Paulo da Silva Neto Sobrinho

>   Imortalidade da Alma e a Bíblia

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Paulo da Silva Neto Sobrinho
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"A alma é insuscetível de destruição; é ela que vivifica o corpo; traz consigo a vida onde aparece. Não recebe a morte — é imortal".
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Sócrates

Introdução

Vemos como uma contradição os que vinculados a uma corrente religiosa, não aceitam a imortalidade da alma, pois se igualam exatamente aos não espiritualistas, ou seja, aos materialistas que não acreditam em nada além da matéria.

Temos dito que se não existir nada para nós após a morte, deveríamos nascer igual aos animais, não haveria a mínima necessidade da família, onde estabelecemos laços de amor, para que depois da morte seja o nada. Poderíamos muito bem viver da mesma forma que os animais que não estabelecem nenhum vínculo familiar com os de sua espécie por eles gerados. Vivem no "cada um por si, Deus por todos", enquanto que a nós, os seres humanos, é-nos recomendado "amar ao próximo como a si mesmo", cuja utilidade será só para a vida presente?

Antigamente se acreditava que só os deuses eram eternos, como conseqüência disso o homem, por muito tempo, não acreditou que ele fosse um ser imortal.

Como não poderia deixar de ser, o próprio livro sagrado do povo hebreu, base da teologia cristã, dá-nos essa idéia. Na Bíblia, "a doutrina da imortalidade da alma só aparece claramente no livro Sabedoria, ou seja, um século, pelo menos, depois da redação do Eclesiastes" que, por sua vez, tem no século III a.C a data da composição mais verossímil. É por isso que nela as recompensas divinas estão relacionadas à uma situação terrena. Podem até observar que as bênçãos e maldições para quem não cumprisse o Dez Mandamentos estavam colocados para uma vida terrena, pois aí só se acreditava nessa vida.

Naquela época, quando queriam dizer que alguém estava nas graças de Deus, falavam que ele teria vivido longo tempo aqui na terra. O que podemos tranqüilamente confirmar quando citam várias pessoas que teriam vivido por muito tempo, como no caso de Adão 930 anos; Sete 912 anos; Enos 905 anos, Cainã 910 anos, Noé 950, entre outros. Devemos entender isso apenas como um estilo de linguagem, já que não há como levar essas idades citadas ao pé da letra, até mesmo porque o tempo estabelecido por Deus para um homem viver na carne foi de 120 anos (Gn 6,3).

Por isso, e por muitíssimas outras coisas mais, que não cabe colocar aqui agora, podemos também afirmar que a Bíblia, antes de ser a palavra de Deus como querem, é muito mais a palavra dos homens, que nela registraram o seu pensamento relacionado à sua religiosidade, registro esse que passaram a afirmar ser a própria palavra de Deus, para dar um aspecto sagrado ao livro, de forma que fizesse com que as pessoas o seguissem incondicionalmente. Daí termos ainda na cultura religiosa de hoje, a Bíblia como sendo a palavra de Deus.

Tentaremos desenvolver um estudo para ver se chegamos a alguma conclusão se pelo menos em algum ponto podemos retirar da Bíblia a idéia da imortalidade da alma. Não é tarefa fácil, pois o trabalho de pesquisa é volumoso, mas, de qualquer forma, vamos arriscar.

Informamos que a base de nosso estudo é a Bíblia de Jerusalém, Ed. Paulus, pelo motivo da tradução ter sido realizada por uma equipe de exegetas católicos e protestantes e por um grupo de revisores literários, cujo texto traduzido é de produção da École Biblique, na França, em 1998.


O que podemos encontrar na Bíblia?

No princípio surgirão temas que poderão parecer que não têm nada a ver com o caso em questão, mas no desenrolar do trabalho, ou na pior das hipóteses na conclusão, iremos ver a relação com o tema. Muitas vezes uma coisa isolada do conjunto pode nos dar uma falsa idéia daquilo que realmente é, por isso torna-se necessário, aos que se interessarem por esse assunto, ir até ao final desse estudo.

Gênesis 1,26-27:

Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou.

Seria interessante perguntar qual é a imagem de Deus que nos tornamos semelhantes? Deus possui um corpo? Jesus responde por nós: "Deus é espírito" (João 4, 24). Ora, isso só pode nos dizer que a nossa semelhança com Deus é exatamente o ser espiritual que somos. Nosso espírito está temporariamente no corpo, conforme veremos mais adiante. Qual dos dois é o mais importante: o espírito ou o corpo? Apelaremos novamente para Jesus: "O Espírito é que vivifica a carne de nada serve" (João 6, 63).

Gênesis 2,7:

Então Iahweh Deus modelou o homem com argila do solo insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente.

Os tradutores nos colocam a respeito de vivente: "É o termo nefesh, que designa o ser animado por um sopro vital (manifestado também pelo "espírito", ruah: 6,17+; Is 11, 2+; cf. Sl 6, 5+)". Significando, segundo podemos concluir, que o homem também possui um espírito.

