José Queid Tufaile

>    O gerenciamento do Centro Espírita

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José Queid Tufaile
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Ao abordarmos o tema "O Gerenciamento do Centro Espírita", estamos trazendo ao conhecimento público uma nova proposta para a dinamização das atividades cotidianas das casas.

Em um dos Entrades discutimos a urgente necessidade de reformarmos o centro espírita, tirando-o de uma situação de prática primária, para conduzi-lo ao encontro das orientações racionais, deixadas a nós por Allan Kardec.

A formação do movimento espírita no país foi deficitária e produziu um tipo de sociedade que, atualmente, pouco tem a ver com a realidade do nosso tempo. É comum encontrarmos pessoas sensatas, que se afastam do Espiritismo ao notarem que seus adeptos fogem do real, apegando-se a conceitos místicos e irracionais, que pouco proveito trazem para a vida. Em resumo, os centros assemelharam-se a pequenas igrejas, onde a contemplação é a conduta mais encontrada.

Estudiosos disseram que esta situação foi criada por causa das características religiosas da sociedade brasileira. Outros, dizem que o Espiritismo só floresceu no Brasil justamente por elas. O que se sabe de certo, é que boa parte das casas orientadas pela doutrina kardequiana vive inadimplentes. Não consegue cumprir com as obrigações espirituais básicas determinadas pela Codificação. Há pouco interesse por quase tudo o que se faz. Não há renovação dos quadros administrativos e de servidores das casas. Quando se vai trocar uma diretoria, é uma imensa dificuldade para se encontrarem pessoas dispostas a assumirem o compromisso. Bons dirigentes e trabalhadores são raros. Na falta deles, abrem-se as portas aos primeiros que aparecem, admitindo-se mesmo os que não possuem as mínimas condições. Isso facilita a decadência do sistema.


Auto-avaliação

No Espiritismo, fala-se muito de uma lei que a tudo governa: a lei da evolução. É um fato inegável o de que todos nós estamos em constante mutação, buscando o progresso.

Tomando como base esta lei, Allan Kardec traçou a linha de conduta do verdadeiro espírita: que se esforçasse constantemente para dominar suas más inclinações. Ora, só podemos lutar contra uma tendência ruim se tivermos consciência dela. Para tanto, temos que nos conhecer. Daí, surge a necessidade do auto-conhecimento, para se saber dos próprios defeitos.

O Codificador dizia que uma sociedade é um ser coletivo e que todos os princípios aplicados a uma pessoa poderiam ser igualmente aplicados a ela. Em razão disso, estamos propondo no estudo do "gerenciamento", que dirigentes e trabalhadores façam uma sincera avaliação das atividades de suas casas espíritas e que tomem providências para melhorá-las.


Gerenciamento

Gerenciar é o ato de dirigir e conduzir racionalmente uma empresa. Ao trazermos o tema para o Centro Espírita, queremos fazer ver a possibilidade de administrá-lo com princípios semelhantes. Na maioria das casas, o sistema administrativo é primitivo. De legal, só existe um estatuto básico, no qual se assenta a instituição. Quase não há recursos financeiros para se realizarem obras. As dificuldades para se conseguir material humano são imensas. Os cursos relativos à Doutrina não obedecem nenhum tipo de programa. Tudo é vago e caminha de forma empírica, sem um plano pré-determinado. As coisas acontecem de acordo com a idéia de quem foi colocado na diretoria.

Queremos que esses estudos sobre "gerenciamento" sirvam de estímulo, levando os participantes a criarem um sistema administrativo nas casas onde trabalham ou aperfeiçoarem aqueles que já existem.

O que vamos apresentar foi tirado da experiência diária do Grupo Espírita Bezerra de Menezes e do aperfeiçoamento dos sistemas que desenvolvemos para administrá-lo. Esses métodos tem se mostrado úteis para nós, porém, não os consideramos perfeitos. Continuamos trabalhando para ajustá-los à realidade do dia-a-dia e o faremos sempre.


O que é um Centro Espírita?

O movimento espírita vive em estado de apatia doutrinária. Há muito pouco interesse e resultados em torno dos estudos e das práticas relativas ao Espiritismo. Os centros se distanciaram de suas finalidades básicas, dando origem a um vazio que se torna mais patente a cada dia.

A Doutrina é o renascimento do cristianismo primitivo e, para bem compreendermos as finalidades do centro espírita, devemos examinar o tipo de trabalho desenvolvido pelos Apóstolos e pelo próprio Allan Kardec. É entre eles que fomos encontrar a trilogia da prática espírita:

1 - Aprender

2 - Ensinar

3 - Assistir

O centro espírita é um lugar onde nós aprendemos idéias novas a respeito de tudo o que se relaciona com a vida, ensinamos esses princípios a outras pessoas e assistimos nosso próximo em suas necessidades físicas e espirituais. É a mesma tarefa feita pelos Apóstolos do Cristo e pelo Codificador da Doutrina Espírita.

Se quisermos desenvolver essas atividades de modo proveitoso, teremos que contar com alguns quesitos importantes. Vamos precisar de recursos humanos, materiais, uma certa organização interna e um plano de trabalho a ser executado. Um pouco mais adiante, ofereceremos elementos que ajudarão você a planejar a dinamização de sua casa espírita.


O Dirigente Espírita


O dirigente espírita é o gerente da casa de trabalhos. Cabe a ele a função de administrar e coordenar todas as ações, elaborar seus planos e executá-los. Sobre ele paira a responsabilidade de orientar as atividades doutrinárias, trabalhar o desenvolvimento dos membros sob sua tutela e planejar o sistema administrativo do centro.

