Espiritualidade e Sociedade



Laylla Toledo

>     O Poder da Fé

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Laylla Toledo
>       O Poder da Fé


Cercados pelas atribulações do dia-adia, passamos a maior parte de nosso tempo ocupados com nossas obrigações e não percebemos que muitos dos desencontros e problemas do cotidiano poderiam ser resolvidos ou simplesmente afastados pela ação direta e efetiva da prece.

Envoltos com a agitação das circunstâncias, temos dificuldades para nos silenciar e elevar o pensamento a Deus, pedindo assistência.

É preciso conhecer as propriedades da prece para que possamos fazer dela a fonte diária de refazimento de forças e o consolo que nos rejubila e eternece.

O homem é autor da maioria de suas aflições e se pouparia de maiores angústias se agisse com sabedoria e prudência, pois essas misérias são o resultado de várias infrações das leis divinas.

Se não ultrapassássemos o limite do necessário para viver, não teríamos as conseqüências desastrosas geradas pelos excessos.

A atitude de louvar a Criação é um hábito muito antigo e surgiu nos tempos mais remotos da antigüidade, quando o homem primitivo ainda dava seus primeiros passos em direção a Deus.

Desde sua origem, o ser humano já deixava transparecer a percepção de que algo maior e mais poderoso governava sua existência. Esse sentimento inato, cujo germe foi depositado nele primeiro em estado latente, veio a eclodir e se ampliar com o passar dos tempos.

Essa convicção da existência de um poder divino é o que chamamos de fé.

Muitos pensam que ela é uma virtude mística, mas, na realidade, trata-se de uma grande força atrativa. Aliada ao poder de influenciação da prece, é capaz de cessar imediatamente perturbações que estão em processo de andamento.

A oração é um sustentáculo para o equilíbrio da alma, mas ela não basta: é preciso que esteja sempre apoiada sobre uma fé viva na bondade do Pai.

A fé é a mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus e a prece é sua filha primogênita.

Porém, precisamos distinguir a diferença entre a fé cega e a fé racionada.

A fé cega aceita o falso como verdadeiro e se choca constantemente com a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo, impondo-se sobre tudo e exigindo a abdicação do raciocínio e do livre-arbítrio.

A fé racionada, ao contrário, apoia-se sobre os fatos e a lógica, não deixando obscuridade alguma para trás de si.

É preciso entender aquilo em que se crê.

A fé produz uma espécie de lucidez que nos faz ver a finalidade para a qual todos nos destinamos e os meios de poder atingi-la. Por isso, ela é um exercício de inteligência e um dos primeiros elementos de todo o progresso.

“Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

A fé também deve ser humilde e aquele que a possui coloca sua confiança no Criador mais do que em si mesmo.

A fé sincera é sempre calma, dá a paciência que sabe esperar, porque tem seu ponto de apoio na compreensão.

Na fé incerta, surge a ansiedade, revelando uma insegurança diante da força de Deus e de suas leis. E quando é movida pelo interesse, a pessoa tende a se tornar colérica e crê suprir suas necessidades pela violência. Por exemplo: ao se sentir intranqüila e ansiosa, ela acredita que as coisas têm de acontecer segundo seus caprichos, da forma e no momento em que ela determina.

A calma é sinal de confiança e de que a rogativa levada a Deus será ouvida.

Já a violência é uma prova de fraqueza e dúvida sobre si mesmo e a Sabedoria Maior.

Se as pessoas fossem conscientes da força que têm em si e quisessem colocar sua vontade a serviço dela, seriam capazes de grandes realizações.

Através de sua mente, o homem age sobre o fluido universal, modificando suas qualidades e dando-lhe uma impulsão irresistível.

Aquele que junta ao fluido uma fé ardente, pode, apenas pela vontade dirigida para o bem, operar “fenômenos” que não são senão a utilização das faculdades mentais e a ação de uma lei natural. Mas para isso, é necessário domar a si mesmo e às más influências do pensamento. As maneiras mais eficazes são a vontade acompanhada da prece, a oração fervorosa e os esforços sérios como meio para a renovação íntima.

Ação e eficácia

Imaginar que é inútil fazer uma oração, expondo nossos sentimentos a Deus (sendo Ele conhecedor de nossas necessidades), assim como acreditar que nossos desejos não podem mudar os destinos traçados pelo Criador, é desconhecer as leis e a misericórdia do Pai. Ele nos deu discernimento e inteligência para que o espírito não fosse um instrumento passivo, sem livre-arbítrio, portanto, nem todas as circunstâncias da vida estão submetidas à fatalidade. Daí a grande importância da prece e sua capacidade de ação.