1 Samuel 28,3-19: Samuel tinha morrido, e todo o Israel o tinha lamentado, e o sepultaram em Ramá, sua cidade. Saul havia expulsado da terra os necromantes e os adivinhos. Entretanto, os filisteus se reuniram e vieram acampar em Sunam. Saul reuniu todo o Israel e Gelboé. Quando Saul viu o exército dos filisteus acampado, encheu-se de medo e o seu coração se perturbou. Saul consultou Iahweh, mas Iahweh não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas. Saul disse então aos seus servos: "Buscai-me uma mulher que pratique a adivinhação para que eu lhe fale e a consulte". E os servos lhe responderam: "Há mulher que pratica adivinhação em Endor". Então Saul disfarçou-se, vestiu outra roupa e, de noite, acompanhado de dois homens, foi ter com a mulher, e lhe disse: "Peço-te que pratiques para mim a adivinhação, evocando para mim quem eu te disser". A mulher, porém, lhe respondeu: "Tu bem sabes o que fez Saul, expulsando do país os necromantes e adivinhos. Por que me armas uma cilada para que eu seja morta?" Então Saul jurou-lhe por Iahweh, dizendo: "Pela vida de Iahweh, nenhum mal te acontecerá por causa disso". Disse a mulher: "A quem chamarei para ti?" Ele respondeu: "Chama Samuel". Então a mulher viu Samuel e, soltando um grito medonho, disse a Saul: "Por que me enganaste? Tu és Saul!" Disse-lhe o rei: "Não temas! Mas o que vês?" E a mulher respondeu a Saul: "Vejo um deus que sobe da terra". Saul indagou: "Qual é a sua aparência?" A mulher respondeu: "É um velho que está subindo; veste um manto". Então Saul viu que era Samuel e, inclinado-se com o rosto no chão prostrou-se. Samuel disse a Saul: "Por que perturbas o meu descanso evocando-me?" Saul respondeu: "É que estou em grande angústia. Os filisteus guerreiam contra mim, Deus se afastou de mim, não me responde mais, nem pelos profetas nem por sonhos. Então vim te chamar para que me digas o que tenho de fazer". Respondeu Samuel: "Por que me consultas, se Iahweh se afastou de ti e se tornou teu adversário? Iahweh fez por outro como te havia dito por meu intermédio: tirou das tuas mãos a realeza e a entregou a Davi, porque não obedeceste a Iahweh e não executaste o ardor de sua ira contra Amalec. Foi por isso que Iahweh te tratou hoje assim. Como conseqüência, Iahweh entregará, juntamente contigo, o teu povo Israel nas mãos dos filisteus. Amanhã, tu e os teus filhos estareis comigo; e o exército de Israel também: Iahweh o entregará nas mãos dos filisteus.

Essa passagem é a que tem mais dado dor de cabeça aos adversários das manifestações dos espíritos para arrumarem uma explicação razoável de modo a não ficar evidenciada essa ocorrência. Dizem alguns "foi o demônio que tomou a aparência de Samuel", em contradição com a citação expressa do texto: "Então a mulher viu Samuel", "Então Saul viu que era Samuel" e "Samuel disse a Saul". E mais, não existe nenhuma afirmação na Bíblia de que os demônios é quem aparecem no lugar dos mortos. Ao dizer "Iahweh fez por outro como te havia dito por meu intermédio", Samuel-espírito está confirmando que ele, quando vivo, já havia previsto que Saul deixaria de ser rei. Falando a respeito de Samuel, no livro Eclesiástico (46, 20), encontramos: "Até depois de morto profetizou, anunciou ao rei seu fim; do seio da terra elevou a voz, profetizando para apagar a iniqüidade do povo". Ficando provado, portanto, que foi o próprio Samuel, em espírito, quem se manifestou.

De qualquer forma podemos concluir que os mortos continuam vivos, em espírito é claro, e que não ficam dormindo e muito menos estariam inconscientes até o dia do juízo final.

A fala de Samuel: "Porque perturbas meu descanso", isso é interessante pois se alguém nos provar que só se descansa dormindo passaremos a acreditar que os mortos ficam dormindo. Quanto à questão da inconsciência, não há como sustentar essa idéia, pois se Samuel estivesse inconsciente, dormindo ou não, pouco importa, não responderia ao chamado de Saul, coisa que só estando consciente para se fazer.

2 Reis 2,14-15: Tomou o manto de Elias que havia caído dele e bateu com ele nas águas, dizendo: "Onde está Iahweh, o Deus de Elias? Bateu também nas águas, que se dividiram de um lado e de outro, e Elizeu atravessou o rio. Os irmãos profetas de Jericó viram-no a distância e disseram: "O espírito de Elias repousou sobre Eliseu!", vieram ao seu encontro e se prostram por terra, diante dele.

Esse episódio é singular, principalmente se entendermos a palavra repousou como sendo uma incorporação mediúnica, estaria aí acontecendo a manifestação do espírito de Elias? Acreditamos que aceitavam tranqüilamente as manifestações espirituais, motivo pelo qual disseram isso. Ora, só aceita as manifestações de espíritos quem crê que quem morre sobrevive em espírito. E para os que poderiam nos dizer que Elias não morreu, tomamos das notas dos tradutores sobre o seu arrebatamento: "O texto não diz que Elias não morreu, mas facilmente se pode chegar a essa conclusão". Por outro lado, observar que o comportamento dos "irmãos profetas" diante do episódio está demonstrando que, para aquela época, os seres espirituais eram considerados deuses, daí toda a reverência deles ao espírito de Elias "repousado" sobre Elizeu. Comportamento idêntico teve Saul diante do espírito de Samuel (1 Sm 28), conforme já relatamos um pouco atrás. Estava aí, a nosso ver, a causa da proibição da comunicação com os mortos, já que Moisés necessitava implantar a idéia do Deus único, portanto, não poderiam haver "deuses" concorrentes.

