Paulo da Silva Neto Sobrinho

>    Quem era o discípulo a quem Jesus amava?

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Paulo da Silva Neto Sobrinho
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"Todas as afirmações em matéria de Teologia são e sempre o foram arraigadas no cérebro,
e dificilmente podem ser removidas; e enquanto aí estiverem a verdade não encontrará lugar."
EMANUEL SWEDENBORG

"Em minha opinião, as pessoas deveriam usar sua inteligência para avaliar
o que consideram verdadeiro e falso na Bíblia."
BART D. ERHMAN


O primeiro ponto que poderíamos colocar é: algum discípulo entre os que seguiam Jesus tinha posição privilegiada perante ele? Que os cristãos que aceitam orientação de uma entidade hierarquizada, que os obriga a aceitar seus dogmas, acreditem nisso é aceitável; porém, a uma pessoa que se considera com entendimento suficiente para ler e tirar sua própria conclusão, isso não faz sentido algum, pois, se "Deus não faz acepção de pessoas" (At 10,35; 15,9; Rm 2,11; Gl 2,56; Ef 6,9; Cl 3,25 e 1 Pd 1,17) Jesus, Seu enviado, não poderia agir de forma diferente. Ademais, lemos que: "[…] depois de ter amado os seus do mundo, amou-os até o extremo." (Jo 13,1) e "Como o Pai me amou, eu vos amei: […]." (Jo 15,9), demonstrando, claramente, que o Mestre amava a todos de igual modo; não excepcionando ninguém.

Se é que existiu algum discípulo que mereceu algum tratamento especial, por que razão não seria Pedro? Inclusive, Pedro é único nominalmente citado pelo anjo que se encontrava no túmulo de Jesus (Mc 16,5-7), para que as mulheres o avisassem "em particular" e aos outros que o Mestre havia ressuscitado dos mortos. Ademais, não foi a ele, segundo se acredita no meio católico, que Jesus entregou o comando de todos os outros, ou, como está em Mt 16,19, "as chaves do Reino dos céus"? Estamos dizendo isso tomando como base o que o exegeta Bart D. Ehrman (1955- ), em Jesus existiu ou não?, diz "Cefas era, comprovadamente, Simão Pedro (ver João 1:42), o discípulo mais próximo de Jesus." (grifo nosso) (1). E, especificamente, no tópico "O discípulo Pedro", explica:

Pedro não era simplesmente um membro dos doze discípulos que, segundo todas as nossas tradições evangélicas, Jesus escolheu como seus companheiros mais próximo […]. Ele era membro de um círculo interno ainda mais fechado composto de Pedro, Tiago e João. Nos Evangelhos, esses três passam mais tempo com Jesus do que qualquer outra pessoa durante todo o seu ministério. E desses três, novamente segundo todas as tradições, Pedro era o mais próximo. Em quase todas as nossas fontes, Pedro era o companheiro e confidente mais íntimo de Jesus durante todo o seu ministério após seu batismo. (grifo nosso) (2)

Ehrman está certo, pois, realmente, os relatos bíblicos apontam para essa presença constante junto a Jesus dos três discípulos – Pedro, Tiago e João –, que, conforme os relatos registram, estão presentes: na cura da sogra de Pedro (Mc 1,29), na cura da filha de Jairo (Mc 5,37); na transfiguração (Mc 9,2) e no Getsêmani, no momento de maior angustia de Jesus (Mc 14,33). Entendemos não se tratar de privilégio algum, mas, provavelmente, por serem eles os doadores de "ectoplasma", energia a qual Jesus manipulava para suas curas, e que foi fundamental no episódio da materialização dos Espíritos Moisés e Elias, no monte Tabor, fenômeno conhecido como "a transfiguração".

O Tiago aqui citado, trata-se do que era filho de Zebedeu e irmão de João, designado como "Tiago, o Maior", que foi preso em 42 d.C. e morto por Herodes Agripa I em 44 d.C. (At 12,2) (3); essa informação é importante, pois são mencionados outros dois personagens com esse nome, são eles: Tiago (o Menor), filho de Alfeu e Tiago (o Justo), o irmão do Senhor, que, em 49, na cidade de Antioquia, decidiu a polêmica sobre a obrigação dos gentios cumprirem regras judaicas, antes de se tornarem cristãos.

