Resumo
Metodologia e epistemologia são duas áreas
relacionadas, mas independentes entre si. É muito comum na pesquisa
administrativa brasileira entender-se a pesquisa chamada de qualitativa
a partir de um referencial epistemológico empirista-formal. Realizou-se
uma análise das contribuições teóricas ao
tema por autores clássicos e contemporâneos. A proposta
do presente trabalho teórico é distinguir a orientação
epistemológica baseada no empirismo-formal da que se fundamenta
na fenomenologia. Aceita esta distinção e o “status”
científico destas duas matrizes de conhecimento, mostra-se que
há implicações metodológicas distintas para
a pesquisa qualitativa, seja com relação ao objetivo,
seja com relação à abordagem do objeto, seja com
relação à construção de construtos
e indicadores. Desta forma, a pesquisa qualitativa não é
uma pesquisa para a qual não se teve fôlego para estudar
um número suficiente de eventos que permitam generalização,
nem está às voltas com um tipo de objeto que permite apenas
uma mensuração não métrica e muito menos
é uma abordagem menor da ciência porque não consegue
estabelecer com fundamento leis que estabelecem relações
determinantes ou probabilísticas entre eventos. Trata-se de um
tipo de pesquisa própria para a análise em profundidade
de fenômenos onde se pressupõe, ou se busca entender melhor,
a singularidade ou a subjetividade.
Palavras-Chave: Pesquisa Qualitativa, Metodologia
de Pesquisa, Epistemologia
Introdução
Sempre que se discute uma pesquisa científica, está se
optando por uma certa produção de conhecimento que atende
a determinados parâmetros ou exigências propostos por um
determinado grupo de pesquisadores. Um equívoco que geralmente
se comete é pressupor a existência de uma teoria epistemológica
única que fundamentaria a escolha dos métodos de investigação.
Em meio ao pensamento administrativo, a noção de ciência
mais difundida filia-se às escolas derivadas do empirismo. Mesmo
nesta tradição, há muitas escolas epistemológicas
concorrentes, como o empirismo lógico, o empirismo probabilista,
o empirismo crítico e o evolucionista. Em ruptura à tradição
empirista, temos inúmeras escolas de teoria do conhecimento,
como a fenomenológica (e seus desdobramentos) e a pragmática.
A idéia que o conhecimento científico é um tipo
de conhecimento verdadeiro, e que a aplicação da metodologia
científica conduz à obtenção da verdade,
é um mito de difícil sustentação se o leitor
se dispuser a analisar atentamente os pressupostos sobre os quais se
constrói uma dada teoria epistemológica.
O Que é Ciência?
Francis Bacon (1561-1626), ao redigir sua obra “Novum
Organum” lançou algumas das bases da ciência
moderna. Propôs que o estudo se voltasse à análise
da natureza, cujos resultados pudessem permitir uma acumulação
sistemática do conhecimento. Propôs o método indutivo
como o caminho para atingir este objetivo, através da experiência
escriturada, que compreendia a observação sistemática
e a realização de experimentos. O filósofo natural
deveria observar as condições em que um determinado fenômeno
ocorria (tábua de presença), as condições
em que ele não ocorria (tábua de ausência) e registrar
os diferentes graus de variação do fenômeno a fim
de descobrir possíveis correlações entre as variações
(tábua das graduações). Feitas as observações
o pesquisador procuraria estabelecer induções amplificadoras
(generalizações) extraindo o que existe de geral em uma
coleção de fenômenos e estendendo por analogia aos
demais nas mesmas condições. Em Bacon já temos
uma distinção entre ciência (fruto da experiência
humana) e especulação ou metafísica (fruto do raciocínio
calcado na “lógica vulgar” ou mesmo da revelação
divina).
Isaac Newton (1642-1727) abriu mão da análise teórica
calcada em uma autoridade (pelo menos formalmente) para analisar as
regularidades físicas, tendo por parâmetros comparativos
os modelos da álgebra. Uma frase famosa onde ele expõe
sua crítica ao emprego de hipóteses foi: “hypotheses
non fingo”. Ele possibilitou uma certa forma de se fazer
ciência, onde se procura o avanço do conhecimento através
da identificação de regularidades constatadas matematicamente
e por indução, ou, simplesmente, “leis naturais”.
Newton, portanto, adiciona as matemáticas ao método de
Bacon.
