Vamos procurar analisar parcial e genericamente
alguns aspectos de mortes violentas, através de acidentes ou
desastres dolorosos.
O que ocorre com as pessoas que são surpreendidas com a morte
física num desastre?
Quais as sensações e emoções que as vítimas
de um acidente fatal sentem ou vivenciam nos momentos deste tipo de
morte?
Tomando por fundamentação teórica os ensinamentos
espíritas, e com base em informações mediúnicas
confiáveis, pode-se estabelecer alguns princípios gerais
para elucidar a dinâmica do fenômeno da morte ou desencarnação
e o processo do morrer propriamente dito.
Em princípio, é necessário esclarecer que a morte
é um fenômeno natural inerente à dinâmica
da própria vida.
O que é que morre ou desencarna?
Apenas o corpo físico morre, isto é, passa por uma série
de transformações psicobiofísicas de degradação
energética, com rupturas dos centros vitais bioenergéticos
que integram os diferentes sistemas atômicos celulares componentes
de tecidos, órgãos, aparelhos e demais sistemas interativos
que compõem o organismo humano como verdadeiro eco-sistema de
manifestação vital.
Resumidamente, na visão materialista, a morte significa o caos
orgânico, irreversível, culminando na cessação
de todas as funções vitais e conseqüente desagregação
do organismo físico, através da decomposição
cadavérica, nada restando após a morte propriamente dita.
Na visão espiritualista de um modo geral, algo sobrevive após
o fenômeno da morte física.
Sem maiores detalhes ou considerações filosóficas,
o espiritualista de um modo geral, admite a existência da alma
ou do Espírito e, portanto, ao morrer, independente do gênero
de morte ou desencarne, a alma ou espírito sobrevive, continuando
a viver no mundo espiritual.
O espiritualista espírita descortina um horizonte mais amplo,
tendo um acervo de ensinamentos esclarecedores sobre a dinâmica
da morte e do morrer, relacionado ao gênero de vida consciencial
da criatura humana, independente da faixa etária, sexo, raça,
cultura, religião, posição social, etc.
No caso particular da visão espírita, a morte ou desencarnação
propriamente dita implica uma série de fenômenos não
só psicobiofísicos: também inclui outros de natureza
anímico-conscienciais extrafísicos, paranormais e mediúnicos
de grande complexidade que, direta ou indiretamente, podem evidenciar
a sobrevivência do espírito ou consciência que continua
a viver após a ruptura dos laços bioenergéticos
que mantinham o organismo físico em plena atividade, como veículo
ou instrumento de manifestação do espírito encarnado,
durante a respectiva cota de tempo de vida, compatível com as
necessidades e projetos de realização e auto-realização
consciencial, em cada experiência reencarnatória.
Assim sendo, a vida inteligente, consciencial, não se extingue
com a morte física propriamente dita. O Eu-consciencial ou Espírito,
ser pensante, volitivo, dotado de instinto, emoção, sentimento,
razão, linguagem conceitual e demais atributos humanos, ao passar
pelo fenômeno da morte do corpo físico, de acordo com seu
estágio evolutivo espiritual, terá maior ou menor autonomia
e maior ou menor lucidez consciencial, cognitiva, afetiva e volitiva,
para compreender as diferentes fases do processo da morte física
propriamente dita.
De acordo também com seu grau de educação consciencial
e espiritual e, ainda, conforme as ações e obras realizadas
em vida, terá maior ou menor merecimento, além do sentimento
de auto-estima pelo cumprimento dos deveres e realizações
edificantes não só em beneficio próprio, como,
também, em favor dos seus semelhantes, da comunidade e da sociedade
em geral.
Em tais circunstancias, os que viveram edificantemente, independente
de rótulos místicos ou religiosos, apresentam melhores
condições psicodinâmicas conscienciais para compreender
e aceitar com maior ou menor autocontrole, equilíbrio e serenidade
as surpresas da sua própria desencarnação.
Por outro lado, os que em decorrência da imaturidade consciencial,
espiritual, cometeram equívocos, vivendo egoísta e egocentricamente,
não aproveitando bem as lições da vida, no sentido
de promover o auto-conhecimento e a construção da paz
dentro e fora de si mesmos, apegando-se ao corpo físico como
única realidade e razão de ser. Estes que assim viveram
terão maiores dificuldades para compreender e aceitar a surpresa
da própria morte física e a grande realidade de sua própria
sobrevivência como espírito desencarnado.
Isto não que dizer que a pessoa esteja condenada pela eternidade
afora a um sofrimento infernal, tal qual as religiões dogmáticas
e sectárias incutiram na mente popular.
