o radiômetro (1874), o espintariscópio (1903)
e os vidros especiais que vedam a passagem dos raios de calor e de luz
ultravioleta. Descobriu o elemento químico tálio em 1861”.
Consta do livro fotografia número 1 com o seguinte
texto:
Extraordinária Fotografia espírita colhida
entre asinúmeras que ilustram o livro "Spirit Photography"
do Major TomPatterson.
As fotografias espíritas ou transcedentais são
chamadas"extras".
Eis o adulto, o sábio meticuloso e observador,
que, durante vários anos, foi, como os seus amigos, engazopados
pela jovem médium...
Achamos oportuno rememorar o caso, fazendo um resumo
da “História das aparições
de “Katie King”, mas, como já a temos excelentemente
feita e reproduzida na obra do engenheiro Gabriel Delanne “A
alma é imortal”, vamos reproduzi-la tal e qual.
Embora a verrina só tenha sido lançada
contra este sábio inglês, resolvemos traduzir, em defesa
dos fenômenos de materializações de fantasmas ou
espíritos, dois pequenos e importantes trabalhos do Dr. Paul
Gibier e do Prof. Ernesto Bozzano, o primeiro precedido de sua autobiografia,
para demonstrar que o Espiritismo conta, nas suas fileiras, com homens
de alto gabarito moral e intelectual.
E o supracitado Robert Tocquet quem é ou era?
Em 1954, era ainda professor de Química da Escola Lavoiseier,
de Paris, e fazia parte do Conselho Administrativo do Instituto Metapsíquico
Internacional e do corpo de redação (no original: redatorial)
do seu órgão a “Revista Metapsíquica”,
de que era redator-chefe o outro “demolidor” do Espiritismo,
seu homônimo Robert Amadou, para quem todos os “Grandes
Médiuns” (título de um livro dele) foram fraudadores.
As infâmias assacadas por Robert Tocquet contra
o sábio William Crookes e a médium estão na página
419 de “Os poderes secretos do homem”. Contra Crookes assim:
“Já dissemos o que pensávamos das experiências
do sábio de Florence Cook. Julgamos que elas podem ser explicadas
com duas palavras: mistificação, sempre, cumplicidade,
as vezes”. E contra o médium: “O médium de
Katie King era uma clínica e hábil farsista”. Assim
são os parapsicólogos.
Mas passemos às aparições
e materializações do espírito em questão.
HISTÓRIA DE KATIE KING
Os fenômenos de materialização
constituem as mais altas irrefragáveis demonstrações
da imortalidade.
Surgir um ser defunto diante dos espectadores com uma
forma corpórea, conversar, caminhar, escrever e desaparecer,
quer instantaneamente, quer gradativamente, sob as vistas dos observadores,
é de certo o mais empolgante e o mais singular dos espetáculos.
Isso, para um incrédulo, ultrapassa os limites da verossimilhança
e provas físicas, irrefutáveis, se fazem necessárias
para que o fenômeno não seja lançado à conta
de fraude ou alucinação.
Felizmente, porém, bom número existe de
observações relatadas por homens imparciais e, ainda,
dotados da frieza e competência, indispensáveis a dar tais
experiências a corroboração da autoridade de que
desfrutam.
O Sr. Aksakof fez com o médium Eglinton uma série
delas, em que as mais minuciosas precauções foram tomadas,
o que lhe facultou chegar a resultados absolutamente inatacáveis,
do ponto de vista científico. O avultado número de matérias,
de que temos de tratar, nos obriga, com muito pesar nosso a remeter
o leitor às obras originais, onde esses casos se encontram longamente
expostos. Serão consultadas com proveito: Animismo e Espiritismo,
de Aksakof ; Ensaio e Espiritismo Científico, de Metzger; Depois
da Morte, de Léon Denis e Psiquismo Experimental, de Erny.
Aqui, agora, nos limitaremos a apresentar alguns dados
geralmente desconhecidos sobre a célebre Katie King, cuja existência
foi posta fora de dúvida pelos trabalhos, que se tornaram clássicos,
de William Crookes, consignados em seu livro: Pesquisas Experimentais
sobre o Espiritismo. Servir-nos-emos dos estudos que na Revue Spirite[1][1]
publicou a Sra. De Laversay, resumindo o mais possível essa interessante
tradução da obra de Espes Sargent, editada em Boston,
no ano de 1875.
Muitas pessoas, poucas a par da literatura espírita,
supõem que o espírito de Katie King só foi examinado
por William Crookes. Vamos mostrar que há elevadíssimo
número de atestados relativos à sua existência,
procedentes de testemunhas bastante conhecidas no mundo literário
e científico. Quando o ilustre químico teve de verificar
a mediunidade da Srta. Cook, já muito tempo havia que Katie se
materializava. Os grandes médiuns, por demais raros, não
se revelam de improviso. Faz-se necessário certo tempo para que
cheguem a produzir fenômenos físicos. Por um lado, o médium,
precisa de adestramento, e, por outro, o espírito que dirige
as manifestações é obrigado a exercitar-se longo
tempo, para manipular, com a indispensável exatidão, os
fluídos sutis que tem de empregar.