Esse Tiago, irmão do Senhor, junto com Pedro e João, foram, conforme testemunha Paulo de Tarso, "reputados colunas" (Gl 2,9), ou seja, os que lideravam a igreja primitiva. Portanto, ao que tudo indica, ele ocupa o lugar do anterior junto ao trio. Segundo os enciclopedistas Russell Norman Champlin (1933- ) e João Marques Bentes (1932- ) ele "se tornou líder da Igreja de Jerusalém" (4), provavelmente por ter algum prestígio entre os cristãos primitivos.

Aponta-se tão somente a questão da tradição para a designação de "discípulo amado" referir-se a João, o evangelista; porém, ela carece de uma base bíblica segura com a qual essa identificação se apresente de forma indiscutível.

Explica-nos Champlin que: "[…] Alguns estudiosos creem que o apóstolo João referiu-se indiretamente a si mesmo, dessa maneira, ufanando-se em sua especial relação de amizade com o Senhor Jesus, ainda que, ao mesmo tempo, por motivo de humildade, não tivesse querido mencionar o seu próprio nome. […]." (5). Crer, podem crer, no que quiserem; porém, a grande e importante questão é: têm condições de provar biblicamente essa crença?

Mas será que a tradição pode se opor aos fatos? Jesus dizia aos escribas e fariseus: "Jeitosamente rejeitais os preceitos de Deus para guardardes a vossa própria tradição" (Mc 7,9). Poderemos transmutar para "Jeitosamente rejeitais os fatos para guardardes a vossa própria tradição", pois é exatamente isso que se faz quando se apega à tradição rejeitando os fatos.

Além disso, apelar-se à tradição torna-se um argumento pouco convincente diante do que atualmente se sabe dos autores dos Evangelhos. Alguns estudiosos não mais consideram os nomes constantes dos títulos dos Evangelhos como sendo os de seus autores, conforme alhures o demonstramos (6), já que, àquela época, era comum escritores utilizarem-se do expediente de mencionar como autor o nome de alguém de destaque, visando prevalecer como verdadeira a sua narrativa. Aliás, em Atos dos Apóstolos, se afirma que tanto ele, João, quanto Pedro, "eram homens iletrados e incultos" (At 4,13).

Para corroborar essa informação, que muito poucos confrades têm conhecimento, trazemos o Ehrman, especialista em Novo Testamento:

Embora evidentemente não seja o tipo de coisa que os pastores costumem contar às suas congregações, há mais de um século existe um forte consenso de que muitos dos livros do Novo Testamento não foram escritos pelas pessoas cujos nomes estão ligados a eles. […].

[…].

Por que surgiu a tradição de que esses livros foram escritos por apóstolos e por companheiros dos apóstolos? Em parte de modo a garantir aos leitores que eles foram escritos por testemunhas oculares e companheiros das testemunhas oculares. Uma testemunha ocular merece a confiança de que iria contar a verdade sobre o que realmente aconteceu na vida de Jesus. Mas a realidade é que não é possível confiar em que as testemunhas ofereçam relatos historicamente precisos. Elas nunca mereceram confiança e ainda não merecem. Se testemunhas oculares sempre fizessem relatos historicamente precisos, não teríamos a necessidade de tribunais. Quando precisássemos descobrir o que realmente aconteceu quando um crime foi cometido, bastaria perguntar a alguém. Casos reais demandam muitas testemunhas, porque seus depoimentos diferem entre si. Se duas testemunhas em um tribunal divergissem tanto quanto Mateus e João, imagine como seria difícil chegar a um veredicto.

A verdade é que todos os Evangelhos foram escritos anonimamente, e nenhum dos autores alega ser uma testemunha. Há nomes ligados aos títulos dos Evangelhos ("o Evangelho segundo Mateus"), mas esses títulos são acréscimos posteriores aos próprios livros, conferidos por editores e escribas para informar aos leitores quem os editores achavam que eram as autoridades por trás das diferentes versões. Que os títulos não são originalmente dos Evangelhos é algo que fica claro com uma simples reflexão. Quem escreveu Mateus não o chamou de "Evangelho segundo Mateus". As pessoas que deram esse título a ele estão dizendo a você quem, na opinião delas, o escreveu. Autores nunca dão a seus livros o título de "segundo fulano". (grifo nosso) (9)