Absolutamente. Cada consciência, de acordo com seu biorritmo e
tempo de assimilação e vontade de reconstruir o próprio
destino, para melhor, terá tantas oportunidades de aprendizagem
auto-redentora quantas necessitar para construir a própria plenitude
consciencial e existencial ao longo das vidas sucessivas.
Deste modo, na visão espírita, a vida é imperecível
e o ser humano é um agente co-criador integrante do Plano Divino
da Criação, e, conseqüentemente, arquiteto de seu
próprio destino feliz ou infeliz.
Esta digressão teórica se faz necessária no sentido
de estabelecer alguns princípios gerais relativos ao fenômeno
da morte e seu significado.
I - A morte é apenas uma mudança de estado de
ser. de pensar, de sentir e agir.
É natural a reação de rejeição e
não-aceitação da morte, qualquer que seja a situação
circunstancial.
Esta reação é geral, sendo uma decorrência
espontânea do instinto de conservação e auto-preservação
inato no ser humano.
Graças ao instinto de conservação, reprodução
e autodefesa, a espécie humana se mantém, sobrevivendo
aos grandes desafios da evolução onto e filogenética
e da necessidade de adaptação evolutiva, em íntima
interação com a multi-diversidade dos eco-sistemas ambientais
do planeta Terra e sua respectiva Biosfera.
Assim sendo, na dinâmica da vida, nascer, crescer, reproduzir,
viver e morrer constituem um processo bioenergético, psicobiofísico,
anímico-consciencial, universal, presente em todos os Reinos
da Natureza, em sua multidimensionalidade física e extra-física.
O medo da morte é, pois, uma reação instintiva
que se evidencia através do comportamento humano ao longo da
evolução histórica, antropológica, cultural,
religiosa, etc. da humanidade terrestre, variando com a época
e com as características culturais, costumes, práticas
e tradições religiosas de diferentes tribos, povos, raças
e nações, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
Entretanto, parece haver em todas as culturas, ao longo das diferentes
épocas da história, a crença mais ou menos generalizada
na sobrevivência espiritual do ser humano.
As diferentes tradições religiosas criaram diferentes
regras e procedimentos ritualísticos místico-religiosos,
influenciando a mente popular, submetendo-a aos dogmas e preceitos estabelecidos
pelas diferentes religiões no mundo, e direta ou indiretamente,
implícita ou explicitamente, o medo da morte vem passando de
geração a geração.
Nos tempos atuais, com o advento da tanatalogia como uma área
de investigação e conhecimento cientifico, o tabu da morte
aos poucos vai se transformando numa visão mais realística
e consentânea com o progresso das investigações
dos fenômenos paranormais que ocorrem com os doentes terminais
e nas experiências da chamada morte aparente.
Como decorrência, a morte está sendo encarada com maior
naturalidade, despida daqueles paramentos fúnebres e lúgubres
de décadas atrás.
Neste particular a contribuição do Espiritismo é
inegável e valiosamente significativa para desmitificar e desmistificar
a morte como algo terrível, assustador e um caminho sem volta.
A morte ou desencarnação é, pois, apenas e tão-somente
uma transmutação profunda psicobifísica, anímica
e consciencial, refletindo intensamente no pensar, sentir e agir do
ser humano, que deixa de se manifestar na vida de relação
no plano físico, através do respectivo corpo psicossomático
para continuar a pensar, sentir e agir sem o instrumento físico,
no reino do Espírito, onde igualmente a vida de relação
continua em outras tonalidades vibratórias, por meio da manifestação
do pensamento e da vontade, de acordo com o grau de evolução
e maturidade consciencial e espiritual alcançado, em sua última
experiência reencarnatória.
II - A vida de relação não cessa com a
morte física propriamente dita.
Os diferentes e diversificados fenômenos paranormais e mediúnicos,
observados por ocasião não só da morte física,
como também através de manifestações espontâneas
ou provocadas experimentalmente, sugerem de maneira significativa que
o ser humano desencarnado mantém uma dinâmica interação
volitiva, energética, inteligente e afetiva, no mundo espiritual
ou espiritosfera, em obediência à lei de sintonia, afinidade
e ressonância vibratórias.
Isto posto, fica entendido que o intercâmbio mediúnico
é um fenômeno universal entre encarnados e desencarnados
e se verifica também entre os desencarnados no Reino dos Espíritos
ou Espiritosfera, obedecendo-se aos mesmos princípios universais
da lei de afinidade, sintonia e ressonância, correspondentes aos
respectivos planos multi e transdimensionais extrafisicos conscienciais.
Deste modo, desde a mais remota antigüidade, o fenômeno mediúnico
sempre foi uma prova de que o intercâmbio mediúnico entre
encarnados e desencarnados existiu sempre como um fato natural e de
amplitude universal.
III - O princípio de interdependência e de interação
psicodinâmica entre encarnados e desencarnados é um fenômeno
universal.