Em 1872, contava a Srta. Cook dezesseis anos. Desde
a mais tenra idade via espírito e ouvia vozes, mas, somente ela
observava esses fenômenos, seus pais nenhuma confiança
depositavam em suas narrativas. Depois de haver ela assistido a algumas
sessões espíritas, veio-se a saber que a mocinha era médium
e que obteria as mais belas manifestações. Entretanto,
depois de assediados pelos espíritos, resolveram ceder aos desejos
dos atores invisíveis e foi então que se deram fenômenos
absolutamente probantes.
A 21 de abril de 1872, diz o Sr. Harrison, no Jornal
The Spiritualist, ocorreu um curioso incidente. Ouviram de súbito
bater nos vidros de uma janela; aberta esta, ninguém viu coisa
alguma. Fez-se, porém, ouvir a voz de um espírito, dizendo:
“Sr. Cook, precisa mandar limpar as suas calhas, se não
quiser que os alicerces de sua casa sejam abalados. As calhas estão
entupidas”. Muito surpreendido, procedeu ele a um exame imediato.
Era exato! Chovera e o pátio da casa estava cheio de água
que transbordara das calhas. Ninguém sabia deste acidente, antes
que o espírito o houvesse revelado daquela forma notável.
Acompanhando-se a marcha da mediunidade da Srta. Cook, observa-se o
desenvolvimento de uma série de fenômenos, que se produzem,
sucessivamente, tornando-se cada dia mais espantoso até chegarem
à materialização de Katie. Ocorreu assim a primeira
sessão em que ela se mostrou.
Até então, as sessões se haviam
realizado no escuro. Querendo remediar a isso, o Sr. Harrison fez muitos
ensaios em casa do Sr. Cook com luzes diferentes. Conseguiu uma luz
fosforescente, aquecendo uma garrafa revestida interiormente de uma
camada de fósforo misturada com óleo de cravo. Graças
a esse engenho, podia-se ver o que se passava durante a sessão
às escuras. A vinte e dois de maio de 1872, a Sra. Cook, seus
filhos, uma tia destes e a criada se reuniram e o espírito de
Katie King se materializou parcialmente. A srta. Cook não estava
a dormir como o faz certa, uma carta que ela no dia seguinte dirigiu
ao Sr. Harrison nestes termos:
"Ontem à noite, Katie King nos disse que
tentaria produzir alguns fenômenos, mas se concordássemos
em armar um gabinete escuro com o auxílio de cortinas. Acrescentou
que precisava que lhes déssemos uma garrafa de óleo fosforescente,
visto não lhe ser possível tomar de mim o fósforo
necessário devido ao fraco desenvolvimento de minha mediunidade.
Ela quer iluminar sua figura, para se tornar visível.
"Encantada com a idéia, eu fiz os preparativos
necessários, ficando tudo pronto ontem à noite, as oito
e meia. Minha mãe, minha tia, os meninos e a criada sentaram-se
fora, nos degraus da escada. Deixaram-me sozinha na sala de jantar,
o que nada me agradou, porque estava com muito medo.
"Katie mostrou-se na abertura das cortinas. Seus
lábios se moveram, e, por fim conseguiu falar. Conversou durante
alguns minutos com a mamãe. Todos puderam ver-lhe o movimento
dos lábios. Como eu, do lugar onde estava, não a visse
bem, pedi-lhe que se voltasse para mim. O espírito me respondeu:
“Mas, de certo, fá-lo-ei”. Vi então que só
estava formada a parte superior do seu corpo, o busto, sendo o resto
da aparição uma espécie de nuvem, ligeiramente
luminosa.
"Após breves instantes de espera, o espírito
Katie King começou por trazer algumas folhas secas de hera, planta
que não existe no nosso jardim. Mostrou-se uma figura com a cabeça
coberta de uma porção de pano branco. Katie aproximou
de seu rosto o frasco e todos percebemos distintamente. Esteve dois
minutos e em seguida desapareceu. O rosto oval, aquilino o nariz; vivos
os olhos e a boca lindíssima.
"Disse Katie à mamãe que a olhasse
bem, pois sabia que tinha um ar lúgubre. Eu, pelo que me diz
respeito, fiquei muito impressionada, quando o espírito se aproximou
de mim. Emocionadíssima não pude falar, e nem mesmo esboçar
um gesto. Da última vez que se apresentou na junção
das cortinas, demorou-se uns bons cinco minutos e incumbiu a mamãe
de lhe pedir que venha aqui um dia desta semana. Katie King encerrou
a sessão, implorando para nós as bênçãos
de Deus. Exprimiu a sua alegria por se ter podido mostrar aos nossos
olhares".
O Sr. Harrison atendeu a vinte e cinco de abril ao convite
de Katie e na sua presença se verificou a segunda sessão
de materialização. Ele tomou interessantes notas que publicou
depois no seu jornal, The Spiritualist, donde extraímos os tópicos
seguintes:
“Testemunho do Sr. Harrison” – Com
a minha presença, uma sessão se realizou a vinte e cinco
de abril, em casa do Sr. Cook. O médium, Srta. Cook, sentou-se
no interior de um gabinete escuro. De tempos a tempos, ouvia-se um ruído
de raspagem com unhas. O espírito de Katie segurava um tecido
leve, por ela mesma fabricado e no qual procurava recolher em torno
do médium, os fluídos necessários à sua
materialização completa. Para esse efeito, atritava o
médium com o mencionado tecido. Dali a pouco, travou-se em voz
baixa, entre o médium e o espírito, o seguinte diálogo:
Srta. Cookie – Vamos Katie, não gosto de
ser friccionada assim.