E, hoje em dia, com mais informações que temos das manipulações dos textos bíblicos, dos conflitos e divergências, alguns estudiosos já não os aceitam como verdadeiros, o que nos faz também buscar estudiosos e exegetas bíblicos mais sintonizados com essa nova realidade, pois alguns deles estão totalmente presos aos dogmas de sua igreja. Vejamos, por exemplo, o que os tradutores da Bíblia de Jerusalém dizem a respeito dos Evangelhos Sinóticos – Mateus, Marcos e Lucas: "[…] Isso não significa entretanto que cada um dos fatos ou dos ditos que eles noticiam possa ser tomado como reprodução rigorosamente exata do que aconteceu na realidade. […]." (10)

Vejamos uma passagem bem interessante:

Marcos 10,35-41: "Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir. E ele lhes perguntou: Que quereis que vos faça? Responderam-lhe: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda. Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado? Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e recebereis o batismo com que eu sou batizado; quanto, porém, ao assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me compele concedê-lo; porque é para aqueles a quem está preparado. Ouvindo isso, indignaram-se os doze contra Tiago e João."

Também vamos encontrar essa narrativa em Mateus (20,20-24); só que nela o pedido é feito pela própria mãe e não pelos dois filhos, o que é uma boa demonstração da existência de sérios conflitos nos textos bíblicos; mas, por agora, o nosso caso é bem outro. Não seria, nessa passagem, um bom momento para se demonstrar que, para Jesus, João era o "discípulo amado", prometendo-lhe um lugar também de destaque no mundo espiritual?

Analisando os Evangelhos, percebe-se que, estranhamente, somente no Evangelho Segundo João é que aparece essa designação, o qual, segundo os entendidos nos informam, foi escrito tardiamente, por volta dos anos 90 d.C. Podemos, para atender que "a Bíblia interpreta a si mesma", utilizando-nos do jargão comum aos cristãos tradicionais, tentar descobrir quem será esse discípulo amado.

O primeiro candidato que nos surge é Lázaro, irmão de Marta e Maria, pois é no próprio Evangelho de João que expressamente se diz que Jesus amava Lázaro, e pelo qual chorou (Jo 11,35-36), embora seu nome seja citado apenas mais uma vez depois de seu retorno à vida, pela ação de Jesus (Jo 12,1-11).

O segundo, podemos evidenciá-lo tomando da seguinte passagem:

João 19,25-27: "E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa."

Nesse relato, só faz sentido utilizar as expressões "eis aí o teu filho" e "eis aí a tua mãe", que claramente estabelece relação de parentesco consanguíneo entre os envolvidos, se o discípulo amado fosse Tiago, o irmão do Senhor, consequentemente teríamos uma boa justificava para o fato dele, segundo o texto, estar ao pé da cruz, junto a Maria de Nazaré, sua mãe, e também o motivo pelo qual ele, posteriormente, "a tomou para casa", ou seja, passou a acompanhá-la, como lhe orientara o irmão Jesus.

Ademais, se as expressões se referissem a João, como querem os que se apegam às tradições, forçosamente teríamos que desconsiderá-lo como filho da mulher de Zebedeu, para admitir que ele seja filho de Maria e, consequentemente, irmão de Jesus, o que não condiz com os textos bíblicos, que citam Tiago, José, Simão e Judas (Mt 13,55) como seus irmãos. Aceitar que o discípulo amado seja outro, que não Tiago, o irmão de Jesus, é desconsiderar o teor desse texto para ajustá-lo à tradição, comum às crenças dogmáticas, que, muitas vezes, contradizem os fatos narrados nos textos bíblicos.

Considerando que, após Jesus ser preso, todos os discípulos fugiram (Mt 26,56; Mc 14,50), o que é perfeitamente compreensível, é pouco provável que algum deles, por serem cidadãos comuns e não um grupo de guerreiros treinados para luta, tivesse coragem suficiente para estar presente na sua crucificação, o que, por mais lógico, se poderia esperar de alguém que tivesse algum parentesco com Jesus, no caso, Tiago, o Justo.

Entretanto, isso não é tão pacífico assim, ao vermos a posição das pessoas, quando da crucificação, pelo relatado nos sinópticos:

Mateus 27, 55-56: "Estavam ali muitas mulheres, observando de longe; eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galileia, para o servirem; entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu."

Marcos 15,40-41: "Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé; as quais, quando Jesus estava na Galileia, o acompanhavam e serviam; e, além destas, muitas outras que haviam subido com ele para Jerusalém."

Lucas 23,49: "Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galileia permaneceram a contemplar de longe estas coisas."