Kardec dizia que a vida deve nos servir de aprendizado. Se observarmos as escolas e instituições do mundo, vamos verificar que princípios diretivos quase sempre as orientam. Alguns determinam e outros cumprem. O centro espírita precisa ser coordenado por uma metodologia semelhante. Quando não se faz um trabalho organizado, o resultado não pode ser bom.

Imaginemos um barco navegando sem capitão. Uma nau que a cada dia recebesse uma orientação. É certo que não chegaria a lugar algum. O mesmo aconteceria com uma empresa sem diretores, sem um plano de serviços. Os resultados não seriam satisfatórios.

No centro espírita deve haver um responsável pela direção, que tenha pulso firme. É o dirigente espírita. Mas, ele precisa ser ativo e não só figurativo, como acontece com freqüência.

A função de dirigir é delicada. Se não houver flexibilidade, a administração pode se tornar uma armadilha. Para que isso não aconteça, o dirigente deve valer-se da auto-crítica e contar com um grupo de companheiros para ajudá-lo. É o conselho administrativo. A casa será vista como uma empresa do Senhor, onde se planeja, executa-se e se avaliam resultados.

Cuidado: não deixe o trabalho diretivo mergulhar no despotismo. Há um comando na casa, mas não uma ação de mando irracional. As considerações dos demais trabalhadores deverão ser ouvidas e colocadas na balança do bom senso.

Estimular e desenvolver em cada um o ideal e o amor pela causa é tarefa relevante que está depositada nas mãos de quem dirige. Se o dirigente for fraco ou irresponsável, certamente todo o grupo o acompanhará e nada produzirá.


O Conselho Administrativo

Os Espíritos inferiores são um grande obstáculo ao bom andamento dos trabalhos espíritas. Corremos o perigo de cairmos suas presas, quando nos colocamos a trabalhar sós. Na administração do centro corre-se o mesmo risco. Convém que a responsabilidade do posto diretivo seja dividida entre outros membros da sociedade. Duas ou mais cabeças pensam melhor que uma.

No Grupo Espírita Bezerra de Menezes, fizemos uma experiência com um grupo de trabalhadores, denominado "conselho administrativo". Por meio deste grupo, tudo é planejado e executado. O conselho se reúne periodicamente a cada dois meses, ou em ocasiões extraordinárias. É presidido pelo presidente da casa. Em suas reuniões, discutem-se os mecanismos internos e se estudam as soluções de problemas que surgem na rotina diária da casa. As responsabilidades são distribuídas e o peso das tarefas é diluído.


As reuniões gerais

Uma grande fonte de males nas casas espíritas é a falta de comunicação entre os dirigentes e os dirigidos. Kardec afirma que a afinidade de pensamentos em torno de ideais elevados é fonte da força moral. Esse princípio se reflete em tudo o que se faz em Espiritismo. Quando numa reunião mediúnica não há uma razoável afinidade de idéias, aparecem "repelões" na corrente magnética - espécie de influxos mentais contrários -, que entram em choque e prejudicam as comunicações ou decisões.

A reunião geral é um recurso usado para minimizar as diferenças que naturalmente existem entre trabalhadores. Ela tem a finalidade de congregar o conselho administrativo ao corpo de serviço. O funcionamento do centro é avaliado por todos e a "roupa suja" lavada. Tudo se passa como numa família. Acertadas as deficiências e examinados os resultados do que até ali se fez, inicia-se o planejamento para o próximo bimestre.

Planos e decisões terão de ser práticos e objetivos. Tudo o que tender a levar o grupo para o campo da idolatria humana, das reverências, da burocracia, das distinções e coisas do gênero será afastado da pauta de trabalho. Seria de bom proveito que a reunião do conselho se desse na semana anterior a da reunião geral, para que houvesse consenso em torno dos assuntos a serem discutidos.

Quando os conselheiros chegarem para a reunião geral, trarão consigo a pauta de trabalhos já pronta.

É preciso salientar nessas ocasiões, a existência do compromisso entre o Ministério Divino e o trabalhador. Que as faltas só aconteçam por motivo de força maior. Quem não tiver tempo para a Seara, deve deixá-la e se dedicar à causa num outro tempo. Que freqüente o centro, sirva quando e como puder, mas não faça parte do quadro de servidores.

Onde os trabalhadores não são assíduos, não há serviço produtivo. Quando uma pessoa falta sem motivo justo, causa problemas no sistema administrativo da casa. Esta atitude costuma aborrecer outras pessoas e dar origem a comentários desagradáveis, que geram desarmonia.

As reuniões gerais devem ser abertas com a evocação dos bons Espíritos, pedindo-lhes que nos ajudem a ordenar as discussões e a movimentação dos pensamentos. Quando assistidas por entidades esclarecidas, as reuniões administrativas tornam-se produtivas e objetivas. Reuniões onde há desentendimentos com brigas e acusações são mal assistidas. Tornam-se confusas e improdutivas.

A dinâmica dos trabalhos será orientada por uma política, onde o responsável fará comentários sobre o item escolhido, dando subseqüente espaço para as discussões, análises e planejamentos.


Fontes de recursos

O centro é uma instituição que apresenta gastos regulares. Quanto maior for o trabalho que desenvolve, maior será sua despesa e maior deverá ser sua receita. É muito comum as casas não possuírem recursos para as necessidades básicas. No gerenciamento do centro espírita, deverá se tomar providências para que esta situação se modifique. Vamos falar da experiência que tem nos auxiliado a manter as obras no Bezerra de Menezes. São idéias que podem servir a outros companheiros, para melhorarem a receita das casas onde trabalham.