Uma das dificuldades que este procedimento gerava envolvia a sucessiva
complexificação das teorias explicativas dos fatos estudados,
o que poderia fazer com que os cientistas se perdessem no “perigo
da especulação” a partir das mesmas. Um filósofo
que deu uma contribuição histórica a este problema
foi David Hume (1711-1776), com sua famosa “investigação
acerca do conhecimento humano”. Ele defende a identificação
de nexos de causalidade dos fenômenos naturais (entendidos como
sucessões temporais entre dois fenômenos percebidos em
bases de uma vinculação necessária, ou seja, para
que o segundo aconteça é necessário que o primeiro
o anteceda) e toma como critério de verdade a possibilidade de
retorno das teorias às bases empíricas que as geraram
(fenômenos sensíveis), ou seja, às percepções
originais. Criticando o pensamento cartesiano, ele admite a lógica
dedutiva apenas para a matemática (porque consiste em relações
entre símbolos), considerando-a criadora de sofismas e ilusões
quando aplicada ao mundo natural, que necessariamente não se
comporta segundo a lógica.
Seu projeto de construção do conhecimento foi muito bem
sucedido no mundo das ocorrências físicas, e marcou uma
distinção entre as Físicas e as Metafísicas,
que gerou um certo desprezo nos meios acadêmicos por estas últimas.
Ele foi extremamente influente até o final do século XIX
e início do século XX, quando físicos como Albert
Einstein propuseram teorias que invalidavam a aplicação
das leis de Newton a territórios pouco conhecidos da Física,
como as partículas subatômicas, o que gerou uma desconfiança
na capacidade de generalização das conclusões obtidas
por estes métodos.
Grosso modo, temos então uma noção de ciência,
que seria um método de produção de conhecimento
verificável e acumulável, que estabelece nexos de causalidade
entre fenômenos, a partir da observação sistemática
e experimentação de fenômenos naturais com a finalidade
de identificarem-se, por generalização, regularidades
(leis) passíveis de descrição matemática.
Esta definição será quase que totalmente criticada
no século XX. Bachelard e Kuhn criticariam a cumulatividade do
conhecimento científico introduzindo conceitos como corte epistemológico
e mudança de paradigma, respectivamente. Carnap abriu mão
do conceito de verificabilidade, substituindo-o pelo de confirmabilidade.
Popper estenderia as críticas à indução
e à generalização, questionaria os fundamentos
epistemológicos do probabilismo e proporia a falseabilidade e
a falsificação, assim como a transitoriedade das teorias
científicas aceitas. Todos os autores citados tratam das chamadas
ciências naturais. Evitaremos o desenvolvimento destas contribuições
porque elas nos fazem perder a linha mestra do presente trabalho.
Há Diferentes Métodos?
Vimos desenvolvendo o presente raciocínio mostrando
que por detrás de um conceito aparentemente aceito de ciência,
entre seus próprios expoentes, há inúmeras discussões
que estão longe de poderem ser consideradas acessórias,
posto que se referem a elementos essenciais da noção empírico-formal
de ciência.
Podemos dizer que há diferentes métodos do conhecimento
científico? Apesar de a grande maioria dos autores acima defenderem
a teoria da ciência unificada, cada um buscando trazer para a
sua proposta as diretrizes “verdadeiras” do método
científico, podemos dizer que há uma variação
ainda mais acentuada em torno do conceito de ciência, especialmente
das ciências humanas e sociais, cuja questão discutirei
posteriormente.
Em meio aos livros de teoria do conhecimento e metodologia de pesquisa
científica, há diferentes classificações
de métodos concorrentes, que surgiram de bases de pensamento
epistemológico diversas (ou matrizes epistemológicas)
e que, mais que um exercício especulativo, passaram a orientar
pesquisadores e cientistas, consolidando-se em orientações
concorrentes de escolas, linhas de pesquisa e disciplinas.
Para fins de ilustração deste ponto de vista, passamos
a apresentar o referencial de ZILLES, que adotaremos neste trabalho
por sua simplicidade, mas há diversos outros como o de DE BRUYNE
ET AL. (1991).
ZILLES (1994) divide o conhecimento científico em três
grupos: o das ciências formais, o das ciências
empírico-formais e o das ciências hermenêuticas.
As ciências formais têm “relações entre
signos” como seu objeto de pesquisa, compreendem a matemática
e a lógica, são racionais e sistemáticas,
são verificáveis, no sentido da possibilidade do emprego
da dedução.
As ciências empírico-formais foram descritas no item anterior
e têm por objeto a realidade empiricamente apreensível
(natureza), podendo usar as ciências formais como seu instrumental.