Assim sendo, as ações e reações interativas
entre os seres humanos encarnados e desencarnados ocorreram sempre ao
longo da história da humanidade terrestre, dando origem às
diferentes manifestações místico-religiosas que
fazem parte da herança cultural de todos os povos, raças
e nações, tanto no Oriente como no Ocidente.
Estas interações podem se manifestar de maneira sutil
ou ostensiva, assumindo características harmônicas ou desarmônicas,
em função de sua influência positiva ou negativa
no comportamento individual ou coletivo do ser humano.
IV - Os Espíritos desencarnados podem se manifestar espontaneamente
ou por meio de evocação.
Em decorrência dos princípios anteriores, a manifestação
do Espírito desencarnado pode se dar espontaneamente em função
da lei de sintonia e afinidade. Os espíritos são atraídos
em razão da existência de laços de simpatia que
os atraem para se manifestarem a pessoas no meio onde vivem, objetivando
manter uma relação harmônica, edificante e solidária.
Podem também ser conseguidas tais manifestações
por meio de evocações, e de motivos justos, que justifiquem
tal procedimento com finalidade de investigação e pesquisas
sérias e construtivas.
V - A morte ou desencarnação, mediante um desastre
doloroso e fatal, é diferente e específica para cada um,
embora as circunstancias do desastre sejam as mesmas para todos os envolvidos
no acidente.
Isto quer dizer que a morte física de uma pessoa está
intimamente relacionada com a respectiva herança cármica
e suas necessidades de auto-redenção.
Aliás, tal princípio se aplica a qualquer gênero
de morte ou desencarne
VI - Ninguém, em circunstancias de morte violenta, em
acidentes fatais, jamais estará desamparado, à míngua
de uma assistência espiritual socorrista.
Todos são socorridos e atendidos em suas necessidades específicas,
de acordo com o respectivo grau de maturidade consciencial, merecimento
e a gravidade do estado pessoal de cada um.
Quando ocorre um acidente ou desastre doloroso no plano físico,
imediatamente, no mundo espiritual, os Centros ou Núcleos de
Pronto Socorro e Atendimento Espiritual mais próximos tomam conhecimento
da ocorrência, providenciando com a máxima urgência
o socorro das vítimas acidentadas que venham a morrer ou que
fiquem politraumatizadas e em estado grave no local do sinistro.
Nestas circunstancias emergenciais a pessoa moribunda agonizante ou
desencarnante emite pensamentos aflitivos que se propagam na multidimensionalidade
extrafísica, como se fossem verdadeiros S.O.S. telepáticos,
os quais são devidamente captados e registrados por meio de sofisticada
tecnologia, possibilitando a imediata localização e identificação
pessoal das vítimas do desastre.
Equipes de socorro espiritual dirigem-se imediatamente ao local do acidente
para a prestação do respectivo socorro e demais providências
de amparo assistencial.
A título de exemplo, no capítulo XVIII - Resgates Coletivos,
do livro Ação e Reação, psicografado e editado
pelo Espírito André Luiz, 2a. ed. FEB, páginas
236 e seguintes, encontra-se o relato de um desastre aviatório.
Qual era a situação das pessoas vitimadas?
Vários desencarnados no referido acidente encontravam-se em posição
de choque, presos aos respectivos corpos físicos, mutilados parcial
ou totalmente, entretanto alguns apresentavam-se em melhores condições
de lucidez consciencial.
Outros sentiam-se imantados aos próprios restos cadavéricos,
gemendo de dor e sofrimento, e outros ainda gritavam em desespero, mantendo-se
também aprisionados aos despojos físicos, em violenta
crise de inconsciência, numa profunda perturbação.
Os espíritos socorristas, médicos e enfermeiros em especial,
a todos atendiam com elevado sentimento de compaixão, prestando
a assistência espiritual de acordo com a situação
de cada um.
Comentários elucidativos a respeito da situação
de cada vítima, feitos por generoso mentor espiritual, merecem
ser analisados para efeitos de esclarecimentos educativos, objetivando
a autoconscientização e o autoconhecimento de cada um
e de todos.
1. O socorro espiritual é ministrado indistintamente a todos,
sem nenhuma exceção.
2. A expressão - "Se o desastre é o mesmo para todos,
a morte é diferente para cada um", é um ensinamento
importante e merece ser assimilado.
3. Nem todos podem ser retirados dos despojos físicos, cadaverizados,
logo imediatamente.
4. A afirmação de que "Somente aquele cuja vida interior
lhe outorga a imediata liberação", é de relevante
significado educativo, pois revela a necessidade moral de se buscar
o autoconhecimento e a conseqüente emancipação psicológica
e emocional indispensável para maior autonomia e discernimento
conscienciais, ainda em plena vida física.