Caixa da Sociedade

Em nosso grupo, mantemos um caixa que é constituído por doações regulares dos membros da sociedade. O valor dessas doações é escolhido pelo participante, em termos de percentagem do salário mínimo vigente. A doação é obrigatória aos membros do grupo e é recolhida no dia 10 de cada mês. Com isso, é possível cobrir as despesas básicas da manutenção do prédio e ainda sobram recursos a serem utilizados em outros setores, tais como: aquisição de remédios para a farmácia comunitária, compra de alimentos para cestas beneficentes, confecção de mensagens, impressos etc.

Allan Kardec, na Revista Espírita, em seu número de julho de 1866, discorre por um longo trecho acerca da necessidade da existência de uma Caixa Espírita, com a finalidade de atender às necessidades do próximo.

Depois de classificar as várias categorias de adeptos, o Codificador fala sobre as contribuições financeiras:

"Quando se trata de uma obra coletiva, onde cada um deve trazer seu contingente de ação, como seria a de um Caixa Geral, por exemplo, convém fazer entrarem essas considerações em linha de conta, porque a eficácia do concurso que se pode esperar está na razão da categoria a que pertencem os adeptos. É bem evidente que não se pode contar muito com os que não levam a sério o lado moral da Doutrina e, ainda menos, com os que não ousam mostrar-se".


Almoços e bazares beneficentes

As promoções beneficentes são uma importante fonte de recursos. No Bezerra de Menezes, elas fazem parte da programação anual. Realizamos um almoço e um bazar a cada dois meses. Nos almoços, os convites são vendidos pelo sistema de cotas. Cada membro da sociedade assume o compromisso de vender um certo número de convites e trabalha para isso. Nos bazares, as comidas, doces e bolos são vendidos em praça pública, com resultados muito positivos.

Observação: É conveniente a sociedade organizar sua própria cozinha e uma equipe que cuidará do cardápio. Nos almoços e bazares não servimos nenhum tipo de bebida alcoólica.


Rifas e Bingos

Os grupos espíritas devem evitar a realização de bingos e rifas para conseguirem recursos materiais. Além de desaconselhado por mentores espirituais, alguns casos caracterizam-se como contravenção penal. Há outras formas mais dignas de adquirirmos recursos para o centro espírita.


A propaganda do Espiritismo

Com os recursos disponíveis, podemos fazer uma propaganda espírita. Há um considerável número de grupos que vivem no anonimato. É preciso informar a comunidade que o centro espírita está ali e que a Doutrina Espírita não tem relação com a Umbanda, com o Candomblé e outros cultos e práticas do gênero.

Poderão ser confeccionados folhetos explicativos sobre o que é o Espiritismo e quais são os benefícios de se colocar sob sua orientação. Neles, serão colocados o nome do grupo espírita, sua localização e dias de reuniões públicas. Estes folhetos poderão ser distribuídos pela mocidade da casa.


Código de Conduta

A vida moral do servidor espírita necessita de cuidados especiais. Convém que se estabeleça algumas normas morais de conduta, para facilitarem a vida administrativa da casa.

Além de mostrar o que podemos ou não fazer no centro, as normas de conduta facilitam nosso relacionamento com o público. As pessoas que procuram o centro para serem ajudadas, costumam tomar a imagem do trabalhador espírita como linha de referência para sua própria imagem. Por esta razão, as coisas que fazemos e a forma como nos apresentamos no centro espírita assumem relevante importância. As normas de conduta precisam ser claras e objetivas. Devem ser apresentadas a todos os membros novatos, para que se enquadrem na disciplina da casa.

Vamos citar abaixo, o Código de Conduta do Bezerra de Menezes, a título de exemplo:


Exemplo do Código de Conduta

Você está se candidatando a membro desta sociedade espírita. Já passou pela fase da iniciação e agora vai ser experimentado no serviço interno. Esperamos que este compromisso seja levado a sério, pois o trabalho com o Cristo exige disciplina, dedicação, renúncia e amor ao próximo.

Vamos apresentar as normas que orientam a conduta interna. Elas servem de baliza para as atitudes que tomamos dentro da casa e fora dela. Esperamos que se adapte aos nossos costumes. Caso haja alguma dúvida ou dificuldade, procure conversar com a direção.

01 - Se ainda faz uso de cigarro ou bebida alcoólica, procure esforçar-se para deixar esses hábitos, considerados pela ciência e pela ética nocivos à saúde e à alma. A bebida social é tolerada naqueles que estão iniciando.

02 - Os setores de atividades internas são dirigidos por pessoas responsáveis por eles. Procure ouvir pacientemente as orientações desses companheiros. Evite dar opinião sobre as coisas espíritas ou a administração se não for solicitado. Como está iniciando, ainda não está preparado para isso. Lembre-se: você está ingressando na sociedade para aprender Espiritismo e a servir seu próximo. Sua posição é de membro em experiência. Deixe suas observações para serem discutidas nas sessões de estudos ou nas reuniões gerais.

03 - Caixa Espírita: Allan Kardec aconselhou a existência, nas casas espíritas, de um fundo destinado a cobrir suas despesas. Ao tornar-se membro do grupo, assumimos o compromisso de ajudar a causa em todos os sentidos. Os associados colaboram financeiramente com o fundo de serviços do centro.