2 Macabeus 7,36: Nossos irmãos, agora, depois de terem suportado uma aflição momentânea por uma vida inexaurível, já caíram na Aliança de Deus.

Por ordem do rei Antíoco Epifanes, os sete irmãos macabeus foram mortos, o último, antes de morrer, diz ao rei a frase citada. Demonstrando a crença numa vida após a morte, uma vida que não pode se esgotar, isso em outras palavras, quer dizer imortalidade da alma.

8,8: Pergunta às gerações passadas e medita a experiência dos antepassados.

A palavra antepassados está intimamente relacionando pessoas com seus familiares que já morreram. É muito comum vermos, na Bíblia, a expressão "foi reunir-se em paz com seus antepassados", em se referindo a uma pessoa que acabara de morrer. Assim, pelo texto de Jó, é lógico e racional compreendermos que a única forma de se perguntar às gerações passadas era por via mediúnica, ou seja, evocando o antepassado para que ele, em espírito, viesse passar a sua experiência, para que pudesse ser aproveitada. Hoje poderíamos buscar essa informação de outra forma, mas àquela época não se tinha a menor preocupação em deixar escritos, nem livros existiam, e até mesmo seriam desnecessários, pois pouquíssimas pessoas sabiam ler.

32,8: Mas é o espírito no homem, o alento de Shaddai que dá inteligência.

33,4: Foi o espírito de Deus que me fez e o sopro de Shaddai que me anima.

A primeira passagem, a versão da Editora Mundo Cristão, se lê: "Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-poderoso o faz entendido". Fato que confirma a existência no homem de um espírito, aquela parte que vai para o mundo espiritual. Também, vemos, novamente, a questão de relacionarmos "o sopro de Deus" com o espírito que habita no homem, o que volta à Deus. Poderia ter agora algum outro significado para você o: "o que é nascido do Espírito, é espírito"(João 3,6)?

Salmo 146,1-4: Aleluia! Louva a Iahweh, ó minha alma! Enquanto eu viver, louvarei Iahweh, tocarei ao meu Deus, enquanto existir! Não depositais a segurança nos nobres e nos filhos dos homem, que não podem salvar! Exalam o espírito e voltam à terra, e no mesmo dia perecem seus planos!

Quando se está referindo-se à condição de vivo diz "alma", quando se diz de morto a palavra é "espírito". A Editora Mundo Cristão dá uma clareza melhor para a última frase: Sai-lhes o espírito e eles tornam ao pó, nesse mesmo dia perecem todos os seus desígnios. Mais à frente iremos ver mais passagens sobre essa questão.

Eclesiastes, 12,6-7: Antes que o fio de prata se afrouxe e a taça de ouro se parta, antes que o jarro se quebre na fonte e a roldana rebente no poço, antes que o pó volte à terra de onde veio e o sopro volte a Deus que o concedeu.

Em algumas bíblias, ao invés de sopro, encontramos a palavra espírito. Mas podemos ficar com as explicações dos tradutores: "Aquele elemento, no homem, que veio da terra deve voltar para lá. Já que não há nada na terra que possa satisfazer ao homem, deve-se concluir que este não provém totalmente da terra, e por isso, aquilo que vem de Deus a ele retornará". Ora, o que em nós que vem de Deus a não ser o nosso espírito. Alguém poderá objetar e dizer é a vida, mas Jesus não disse que "O Espírito é que vivifica" (João 6, 63), ou seja, o espírito é que é o sopro da vida. Tiago, percebendo isso diz: "... o corpo sem o sopro da vida é morto,..." (2, 26). Se não for assim, não existiremos após a morte, nem mesmo para aguardar o dia do juízo como dizem alguns.

Sabedoria 2,23: Ora, Deus criou o homem para a incorruptibilidade e o tornou imagem de sua própria natureza.

Aqui confirmamos o que já dissemos antes a respeito de nossa semelhança com Deus, a parte incorruptível do homem é o seu espírito, pois quanto ao corpo há de ser cumprido o "tu és pó e ao pó tornarás" (Gn 3,19). Essa semelhança também é em relação à imortalidade.

Sabedoria 3,1-5: A vida dos justos está nas mãos de Deus, nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos pareceram mortos; sua partida foi tida como uma desgraça, sua viagem para longe de nós como um aniquilamento, mas eles estão em paz. Aos olhos humanos pareciam cumprir uma pena, mas sua esperança estava cheia de imortalidade; por um pequeno castigo receberão grandes favores. Deus os submeteu à prova e os achou dignos de si.

Explicam-nos os tradutores sobre a palavra athanasia: "Essa palavra, até aqui inusitada no AT, mas familiar aos gregos, designava, quer a imortalidade da lembrança (cf. 8,13), que a da alma. O autor a emprega aqui no segundo sentido, mas para significar a imortalidade bem-aventurada na sociedade de Deus, como recompensa pela justiça (1,15; 2,23)". Não precisamos acrescentar mais nada.