Seu poder está no pensamento e não se prende nem às palavras nem ao lugar ou momento em que é feita. A prece é uma invocação na qual podemos nos colocar em comunicação mental com outro ser ao qual nos dirigimos, estabelecendo uma corrente fluídica.

A energia da corrente surge em razão do vigor do pensamento e da vontade. Como o fluido universal é o veiculo do pensamento, essa substância primária (fluido) é impulsionada pela vontade, transmitindo a idéia até o seu destinatário.

As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos espíritos encarregados de executá-las. Aquelas que são dirigidas a outros seres, como aos santos, por exemplo, são levadas até Ele por esses mensageiros, que surgem apenas na qualidade de intercessores, pois nada acontece sem a vontade do Pai.

Os espíritos benevolentes nos inspiram com bons pensamentos, para que possamos adquirir a força moral necessária para superarmosnas dificuldades e voltarmos ao caminho do bem. Exercendo uma ação magnética sobre os homens, eles suprem, quando necessário, a insuficiência daquele que ora, dando-lhe momentaneamente uma força excepcional, isto quando é julgado digno desse favor.  

O homem coloca em prática os bons conselhos se assim o desejar, pode ou não aceitar a sugestão oferecida. Com isso, através de seu livre-arbítrio, ele tem a responsabilidade sobre seus atos e escolhas, deixando-lhe o mérito da decisão entre o bem e o mal.

As qualidades da prece

A prece pode ter como objetivo vários pedidos, como força para suportar e transpor as adversidades, calma nos momentos críticos e de decisão, perdão por faltas cometidas contra si e contra os outros, proteção contra os pensamentos maléficos, os maus espíritos e diante de um perigo iminente, saúde e equilíbrio físico, através da ação magnética que ela exerce sobre as células, recompondo aquelas que se encontram exaustas, um favor especial, em particular, agradecimento ou uma maneira de louvar a Deus.

A oração pode ser feita em benefício de outras pessoas ou a nosso próprio favor.

Para que ela atinja seu objetivo, é necessário que seja clara, simples, concisa e fundamentada na fé.

Devemos elevar nossa alma a Deus com humildade e agradecer por todos os benefícios recebidos, solicitar seu apoio, indulgência e misericórdia e, se houver necessidade, fazer um pedido específico.

Deve-se ainda lembrar sempre de reconhecer a intervenção do Altíssimo quando uma alegria nos chega ou quando um incidente é evitado.

Sem fraseologia inútil, cada palavra deve conter a sua importância, fazer refletir e elevar o coração com sentimentos nobres e sinceros.

Algumas pessoas se utilizam de palavras decoradas, rígidas e determinadas, como se a oração fosse uma fórmula. Outras rezam por dever ou mesmo por hábito. Murmurar maquinalmente não é uma linguagem natural que surja espontaneamente do coração. O que Deus observa é o que está no íntimo, na veracidade de cada palavra, não o número de vezes que a prece é repetida.

O Pai quer ouvir apenas a sinceridade de nosso coração, do contrário, não terá crédito algum.

No evangelho, os espíritos nos dizem:

“A forma não é nada, o pensamento é tudo.
Orai, cada um, segundo as vossas convicções e o modo que mais vos toca; um bom pensamento vale mais que numerosas palavras estranhas ao coração”.


Conscientização

Mesmo sabendo dos benefícios e qualidades da prece, a solução de nossos problemas requer muito mais do que vontade e fé ardente. É indispensável o esforço no sentido da melhoria íntima.

Evocar a inspiração dos bons espíritos e pensar que “eles resolvem tudo” é não assumir sua responsabilidade como parte do processo. Essa atitude tende levar à acomodação.

É necessário querer mudanças e fazê-las acontecer de forma direta, objetiva, consciente e responsável. Isto significa colocar em prática a modificação de certas atitudes, pensamentos e emoções negativas.

Revitalizar o ânimo e modificar as imagens do inconsciente que carregam tristeza, rancor, ódio, mágoa e medo é uma maneira de reorganizarmos essas emoções que nos fazem tanto mal.

Esse recondicionamento íntimo não se refere apenas ao ganho de virtudes interiores, como amar e perdoar, mas à conquista do comando consciente de nós mesmos e à descoberta dos potenciais que temos na mente, na vontade e na emoção.

Para conseguir isso, não bastam leituras e conhecimentos, é necessária a ação programada e permanente, isto é, disciplina e controle dos impulsos.

Caminhar com passos firmes assegurados na fé é imprescindível, utilizar-se da prece durante a jornada é indispensável, mas estar atento ao lema “orai e vigiai” é prudente e de bom senso.

 


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