Consequentemente, isto implica um processo de autoeducação
pessoal, ao longo da vida, face aos grandes desafios existenciais, exigindo
a autotransmutação, capaz de conferir a cada um a plena
liberdade e autonomia no pensar, sentir e agir, em harmonia com as Leis
da Vida, na construção da paz dentro e fora de si mesmo,
e na vivência do bem incondicional.
As pessoas que se dispuseram a viver em harmonia com a cosmoética
nada têm a temer diante do momento decisivo e crucial da própria
morte física.
5. Aquele cuja vida consciencial se manteve em desalinho, vivendo em
descompasso desarmônico com as Leis da Vida, concentrando-se no
egoísmo egocêntrico, perdendo valiosas oportunidades de
amar e bem servir ao próximo como a si mesmo, e, por conseguinte,
ficando mais condicionado às manifestações instintivas
e emocionais, sem nenhuma preocupação com os valores espirituais
para o próprio crescimento e desenvolvimento consciencial, este
fica apegado ao corpo físico, não tendo condições
de manter equilíbrio harmônico e a lucidez consciencial
indispensáveis à neutralização dos impulsos
de atração e imantação energética
que o retém ao cadáver mutilado.
Nestas circunstancias, o desencarnado permanecerá ligado por
tempo indeterminado aos despojos cadavéricos que lhe pertencem.
6. Este tempo indeterminado está na dependência "do
grau de animalização dos fluídos que lhes retêm
o espírito à atividade corpórea". (p. 238).
Pode levar horas, dias ou meses até a completa e plena auto-libertação
psicológica, emocional, consciencial e espiritual.
7. As expressões seguintes merecem ser meditadas por sua relevante
transcendência:
a) "Corpo inerte nem sempre significa libertação
da alma". b) "O gênero de vida que alimentamos no estágio
físico dita as verdadeiras condições de nossa morte"
(p. 238).São por demais claras e, de certo modo, contundentes,
no sentido de não deixar dúvidas ou escapismos.
8. Outra expressão complementar às já mencionadas
também deve ser motivo de reflexão — "Morte
física não é o mesmo que emancipação
espiritual" (p. 239).
9. Mas aquelas vítimas desencarnadas no desastre, as quais não
têm condições de se afastar do próprio cadáver,
mediante a ruptura dos laços bioenergéticos que ligam
o espírito ao corpo físico, através dos respectivos
centros vitais ou chakras existentes no perispírito, estas vítimas
ficarão relegadas ao sabor das circunstancias, por tempo indefinido,
sem nenhum outro tipo de assistência socorrista?
Jamais isto acontece.
Todas, sem exceção, são amparadas sempre.
"Ninguém vive desamparado. O amor infinito de Deus abrange
o Universo". (p. 239).
10. O ser humano encarnado ou desencarnado pode, a cada momento da existência,
por meio do Bem "sentido e praticado", também modificar
seu próprio destino para melhor, neutralizando ações
e reações negativas circanstanciais, afastando do próprio
horizonte "as nuvens de sofrimentos prováveis". (p.
240).
Mas indagações se impõem.
- Quais as causas que originaram semelhante provação?
- Quais os fatores circunstanciais que direta ou indiretamente contribuíram
para a morte violenta e dolorosa através de desastres ou acidentes
fatais?
A resposta encontra-se nos ensinamentos luminosos e redentores do Cristo,
quando afirma:
"A cada um será dado segundo suas obras" ou "Cada
um colhe de acordo com o que semeia".
Este ensinamento expressa a Lei de Ação e Reação
ou Lei de Causa e Efeito, também ensinada pela sabedoria milenar
do Oriente como Lei do Carma.
A título de esclarecimento, poder-se-ia estabelecer possíveis
correlações entre a herança cármica individual
ou coletiva, para poder explicar a origem de tais acontecimentos provacionais,
dolorosos e irreversíveis.
Sem pretender aprofundar o tema relativo a Lei do Carma, algumas
relações podem ser estabelecidas, tais como:
a) As vitimas de hoje, perdendo a vida de modo tão trágico
e violento, poderiam, em outras épocas passadas, ter cometido
crimes não menos violentos também, atirando pessoas ou
desafetos indefesos do "cimo de torres altíssimas, para
que seus corpos se espatifassem no chão"...
b) As vítimas dos desastres de hoje poderiam ser as mesmas pessoas
que em tempos passados se entregavam à pirataria, cometendo crimes
hediondos em alto mar.
c) Ou suicidas que se precipitaram de edifícios ou se lançaram
de elevados picos à beira de verdadeiros abismos, estraçalhando
o corpo físico contra os rochedos pontiagudos, em manifesta rebeldia,
insubmissão e desrespeito às leis da vida.
d) Ou também homicidas que praticaram crimes hediondos, seqüestrando
e incendiando aldeias indefesas, ceifando vidas de crianças e
adolescentes, estuprando e violentando mulheres para assassiná-las
posteriormente com requintes de crueldade, ou que massacraram pessoas
idosas sem piedade.