Sabedoria 6,18-19: O amor é a observância de suas leis, o respeito das leis é a garantia de incorruptibilidade e a incorruptibilidade aproxima de Deus.

De maneira objetiva, explicam-nos, novamente, os tradutores: "Aplicar-se à observância das leis da Sabedoria não basta para tornar-se incorruptível, mas cria título real e incontestável para obter de Deus a incorruptibilidade bem-aventurada ou a imortalidade (cf. 2,23; 3,4)". Falou pouco, mas disse tudo.

Sabedoria 8,12-13: Se calo, ficarão em expectativa; se falo, prestarão atenção; se me alongo no discurso, colocarão a mão sobre a boca. Por causa dela alcançarei a imortalidade, à posteridade legarei lembrança eterna.

Pela expressão "alcançarei a imortalidade", fica tão clara essa questão que ficamos pasmos com os que não acreditam que na Bíblia se fala desse assunto.

Sabedoria 16,13-14: Porque tu tens poder sobre a vida e a morte, fazes descer às portas do Hades e de lá subir. O homem, ainda que em sua maldade possa matar, não pode fazer voltar o espírito exalado nem libertar a alma no Hades recolhida.

"O autor ensina aqui o poder absoluto de Deus sobre a vida e a morte, não somente enquanto pode livrar a quem quiser do perigo da morte (cf. Sl 9,14; 107,17-19; Is 38,10-17), mas ainda, parece, num sentido mais profundo: ele pode fazer tornar à vida corporal a alma que desceu ao Xeol (Cf. 1 Rs 17,17-23; 2Rs 4,33-35; 13,21)", é o que nos fornecem os tradutores como explicação. Como fazer tornar à vida corporal a alma que desceu ao Xeol? Dizendo a ela "é necessário nascer de novo", ou seja, reencarnar, onde, por ela, o homem completará todo o seu processo evolutivo. A reencarnação, em última instância, nos leva a aceitar a imortalidade da alma.

Eclesiástico 38,23: Desde que o morto repousa, deixe repousar à sua memória, consola-te quando seu espírito partir.

Vemos a idéia de que o homem é mais que o corpo. Embora apresente uma questão não resolvida para onde vai o espírito, pelo menos demonstra acreditar na existência dele como algo separado do corpo, já que não foi dito que o corpo também partiu. Parece-nos que o morto aí poderia ser uma referência ao corpo, que fica em "repouso" na sepultura. Se há partida do espírito, é porque ele sobrevive à morte, com absoluta certeza.

Isaías 59,21: Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz Iahweh, o meu espírito está sobre ti e as minhas palavras que pus na tua boca não se afastarão dela, nem da boca dos teus filhos, nem da boca dos filhos dos teus filhos, diz Iahweh, desde agora e para sempre.

Apresenta-nos o autor a realidade de Deus como sendo espírito, condizente com a afirmação de Jesus que falamos anteriormente.

Daniel 12,2: E muitos dos que dormem no solo poeirento acordarão, uns para a vida eterna e outros para o opróbrio, para o horror eterno.

Não levando em conta a questão da justiça da eternidade da pena, vamos ver que os que já morreram passarão por um julgamento, conforme o que fizeram terão a vida eterna ou o castigo eterno, o que quer dizer que, após a morte, haverá vida, pois não há sentido em falar-se em prêmio ou castigo se não houver sobrevivência do espírito. Se tais coisas são eternas, significa imortalidade de alguma coisa, como não pode ser do corpo já que "tu és pó e ao pó tornarás", concluímos que a imortalidade é do espírito, onde reside a nossa semelhança com Deus.

Zacarias 12,1: Palavra de Iahweh sobre Israel. Oráculo de Iahweh, que estendeu o céu e fundou a terra, que formou o espírito do homem dentro dele.

De todos os autores bíblicos esse é o que nos mostra de forma inquestionável a existência do espírito. E ao dizer que formou o espírito dentro do homem, é porque está admitindo um outro elemento na formação do homem, que não é outro senão o corpo físico. E se formos analisar essa passagem relacionando-a a Eclesiastes 12, 6-7, a Tiago 2, 26 e, em algumas traduções ao Gênesis 2, 7 teremos a confirmação de que sopro é realmente espírito.

Mateus 7,9-11: Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? Ou lhe dará uma cobra, se este lhe pedir peixe? Ora, se vós que sois maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedem!

Mateus 18,12-14: Que vos parece? Se um homem possui cem ovelhas e uma delas se extravia, não deixa ele as noventa e nove nos montes para ir à procura da extraviada? Se consegue achá-la, em verdade vos digo, terá maior alegria com ela do que com as noventa e nove que não se extraviaram. Assim também, não é da vontade de vosso Pai, que estás nos céus, que um destes pequeninos se perca.

Mateus 21,31: ... Então Jesus lhes disse: "Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus.

Lucas 6,35: ... Será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, pois ele é bom para com os ingratos e com os maus.

Lucas 19,10: Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.

João 3,17: Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.