Depois que se tornar membro efetivo, procure a secretária do grupo para definir sua doação mensal.

Ela será de livre escolha e fundamenta-se numa porcentagem do salário mínimo. Você receberá explicações de como será feito o recebimento e das finalidades deste caixa.

04 - Recomendamos às mulheres, membros da sociedade, que evitem o uso excessivo de jóias e pinturas nas suas dependências. A educação determina que devemos usar trajes apropriados ao ambiente onde estamos. Do mesmo modo que seria insensato comparecermos num evento social com roupas esportivas, também será estranho nos dirigirmos a um templo religioso, vestidos como se fôssemos numa festa. Cada coisa tem o seu lugar. Procuremos nos vestir de forma simples e sóbria.

Além de estarmos agindo com bom senso, as pessoas mais humildes se sentirão mais à vontade em nossa presença.

Cabe à administração da casa, definir os excessos e orientar no que for necessário. Lembre-se: lá fora, você continua sendo um espírita ligado a esta casa.

05 - Entre nós, não aceitamos o adultério e a vida desonesta. Se você teve ou tem costumes assim, procure corrigir-se. Se quiser melhor orientação, fale com a direção.

06 - Para nós, a vida familiar é de importância vital. Se você não vive bem com seu cônjuge ou tem problemas com filhos, procure a direção para receber orientação. Seu trabalho com o Cristo depende muito de sua paz pessoal.

07 - Queira informar a direção se você:

- Esteve internado em hospital psiquiátrico.
- Se já esteve preso.
- Se está sofrendo processo judicial.
- Se faz uso de calmantes.
- Se já usou drogas.
- Se você vive com alguém, sem ser casado legalmente.
- Estas informações serão sigilosas e destinam-se a uma melhor orientação de ordem moral.

08 - O desenvolvimento intelectual e moral varia de uma pessoa para outra. Não queira ser como os outros. Estude, trabalhe e viva a Doutrina dentro de suas próprias possibilidades. Vá devagar com os estudos e as mudanças que pretende fazer em sua vida moral. A natureza não dá saltos. Não faça de sua mente uma casa poluída pelo excesso de literatura doutrinária.

09 - Cumpra com as funções que lhe forem determinadas e aguarde o momento certo, quando será convidado a participar de outras. Lembre-se: se cuidar bem das pequenas coisas, estará se habilitando para assumir as grandes.

10 - Se, em qualquer período de sua estada entre nós, começar a sentir coisas estranhas, tais como: alterações emocionais acentuadas, perturbações no sono etc, comunique à direção do centro.

11 - A administração, se achar necessário, poderá suspendê-lo de suas funções. Não tome isso como coisa pessoal ou como preferências. Procure se inteirar da causa da suspensão e oriente-se. Tudo aqui é feito tendo em vista o bom funcionamento do centro e o bem estar de seus membros.

12 - Quando estiver em conversação nas dependências da sociedade, procure comentar aspectos dignificantes da vida. Não se exceda no processo crítico. Estenda esse comportamento à sua vida cotidiana.


Funções básicas da Casa Espírita

Como afirmamos no início deste trabalho, as funções básicas da Casa Espírita são três: aprender, ensinar e assistir. Vamos discorrer sobre cada uma delas, de modo a facilitar o entendimento.

Aprender: Uma vez que somos Espíritos que estamos na Terra para evoluirmos, é natural que o aprendizado seja uma das fundamentais tarefas do verdadeiro espírita. E, antes de ensinarmos Espiritismo a alguém, convém que o estudemos. Não se pode ensinar o que não se sabe. Iniciar um atendimento público, por exemplo, sem ter uma estrutura doutrinária mínima, é um grave erro a ser evitado.

O aprendizado na sociedade espírita deverá ter um caráter interno, voltado para o preparo das pessoas que vão trabalhar no relacionamento com o público que busca o centro.

Ao classificar os espíritas em categorias distintas, Allan Kardec deixou claro que as pessoas possuem um grau de desenvolvimento diferenciado entre si.

Algumas são mais aptas a compreenderem a Doutrina; outras, sentem dificuldades; e há aquelas que lhe são totalmente refratárias. Por esta razão, o centro espírita precisa ter mecanismos racionais para promover o desenvolvimento moral e intelectual de seus trabalhadores.

Este processo de formação será realizado por meio de estudos sistematizados da Doutrina Espírita, a serem desenvolvidos de acordo com as características de cada sociedade.

Recomendação mínima:

- Um curso regular para iniciantes
- Um curso de estudos doutrinários
- Uma reunião de estudos de "O Evangelho Segundo o Espiritismo"
- Uma reunião de estudos de "O Livro dos Médiuns"

O curso regular para iniciantes facilitará a entrada daqueles que querem deixar a condição de freqüentador, e se transformarem em trabalhadores do centro. Será um pequeno laboratório onde o candidato a membro da sociedade será observado por um determinado período. Não poderá ser muito extenso, pois o desestímulo pode aparecer e esvaziá-lo.

O curso para estudos doutrinários servirá aos trabalhadores mais velhos e aptos aos labores mais profundos. Nele, serão estudadas todas as obras básicas da Doutrina, com ênfase dada para O Livro dos Espíritos.

A reunião de estudos evangélicos se destinará ao aprendizado da moral cristã e será freqüentada pelos membros mais limitados doutrinariamente. À medida que apresentarem melhorias, eles serão encaminhados para a reunião de estudos doutrinários.