Katie – Não sejas tolinha, tira o que tens
na cabeça e olha-me. (E continuava a friccionar).
Srta. Cookie - Não quero. Deixa-me Katie. Já
não gosto de ti. Mete-me medo.
Katie – Como és tola. (E não cessava
de friccionar).
Srta. Cookie – Não me quero prestar a estas
manifestações. Não gosto disso. Deixa-me sossegada.
Katie – És apenas meu médium e um
médium é uma simples máquina de que os espíritos
se servem.
Srta. Cookie – Pois bem! Se não sou mais
do que máquina, não gosto de ser assombrada deste jeito.
Vai-te embora.
Katie – Não sejas estouvada.
Vê-se por este diálogo, que a aparição
não é o duplo do médium, pois que a vontade consciente
da moça se revela em oposição absoluta a do espírito,
que se acha na sua presença. A Sra. D’Esperance, outro
médium célebre[2][2] , resolveu não mais cair em
transe durante as manifestações e o conseguiu, o que mostra
a independência da sua individualidade psíquica no curso
das aludidas manifestações. O Sr. Harrison, em sessões
ulteriores pôde apreciar o desenvolvimento do fenômeno e
o descreveu assim:
"A figura de Katie nos apareceu com a cabeça
toda envolta num pano branco, a fim, disse ela, “de impedir que
o fluído se dispersasse muito rapidamente”. Declarou que
apenas o seu rosto se achava materializado. Todos puderam ver-lhe distintamente
os traços do semblante. Notamos que tinha fechados os olhos.
Mostrava-se durante meio minuto e desaparecia. Depois, disse-me: “Willie,
olha como sorrio; vê como falo”. E exclamou: “Cook,
aumenta a luz”. Imediatamente isso foi feito e todos puderam observar
a figura de Katie brilhantemente iluminada. Tinha uma fisionomia jovem,
linda, jovial, olhos vivos, um tanto malicioso. Sua tez já não
era mate e imprecisa, como da sua primeira aparição a
vinte e dois de abril, porque, explicava ela: “Já sei melhor
como devo fazer”. Quando sua figura se apresentou em plena luz,
as suas faces pareciam naturalmente coloridas. Todos os assistentes
exclamaram: “Vemos-te perfeitamente”. Katie manifestou a
sua alegria, estendendo o braço para fora da cortina e batendo
na parede com um leque achado ao seu alcance".
As sessões continuaram com bom êxito. As
forças de Katie King aumentaram de mais em mais, porém
durante longo tempo, ela só conseguiu uma luz muito fraca, enquanto
se materializava. A cabeça trazia sempre envolta em véus
brancos, porque não a formava completamente, a fim de empregar
menor quantidade de fluído e não fatigar a médium.
Ao cabo de bom número de sessões, conseguiu mostrar-se
em plena luz, com o rosto, os braços e as mãos descobertas.
Naquela época a Srta. Cook permanecia quase sempre
acordada, enquanto se achava presente o espírito. Algumas vezes,
porém, quando fazia mau tempo ou eram desfavoráveis outras
condições, a mocinha adormecia sob a influência
espírita, o que aumentava o poder da médium e obstava
a que a sua atividade mental perturbasse a ação das forças
magnéticas. Depois Katie não mais apareceu sem que a médium
estivesse em transe. Realizaram-se algumas sessões para a aparição
de outros espíritos, mas essas sessões tiveram que ser
efetuadas com muita pouca luz e foram menos perfeitas do que as em que
Katie se mostrava. Contudo, verificou-se a aparição de
figuras conhecidas, cuja autenticidade ficou comprovada. Apreciaremos
daqui a pouco o testemunho da Sra. Florence Marryat, conhecida escritora.
Numa sessão feita a vinte de janeiro de 1873,
em Hackney, sua face se transformou, tornando-se, de branca, negra,
em poucos segundos, fato que em seguida se reproduziu muitas vezes.
Para mostrar que suas mãos não eram movidas mecanicamente,
ela fez uma costura na cortina que se havia rasgado. Noutra sessão,
a doze de março e no mesmo local, as mãos da Srta. Cook
foram atadas, sendo postos selos de cera sobre os nós. Katie
King se mostrou então a certa distancia, à frente da cortina
com as mãos inteiramente livres.
Como se vê, só ao fim de longas experiências
a princípio imperfeitas e que com a continuação
foram melhorando, o espírito de Katie King alcançou o
desenvolvimento que lhe possibilitou manifestar-se livremente, em plena
luz sob forma humana, fora e à frente do gabinete escuro, diante
de um círculo de espectadores maravilhados.
A partir desse momento, organizaram-se “controles”
muito severos e, somente depois de os terem estudado com todo o rigor
possível, foi que o Sr. Benjamim Colleman, o Dr. Gully e o Dr.