As ciências hermenêuticas, por sua vez “são
ciências da interpretação. (...) A interpretação
procura evidenciar uma significação não imediatamente
aparente. A significação é uma relação
entre um signo e uma entidade pertencente ao mundo real ou ao mundo
ideal. Em resumo, as ciências hermenêuticas visam
a realidade humana enquanto apreensível, enquanto perceptível
na natureza transformada pela cultura. (...) visa à subjetividade,
suas intencionalidades. (...) trabalham essencialmente com
a categoria do sentido”. (ZILLES, 1994. p. 164)
A Fenomenologia de Edmund Husserl é uma das teorias que procura
fundamentar epistemologicamente este último conceito. Trataremos
dela de forma mais detida, mas antes passamos a discutir os pontos de
conflito entre as ciências naturais e as ciências humanas
e sociais.
O Problema do Método nas Ciências
Humanas e Sociais
Uma discussão também histórica em meio aos epistemologistas,
repousa na possibilidade de adoção dos métodos
do empirismo formal às chamadas ciências humanas e sociais.
Independente dos argumentos pró ou contra este projeto, qualquer
leitor desapaixonado considera razoável que a aplicação
destes métodos às ciências do homem pressupõe
a aceitação apriorística de que o ser humano é
explicável à partir de “leis” que
desvendam a sua “natureza”. Caso contrário, tratando-se
o homem como um ser portador de uma condição humana, ou
seja, dotado de livre arbítrio, capaz de construir sua própria
cultura e resignificar o mundo ao seu redor, não faz sentido
empregar-se um método que busca explicá-lo destituindo-o
de suas capacidades. Esta condição humana (termo que emprego
no sentido de delimitar o homem produtor de cultura e produzido por
ela, em distinção à natureza humana) seria incognoscível
por uma matriz epistemológica calcada no empirismo, não
sendo objeto passível do emprego dos métodos das ciências
naturais.
Após quase um século e meio de Psicologia concebida como
ciência humana, podemos acompanhar o desdobramento da aplicação
dos métodos das ciências naturais e sugerir que eles são
mais bem sucedidos quando o homem é visto como (ou reduzido a)
um ser orgânico. A pesquisa médica é um exemplo
de sucesso do emprego dos métodos naturais, mas nenhum médico
acreditaria, por exemplo, na existência de diferenças estruturais
e funcionais significativas entre dois corações humanos,
a menos que estivéssemos estudando patologias, ou seja, eles
trabalham com uma natureza do organismo humano.
As conclusões da Psicologia empírica, entretanto, se tornam
polêmicas e duvidosas quando se analisa o homem como um ser psíquico,
tendo algum poder explicativo quando descritivas, mas sendo incertas
quando preditivas. Parece-me que o ser psíquico é apenas
parcialmente determinado, ou seja, as regularidades que podemos identificar
a partir de sua pesquisa não seriam suficientes para uma compreensão
de sua dinâmica singular e são raramente passíveis
de generalização para pessoas educadas em culturas muito
diferentes entre si.
Um psiquiatra de renome parece ter chegado a conclusão semelhante
e talvez um pouco menos pessimista quando desenvolveu o seguinte pensamento:
"Uma das antinomias fundamentais é a proposição:
A psique depende do corpo, e o corpo depende da psique. (...) Chegamos
assim à formulação dialética, que no fundo
significa que a interação psíquica nada mais
é do que a relação de troca entre dois sistemas
psíquicos. Uma vez que a individualidade do sistema é
infinitamente variável, o resultado é uma variabilidade
infinita de afirmações de validade relativa. No entanto,
se individualidade fosse singularidade, isto é, se o indivíduo
fosse totalmente diferente de qualquer outro indivíduo, a psicologia
seria impossível enquanto ciência, isto é, ela
consistiria num caos inextricável de opiniões subjetivas.
Mas como a individualidade é apenas relativa, isto é,
apenas complementa a conformidade ou a semelhança entre os
homens, as afirmações de validade universal, ou seja,
as constatações científicas, tornam-se possíveis.