Por último, teremos a reunião destinada aos médiuns. Ela pode ser desenvolvida num dia especial, ou num horário que anteceda as atividades práticas. Conhecer "O Livro dos Médiuns" é de importância capital para os que vão lidar com os Espíritos.

Observação: Todos esses cursos terão aulas semanalmente. No início de todas as atividades, deve-se fazer uma preleção evangélica, de aproximadamente 20 minutos. O Evangelho Segundo o Espiritismo é o principal instrumento moralizante. Nunca será demais discutirmos os seus princípios.

Ensinar: O Espiritismo tem a função primordial de educar as criaturas, conduzindo-as ao equilíbrio através do conhecimento. Podemos transmitir o conhecimento de diversas formas. Vamos citar quatro linhas de ação que consideramos fundamentais.

a - Palestra
b - Leitura
c - Mocidade e infância
d - Curso Básico

Palestra - É, a nosso ver, a mais importante forma de se ensinar Espiritismo. Através da dialética, acontecem as explanações doutrinárias nas reuniões públicas. A palavra do Evangelho e os fundamentos da Doutrina serão ensinados com técnica, razão, sentimento, calcados pela ascendência moral. É um momento que exige muita responsabilidade.

Leitura - A casa espírita deverá ter em suas dependências uma pequena Biblioteca para o empréstimo e venda de obras doutrinárias. O livro é o meio de orientação, onde predominam a meditação e a reflexão serenas junto às lições ensinadas.

Mocidade e infância - O centro espírita deve desenvolver trabalhos para orientar a mocidade e a infância. Deverá fazê-lo na medida das possibilidades técnicas e físicas disponíveis.

Curso Básico - O funcionamento de um Curso Básico para iniciantes (citado acima) será a porta de ingresso ao público para o quadro de trabalhadores da casa. É o lugar onde o candidato será avaliado em suas condições de servir.

 

Assistir : A tarefa de assistir ao próximo se divide em assistência espiritual e material.

 

Assistência espiritual - Toda casa espírita precisa ter assistência espiritual. Ela é de importância primária. Não dá para entender o Espiritismo sem as obras da desobsessão, da cura e dos passes. Não é possível compreendê-lo sem o desenvolvimento mediúnico e as mensagens que consolam e esclarecem. As casas que não possuem essas atividades regularmente necessitam de urgentes reformas. Hoje, como nos tempos de Jesus, os fenômenos ainda são atrativos para as massas imediatistas. Cabe a nós, servos do Mestre, tocar-lhes o coração com argumentos convincentes, quando vierem ao centro em busca de solução para os seus problemas pessoais.

Não se esqueça: o exemplo pessoal é força moral. Viver a lição que ensinamos é a chave para conseguirmos sucesso frente ao trabalho com o Mestre.

 

Assistência material - A assistência material é secundária. No entanto, deve estar presente em todas as casas espíritas, pois atende às necessidades elementares do próximo. Pode ser exercida em variadas frentes. Creches, orfanatos, sopas fraternas, distribuição de cestas, remédios, roupas etc.

Nota importante: Cuidado para não inverter o papel da casa espírita. Muitos núcleos foram transformados em verdadeiros centros de assistência social, com graves prejuízos à obra libertadora do Espírito.


Classificação das Sociedades

No Brasil, os centros kardecistas podem ser classificados em categorias distintas. Vamos abordá-las rapidamente, para que o leitor encontre a posição da casa sob sua guarda. A partir daí, poderá verificar a possibilidade de aperfeiçoar seu sistema administrativo, introduzindo nele o gerenciamento.

As casas espíritas dividem-se em duas classes:

1ª) As sociedades públicas

2ª) Os grupos familiares

 

Sociedades Públicas - São aquelas constituídas legalmente, instaladas em prédios apropriados, que dispõem de reuniões públicas e assistência regular.

Grupos Familiares - São os grupos que se reúnem em residências ou pequenos salões. Não são legalmente constituídos e não possuem reuniões públicas. A assistência que prestam à comunidade é irregular e caracterizada pela informalidade.


Diretrizes administrativas

São três os sistemas administrativos que encontramos nos centros espíritas:

a - Centros dinâmicos
b - Centros contemplativos
c - Centros confusos

Centros Dinâmicos - Os centros espíritas classificados como dinâmicos são os que possuem uma organização interna e estudos metódicos da Doutrina Espírita. O atendimento espiritual e material é mais ou menos organizado. Desenvolvem métodos de trabalho e promovem avaliação de tudo o que fazem. São em pequeno número no país.

Centros Contemplativos - A atitude religiosa é fundamental para os que praticam o Espiritismo, mas é preciso o cuidado de não deixarmos que ela se transforme em motivo de prejuízo às atividades internas do centro. Entre nós, a orientação religiosa assumiu um aspecto pernicioso, que denominamos "contemplação".

A contemplação impõe limites ao crescimento do homem, porque pressupõe a salvação por uma espécie de graça, ou fé cega. Esta atitude, comum em outras religiões, também floresceu no movimento por causa das características atávicas do povo brasileiro. A contemplação limitou a capacidade de pensar e provocou improdutividade nos centros espíritas. Suspeita-se que boa parte das sociedades do país tenham seguido por este caminho.

Os centros onde esta situação predomina são semelhantes a pequenas igrejas. As pessoas reúnem-se, fazem o Evangelho, tomam passes, recebem espíritos e vão para suas casas, sem maiores conseqüências morais. Não há organização interna, os estudos são aleatórios e poucas pessoas sabem da existência da casa na comunidade onde está localizada. Há algum benefício para as criaturas que vão ali, mas o grupo não exerce influência nenhuma no lugar onde existe.