1 Timóteo 2,3-4: Eis o que é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.

Se Deus nos "dará coisas boas", se é "bom para com os ingratos e com os maus", se "quer que todos os homens sejam salvos", que envia Jesus para "salvar o que estava perdido" e "para que o mundo seja salvo por ele", então pergunto: onde fica as penas eternas diante disso tudo? Alguém conseguirá fazer com que a vontade de Deus não se cumpra? Ou essa salvação é para a vida eterna prometida por Jesus? Se a missão de Jesus era salvar o mundo, como justificar o pensamento dominante que apenas uns poucos privilegiados serão salvos? Se Deus é espírito imortal, nós também sendo espíritos, ou seja, imagem e semelhança de Deus, por que razão não seriamos imortais? Não seria uma contradição se como espíritos imortais, Deus nos salvar para nos destruir ou aniquilar, como é o pensamento de alguns, contrariando assim nossa imortalidade?

Mateus 17,1-4: Seis dias depois, Jesus tomou Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou para um lugar à parte sobre uma alta montanha. E ali foi transfigurado diante deles. Seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias conversando com ele.

Aqui temos registrada a manifestação dos espíritos de Moisés e Elias a Jesus e aos discípulos Pedro, Tiago e João, testemunhas oculares da aparição. A questão sobre a morte de Elias, já abordamos anteriormente, não precisamos repetir. Sabemos que certas pessoas ainda preferirão acreditar que Elias foi arrebatado de corpo e alma ao céu, contra o que não podemos fazer nada, entretanto, podemos apenas lembrar que "a carne e o sangue não herdarão o reino de Deus" (1 Cor 15,50).

Mateus 22,29-32: Jesus respondeu-lhes: "Estais enganados, desconhecendo as Escrituras e o poder de Deus. Com efeito, na ressurreição, nem eles se casam e nem elas se dão em casamento, mas são todos como os anjos no céu. Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos declarou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó?’ Ora, ele não é Deus de mortos, mas sim de vivos".

Lucas 20,37-38: Ora, que os mortos ressuscitam, também Moisés o indicou na passagem da sarça, quando diz: o Senhor Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó. Ora, ele não é Deus de mortos, mas sim de vivos; todos, com efeito, vivem para ele.

Aqui, de maneira muito clara, Jesus coloca a questão da imortalidade da alma como coisa incontestável. A narrativa de Lucas então, não deixa a mínima dúvida de que Abraão, Isaac e Jacó, apesar de mortos na carne, vivem em espíritos junto a Deus. Por que afirmamos que vivem em espíritos? Porque, além do categórico "Deus de vivos", também sabemos que é "o espírito que dá vida". Mas podemos mudar de opinião se alguém nos provar que tanto Abraão, como Isaac e também Jacó já tenham ressuscitado, e mais que ressuscitaram no corpo físico. Mas se até hoje não ocorreu o dia do juízo, época em que os dogmáticos acreditam que haverá a ressurreição dos justos e injustos, os primeiros para a vida eterna, os outros para o tormento eterno, eles não poderiam estar ressuscitados no corpo físico, assim, se continuam "mais vivos do que nunca" essa vida é do espírito, não há dúvida. Disso podemos concluir que entendiam a ressurreição como sendo mesmo a do espírito.

Mateus 22,36-38: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Ele respondeu: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento.

1 Tessalonicenses 5,23: O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que o vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível, para o dia da vinda do nosso Senhor Jesus Cristo.

Para quem diz que não temos nada além do corpo físico, essas passagens cabem como uma luva. Pelo que começamos a perceber nesse estudo, que àquela época se fazia uma distinção entre alma e espírito. Alma seria a parte espiritual do ser, enquanto que espírito seria o que nós conhecemos como corpo espiritual, ou seja, o perispírito. Mais à frente iremos falar da morte de Jesus e Estevão, observar que ambos ao morrerem entregam o espírito, não a alma.

Aqui também podemos colocar que temos a informação de que o ser humano é composto de três elementos: o corpo, representado pelo coração, a alma que é a essência espiritual e espírito que é o corpo espiritual, tal e qual ao que falamos: corpo, espírito e perispírito, cuja diferença está apenas na nomenclatura.

Mateus 25,46: E irão estes para o castigo eterno enquanto os justos para a vida eterna.

João 3,16: Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna.

João 5,24: Em verdade, em verdade vos digo: quem escuta minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna.

João 10,27-28: As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna e elas não perecerão, e ninguém as arrebatará de minha mão.

Vida eterna seja na presença de Deus ou no lugar de tormentos, deve se pressupor que para isso acontecer terá que haver imortalidade. E essa imortalidade é do espírito, não do corpo, conforme já afirmamos, anteriormente, que é a parte do ser humano que "tu és pó e ao pó tornarás".

Lucas 8, 40-41.49-55: Ao voltar, Jesus foi acolhido pela multidão, pois todos o esperavam. Chegou então um homem chamado Jairo, chefe da sinagoga. Caindo aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa, porque sua filha única, de mais ou menos doze anos, estava à morte. Enquanto ele se encaminhava para lá, as multidões se aglomeravam a ponto de sufocá-lo. Ele ainda falava, quando chegou alguém da casa do chefe da sinagoga e lhe disse: "Tua filha morreu; não perturbes mais o Mestre". Mas Jesus, que havia escutado, disse-lhes: "Não temas; crê somente, e ela será salva". Ao chegar à casa, não deixou que entrassem consigo senão Pedro, João e Tiago, assim como o pai e a mãe da menina. Todos choravam e batiam no peito por causa dela. Ele disse: "Não choreis! Ela não morreu; dorme". E caçoavam dele, pois sabiam que ela estava morta. Ele, porém, tomando-lhe a mão, chamou-a dizendo: "Criança, levanta-te!" O espírito dela voltou e, no mesmo instante, ela ficou de pé. E ele mandou que lhe dessem de comer.