Quantos homens e mulheres, crianças e jovens, vivendo atualmente,
em cuja ficha cármica encontram-se registrados erros e equívocos
do passado próximo ou milenar, aguardando o despertar e o amadurecimento
consciencial de cada um, para o indispensável trabalho educativo
da própria redenção, através de novas oportunidades
existenciais de trabalhar construtivamente na reconstrução
do próprio destino para melhor, reencontrando as antigas vítimas
e algozes de passadas existências, na condição de
familiares, pais, filhos, irmãos, parentes ou amigos, para juntos
viverem as lições do amor e do perdão incondicionais,
sem o que não haverá paz na consciência e tampouco
a plena quitação com a Lei de Deus.
11. Entretanto, é também da própria Lei Cármica
que, a todo e qualquer momento, cada consciência encarnada ou
desencarnada poderá modificar o próprio destino para melhor
desde que se disponha a amar e servir, trabalhando na semeadura do Bem,
adquirindo desta forma, pelo trabalho de auto-regeneração
redentora, os indispensáveis créditos de merecimento que
lhe trarão a paz consciencial, anulando os reflexos negativos
decorrentes das ações infelizes do passado próximo
ou remoto.
Deste modo "gerando novas causas com o bem, praticando hoje, podemos
interferir nas causas do mal, praticado ontem, neutralizando-as e reconquistando,
com isso, o nosso equilíbrio". (241).
12. É possível escolher o gênero de provações
existenciais e até mesmo o gênero de morte?
Sem dúvida. Para tanto é indispensável ter adquirido
maturidade espiritual e o merecimento indispensável para se propor
e planejar uma nova existência reencarnatória, tendo em
vista cooperar para o progresso e o bem comum, através de uma
vida de trabalho, doação, sacrifício e renúncia,
dedicando-se aos mais diversificados projetos de realização
progressista, em benefício da coletividade em geral, contribuindo
muitas vezes com o sacrifício da própria vida.
Assim sendo, muitos se preparam em tempo hábil, antes de uma
nova reencarnação, habilitando-se para correr o risco
de vida, e sofreram até mesmo morte violenta, em benefício
do progresso das ciências em geral, das artes, da medicina e saúde,
da indústria, da pesquisa de ponta em laboratórios e projetos
de reconhecida periculosidade, em favor do progresso da navegação
marítima, da aeronáutica, da engenharia, dos transportes
terrestres, das viagens espaciais, da liderança política
e do trabalho edificante e sacrificial no campo das reformas político-sociais,
econômicas e educacionais, etc., objetivando beneficiar a sociedade
em geral, promovendo direta ou indiretamente o desenvolvimento de um
povo, da nação ou país na construção
da paz e da justiça sociais.
Como se vê, a Lei Divina é Lei de Amor, Justiça
e Misericórdia, não excluindo nenhum ser humano do direito
de ser artífice do próprio destino.
13. Uma outra pergunta se faz necessária para maior elucidação
do tema em estudo.
Todos terão condições de tomar esta decisão,
no sentido de escolher o gênero de provação sacrificial?
Nem todos, porque a livre escolha depende do estágio de maturidade
espiritual alcançado e, também, das auto-realizações
no campo das ações edificantes e benéficas em prol
do semelhante, das antigas vítimas do passado, dos que direta
ou indiretamente foram atingidos por nossa insanidade na prática
do mal.
É indispensável, pois, que cada espírito ou Eu-Consciencial
já tenha adquirido a plena consciência no pensar, sentir
e agir com lucidez e discernimento na mais íntima interação
com as Leis da Vida, amando e servindo pelo amor à verdade, ao
bem incondicional, trabalhando proficuamente na reconstrução
do próprio destino, dispondo-se a viver conscientemente a lei
do amor, do perdão, ida solidariedade, sem nenhum preconceito
ou condicionamentos atávicos segregacionistas de qualquer espécie.
Como se vê, a liberdade de escolha está na razão
direta da conquista realizada pelo próprio espírito, no
sentido do auto-conhecimento e da auto-transmutação consciencial,
atingindo o maior índice possível de auto-realização
na construção do reino de Deus dentro e fora de si mesmo.
É pois um longo processo de maturação consciencial,
a que todos estamos submetidos, ao longo das múltiplas e milenárias
experiências de aprendizagem existencial através das vidas
sucessivas.
Daí por que o ensinamento milenar—o ser humano é
arquiteto do próprio destino.