Sexton proclamaram a realidade daquelas manifestações
transcendentes. Tiraram-se à luz do magnésio muitas fotografias
de Katie King, estando ela completamente materializada, de pé
na sala, sob severíssima fiscalização. Desde os
primórdios da mediunidade da Srta. Cook, o Sr. Ch. Blackburn
de Manchester, com ponderada liberalidade, lhe fez importante dote que
lhe assegurou a subsistência. Assim procedeu ele, tendo em vista
o progresso da Ciência. Todas as sessões da Srta. Cook
se realizaram gratuitamente.
PRIMEIRAS FOTOGRAFIAS DE KATIE KING
Na primavera de 1873, muitas sessões se realizaram com o fito
de obterem-se fotografias de Katie King. A sete de maio tiraram-se quatro
com bom resultado. Uma delas foi reproduzida em gravura.
As experiências fotográficas se acham bem descritas na
resenha que abaixo transcrevemos, elaboradas depois de uma sessão
e assinada com os seguintes nomes: Amélia Corner, Carolina Corner,
J. Luxmore, G. Tapp e W. Harrison. Ao começar a sessão
tomaram-se as seguintes precauções: a Sra. Corner e sua
filha acompanharam a Srta. Cook ao seu quarto, onde lhe pediram que
se despisse, a fim de serem examinadas as suas roupas. Fizeram-na envergar
um grande roupão de pano cinzento, em substituição
ao vestido que despira e depois conduziram-na à sala das sessões,
onde lha ataram solidamente os pulsos com as fitas. O gabinete foi examinado
em todos os sentidos, após o que a Srta. Cook se sentou dentro
dele. As fitas, que lhe ataram os punhos, foram passadas por um anel
fixado no assoalho, em seguida por baixo do manto, sendo afinal amarradas
a uma cadeira, colocada fora do gabinete. Desse modo, se a médium
se movesse, logo perceberiam.
A sessão principiou às seis horas da tarde
e durou cerca de duas horas, com um intervalo de trinta minutos. A médium
adormeceu logo que se instalou no gabinete e, decorridos poucos instantes,
Katie apareceu e se encaminhou para o meio da sala. Também assistiram
à sessão a Sra. Cook e seus dois filhos que muito se divertiam
a conversar com o espírito.
Consta do livro fotografia número 2 com o seguinte
texto:
Uma das 40 fotografias do espírito materializado
de Katie King, tendo ao lado o Dr. Gully que a examinou anatomicamente.
Katie vestia de branco. Aquela noite, seu vestido era
decotado e de mangas curtas, de sorte que se lhe podiam admirar o maravilhoso
pescoço e os belos braços. A própria coifa que,
como sempre, lhe envolvia a cabeça estava ligeiramente afastada,
deixando ver os seus cabelos castanhos. Os olhos eram grandes e brilhantes,
de cor cinzenta ou azul escuro. Tinha a tez clara e rosada, os lábios
rosados. Parecia inteiramente viva. Notando o prazer que experimentávamos
em contemplá-la assim diante de nós, Katie redobrou os
esforços para que tivéssemos uma boa sessão. Depois,
quando acabou de “pousar” em frente do aparelho, passeou
pela sala, conversando com todos, criticando os assistentes, o fotógrafo
e seus dispositivos, completamente à vontade. Pouco a pouco,
aproximou-se de nós, animando-se cada vez mais. Apoiou-se ao
ombro do Sr. Luxmore, enquanto a fotografavam. Chegou mesmo, uma vez
a seguir a lâmpada para melhor iluminar o seu rosto.
Consentiu que o Sr. Luxmore e a Sra. Corner lhe passassem
as mãos pelo corpo para se certificar de que trazia apenas um
vestido. Depois, divertiu-se em apoquentar o Sr. Luxmore, dando-lhe
tapinhas, puxando-lhe os cabelos e tomando-lhe os óculos para
com eles mirar os que estavam na sala. As fotografias foram tiradas
à luz do magnésio. A iluminação permanente
era dada por uma vela e uma lâmpada pequena. Retirada a chapa
para a revelação, Katie deu alguns passos, acompanhando
o Sr. Harrison a fim de assistir a essa operação.
Outro fato curioso também se deu essa noite.
Estando Katie a repousar diante do gabinete, à espera de se colocar
em posição de ser fotografada, todos viram aparecer por
sobre a cortina um grande braço de homem, nu até a espádua
e a agitar os dedos. Katie voltou-se e repreendeu o intruso, dizendo
que era muito mal feito vir outro espírito perturbar tudo, quando
ela se preparava para lhe tirarem o retrato, e ordenou, que sem demora
se retirasse. No dia da sessão, declarou Katie que suas forças
desfaleciam. Com efeito, suas forças haviam diminuído
tanto que à luz, que penetrava no gabinete para onde se retirara,
ela pareceu esvair-se. Todos então a viram achatar-se, destituída
totalmente de corpo e com o pescoço tocar o chão. A médium
se conservava ligada como no começo.
Chamamos muito particularmente a atenção
do leitor para este último pormenor, que mostra, a toda evidência,
que a aparição não é um manequim preparado,
nem o médium com um disfarce. Sobre esse ponto, outro testemunho
probante é o da Sra. Florence Marryat:[3][3]
“Perguntaram um dia a Katie King porque não
podia mostrar-se sob uma luz mais forte (Ela só permitia aceso
um bico de gás e esse mesmo com a chama muito baixa). A pergunta
pareceu aborrecê-la enormemente. Respondeu assim: “Já
vos tenho declarado muitas vezes que não me é possível
suportar a claridade de uma luz intensa. Não sei por que me isso
é impossível; entretanto, se duvidais de minhas palavras,
acendei todas as luzes e verei o que acontecerá. Previno-vos,
porém, de que, se me submeterdes a essa prova, não mais
poderei reaparecer diante de vós. Escolhei”.