Em relação às pessoas presentes, Mateus e Marcos apontam somente mulheres; Lucas, além delas, coloca "todos os conhecidos", algo indefinido, que pode ser homens e mulheres. O que nenhum dos três autores afirma é que havia algum discípulo entre essas pessoas. E mais, diferentemente de João, todos dizem que elas contemplavam "de longe"; portanto, segundo esses autores, sejam eles quem forem, não havia ninguém ao pé da cruz, como diz João, e que ainda enxerta, no episódio, o enigmático "discípulo amado".

Depois da prisão de Jesus, somente temos registro da movimentação de alguns discípulos no domingo de manhã, quando várias mulheres se dirigem ao túmulo e não encontram o corpo de Jesus, espalhando a notícia a todos. Enquanto Mateus e Marcos não falam de algum discípulo ter ido ao sepulcro, Lucas diz que somente Pedro foi (Lc 24,12) e o autor de João, indo mais além, narra que "Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava" (Jo 20,1-11) correram ao sepulcro para se certificar. Diante de tanto conflito como saber em qual Evangelho consta a verdade?

Em Mateus se afirma que os onze discípulos seguiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes designara, na orientação dada pelo anjo (Mt 28,16) e lá apareceu a eles. Em Marcos se diz que a aparição aos onze se deu quando estavam reunidos à mesa, sem especificar em casa de quem (Mc 16,14). Em João, também não se esclarece onde eles estavam reunidos; porém, diz-nos somente que "trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus" (Jo 20-19). Assim, fica comprovado que, após a fuga desesperada, quando da prisão de Jesus, os discípulos só voltaram a se reunir no primeiro dia da semana após a sua ressurreição.

Por outro lado, a identificação como sendo Tiago, também explica, sem nenhuma dificuldade, o fato de, na ceia, ele estar ao lado de Jesus, recostado no seu seio, e no domingo de manhã ter ele como o nosso personagem discípulo amado se dirigido ao túmulo, onde depositaram o seu corpo, fatos narrados nessas passagens:

João 13,23: "Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava."

João 20,2: "Então, corre e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram."

João 21,20: "Então, Pedro, voltando-se, viu que também o ia seguindo o discípulo a quem Jesus amava, o qual na ceia se reclinara sobre o peito de Jesus e perguntara: Senhor, quem é o traidor?"

Diante disso, para nós, Tiago é o mais forte candidato a ser o "discípulo amado", pois as passagens oferecem indícios que apontam em sua direção, embora não tenhamos como precisar a data em que ele se tornara discípulo de seu irmão Jesus. Claro, haverá quem proteste quanto a isso.

No Evangelho Segundo João, a primeira passagem que menciona a designação de "discípulo" amado é em João 13,23. Vejamos o teor dela por algumas outras versões bíblicas:

Tradição Novo Mundo: "Recostava-se na frente do seio de Jesus um dos seus discípulos, e Jesus o amava."

Paulinas 1957: "Ora, um dos seus discípulos, ao qual Jesus amava, estava recostado sobre o seio de Jesus."

Bíblia do Peregrino: "Um dos discípulos estava reclinado à direita de Jesus, o predileto de Jesus."

Bíblia de Jerusalém: "Estava à mesa, ao lado de Jesus, um de seus discípulos, aquele que Jesus amava."

Bíblia Barsa: "Ora um dos seus discípulos, ao qual amava Jesus, estava recostado à mesa no seio de Jesus."

Bíblia Shedd: "Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava."

O que se percebe nessas traduções é a incerteza quanto ao que verdadeiramente ocorreu, dado aos diversos empregos da expressão "que Jesus amava", pois, num momento é alguém sem qualquer destaque, enquanto em outro colocam-no como se fosse um privilegiado perante os demais.

Vejamos o que, em notas de rodapé, os tradutores bíblicos explicam a respeito dessa passagem:

O anúncio da traição se apresenta numa cena dramática que permite contrapor ao traidor o "discípulo predileto" de Jesus. É a primeira vez que a expressão aparece e se repetirá a seguir. O texto bíblico dá indícios não muito seguros para identificá-lo; uma tradição muito antiga o identificou com João evangelista. O que podemos dizer é que era uma personagem respeitada nas comunidades onde se escreveu ou se cristalizou o evangelho. (grifo nosso) (9).