As religiões dogmáticas e sectárias que envenenaram
a mente humana com as idéias de castigo, punição,
inferno, penas eternas, excomunhão, favoritismo para conquistar
as benesses do paraíso celestial, prometendo a salvação
mediante indulgências, penitências e atos litúrgicos
sacramentais, inerentes ao culto externo e a idolatrias, ensinando o
temor a Deus, contribuíram direta ou indiretamente para que o
medo patológico se instalasse na mente humana, ao longo da evolução
histórica da humanidade terrestre, gerando o fanatismo, a intolerância
e a separação entre crentes e descrentes, criando dependências
psicológico-emocionais, escravizando mentes e corações.
A liberdade de escolha está diretamente associada ao princípio
da responsabilidade individual e coletiva intransferível e irrevogável.
Cada qual, com sua respectiva herança cármica, muitas
vezes é submetido a diferentes provas existenciais na infância,
na mocidade, na idade adulta ou na velhice, passando por experiências
de mutilação reversível ou não, por enfermidades
de difícil tratamento a curto, médio ou longo prazo, por
acidentes dolorosos e até mesmo a morte súbita em circunstancias
inesperadas e traumatizantes.
Os seres humanos que estão onerados perante as leis éticas
da vida e que para se redimirem têm necessidade de viver provações
e lutas expiatórias, encontram aqueles outros que se dispõem
a ajudá-los através das relações familiares
na condição de pais, parentes ou amigos, e que juntos
se dispõem coletivamente ao aprendizado redentor, porque na maioria
das vezes estão também vinculados reciprocamente por compromissos
e comprometimentos cármicos específicos.
A provação coletiva desperta o sentimento de solidariedade
humana, impulsionando todos a uma revisão dos valores e significados
éticos do viver, descortinando a cada um novos horizontes conscienciais
.
Deste modo, pode-se afirmar que, no Plano Divino da Criação,
não há falhas e a Lei é de Amor, Justiça
e Misericórdia, concedendo a cada um e a todos iguais oportunidades
de progresso material, e espiritualmente falando, através das
vidas sucessivas, na construção e reconstrução
de um destino feliz.
14. E a morte por suicídio?
Doloroso equívoco cometem aqueles cuja decisão final é
o apelo ao suicídio, como medida extrema para solucionarem problemas
aflitivos, psicológicos, emocionais, conscienciais e existenciais.
A maior surpresa é a de que a vida não se extingue com
a morte do corpo físico.
Doloroso e grave engano, porque o suicida se vê muitas vezes jungido
aos despojos cadavéricos, por tempo indeterminado, através
dos laços bioenergéticos que ligam o perispírito
ao respectivo corpo físico em decomposição.
As sensações e emoções experimentadas pelo
suicida variam de caso para caso.
Há, entretanto, algo em comum, ou seja, a constatação
de que a vida consciencial é indestrutível e que ninguém
burla suas leis sem assumir pesados compromissos cármicos a impor
a indispensável reparação compulsória, por
ter rompido, prematuramente, os elos de ligação psicobiofísica
que permitiram a manutenção da vida no plano físico
por uma cota de tempo compatível com as necessidades específicas
de auto-realização espiritual de cada um, através
do cumprimento de um plano de realizações existenciais
educativo, visando à plena harmonização consciencial
com as leis da vida, e na execução de projetos específicos
de aprendizagens provacionais, sacrificiais, missionárias ou
de resgate inadiáveis, tendo em vista a necessidade moral de
construir a própria redenção.
Os relatos mediúnicos contendo informações sobre
a situação do suicida após o ato cometido são
unanimes em afirmar o estado de dolorosa penúria do espírito,
o qual se vê num processo psicodinamico e bioenergético
de recapitulação compulsiva das ações desencadeadas
em decorrência do suicídio, gerando um profundo sentimento
de remorso, dor e sofrimento inomináveis.
Este estado de verdadeira psicose alucinatória assume características
dantescas, dramáticas e traumáticas, e na maioria dos
casos o suicida sente-se mais vivo e sensível aos embates da
decomposição cadavérica do próprio corpo
físico.
Ora se vê no local onde o ato se consumou, ora se vê autopsiado
e ao mesmo tempo preso ao túmulo, onde jazem os restos mortais
sepultados.
Neste verdadeiro inferno consciencial se debate por tempo indeterminado,
podendo durar dias a fio, meses ou anos até que, pela dor e sofrimento,
possa despertar mais lúcido para compreender melhor o equívoco
cometido. Para tanto, o remorso e o arrependimento são etapas
inerentes ao despertar consciencial, seguidas de uma necessidade moral
profunda de se redimir perante a própria consciência e
às Leis de Deus.
Durante todo este tempo não fica abandonado pela misericordiosa
assistência espiritual dos espíritos socorristas e familiares
em condições de ajudar, bem como de amigos e protetores,
que, amorosamente, prestam o socorro necessário, sem entretanto
violar o código ético da vida.