“As pessoas presentes se consultaram entre si
e decidiram tentar a experiência, a fim de verem o que sucederia.
Queríamos tirar definitivamente a limpo a questão de saber
se uma iluminação mais forte embaraçaria o fenômeno
de materialização. Katie teve aviso de nossa decisão
e consentiu na experiência. Soubemos mais tarde que lhe havíamos
causado grande sofrimento”.
“O espírito Katie se colocou de pé
junto à parede e abriu os braços em cruz, aguardando a
sua dissolução. Acenderam-se os três bicos de gás.
(A sala media cerca de dezesseis pés quadrados)”.
“Foi extraordinário o efeito produzido
sobre Katie King, que apenas por um instante resistiu à claridade.
Vemo-la em seguida fundir-se como uma boneca de cera junto de ardentes
chamas. Primeiro apagaram-se lhe os traços fisionômicos
que não mais se distinguiam. Os olhos enterraram-se nas órbitas,
o nariz desapareceu, a testa como que entrou na cabeça. Depois,
todos os membros cederam e o corpo inteiro se achatou qual um edifício
que se desmorona. Nada mais restava do que a cabeça sobre o tapete
e, por fim, um pouco de pano branco que também desapareceu, como
se houvessem puxado subitamente. Conservamo-nos alguns momentos com
os olhos fitos np lugar onde Katie deixara de ser vista. Terminou assim
aquela memorável sessão”.
Com o exercício, o espírito adquirira
maior força, pois que William Crookes pôde, a seguir, bater
mais de quarenta chapas com auxílio da luz elétrica. Vimos
antes que um espírito tentara materializar-se ao mesmo tempo
que Katie. É que, com efeito, este último não era
o único espírito a mostrar-se. Eis aqui um novo testemunho
da Sra. Marryat que, numa aparição que se lhe lançou
nos braços, reconheceu uma deformação característica
que sua filha apresentava em um dos lábios. Ouçamo-la:
“A sessão se realizou numa pequenina sala
da associação, sem móveis, nem tapete. Apenas cadeiras
de vime foram colocadas para que pudéssemos estar sentados. A
um canto, dependurou-se um velho xale preto, para formar o necessário
gabinete, em qual foi posto um coxim para servir de travesseiro à
Srta. Cook”.
“Esta, moreninha delgada, de olhos pretos e cabelos
anelados, trazia um vestido de merino cinzento, guarnecido de fitas
cor de cereja. Informou-me, antes de começar a sessão,
que, desde algum tempo, se sentia enervada durante os transes e que
lhe acontecia vir adormecida para a sala. Pediu-me então que
a repreendesse, tal coisa ainda se desse, e que lhe ordenasse voltar
para o seu lugar, como se fora uma criança. Prometi fazê-lo
e logo a Srta. Cook se sentou no chão, por trás do xale
preto que fazia de cortina. Víamos o seu vestido cinzento, por
isso que o xale não chegava até o assoalho. Baixou-se
a chama do gás e tomamos assento nas três cadeiras de vime.
“A médium, a princípio, parecia
não se sentir à vontade. Queixava-se de que a maltratavam.
Decorridos alguns instantes, vimos o xale agitar-se e uma mão
aparecer e desaparecer, repetindo-se isso, várias vezes. Apareceu
depois uma forma a se arrastar com os joelhos para passar por baixo
do xale, acabando por ficar de pé, perfeitamente ereta. A luz
era insuficiente para que se lhe reconhecessem os traços fisionômicos.
O Sr. Harrison perguntou se quem ali estava era a Sra. Stewart. O espírito
abanou a cabeça em sinal negativo. “Quem poderá
ser”? Perguntei ao Sr. Harrison.
“- Não me reconhece, minha mãe”?
"Quis lançar-me em seus braços; ela
porém me disse: “Fique no seu lugar; irei lá ter”.
Momento após, Florence veio sentar-se nos meus joelhos. Tinha
soltado os longos cabelos, nus os braços, assim como os pés.
Suas vestes não apresentavam forma determinada. Dir-se-ia estar
envolta em alguns metros de musselina. Por exceção esse
espírito não trazia coifa; estava com a cabeça
descoberta.
“- Minha querida Florence, exclamei, és
mesmo tu”?
“- Aumentem a luz, respondeu ela, e olham a minha
boca”.
“Vimos então, distintamente, num de seus
lábios a deformação com que nascera e que os médicos,
que a examinaram, haviam declarado constituir uma caso muito raro. Minha
filha viveu apenas alguns dias. Na sessão em que se me apresentava
parecia contar dezessete anos”.
Diante dessa inegável prova de identidade, fiquei
banhada em lágrimas, sem poder dizer palavra”.
“A Srta. Cook estava muito agitada por detrás
do xale e, logo de súbito, correu para nós exclamando”:
“É demasiado, já não posso mais”.