Resumindo, pode-se dizer que são casas desorganizadas e sem princípios diretivos racionais.

Centros Confusos
São as sociedades ou grupos que não seguem nenhuma vertente de orientação doutrinária. Mesclam idéias espíritas com as de Umbanda, de Esoterismo e de terapias alternativas.

Geralmente, desconhecem os princípios mais elementares da Doutrina Espírita e são assistidas por Espíritos atrasados, dotados da falsa sabedoria.


Orientação doutrinária

O Espiritismo é uma doutrina de tríplice aspecto. Filosofia, ciência e religião. A orientação doutrinária das casas espíritas segue com a predominância de uma dessas faces:

a - Orientação religiosa
b - Orientação filosófica
c - Orientação científica

Orientação Religiosa - Nos núcleos onde predomina a orientação religiosa, têm-se um excessivo apego às coisas abstratas. Depende-se em demasia do mundo invisível e a vida administrativa geralmente termina na contemplação. Pela comodidade de hábitos, essas casas atraem significativo número de participantes, em geral provenientes de outras religiões.

Orientação Filosófica - Orienta os núcleos onde predomina o interesse pelo saber. Nem sempre essa preocupação é verdadeira, pois a sabedoria acaba confundida com a cultura e a vida administrativa pode terminar sob a dominação elitista. Poucos são os que vão a este tipo de sociedade.

Orientação Científica - Quase não existem centros que se ocupam de atividades científicas. Normalmente, elas são desenvolvidas por alguns indivíduos ou grupos particulares.

Sociedade ideal: A sociedade que mais se aproxima dos ideais doutrinários é aquela em que suas atividades são semelhantes às desenvolvidas pelo Codificador do Espiritismo. Religião + Filosofia + Ciência, trabalhando a favor dos interesses humanos e espirituais.


Medidas de Segurança


Além da presença constante dos Espíritos desencarnados inimigos do Evangelho, um outro fator é causa de perturbação na vida administrativa das sociedades.

São as pessoas encarnadas. É comum encontrarmos casas que acabaram desfeitas, por causa de elementos dotados de personalidade sistemática e causadores de intrigas. Por isso, faz-se necessário criarmos normas para a admissão e selecionarmos candidatos interessados em ingressar no grupo.

Se já houver pessoas problemáticas no centro, devemos solicitar que se enquadrem no sistema da casa, ou que busquem um outro lugar para freqüentarem.

A carência de colaboradores é um fator presente em toda a parte. Poucos se dispõem a deixarem hábitos diários para se dedicarem ao serviço espírita. A maioria gosta de servir quando tem tempo para tanto. Vem daí, o fato de se aceitar o primeiro que aparece querendo trabalhar. Às vezes, admitimos uma pessoa problemática, por falta de opções. O cuidado com o ingresso de novos colaboradores no centro é fundamental. Nesta situação, é melhor estar só do que mal acompanhado.

Observação: Pessoas não consideradas aptas ao quadro de serviços devem ser orientadas a freqüentar as reuniões públicas da sociedade. Com o tempo, poderão adquirir as condições mínimas exigidas.


Falta de Caridade

Por causa da má interpretação do que seja a caridade, algumas pessoas acreditam que não devemos impedir a entrada de elementos despreparados no centro espírita, ou mesmo repreender aqueles que se transformarem em motivo de desordem. Dizem que agir assim é faltar com a caridade. Ainda aqui, o problema só toma vulto devido ao pouco conhecimento que se tem da Doutrina Espírita e dos conselhos deixados pelo Codificador.

Os trechos que vamos comentar abaixo são citações de Allan Kardec. Acreditamos que essas colocações poderão servir de elementos importantíssimos na criação de um sistema administrativo e no gerenciamento do centro espírita.


Normas de Segurança

A boa administração do centro espírita deve observar algumas normas de segurança para que o sociedade não corra risco de se desfazer. Vamos falar de alguns itens e cada dirigente poderá desenvolver as medidas que acharem necessárias ao grupo sob sua responsabilidade:

a - As pessoas são cercadas por Espíritos
b - Não assumir compromissos indissolúveis
c - Características dos indivíduos-problemas
d - O Espiritismo tem inimigos ocultos
e - Afastar elementos provocadores
f - O Centro Espírita e seus inimigos invisíveis


As pessoas são cercadas por Espíritos

"É necessário representar cada indivíduo como cercado por um certo número de companheiros invisíveis que se identificam com o seu caráter, os seus gostos e as suas tendências. Assim, toda pessoa que entre numa reunião leva consigo os Espíritos que lhes são simpáticos. Segundo o seu número e a sua natureza, esses companheiros podem exercer sobre uma reunião e sobre as comunicações uma influência boa ou má.

Uma reunião perfeita seria aquela em que todos os membros, animados do mesmo amor pelo bem, só levassem consigo Espíritos bons. Na falta da perfeição, a melhor reunião será aquela em que o bem supere o mal. Tudo isso é muito lógico para que seja necessário insistir"
(O Livro dos Médiuns - item 330).

Esta instrução de Allan Kardec já nos dá razão suficiente para nos preocuparmos com o ingresso de novatos na sociedade. Há que se levar em consideração a influência espiritual que cada criatura carrega consigo. Uma pessoa malfazeja vibra com entidades da mesma natureza e, se for indevidamente colocada no quadro de serviço, poderá trazer a desarmonia para os outros. Seria prudente acautelarmo-nos contra a tendência que temos, de querer receber todos os que nos procuram como membros da casa. Em vez de colaboração, nós poderemos estar dando ingresso à perturbação na casa espírita.