Após esta fase crucial, à medida que for apresentando
sinais de melhor receptividade e lucidez, é submetido a um complexo
tratamento magnético-espiritual específico, em clinicas
altamente especializadas, encarregadas de dar atendimento psicoterápico
e sonoterápico, objetivando a plena recuperação
do suicida.
Geralmente, a morte por suicídio produz marcas profundas no perispírito,
e elas poderão determinar lesões nos respectivos centros
vitais e demais órgãos perispíriticos, que irão
repercutir na embriogênese e organogênese de um novo corpo
físico em uma próxima e futura reencarnação.
Em conseqüência, nas futuras reencarnações
o suicida poderá apresentar malformações congênitas
ou doenças hereditárias irreversíveis, na maioria
dos casos, renascendo em situações de excepcionalidade,
exigindo muito amor e dedicação dos pais e familiares,
médicos e enfermeiros, e tratamento em clínicas especializadas.
Não se deve, nestes casos, pensar em castigos ou punições
divinas, mas tão-somente no cumprimento da Lei do Carma genético.
Através destas limitações morfogenéticas
a curto, médio ou longo prazo, o suicida de ontem renasce em
um novo corpo físico, com disfunções congênitas
reversíveis ou irreversíveis, como decorrência natural
das lesões registradas na memória genética perispíritica
que servirão de matrizes indutoras a influenciar negativamente
durante a gestação, na organogênese e morfogênese,
do novo corpo físico, determinando malformações
congênitas ou doenças hereditárias, correspondentes
às lesões perispíriticas causadas por traumatismos,
em decorrência do suicídio cometido em vidas anteriores.
A título de esclarecimento, há também casos de
suicídio indireto, no qual a pessoa não tem a deliberação
plena de cometer o suicídio propriamente dito, mas, pelo tipo
de vida que leva, sem maiores compromissos com a saúde física
e mental, expondo-se a situações de risco por imprudência,
ou praticando excessos de toda a natureza, poderá morrer prematuramente,
sendo, portanto, considerado também um caso de suicídio
indireto.
MORTE E EDUCAÇÃO
Vê-se pois, que a morte na visão espírita é
u m fenômeno natural de mudanças e transmutações,
inerentes à própria dinâmica da vida.
A Pedagogia espírita, propõe-se através da educação
formal e informal, desenvolver uma ação educativa, iniciando
no respectivo lar, tendo os pais como pedagogos e educadores, com a
missão natural de orientar e educar os filhos, desde a fase preparatória
antes da reencarnação propriamente dita, através
do processo psicobiofísico da gestação, acompanhando-os
com amor e dedicação em todas as fases do crescimento
e desenvolvimento pleno, quando assumirão com maior consciência
e responsabilidade deveres e obrigações de viver construtivamente,
em harmonia consigo mesmos, com a natureza, com a sociedade, com a vida,
cumprindo o plano divino de suas existências.
Compreendendo desde cedo que a vida é imperecível, e que
o ser humano como espírito ou consciência em expansão
é um agente co-criador que integra e participa de um plano maior,
de acordo com o nível de maturidade consciencial alcançado,
e com a correspondente autonomia relativa, de agir e interagir no contexto
existencial que lhe é concedido viver, é natural e de
esperar que venha gradativamente, pela educação recebida,
a desenvolver uma cosmovisão existencial, sem as peias do medo
de qualquer espécie e muito menos do medo da morte e do morrer.
Nesta perspectiva, a Educação espírita visa o Ser
integral, homem ou mulher, cujos papéis no contexto do viver
se complementam e se integram na grande sinfonia da vida, com iguais
direitos e deveres éticos e cosmoéticos no desempenho
de seu respectivo plano existencial.
Como decorrência lógica deste processo de educação
anímico-consciencial permanente, cada pessoa vai sentindo a imperiosa
necessidade ético-espiritual de expandir-se na busca do auto-conhecimento,
na construção da plenitude consciencial, livre de preconceitos
e condicionamentos atávicos ou adquiridos, limitadores da liberdade
de pensar, sentir e agir em harmonia com as leis da vida, numa visão
plena de totalidade, integração e complementaridade.
Assim sendo, o viver passa a ser uma aprendizagem constante em todas
as etapas do crescimento e desenvolvimento pessoal, de uma autoconsciência
holística, ecológica e integradora, a se manifestar através
de um comportamento individual e social, construtivo, edificante e solidário,
em todos os momentos de sua vida de relação.
Sabe, por experiência própria, através de uma educação
holística espiritualista ou espírita, que a vida de relação
não se extingue com a cessação da vida física,
mas ultrapassa os limites espaço-temporais do aqui, agora, expandindo-se
na multidimensionalidade extrafísica da Biosfera e do Universo.