“Vimo-la então fora do gabinete, ao mesmo
tempo em que o espírito de minha filha sentado no meu colo. Isso
porém durou apenas um instante. A forma que eu abraçava,
se lançou para o gabinete e desapareceu. Lembrei-me então
que a Srta. Cook me pedira que eu a repreendesse caso viesse andar pela
sala. Repreendi-a, pois, severamente. Ela tornou ao seu lugar no gabinete
e logo o espírito voltou junto de mim dizendo: “Não
deixes que ela volte; causa-me um medo horrível”.
“Retruquei-lhe: “Mas Florence, nós
outros, mortais, neste mundo, temos medo das aparições
e tu, ao que parece, tens medo de tua médium”!
“Tenho medo que ela me faça partir”,
respondeu ela. A Srta. Cook, porém não tornou a sair do
gabinete e Florence esteve mais algum tempo conosco. Lançou-me
os braços ao pescoço e me beijou repetidas vezes. Nessa
época, eu me achava muito atribulada. Disse-me Florence que,
se pudera aparecer-me com a marca que me permitira reconhecê-la,
fora bem para me convencer das verdades do Espiritismo, no qual eu encontraria
copiosas fontes de consolo.
“__Tu algumas vezes duvidas, minha mãe,
disse ela, e supões que os teus olhos e os teus ouvidos te enganam.
Nunca mais deves duvidar e não creias que, como espírito,
eu me conserve desfigurada. Retomei hoje este defeito apenas para melhor
te convencer. Lembra-te de que estou sempre contigo”.
“Eu não conseguia falar, tão emocionada
me sentia à idéia de que tinha em meus braços a
filha que eu própria depositara num caixão, de que ela
não estava morta, de que presentemente era uma mocinha. Fiquei
muda, com os braços passados pela sua cintura, com o coração
a bater de encontro ao seu. Em seguida, a força diminuiu. Florence
me deu o último beijo, deixando-me estupefata e maravilhada com
o que se passara”.
Acrescenta a Sra. Florence Marryat que tornou a ver
aquele espírito muitas vezes em outras sessões e com diferentes
médiuns, recebendo ótimos conselhos.
Facilmente se concebe que os incrédulos hajam
negado com obstinação tão extraordinários
fenômenos. Calorosas polêmicas se travaram, mesmo entre
os espíritas, e só as experiências e as afirmações
de William Crookes puderam confirmar a autenticidade absoluta de Katie
King. Recomendamos ao leitor a obra desse sábio; todavia precisamos
assinalar, de modo especial, que Katie é um ser vivo em tudo
semelhante, anatomicamente, a um ser vivo.
AS EXPERIÊNCIAS DE CROOKES
"São particularmente interessantes os trabalhos do grande
sábio inglês do ponto de vista em que nos colocamos[4][4],
pelo que reproduzimos aqui uma pequena parte da sua narrativa, tão
completamente probante ela é. Ele nos mostra um espírito
tão bem materializado, que não se poderia distinguí-lo
de uma pessoa normal.
“Essa notável experiência estabelece pertinentemente,
que o perispírito reproduz não só o exterior de
uma pessoa, mas também todas as partes internas do seu corpo”.
“Uma das mais interessantes fotografias é
a em que estou de pé ao lado de Katie, tendo esta um pé
nu em determinado ponto do assoalho. Em seguida vesti a Srta. Cook tal
qual estava Katie e nos colocamos, ela e eu, na mesma posição
em que estivéramos Katie e eu, e fomos fotografados pelas mesmas
objetivas, situadas estas absolutamente como na outra experiência
e iluminadas pela mesma luz. Superpostas as duas fotografias, as minhas
imagens coincidem exatamente quanto ao talhe, etc., ao passo que a de
Katie se mostra maior, de uma meia cabeça, do que a da Srta.
Cook, junto de quem aquela parece uma mulher gorda. Em muitas das fotografias,
o tamanho de seu rosto, e a sua corpulência diferem essencialmente
dos de seu médium, podendo-se ainda notar muitos outros pontos
de dessemelhança”.
"Isto responde à objeção,
tantas vezes formulada, de que, nas sessões espíritas,
as aparições, que se fotografam, são desdobramentos
do médium. Continuemos:
“Recentemente vi Katie tão bem, à
claridade da luz elétrica, que se me torna fácil acrescentar
mais algumas diferenças às que, em precedente artigo,
assinalei entre ela e seu médium. Tenho a mais absoluta certeza
de que a Srta. Cook e Katie são duas individualidades distintas,
pelo menos quanto aos corpos. Pequenas marcas que em grande número
se encontram no rosto da Srta. Cook não existem no de Katie.
Os cabelos daquela são de um castanho tão escuro que parecem
pretos! Tenho sob os meus olhos uma madeixa que Katie permitiu que eu
lhe cortasse da luxuriante cabeleira, depois de meter nesta os meus
próprios dedos até o alto da cabeça e de me haver
certificado de que ela daí nascia realmente. É de um lindo
castanho dourado”.
“Uma noite contei as pulsações de
Katie. Eram em número de setenta e cinco e seu pulso batia regularmente.
As da Srta. Cook chegaram, alguns minutos após a noventa, algarismo
que lhe era habitual. Aplicando o ouvido ao peito de Katie, pude ouvir-lhe
o coração bater no interior, sendo os seus batimentos
mais regulados do que os do coração da Srta. Cook, quando,
depois da sessão, ela me permitiu fazer a mesma experiência.