[…] O "discípulo que Jesus amava" aparece aqui pela primeira vez sob essa designação enigmática (cf. 19,25; 20,2; 21,7.20.24). (grifo nosso) (10)

Aquele a quem ele amava. Tradicionalmente se identifica com João, filho de Zebedeu e autor deste evangelho. Podia também ter sido seu irmão Tiago (21,2), que foi martirizado em 44 d.C. (At 12,2). (grifo nosso) (11)

Destaca-se a honestidade dos tradutores, alguns deles possuidores de grande conhecimento bíblico e da história do cristianismo, em não terem como certa a identificação do "discípulo amado" como sendo João. Ressaltamos que Russell P. Shedd (1929- ), conceituado teólogo evangélico, PhD em Novo Testamento e editor da Bíblia Shedd, autor da última transcrição, ainda nos aponta Tiago, o irmão de Jesus, como sendo a pessoa provável, fato que corresponde a uma de nossas hipóteses.

No Evangelho de Felipe, considerado uma obra apócrifa, encontramos algo bem interessante:

"55. A Sofia – a quem chamam 'a estéril' – é a mãe dos anjos; a companheira [de Cristo é Maria] Madalena. [O Senhor amava Maria] mais do que a todos os discípulos [e] a beijou na [boca repetidas] vezes. Os demais […] lhe disseram: 'Por que a queres mais que a todos nós?' O Salvador respondeu e lhes disse: 'A que se deve isso, que não vos quero tanto quanto a ela?'" (12)

Maria Madalena poderia ser uma terceira alternativa para a identificação do "discípulo amado", pois, certamente, era uma "discípula" de Jesus, ainda que fosse sua esposa, como alguns acreditam. O aqui registrado provavelmente era o pensamento dominante àquela época, na qual os outros discípulos enciumados tinham que Jesus a amava mais do que a todos. Entretanto, diante da resposta, em que o Mestre afirma amar a todos da mesma forma, fica desfeito o suposto privilégio dela ou de qualquer um outro discípulo.

Não temos dúvida de que, no meio espírita, surgirão companheiros que farão de tudo para sustentar a ideia de que seja mesmo João Evangelista, quiçá apresentando a opinião de Espíritos, como se estes tivessem o dom da infalibilidade e, o pior, que no mundo espiritual já não mais alimentassem as suas crenças de quando encarnados. Iludidos seríamos se pensássemos que não se apresentariam aqueles que só acreditam no que querem ver.

Estávamos tendo alguma dificuldade em encontrar uma fonte mais antiga que viesse auxiliar-nos no tema. Após várias buscas infrutíferas, acabamos por encontrá-la. Trata-se da obra História Eclesiástica: os primeiros quatro séculos da Igreja Cristã, escrita por Eusébio de Cesareia (264-340 d.C.), que foi bispo de Cesareia e é considerado o "pai da história da Igreja" (13). No cap. XXV, do Livro 7, ele discorre sobre "O Apocalipse de João", dizendo, a certa altura, sobre o exame que Dionísio (Bispo de Corinto, viveu por volta do ano 171 d.C.) tinha feito desse livro, onde diz o seguinte:

"[…] Portanto, não nego que ele era chamado João e que esse era o escrito de um João. E concordo que também era obra de um homem santo e inspirado. Mas não me seria fácil concordar que esse era o apóstolo João, o filho de Zebedeu, o irmão de Tiago, que é o autor do Evangelho e da epístola (geral) que leva o seu nome. Mas presumo, tanto pelo conteúdo geral de ambos como pela forma e aspecto da composição, e a execução do livro todo, que não seja dele. Pois o evangelista jamais prefixa seu nome, jamais se proclama, seja no evangelho como em sua epístola."

[…].

"Que é um João que escreveu essas coisas, precisamos crer nele, conforme ele diz; mas não se sabe ao certo de que João se trata. Pois ele não disse que era, como faz com frequência no Evangelho, o discípulo amado do Senhor, nem aquele que se reclinou sobre seu peito, nem o irmão de Tiago, nem que ele mesmo viu e ouviu o que o Senhor fez e disse. Pois com certeza teria dito um desses elementos, se desejasse fazer-se conhecido de maneira clara. Mas nada disso existe, ele só se denomina nosso irmão e companheiro e testemunha de Jesus, e bendito por ter visto e ouvido essas revelações. Sou de opinião que havia muitos com o mesmo nome do apóstolo João, os quais, por amor, admiração e imitação dele e por desejo, ao mesmo tempo, de, como ele, serem amados do Senhor, adotarem o mesmo nome do título, assim como encontramos o nome de Paulo e de Pedro sendo adotados por muitos dentre os fiéis (14).