Conseqüentemente, estas afirmações podem referir-se
unicamente às partes do sistema psíquico conformes,
isto é, às que podem ser comparadas e, portanto apanhadas
estatisticamente, e não ao individual, ao único dentro
do sistema. A segunda antinomia fundamental da psicologia é
a seguinte: O individual não importa perante o genérico,
e o genérico não importa perante o individual. "
(JUNG, 1985. p. 2-3)
Muitos autores consagrados na literatura aceitam as
diferenças epistemológicas entre as ciências humanas
e sociais. Kirk e Miller apontam o seguinte:
“... “Objetividade,” também,
é um conceito ambíguo. Em um sentido, ele se refere
ao pressuposto heurístico, comum nas ciências naturais,
que tudo no universo pode, em princípio, ser explicado em termos
de causalidade. Nas ciências sociais, este pressuposto freqüentemente
parece perder o sentido, em razão do que, aquilo os cientistas
sociais tentam explicar é a conseqüência das escolhas
existenciais internas feitas pelas pessoas.” (KIRK
e MILLER, 1988. p. 10)
Este problema não é diferente nas ciências
administrativas, posto que têm por objeto as organizações
de trabalho constituídas por seres humanos. Se por um lado é
possível estabelecer regularidades que parecem ser universais
às relações de troca (lei de oferta e procura nas
ciências econômicas), da mesma forma temos as organizações
com suas singularidades (os transplantes de modelos administrativos,
por exemplo), gerando outputs diferentes daqueles que seriam
esperados por um certo modelo administrativo.
Podemos ver por que determinadas metodologias
qualitativas são tão difundidas nesta área do conhecimento,
como os estudos de caso, a despeito do desenvolvimento dos métodos
quantitativos e dos aparelhos de auxílio ao processamento de
informações. Quanto mais próximos dos fenômenos
culturais humanos, mais singulares se tornam os fenômenos em Administração
e, portanto, mais importante a compreensão das unidades. Quanto
maiores as possibilidades de tomada de decisões e as mudanças
no ambiente, menos preditivos se tornam os modelos administrativos,
que parecem ter validade circunscrita a determinados cenários.
Ao gerente, em um cenário turbulento, pode ser mais valioso deter
um repertório de construções compreensivas e capacidade
analítica (de preferência criativa) que conhecer prescrições
calcadas em modelos universais de funcionamento das organizações.
O emprego de ferramentas de finalidade prospectiva e situacional parece
ter se desenvolvido bastante na administração, com a finalidade
de dar suporte à tomada de decisões.
Como lidar com o conhecimento tendo em vista objetos possivelmente dotados
de singularidade? É aceitável renunciar ao desejo de conhecê-los
taxando-os de incognoscíveis, ou há formas de desenvolver
algum tipo de entendimento?
Dilthey (1833/1911) foi um dos filósofos alemães que defendeu
a idéia que as ciências humanas e sociais têm por
objeto uma realidade humana, histórica e social, criticando o
emprego isolado dos métodos das ciências naturais nesta
área. Ele considera fundamental a análise da compreensão
da experiência pessoal e da expressão do espírito
humano nesta área do conhecimento.
Dentre as escolas de pensamento epistemológico, passo a apresentar
uma das mais in fluntes e prolíficas para com este problema:
a Fenomenologia de Edmund Husserl.
O Que é Fenomenologia?
ZILLES (1994) fez uma síntese da evolução
dos conceitos de fenômeno em Filosofia, onde mostra haverem pelo
menos dois sentidos marcantes: o primeiro, mais amplo, significaria
“tudo o que aparece, se manifesta ou se revela”
e está conectado a tudo o que existe exteriormente, ou seja,
os fenômenos físicos. Kant, entretanto, notabilizou-se
ao distinguir o fenômeno da coisa em si (que denominou “noumenon”).
Para eles os fenômenos seriam os objetos da experiência,
e as “coisas em si” seriam “incognoscíveis
e transcendentes à experiência”.
Edmund Husserl (1859-1938) irá construir a Fenomenologia como
uma vertente crítica ao naturalismo vigente à sua época,
que insistia em negar a subjetividade para estudar os fatos naturais
como se fossem uma realidade única. Volta-se, portanto, ao mundo
interior dos homens, chamado transcendental¹, onde ser fará
a conexão possível entre as coisas em si e as idéias.
Husserl privilegia, portanto, o estudo da consciência que define
como uma instância psíquica que constitui significações,
seja ao apreender ou ao constituir os significados dos acontecimentos
naturais ou psíquicos.
A consciência é entendida pela Fenomenologia
de Husserl como sendo um “fluxo temporal de vivências”,
peculiar, porque é imanente, ou seja, capaz de dar sentido às
coisas e de apreender através da intuição aquilo
que é universal, já que ela capta a multiplicidade de
fatos e a sua essência comum. Outro aspecto importante da consciência
diz respeito à sua “intencionalidade”. Chauí
(1988) descreve a intencionalidade como “dirigir-se para,
visar alguma coisa”, o que a torna uma atividade constituída
de atos que visam a algo. “Toda consciência é
uma consciência de algo.” Husserl denomina a estes
atos, que podem ser perceptivos, imaginativos, especulativos, volitivos,
etc., com o termo noesis, e aquilo a que visam com
o termo noema. Os noemas estão presentes na
consciência sem serem partes dela.