Auscultados de igual modo, os pulmões de Katie se revelaram mais
sãos do que os de sua médium, porquanto, no momento em
que fiz a experiência, A Srta. Cook estava em tratamento de um
grande resfriado”.
“Tais as primeiras manifestações
de Katie King. Eis agora o que se passou da última vez que ela
aparece, achando-se entre os espectadores a Sra. Florence Marryat, o
Sr. Tapp, William Crookes e a doméstica Mary[5][5]”.
A ÚLTIMA SESSÃO
“Às sete horas e vinte e três minutos da noite, o
Sr. Crookes conduziu a Srta. Cook para o gabinete escuro onde ela se
deitou no chão, com a cabeça sobre um travesseiro. Às
sete horas e vinte e oito minutos Katie falou pela primeira vez e as
sete horas e trinta minutos mostrou-se fora da cortina e em toda a sua
estatura. Estava vestida de branco, de mangas curtas e pescoço
nu. Trazia soltos os seus longos cabelos castanho claro, de tom dourado,
a lhe caírem e, cachos até a cintura. Também trazia
um longo véu branco que apenas uma ou duas vezes abaixou sobre
o rosto, durante a sessão”.
“O médium trajava um vestido de merino azul claro. Durante
quase toda a sessão, Katie se conservou de pé diante dos
assistentes. Corrida que fora a cortina do gabinete, todos viam distintamente
o médium adormecido, com o rosto coberto por um xale vermelho,
para preservá-lo da luz. Não deixara a posição
que havia tomado desde o começo da sessão, que transcorreu
com uma luz que espalhava a claridade. Katie falou de sua próxima
partida e aceitou um ramo de flores que o Sr. Tapp lhe trouxera, bem
como um apanhado de lírios que o Sr. Crookes lhe ofereceu. Pediu
ao Sr. Tapp que desmanchasse o ramo e colocasse diante dela as flores,
no chão. Sentou, então, à moda turca e pediu que
todos fizessem o mesmo, ao seu derredor. Distribuiu as flores, fazendo
com algumas um raminho, que atou com uma fita azul”.
“Escreveu cartas de adeus a alguns dos seus amigos,
pondo-lhes a assinatura: Annie Owen Morgan, dizendo que fora este o
seu verdadeiro nome na vida terrena. Escreveu também uma carta
ao seu médium e escolheu um botão de rosa para lhe ser
entregue como presente de despedida. Pegou uma tesoura, cortou uma mecha
de seus cabelos e ofereceu certa porção deste a cada um.
Enfiou depois o braço no do Sr. Crookes e deu volta à
sala, apertando a mão de todos, um por um. Sentou-se de novo,
cortou vários pedaços do seu vestido e do seu véu,
presenteando com eles os assistentes. Como fossem visíveis os
grandes buracos que lhe ficaram nas vestes e estando sentada entre o
Sr. Crookes e o Sr, Tapp, alguém lhe perguntou se poderia reparar
aqueles estragos, como já o fizera em outras ocasiões.
Ela então expôs à luz a parte cortada, bateu em
cima com uma das mãos e imediatamente aquela parte do vestido
se tornou tão perfeita como era antes. Os que lhe estavam próximos
examinaram e tocaram, com a sua permissão, a fazenda e afirmaram
que não havia mais buracos, sem costuras, nem aposição
de qualquer remendo onde momentos antes tinham visto cortes do diâmetro
de muitas polegadas”.
“Transmitiu a seguir suas últimas instruções
ao Sr. Crookes e aos outros amigos sobre como deviam proceder com relação
às manifestações ulteriores que prometera, com
o auxílio de seu médium. Essas instruções
foram cuidadosamente anotadas e entregues ao Sr. Crookes. Parecendo
então fatigada, Katie dizia com tristeza que precisava ir-se
embora, que sua força decaía. Reiterou muito afetuosamente
seus adeuses a todos e todos lhe agradeceram as maravilhosas manifestações
que lhes havia proporcionado”.
“Dirigindo a seus amigos, um último olhar,
grave e pensativo, desceu a cortina e tornou-se invisível. Ouviram
despertar o médium, que lhe respondeu: “Minha querida,
não posso. Está cumprida a minha missão. Deus te
abençoe”! E todos ouviram o som de seu beijo de despedida
na médium. Logo depois, a Srta. Cook vinha ter com os presentes,
inteiramente e profundamente consternada”.
“Vê-se assim quanto a moça, rebelde
a princípio, se afeiçoara à sua amiga invisível.
Katie dizia que dali em diante não mais poderia falar nem mostrar-se;
que, realizando por três anos, aquelas manifestações
físicas, passara vida bem penosa, para expiar suas faltas; que
decidira elevar-se a um grau alto da vida espiritual; que só
a longos intervalos poderia corresponder-se por escrito com a sua médium,
mas que esta poderia vê-la sempre, por meio da lucidez magnética”.
Termino aqui a transcrição das aparições
e materializações de Katie King, feita de dezessete páginas
do importante livro de Gabriel Delanne “A alma é imortal”.