Acreditamos que será novidade para muitos companheiros a afirmação de que João Evangelista não é o autor do Apocalipse, já que, por tradição (olha ela aqui novamente), acompanham o que lhes foi ensinado em suas religiões de origem ou que confiam em tudo que muitos expositores e tradutores espíritas dizem.

Nos seus argumentos o bispo Dionísio aceita João como autor do Evangelho e que nele João estaria, com frequência, dizendo ser o discípulo amado e que foi ele quem se reclinou sobre o peito de Jesus. Provavelmente temos aqui algo bem próximo da origem da tradição, pois, a bem da verdade, João nunca fez relação dele com o discípulo amado e nem com o que reclinou sobre o peito de Jesus. O que nos parece é que essa tradição, por ser ainda anterior a Dionísio, acabou por também contaminá-lo.

Enviamos a primeira versão deste texto ao confrade Morel Felipe Wilkon, um dedicado estudioso bíblico (15), que gentilmente nos retornou com suas considerações, das quais destacamos o seguinte trecho, por mais se relacionar com o objetivo desse nosso artigo:

Se tivesse que apontar um autor para o Evangelho de João que não o próprio, apontaria Lázaro:

O Evangelho tem duas palavras para designar o amor: philos e ágape. Em Jo 11:3, philos; em Jo 11:5, ágape; em Jo 13:23, ágape; em Jo 20:2, philos; em Jo 21:20, ágape. Parece que o evangelista não fazia distinção entre as duas palavras. Assim, aquele a quem Jesus amava NOMEADO no Evangelho de João é Lázaro. Este Evangelho não usa a palavra "apóstolo". E discípulos, sabemos, não eram apenas os doze. Em 11:36, referindo-se a Jesus e Lázaro, os judeus dizem: "Vede como o amava!" Pouco antes, no versículo 19, os judeus consolavam Maria e Marta. Lázaro era alguém bem quisto e conhecido

Vemos que havia mesmo vários judeus com Marta e Maria, acompanhando o caso de Lázaro. Tratava-se, portanto de alguém importante – diferentemente do rapazote João, um simples pescador DA GALILEIA, que não tinha como ser conhecido do sumo sacerdote, como se vê em 18:15 referindo-se ao "outro discípulo". Não podia ser João, mas podia ser Lázaro.

Em 19:26-27, vemos: "Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa". EM SUA CASA – João não devia propagar o Evangelho? Como alguém designado para propagar o Evangelho ficaria em casa cuidando de uma mãe adotiva? Por outro lado, Lázaro era, ao que se vê, homem estabelecido e bem-posto – e vivia em Jerusalém, onde se passam esses fatos. Aliás, todo o contexto deste Evangelho está vinculado a Jerusalém e não à Galileia, o que também depõe a favor de Lázaro em detrimento de João.

Quando Jesus ressuscitou, ainda em João, o discípulo misterioso VIU E CREU – Lázaro tinha motivos sólidos para crer instantaneamente, pois algo semelhante acontecera com ele.

No capítulo 21, que é um segundo final do Evangelho de João, consta: "E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?" – Quem parece mais apropriado para merecer esse dito? Não é Lázaro, que havia "voltado da morte" e que poderia passar a impressão de que não havia de morrer? Aliás, considerando a possibilidade de ter sido Lázaro o autor do Evangelho, e tendo este sido escrito não antes do ano 90, era ele já bem velho, o que contribuía para a crença de que ele não morreria. (WILKON, por e-mail, set/2015) (grifo do original)

Diante de tudo isso, o que fica claro, pelo menos para nós, é que o "discípulo amado" não era João, o evangelista, por absoluta falta de apoio nos textos bíblicos. E não sendo, consequentemente, Kardec, mesmo que em algum momento tenha sido designado de "discípulo amado" não poderia ser João Evangelista reencarnado, como insistem alguns confrades defensores da insustentável tese de que Chico Xavier é Kardec. A alguns deles cabe muito bem essa fala de Kardec: "A ideia preconcebida, num sentido qualquer, é a pior condição para um observador, porque então tudo vê e tudo ajusta a seu ponto de vista, negligenciando o que pode haver de contrário. Certamente não é esse o meio de chegar à verdade." (16)