Consequentemente, tem consciência e discernimento de que é
um agente co-criador arquiteto do próprio destino em todos os
níveis de manifestação da vi da consciencial .Assim
sendo, sente a própria dimensão transcendente do viver
no plano físico e extra-físico através de suas
funções psi, anímico-mediúnicas, paranormais,
que lhe possibilitam projetar-se fora do respectivo corpo físico,
penetrando nos diferentes níveis e planos conscienciais extra-físicos,
continuando na dinâmica da vida de relação a interagir
com espíritos ou consciências afins, encarnados ou desencarnados,
realizando novos aprendizados enriquecedores ou participando solidariamente
nas tarefas e trabalhos assistenciais ou socorristas, vivendo conscientemente
o amor solidário, o amor compaixão, o amor-fraternidade,
expressões particulares do verdadeiro "amor ao próximo
como a si mesmo", princípio universal da Cosmoética,
sem cuja observância o ser humano encarnado ou desencarnado não
poderá ser plenamente feliz e nem poderá viver em paz
consigo próprio, com a vida, com a natureza e com a humanidade.
Ressalta-se, pois, a importância da Educação numa
visão e abordagem holística, integradora, sem os condicionamentos
dogmáticos e sectários que dividem e segregam os seres
humanos de todas as raças, povos e nações, tanto
no Oriente como no Ocidente.
Sem dúvida alguma, o Espiritismo vem contribuindo para o desenvolvimento
desta consciência holística, individual e coletiva, sem
violentar a liberdade de pensar e de escolher o próprio caminho
para o auto-conhecimento e a auto-realização como Espírito
ou uma consciência em expansão, na construção
da plenitude existencial rumo à plenitude do Ser.
Tais princípios educativos, fazendo parte dos currículos
educacionais nas escolas de ensino fundamental, ampliando-se no segundo
grau e ensino superior, através de projetos psicopedagógicos
multi e transdisciplinares integrantes de um plano educacional de maior
amplitude, privilegiando a valorização da Vida, a educação
física, mental e afetiva do ser humano numa perspectiva holística,
integradora e transcendente, possibilitando o desenvolvimento cognitivo,
afetivo e espiritual, com ênfase no auto-conhecimento, e numa
cosmovisão transcendente da v ida, em que a morte não
seja considerada o fim de tudo, mas apenas uma grande e profunda transmutação
consciencial.
Deste modo, a convicção adquirida e consolidada através
de um novo paradigma educacional - holístico, ecológico,
espiritualista ou espírita, evolucionista, convicção
não imposta - mas construída através da auto-educação,
de que o Espírito ou o Eu-Consciencial é um ser. agente
co-criador, e integrante do processo dinâmico da própria
vida, evoluindo ao longo de um contínuo histórico através
das vidas sucessivas, na construção e reconstrução
do próprio destino, nesta perspectiva cada Consciência,
tanto no plano físico ou extra-físico, sente a realidade
existencial com maior amplitude, eliminando toda e qualquer reação
instintiva de medo face aos grandes desafios educativos da Vida e do
próprio viver.
Assim sendo, adquire e desenvolve a plena lucidez e discernimento, cognitivo
e afetivo, de que a vida de relação se expande também,
além do aqui, agora, possibilitando a interação
entre encarnados e desencarnados, segundo os princípios universais
da lei de afinidade, sintonia e ressonância.
Através da constatação do próprio potencial
anímico-mediunico, a manifestar-se por meio das funções
psi, paranormais, ampliando as percepções extra-sensoriais
e autoprojeção, fora do corpo, a constatação
da realidade multi e transdimensional espaço-temporal torna-se
uma evidência incontestável, com profunda repercussão
no comportamento ético individual e coletivo, podendo acelerar
o processo das grandes transformações político-sociais,
econômicas, culturais, ético-religiosas, educacionais,
e do despertar de uma consciência ecológica, holística,
harmônica e integradora, na construção da Paz individual
e coletiva, indispensável à implantação
de uma nova ordem, alicerçada na Cosmoética do "amor
ao próximo como a si mesmo", em todos os níveis de
manifestação consciencial.
A comprovação científica dos fenômenos naturais,
inerentes ao intercâmbio mediúnico, muito contribuirá
para evidenciar, com maior solidez, a sobrevivência espiritual
do ser humano, na mais eloqüente demonstração universal
de que a morte não rompe e nem destrói os laços
afetivos de amor conjugal, amor paternal, maternal, amor filial, fraternal,
amor-solidariedade, amor-compaixão, entre as mentes e corações
afins, encarnados e desencarnados, na dinâmica da vida imperecível.
Fonte :
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/desencarne/morte-e-significado.html
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