Aqui devemos chamar a sua atenção para a particularidade "o espírito dela voltou e, no mesmo instante, ela ficou de pé", mostrando que é o espírito que dá vida. E daqui já começamos a entender que chamavam espírito a parte do ser que sobrevivia à morte do corpo físico.

Lucas 16,19-21: Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e cada dia se banqueteava com requinte. Um pobre, chamado Lázaro, jazia à sua porta, coberto de úlceras. Desejava saciar-se do que caía da mesa do rico... E até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu que o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, em meio a tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lázaro em seu seio. Então exclamou: "Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou atormentado nessa chama". Abraão respondeu: "Filho lembra-te que recebeste teus bens durante tua vida, e Lázaro por sua vez os males; agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E além do mais, entre nós e vós existe um grande abismo, a fim de que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o possam, nem tampouco atravessem de lá até nós. Ele replicou: "Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos: que leve a eles seu testemunho, para que não venham eles também para este lugar de tormento". Abraão, porém, respondeu: "Eles têm Moisés e os profetas: ouçam-nos". Disse ele: "Não, pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se arrependerão". Mas Abraão lhe disse: "Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão".

Essa parábola é por demais singular, pois encerra vários ensinamentos ao mesmo tempo. Podemos perceber que haverá um julgamento de nossas ações, e de acordo com elas seremos premiados ou condenados. Acreditamos que iremos pagar sim pelos nossos atos, entretanto para qualquer situação que a justiça divina nos colocar, sairemos após pago o último centavo (Mateus 5, 26). Que existe um abismo entre os estágios evolutivos das pessoas, de tal sorte que não há como ir para o lugar dos bons, sem que se tenha feito tudo o que eles fizeram, por isso não dá para transportar de um lugar para o outro. Nos diz da sobrevivência da alma após a morte, vida essa consciente, haja vista o diálogo entre Abraão e o rico. A comunicação dos mortos com os vivos também é possível, razão do pedido do rico, em resposta Abraão disse não que isso fosse impossível, mas que seria completamente inútil, pois não deram ouvidos nem mesmo aos vivos que dirá dos mortos. É tão evidente isso, que hoje mais do que nunca fica confirmada essa resposta de Abraão, já que os vivos negam sistematicamente ouvir os conselhos dos mortos, cuja verdade o Espiritismo luta para convencer.

Lucas 23,46: E Jesus deu um forte grito: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". Dizendo isso, expirou.

Atos 16,7: Chegando aos confins da Mísia, tentaram penetrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus não permitiu.

1 Pedro 3,18: Com efeito, também Cristo morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de vos conduzir a Deus. Morto na carne, foi vivificado no espírito, no qual foi também pregar aos espíritos em prisão.

Observar que as expressões "entrego meu espírito", "o Espírito de Jesus não permitiu" e "vivificado no espírito" nos mostram Jesus mesmo "morto na carne" vive em espírito. Se Jesus foi pregar aos espíritos em prisão, devemos supor que eles ainda estão vivos, e mais, que existe esperança de recuperá-los, razão da pregação de Jesus a eles. Especificamente quanto a natureza espiritual de Jesus, essa questão ficará mais clara na passagem seguinte.

Lucas 24, 36-43: Falavam ainda, quando ele próprio se apresentou no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!" Tomados de espanto e temor, imaginavam ver um espírito. Mas ele disse: "Por que estais perturbados e por que seguem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho". Dizendo isso, mostrou-lhe as mãos e os pés. E como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: "Tendes o que comer?" Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. Tomou-o, então, e o comeu-o diante deles.

Uma coisa importante aqui é a questão de que imaginavam ver um espírito: por que isso? Seria porque acreditavam que após a morte só poderia aparecer mesmo um espírito, e esse espírito "não tem carne, nem ossos", ou seja, é realmente um ser espiritual. Vejamos o que colocaram os tradutores a respeito do "mostrou-lhes as mãos e os pés": "Lucas, escrevendo para os gregos, que consideravam absurda a idéia da ressurreição, insiste na realidade física do corpo de Jesus ressuscitado (cf. v. 43)". Do que podemos concluir que Lucas estava expressando o seu próprio pensamento, daí querer convencer aos gregos de uma realidade mais material depois da morte, visto que eles não acreditavam na ressurreição. Ora, fatalmente concluímos, também, que a ressurreição não é do corpo, mas do espírito como sempre estamos a afirmar, fato então confirmado agora com a explicação dos tradutores.

João 8,58: Jesus lhes disse: "Em verdade, em verdade, vos digo: antes que Abraão existisse, eu sou".

João 17,5: E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.