Podemos estar equivocados em nossa conclusão, mas se alguém nos apresentar algum argumento bíblico convincente, mudaremos de opinião, pois, como pesquisador, procuramos agir conforme o pensamento do poeta, escritor, historiador e jornalista português Alexandre Herculano (1810-1877), que dizia: "Eu não me envergonho de corrigir meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender."
(17)

Paulo da Silva Neto Sobrinho
Set/2015
(versão 4 – mai/2016)



Referências bibliográficas:

(1) EHRMAN, B. D. Jesus existiu ou não?. Rio de Janeiro: AGIR, 2012, p. 145.
(2) EHRMAN, B. D. op. cit., p. 145-146.
(3) MONTORIL, M. Tiago Maior, o apóstolo de Jesus Cristo na Espanha, disponível em:
http://montorilaraujo.blogspot.com.br/2011/07/tiago-maior-apostolo-de-jusus-cristo-na.html, acesso em 19.09.2015, às 10:16 h.
(4) CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. Vol. 6. São Paulo: Candeia, 1995, p. 541.
(5) CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Vol. 2. São Paulo: Hagno, 2005, p. 511.
(6) NETO SOBRINHO, P. S. Os nomes dos títulos dos evangelhos designam seus autuores?, disponível em:
http://www.paulosnetos.net/viewdownload/7-assuntos-biblicos/405-os-nomes-dos-titulos-dos-evangelhos-designam-seus-autores, acesso em 19.09.2015, às 06:08 h.
(7) EHRMAN, B. D. Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi?: mais revelações inéditas sobre as contradições da Bíblia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2010, p. 118-120.
(8) Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002, p. 1693-1694.
(9) Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2002, nota 13,21-30, p. 2594.
(10) Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002, nota 13,23, p. 1878.
(11) Bíblia Shedd. São Paulo: Edições Vida Nova e Barueri, SP: SBB, nota 13,23, p. 1511.
(12) TRICCA, M. H. O. Apócrifos II – Os proscritos da Bíblia. São Paulo: Mercuryo, 1995, p. 188.
(13) Eusébio de Cesareia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Eus%C3%A9bio_de_Cesareia, acesso em 24.09.2015, às 11.45h.
(14) CESAREIA, E. História Eclesiástica: os primeiros quatro séculos da Igreja Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 273-274.
(15) Mantém o site "Espírito Imortal", que pode ser acessado pelo link: http://www.espiritoimortal.com.br/
(16) KARDEC, A. Revista Espírita de 1863. (PDF) Rio de Janeiro: FEB, 2008, p. 145-146.
(17) Frase disponível em http://pensador.uol.com.br/frase/MzUxMQ/, acesso em 19.09.2015, às 12:20 h.

 

 

Fonte: Artigo foi publicado originalmente em: – revista Espiritismo & Ciência Especial, nº 82. São Paulo: Mythos Editora, 2016, p. 18-31 (versão original)
-
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosPN/QUEM_ERA_O_DISCIP_A_Q_JESUS_AMAVA_PN.html

 




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Paulo da Silva Neto Sobrinho