Não é tarefa simples identificarmos as criaturas maldosas. As más tendências costumam alojar-se sob o manto da aparência. Convém que a casa espírita disponha de mecanismos que permitam observar os candidatos a trabalhadores por um certo tempo, antes de admiti-los. Um período de tratamento ou o próprio Curso Básico servirão a este intento.


Não assumir compromissos indissolúveis

"...os próprios compromissos que ligam os membros de uma sociedade criam obstáculos para isso (o afastamento de elementos perturbadores). Eis porque é conveniente evitar as formas de compromissos indissolúveis: os homens de bem sempre se ligam de maneira conveniente; os mal intencionados sempre o fazem de maneira excessiva"
(O Livro dos Médiuns - item 337).

O Codificador nos alerta contra uma prática muito comum nos centros espíritas, que é a de se assumir compromissos indissolúveis com os que chegam. Tudo acaba se passando como se eles fossem ficar definitivamente no centro. Se, depois de algum tempo, descobrir-se que uma pessoa é um agente provocador, não haverá como afastá-la sem causar profundo mal-estar.

É conveniente agirmos com prudência. Sempre que uma pessoa se mostrar interessada em tornar-se membro da sociedade, que o compromisso assumido com ela seja relativo. Será submetida a uma experiência de avaliação, por alguns meses.

Esclareça o candidato: "Se a experiência for positiva, vai fazer parte do quadro de servidores. Caso contrário, será orientado a freqüentar a casa como público, até que tenha condições para tentar novamente o ingresso como trabalhador".


Características dos indivíduos-problemas

"Além das pessoas notoriamente malévolas que se infiltram nas reuniões há as que, por temperamento, levam perturbação onde comparecem.

Dessa maneira, nunca será demasiado o cuidado na admissão de novos elementos. Os mais prejudiciais, nesse caso, não são os ignorantes da matéria, nem mesmo os descrentes. A convicção só se adquire através da experiência, e há pessoas que de boa fé querem se esclarecer. Aqueles contra os quais particularmente se devem acautelar são as pessoas dotadas de idéias preconcebidas, os incrédulos sistemáticos que duvidam de tudo, mesmo da evidência, os orgulhosos que pretendem ter o privilégio da verdade e procuram impor sempre a sua opinião olhando com desdém os que não pensam como eles. Não vos enganeis com o seu pretenso desejo de esclarecimento"
(O Livro dos Médiuns - item 338).


Neste item de "O Livro dos Médiuns", observamos a seriedade dos conselhos do mestre Allan Kardec, acerca da administração dos centros espíritas. Ele nos dá as características básicas dos elementos capazes de trazerem perturbações às sociedades. A princípio, fala das personalidades sistemáticas, dotadas de temperamento forte, que levam a desarmonia onde comparecem. Depois, ensina que as pessoas mais problemáticas nem sempre estão entre as ignorantes da matéria. Na maioria das vezes, elas se encontram justamente entre os que já possuem conhecimento da Doutrina. Trazem idéias preconcebidas a respeito das coisas e não gostam de ser contrariadas. Há as que crêem que os Espíritos tudo devam fazer para demonstrar-lhes a verdade. Por fim, chama-nos a atenção para os orgulhosos, que estão sempre olhando os outros como se estivessem por cima. O administrador do centro espírita, valendo-se do bom senso, deve limitar a entrada de elementos com essas características no quadro de servidores. Ainda que peque por excesso de cuidados, a sobrevivência da sociedade é mais importante do que os interesses das pessoas.


O Espiritismo tem inimigos ocultos

"Os mais perigosos não são os que o atacam abertamente, mas os que agem nas sombras, os que o acariciam com uma das mãos e o apunhalam com a outra. Esses seres malfazejos se infiltram por toda a parte onde possam fazer mal. Sabendo que a união é uma força, tratam de destruí-la, semeando a discórdia. Quem poderá então dizer que os que provoquem perturbação nas reuniões não sejam agentes provocadores, interessados na desordem?

Seguramente não são verdadeiros nem bons espíritas, pois não podem fazer o bem e sim muito mal.

Compreende-se que tenham muito mais facilidades de se infiltrar nas reuniões numerosas do que nos pequenos grupos em que todos se conhecem. Graças a manobras escusas, que passam despercebidas, semeiam a dúvida, a desconfiança e a inimizade. Sob a aparência do interesse pela causa criticam tudo, formam grupinhos que logo rompem a harmonia do conjunto. (...) Essa situação, prejudicial a todas as sociedades, o é ainda mais às sociedades espíritas, pois senão levar a uma ruptura provocará preocupações incompatíveis com o recolhimento exigido pelos trabalhos"
(O Livro dos Médiuns - item 336).


Essas palavras do Codificador se referem claramente à presença dos falsos espíritas nas sociedades.

Quantas casas são prejudicadas pela formação de grupinhos que aparecem para criticar o que se faz em termos de trabalho. Quantas pessoas, valendo-se da passividade administrativa, semeiam a discórdia e a desconfiança, destruindo e perturbando os grupos.

Todos estes males podem ser minimizados com a criação de um sistema administrativo ativo e moderno. Basta que os administradores façam sua advertência contra essas pessoas, de maneira conveniente e benévola, abertamente, evitando subterfúgios, diria Kardec.