Se Jesus existiu antes que Abraão existisse e até mesmo antes que o mundo existisse é porque Ele é um ser espiritual, pois aqui se fala da preexistência do espírito. Nessa condição "a carne de nada serve". Aos que advogam que não há possibilidade do espírito viver sem o corpo, poderíamos pedir para nos explicar o que ocorreu com Jesus: Ele foi fecundado ou foi colocado já com um corpo formado no ventre de sua mãe? E como em nenhum momento Jesus se colocou em situação diversa da nossa, antes ao contrário, disse: "tudo o que Eu fiz vós podeis fazer e muito mais" (João 14,12) e que afirmou "não vim destruir a Lei" (Mateus 5, 17), concluímos que entre Ele e nós a diferença existe apenas entre a evolução Dele e a nossa.

João 11,25-26: Disse-lhes Jesus: "Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?

A expressão "ainda que morra, viverá" está afirmando que alguma coisa sobrevive à morte, e que essa coisa sobrevivente não morrerá mais. A questão é sabermos o quê? Novamente o espírito, pois é "o espírito é que dá vida", quanto ao corpo "tu és pó e tornarás ao pó". Coisa semelhante também podemos ver nessa outra expressão "quem vive e crê em mim jamais morrerá", só que a promessa aqui é para os que estão vivos, que se crerem em Jesus jamais morrerão.

Atos 7,59: E apedrejaram Estevão, enquanto ele dizia esta invocação: "Senhor Jesus, recebe meu espírito".

Aqui está mais uma vez a questão do espírito como sendo a parte que sobrevive à morte, senão fosse, Estevão teria dito: Senhor Jesus, recebe meu corpo. A fala de Estevão é muito semelhante à dita por Jesus na cruz, que já comentamos anteriormente.

Romanos 6,8-9: Mas se morremos com Cristo, temos fé que também viveremos com ele, sabendo que Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, já não morre, a morte não tem mais domínio sobre ele.

Aqui se tivermos em mente a idéia de que o espírito é mais importante que o corpo, entenderemos que quem não está sob o domínio da morte é o espírito, nossa semelhança para com Deus. Aliás, mesmo que ainda não compreendiam isso, o espírito nunca esteve sob o domínio da morte.

1 Coríntios 15,35-45: Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam? Insensato! O que semeias, não readquire vida a não ser que morra. E o que semeias, não é o corpo da futura planta que deve nascer, mas um simples grão, de trigo ou de qualquer outra espécie. A seguir, Deus lhe dá corpo como quer: a cada uma das sementes ele dá o corpo que lhe é próprio. Nenhuma carne é igual às outras, mas uma é a carne dos homens, outra a carne dos quadrúpedes, outra a dos pássaros, outra a dos peixes. Há corpos celestes e há corpos terrestres. São, porém, diversos o brilho dos celestes e o brilho dos terrestres. Um é o brilho do sol, outro o brilho da lua, e outro o brilho das estrelas. E até de estrela para estrela há diferenças de brilho. O mesmo se dá com a ressurreição dos mortos; semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo psíquico ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo psíquico, há também um corpo espiritual.

Das oito Bíblias que possuímos essa é a única que diz corpo psíquico, as outras variam entre: corpo animal, corpo natural e corpo físico. Particularmente, não acreditamos que Paulo tenha dito dessa forma, com todo o respeito à competência dos tradutores. Mas a explicação de Paulo vista como corpo natural, animal ou físico, deveria ser suficiente para entendermos, de uma vez por todas, que o corpo da ressurreição nada tem a ver com o corpo atual, já que ressuscitaremos no corpo espiritual, ou seja, é a ressurreição do espírito e não da carne. O que semeias não é o corpo da futura planta, nenhuma carne é igual às outras, um é o brilho do sol outro é o da lua, assim é que se dará na ressurreição dos mortos semeado corruptível o corpo ressuscitará incorruptível, quer dizer, colocado o corpo físico na sepultura, ressuscitará no seu lugar o corpo espiritual. Onde então reside a dúvida?

1 Coríntios 15,50-55: Digo-vos, irmãos: a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorruptibilidade. Eis que vos dou a conhecer um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final; sim, a trombeta tocará, e os mortos ressurgirão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Com efeito, é necessário que este ser corruptível revista a incorruptibilidade e que este ser mortal revista a imortalidade. Quando, pois, este ser corruptível tiver revestido a incorruptibilidade e este ser mortal tiver revestido a imortalidade, então cumprir-se-á a palavra da Escritura: A morte foi absorvida na vitória. Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?

Completando o seu pensamento, da passagem que abordamos antes dessa, Paulo afirma, agora de forma bem categórica, a questão da imortalidade do corpo espiritual, corpo esse que será a habitação do nosso espírito na morada celeste.

2 Coríntios 5,1-2: Sabemos, com efeito, que, se a nossa morada terrestre, esta tenda, for destruída, teremos no céu um edifício, obra de Deus, morada eterna, não feita por mãos humanas. Tanto assim que gememos pelo desejo ardente de revestir por cima da nossa morada terrestre a nossa habitação celeste.

Tão certo estava Paulo da imortalidade que no fundo desejava ardentemente o momento em que ele, na condição de espírito, iria revestir do corpo espiritual, feito por Deus, não por mãos humanas, que só é capaz de produzir, por atribuição de Deus, o corpo físico.

Hebreus 4,12: Pois a palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas.

Confirmando a passagem anterior sobre o entendimento, que já viemos falando ao longo desse estudo, que diferençavam alma e espírito, ou seja, eram para eles duas realidades distintas.