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>  Ajustes aos dogmas
>  A aparição de Jesus depois da morte
>  A Arca de Noé
>  A aura e os chacras no Espiritismo
>  Bodas de Caná, o casamento de Jesus?
>  As cartas de Paulo sobre os homossexuais
>  A Ciência desmente o Espiritismo?
>  A comunicação entre os dois planos
>  Comunicação com os mortos
>  O Consolador veio no Pentecostes?
>  Contra os Desafios sobre provas da vida após morte
>  O Controle Universal do Ensino dos Espíritos - CUEE, ainda vale?
>  A Conversa de Jesus com Nicodemos
>  O corpo de Jesus ressuscitado
>  Corpo físico e Espírito: qual é o mais importante
>  Corpos incorruptos
>  Os 10 mandamentos
>  Deus proibiu evocar-se os mortos?
>  Diante da Morte
>  E aconteceu no Sinai
>  Ecos do Passado - O paganismo no cristianismo
>  EQM: Prova da Sobrevivência da alma
>  E quanto ao Espírito não Sabes donde Vem
>  Espíritas abraçando a fé cega
>  Espírito de Pessoa Viva ao se manifestar conseguiria mudar de aparência?
>  Espírito de Verdade, quem seria ele?
>  Espíritos e médiuns não são infalíveis
>  Espíritos em Prisão
>  Os espíritos se comunicam na Igreja Católica
>  Os Espíritos Superiores e o livre-arbítrio
>  Evocar os espíritos: Moisés ou Kardec?
>  Os excluídos
>  Evolucionismo e Criacionismo
>  Os fatos provam a reencarnação
>  Flávio Josefo cita Jesus?
>  Freud no divã
>  A Gravidez de Espíritos
>  Homossexualidade na Visão Espírita
>  Imortalidade da Alma e a Bíblia
>  Incorporação por Espíritos
>  Inferno ou Purgatório?
>  Influência dos Espíritos em nossas vidas
>  Inspiração dos textos bíblicos
>  A irresponsável discriminação contra os homossexuais
>  Jesus é o Espírito de Verdade
>  Jesus ficava calado?
>  Jesus não é o Espírito da Verdade
>  Jesus pode ser considerado Deus?
>  Jesus teve ou não Irmãos?
>  Jesus veio cumprir a lei?
>  João Batista é mesmo o Elias?
>  Josefo, os fariseus e a reencarnação
>  Kardec não antecipou Darwin
>  Kardec reencarnou-se como Chico?
>  Manifestação de Espírito no Congresso Nacional
>  Manifestação de Espírito de pessoa viva: é possível em estado de vigília?
>  Mar Vermelho na “Arqueologia” de Ron Wyatt
>  Mas os mortos não estão proibidos de evocar os vivos
>  O Mau-Olhado na Ótica Espírita
>  Mediunidade de Incorporação
>  Mediunidade no tempo de Jesus
>  Mediunidade - percepção da Psique humana : proposição de um novo conceito para a mediunidade
>  A Memória Genética não explica a reencarnação
>  Os milagres existem?
>  Moisés – primeiro inquisidor
>  Os mortos estariam dormindo?
>  A mulher na Bíblia
>  Nada é definitivo nas obras básicas
>  Neurocirurgião muda de opinião após vivenciar uma EQM
>  Os nomes dos títulos dos Evangelhos designam seus autores?
>  Para entender o Espiritismo - Resposta ao “parapsicatólico”
>  O Papel dos Médiuns na Comunicação
>  Pedro, tu és Papa?
>  Perdão, punição, redenção, crença ou reencarnação?
>  O perispírito não é fluido vital
>  Possessão: há a posse física do encarnado?
>  Preexistência do Espírito
>  A profecia sobre a volta de Elias se realizou?
>  As provas da sobrevivência do espírito
>  Quais são as Obras Básicas?
>  Qual a primeira obra espírita que deve ser lida?
>  Os quatro Evangelhos de Roustaing
>  Quem era o discípulo a quem Jesus amava?
>  A Questão do Bom ladrão
>  Racismo em Kardec?
>  A reclamação de um defunto
>  Reencarnação - Bibliografia
>  Reencarnação, a prova definitiva
>  Reencarnação e as pesquisas científicas
>  Reencarnação e a evolução humana
>  Reencarnação e o inconsciente coletivo
>  A Reencarnação é um dogma dos espíritas?
>  Reencarnação no Concílio de Constantinopla - (Orígenes x Império Bizantino)
>  Reencarnação no contexto histórico
>  Reencarnação no Evangelho, A
>  Reencarnação no Pentateuco
>  Reencarnação x ressurreição física e penas eternas
>  Religião Espírita: é o que, de fato, é o Espiritismo
>  Ressurreição da Carne?
>  Ressurreição, o significado bíblico
>  Ressurreição ou Reencarnação?
>  Reunião de doutrinação (esclarecimento) de espíritos foi recomendada na codificação?
>  Reuniões mediúnicas de desobsessão (doutrinação ou esclarecimento de Espíritos)
>  Satanás – ser ou não ser, eis a questão
>  Segredos da supermemória
>  Será que os profetas previram a vinda de Jesus?
>  Será que Saul conversou com Samuel-espírito?
>  Sinal combinado para confirmar contato com os mortos
>  Só a reencarnação para explicar
>  Somente Espíritos Superiores trazem-nos novas instruções?
>  Sudário: relíquia verdadeira ou falsificação medieval
>  Teodora e as 500 prostitutas
>  Terrorismo Religioso
>  Todos nós somos médiuns
>  Torre de Babel: o carro na frente dos bois
>  Tradutor, traidor
>  Trindade - o “mistério” criado por um leigo, anuído pelos teólogos
>  A vida do espírito é só no corpo físico?

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 >  Deuteronômio – lei divina ou mosaica?

 
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