Afastar elementos provocadores - "Pode-se estabelecer que todo aquele que numa reunião provoca desordem ou desunião, ostensivamente ou por meios escusos, é um agente provocador ou pelo menos um mau espírita de que se deve desembaraçar o quanto antes" (O Livro dos Médiuns - item 337).

Se afastar alguém do centro espírita for faltar com a caridade, Allan Kardec estaria dando um conselho ruim aos seus seguidores. Nas palavras ditas acima, vemos a maneira séria e objetiva como ele encarava a administração das sociedades, sem pieguices. Ele não só aconselha que os responsáveis afastem da casa os agentes perturbadores, como recomenda que o façam o mais rápido possível.

O Centro Espírita e seus inimigos invisíveis - "As sociedades, pequenas ou grandes e todas as reuniões, seja qual for a sua importância, têm ainda de lutar contra outra dificuldade. Os fatores de perturbação não se encontram somente entre os seus membros, mas também no mundo invisível. Assim como há Espíritos protetores para as instituições, as cidades e os povos, os Espíritos malfeitores também se ligam aos grupos e aos indivíduos. Ligam-se primeiro aos mais fracos, aos mais acessíveis, procurando transformá-los em seus instrumentos, e pouco a pouco vão envolvendo a todos, porque sua alegria maligna é tanto maior quanto maior o número dos que tenham subjugado. Todas as vezes, pois, que num grupo uma pessoa tenha caído na armadilha é necessário dizer que se tem um inimigo no campo, um lobo no redil e que se deve ter cautela porque o mais provável é que aumente as suas tentativas. Se não se desencorajar esse elemento por uma resistência enérgica, a obsessão se torna um mal contagioso que se manifestará entre os médiuns pela perturbação da mediunidade e entre os demais pela hostilidade recíproca, a perversão do senso moral e a destruição da harmonia. Como o mais poderoso antídoto desse veneno é a caridade, é ela que eles procuram abafar. Não se deve, pois, esperar que o mal se torne incurável para lhe aplicar o remédio. Nem mesmo se deve esperar os primeiros sintomas, pois é sobretudo necessário preveni-lo. Para isso, há dois meios eficazes: a prece feita de coração e o estudo atento dos menores sintomas que revelem a presença de Espíritos mistificadores" (O Livro dos Médiuns, - item 340).

Para encerrarmos o trabalho, escolhemos este trecho das instruções dadas por Kardec em "O Livro do Médiuns", pois nos pareceu suficiente para deixar à mostra as causas de tantas dificuldades vividas pelos centros espíritas neste final de século.

Entre nós, o mal sempre foi subestimado. Por isso, encontrou campo aberto para desenvolver-se.

Condenando a crítica, lançando anátema sobre qualquer tipo de repreensão, os Espíritos inimigos do Evangelho criaram a passividade no movimento. Pior que isso, deram-lhe a aparência do bem.

Nas palavras ditas pelo Codificador, vemos um alerta contra as trevas, demonstrando que os Espíritos maus agridem os grupos espíritas, independente de seus membros terem qualquer ligação com eles em outras encarnações. Mostra a delicada artimanha do mal, explorando a personalidade dos mais fracos, criando condições para atingir toda a sociedade. Esclarece que quando a obsessão cai sobre uma sociedade, a atividade mediúnica fica perturbada e a vida moral dos trabalhadores pode ser pervertida.

Atualmente, é significativo o número de grupos que estão em estado de conflito, porque não criaram mecanismos protetores para suas atividades. O mestre lionês desaconselha a paciência com o mal, dizendo que é preciso extirpá-lo ao menor sinal. Fala, inclusive, que é necessário preveni-lo, apontado dois medicamentos eficazes: a prece, feita de coração, e uma vigilância capaz de apontar o menor sinal da presença dos Espíritos embusteiros.

O Grupo Espírita Bezerra de Menezes vem divulgando as primeiras idéias de um programa de reformas para o centro espírita. A intenção de seus idealizadores é a modernização do sistema administrativo das casas, tomando como base a Codificação.

Todo processo de renovação é difícil de ser implementado. Isto acontece porque o espírito de sistema vigente no movimento é extremamente conservador e somos todos envolvidos por ele. Cremos, no entanto, que se os administradores permitirem um arejamento de idéias, será possível melhorar vários setores do trabalho espírita.

As propostas de melhorias não são novidades. Fundamentam-se exclusivamente na teoria doutrinária recebida do Codificador. Não se pretende criar nada de novo, porém, fazer cumprir certas normas que ficaram esquecidas pelos adeptos do Espiritismo.

O Grupo Bezerra de Menezes desenvolveu alguns trabalhos no campo do atendimento público e da assistência espiritual. Promoveu durante os Entrades, estudos direcionados para a vida do centro espírita. Estes debates e trabalhos estão disponíveis em filmes de vídeo. Se quiser conhecê-los, telefone para (0172) 247081 que lhe serão dadas todas as informações.

Temos ainda, um Curso Básico para iniciantes. Este cursinho de oito aulas tem sido muito bem recebido pelo público e se tornou a principal fonte de colaboradores da sociedade.

Oferecemos também, uma revista sobre "Diagnóstico e Tratamento das Perturbações Espirituais". Ela é um resumo das atividades de atendimento e desobsessão no Grupo. São idéias que gostaríamos que examinasse. Elas poderão contribuir para melhorar alguns aspectos do gerenciamento de sua casa espírita.

 

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/gebm/o-gerenciamento.html

 

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