Hebreus 12,9: Nós tivemos nossos pais segundo a carne como educadores, e os respeitávamos. Não haveremos de ser muito mais submissos ao Pai dos espíritos, a fim de vivermos?

Comparação interessante essa que Paulo faz em relação a Deus: Pai dos espíritos. Quer dizer, sabia perfeitamente que nossa verdadeira condição é a espiritual, igual à de Jesus antes de encarnar aqui na terra.

1 Pedro 4,6: Eis por que a Boa Nova foi pregada também aos mortos, a fim de que sejam julgados como os homens na carne, mas vivam no espírito, segundo Deus.

Sejam julgados como os homens na carne, quer dizer, quando estavam encarnados como homens, pois agora depois de mortos, estão vivos no espírito.

1 João 3,2: Amados, desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.

Está tudo conforme já, por várias vezes, afirmamos anteriormente sobre a igualdade de Jesus conosco. Seremos semelhantes a ele e o veremos tal como ele é, em outras palavras, seremos espíritos e nessa condição é que conseguiremos vê-lo, pois no corpo físico não temos plenamente desenvolvida a faculdade que nos permite vê-lo como ele realmente é.

1 João 4,1-3: Amados, não acrediteis em qualquer espírito, mais examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. Nisto reconhecereis o espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; e todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus; é este o espírito do Anticristo.

Se tivermos que os espíritos são seres humanos que morreram, está aí mais uma prova que sobrevivemos à morte. João recomenda prudência ao entrar em contato com eles, para não acreditar em tudo que falam, pois também no mundo espiritual existem os falsos profetas.


Conclusão

Desenvolvemos, no decorrer desse estudo, análise de vários textos bíblicos de forma que pudéssemos ter a consciência de que nossa essência verdadeira é a espiritual, ou seja, somos, em realidade, espíritos. A manifestação dos espíritos, Samuel, Moisés, Elias e do próprio Jesus, vêm também provar tanto a nossa realidade espiritual quanto ao fato de possuirmos, nessa condição, a imortalidade. Todas essas análises, observadas em conjunto, podem nos dar certeza de que temos uma alma ou espírito, que ele sobrevive à morte do corpo físico, que ele é consciente nessa situação, que pode se comunicar com os vivos, que, finalmente, ele é imortal.

Embora mereça todo o nosso respeito a Bíblia para nós, que acreditamos estar tudo dentro de leis naturais, não é a base fundamental para provarmos a imortalidade da alma. Preferimos aliar à Ciência, pois estamos do lado da infalibilidade de Deus, não da Bíblia, nem de homens, já que a divindade que acreditamos se revela pela perfeição de suas leis que regem tudo no Universo. Assim, tudo quanto a Ciência vier a constatar, estará, no fundo, revelando as leis criadas por Deus. Portanto, em última instância, estará dizendo, afirmando e comprovando a Sua sabedoria e grandeza incomensuráveis.

Colocaremos uma fala citada por J.B. Rhine, no livro Parapsicologia Atual, ao abordar o tema Parapsicologia e Religião:

[...] Os experimentos de telepatia têm apresentado evidência maciça para apoiar o ponto de vista de que a consciência humana tem poderes perceptivos que transcendem as limitações do espaço. Isso tem significação especial para todos que estão preocupados com a natureza do homem, pela razão de que Einstein, Minkowski e Lorentz, tornaram claro que a teoria da relatividade, cuja verdade foi confirmada de que o espaço e o tempo são dois aspectos da mesma realidade física, e que tudo quanto seja capaz de transcender as limitações do espaço tem demonstrado, em conseqüência, sua capacidade para transcender o tempo. A transcendência das limitações físicas de espaço e tempo pareceria ser essencial para dar realidade à doutrina cristã da existência pessoal para além da morte do corpo. (WILKINSON, 1966)

A conclusão desse cientista é bem favorável à questão da vida após a morte.

Citaremos apenas, pois não queremos analisá-las aqui nesse estudo, as pesquisas que, mais cedo do que muitos pensam, farão com que a Ciência deixe de lado todos os tipos de preconceito e assuma de vez a realidade do Espírito. Estão sendo desenvolvidas atualmente as seguintes pesquisas, que de uma forma ou de outra, acabam por referendar a questão da imortalidade da alma: EQM – Experiência de Quase Morte, Transcomunicação Instrumental, Experiência fora do corpo – OBE, Reencarnação, Terapia de Vivências Passadas, Materializações, a Parapsicologia, quando não travestida de características dogmáticas das religiões.

 

Referência Bibliográfica.

ANDRADE, Hernani Guimarães, Parapsicologia uma visão panorâmica, 1ª ed. Bauru, Editora Jornalística FE, 2002.

Centro Bíblico Católico, Bíblia Sagrada, 68ª ed., São Paulo, Ave Maria, 1989.

Diversos tradutores, A Bíblia de Jerusalém, 1ª ed., São Paulo, Paulus, 2002.

PINTO, Carlos O. C., Bíblia Anotada, s.ed., São Paulo, Mundo Cristão, 1994.

RHINE, J.B e BRIER, Robert, Parapsicologia Atual, 9ª ed., São Paulo, Cultrix, 1968.

Fonte: http://www.apologiaespirita.org

Out/2003


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