Quem desejar conhecê-la não apenas neste resumo, porém
bem mais ampliada, poderá fazê-lo lendo a citada obra de
Crookes, traduzida para o português sob o título de “Fatos
Espíritas” ou ainda a “História das aparições
de Katie King”, no total de oitenta e sete páginas, publicada
pela Federação Espírita Brasileira, juntamente
com o trabalho do Conselheiro Alexandre Aksakof intitulado “Um
caso de desmaterialização parcial do corpo de um médium”.
Depois desta transcrição, pergunta-se
ao leitor: a jovem médium Florence Cook, enganou mesmo durante
três anos seguidos, por sedução e fraude, Sir William
Crookes, bem como os seus companheiros de experiências, como afirma
gratuitamente, o escritor francês Robert Tocquet, que nunca esteve
presente a nenhuma das experiências feitas, ou as experiências
foram reais? Quem tem, pois, razão: o espírita que sempre
busca a verdade, seja qual ela for, ou o parapsicólogo, antiespírita,
que torce a verdade, seja qual ela for? Cremos, sem a menor sombra de
dúvida, que o leitor está conscientemente a favor do espírita.
Quantos belos casos de materialização têm narrado
as revistas e os jornais espíritas de todo o Brasil!
O prof. Charles Richet, que viveu na mesma época
que Crookes, o que já não aconteceu com René Sudre,
Robert Amadou, Robert Tocquet e outros, assim se expressa no seu famoso
“Tratado de Metapsíquica” (P. 56 da edição
brasileira da LAKE): “Mas o respeito pelas idéias tradicionais
era já coisa de idolatria, a ponto tal que ninguém se
dava o trabalho nem de estudar nem de refutar. Contentava-se com o rir
e confesso que, por vergonha minha, estava eu também entre os
cegos voluntários. Sim! /eu ria, em vez de admirar o heroísmo
do grande sábio que ousava apregoar, em 1872, que há espíritos,
que se pode ouvir o bater do seu coração, bem como tirar-lhe
fotografias. Mas essa coragem foi sem grandes conseqüências
imediatas. Devia produzir os seus frutos mais tarde. E somente hoje
que se pode compreender bem Crookes, cujas experiências são
ainda agora a base de toda a Metapsíquica objetiva. Foi feita
com granito, nenhuma crítica pode abalá-la. Nos últimos
dias de sua gloriosa e laboriosa vida, dizia Crookes ainda que nada
tinha a retratar com relação ao que outrora havia afirmado”.
Quem foi Charles Richet que assim se pronunciava a respeito
das experiências de Crookes? Para não recorrer a notas
biográficas de fonte espírita, recorro ao mesmo dicionário
supracitado, (página 1586), por onde se fica sabendo que ele
foi um médico e fisiologista francês, que viveu de 1850
a 1935 e que foi autor de trabalhos notáveis dentro e fora de
sua especialidade. No domínio da fisiologia devem-se a Richet
trabalhos clássicos sobre o calor animal e a anafilaxia; no da
psicologia, pesquisas sobre a hipnose e fenômenos metapsíquicos.
Vários outros campos de estudo foram também cultivados
por este cientista de insaciável curiosidade intelectual. Recebeu
o Prêmio Nobel da Medicina em 1913”.
Dizemos ainda que Richet foi também o autor de
“O Sexto Sentido” e de “A Grande Esperança”
e que só no fim de sua vida, em carta dirigida a Bozzano, se
confessou vencido pela evidência dos fatos da sobrevivência,
carta esta estampada na página 114 do belo trabalho do Dr. Sérgio
Valle “Silva Mello e os seus mistérios” e que eu
mesmo li na íntegra no nº 30 de maio de 1936 do Psychic
News de Londres.
Passo conforme prometi, à tradução
do trabalho do Dr. Paul Gibier, médico francês de renome,
sob o título de “Materializações de espíritos
em proporções normais” (título que acresci
para confrontar com o que se lhe segue) e ao do Prof. Ernesto Bozzano
intitulado “Materializações de Espíritos
em proporções minúsculas” em que cai por
terra a hipótese de que os espíritos são apenas
o desdobramento dos médiuns de que se originam.
Como fantasma, sinônimo de espírito ou
alma em sua significação etmológica, é espectro,
sombra, visão medonha e outras coisas mais, conforme nos ensina
o Prof. João Teixeira de Paula, na sua “Enciclopédia
de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo”, vol. I,
página 113, de 1972, preferimos o termo espírito, mais
significativo, à fantasma nestas traduções.
Procedi ao trabalho do Dr. Gibier de sua biografia e
o do Prof. Bozzano de sua autobiografia.
Dois verdadeiros sábios.
[6][1] Revue Spirite: “História de Katie
King” pela Sra. De Laversay, de março a outubro de 1897.
[7][2] Sra, d’Esperance – Shadowland (No
país das sombras).
[8][3] Florence Marryat: There is no death (não
há morte).
[9][4] Vide Researches on the phenomena of Spiritualism
(Pesquisas sobre os fenômenos do Espiritismo)
[10][5] The Spiritualist de 29 de maio de 1874
Texto extraído do livro Materializações
de Espíritos – Paul Gibier * Ernesto Bozzano – 2º
edição - Ed. Eco – 1976 p. 9 a 38, transcrito por
Julia Adalgisa.
http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/LIHPE
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