Husserl distingue ainda dois níveis de noesis; o nível
empírico onde se identificam atos psicológicos
e individuais para conhecer um significado independente deles, e o nível
transcendental onde as noesis são atos do sujeito constituinte
que cria os noemas enquanto idealidades puras ou significações.
“A fenomenologia husserliana pretende
estudar, pois, não puramente o ser, nem puramente a representação
ou aparência do ser, mas o ser tal como se apresenta no próprio
fenômeno. E fenômeno é tudo aquilo de que podemos
ter consciência, de qualquer modo que seja.” (ZILLES,
1994. p. 125)
Outro conceito importante para o entendimento
da fenomenologia reside na dinâmica da relação entre
o fato e a consciência. Como já afirmamos acima, Husserl
trabalha com as intuições da consciência como sendo
os elementos constituintes do conhecimento. Elas, entretanto, só
constroem conhecimento à medida que são capazes de perceber
as essências, distinguindo diferentes possibilidades de representação
dos objetos.
“Dizemos que dois atos intuitivos possuem
a mesma essência quando as suas intuições puras
têm a mesma matéria. ...Todas as intuições
objetivamente completas de uma mesma matéria têm a mesma
essência.” (HUSSERL, 1988.
p. 78)
Uma vez aceita a premissa husserliana se pergunta
como fazer ciência, ou ainda, o que é ciência para
a fenomenologia. O critério de verdade em Husserl (1988, p. 94)
é definido como “a plena concordância entre o
visado e o dado como tal”, ou, como interpreta Chauí,
entre “o ato de conhecer e o seu correlato”. Isto
não significa que a verdade seja apenas uma verdade subjetiva,
no sentido de ser considerada apenas no recesso do pensamento de seu
criador, mas reflete a ordem das coisas.
A questão a que esta afirmação nos remete é:
como pode o agente do conhecimento distinguir as essências das
coisas e não ser iludido pelas aparências da realidade
exterior ou pelos conteúdos pré-existentes da sua consciência?
ZILLES e CHAUÍ identificam três condições
propostas por Husserl para a fundamentação de uma ciência
de rigor:
a) ausência de pressupostos:
ou seja, o pesquisador evitaria considerar o que já foi dito
por pensadores ou pela teoria, indo diretamente às coisas
mesmas, buscar suas essências. A epoqué consiste “em
nos abstermos por completo de julgar acerca das doutrinas de qualquer
filosofia anterior e em levar a cabo todas as nossas descrições
no âmbito desta abstenção”. (Husserl apud
Zilles, 1994. p. 128)
b) o caráter a priori: que significa desconfiar
dos dados empíricos para fundamentar-se em idealidades (“as
coisas mesmas”) da consciência transcendental, a única
capaz de captar as essências. Entende Husserl que a intuição
da essência é diferente da percepção
do fato. É fácil ilustrar este tipo de postulado quando
se observam ações de pessoas, que estão revestidas
de intencionalidades. A mera observação do resultado
da ação ou da ação em curso não
revela a intencionalidade do sujeito. O trabalhador que opera em
ritmo lento pode estar protestando contra a fábrica, estar
estressado, despido de conhecimento necessário para a realização
de sua atividade, disperso, preocupado com problemas de casa, ou
por uma infinidade de motivos.
c) evidência apodítica: seriam as
bases das construções dos juízos (aos moldes
do pensamento cartesiano). Seriam evidências “com ausência
total de dúvida”, cuja obtenção se dá
a partir das reduções fenomenológicas que Zilles
descreve da seguinte forma:
“Para chegar ao fenômeno puro, Husserl
suspende o juízo em relação à existência
do mundo exterior (transcendente). Descreve apenas o mundo como se
apresenta na consciência, ou seja, reduzido à consciência.
Tal suspensão ou colocação entre parênteses
chamou epoqué. Portanto, não duvida da existência
do mundo, mas simplesmente o põe “entre parênteses”
ou o idealiza ou o reduz ao fenômeno: a redução
fenomenológica. No fenômeno, por sua vez, procede a sucessivas
reduções em busca da essência: a redução
eidética. Assim entende a fenomenologia como análise
descritiva das vivências da consciência depuradas de seus
elementos empíricos para descobrir e apreender as essências
diretamente na intuição.”
(ZILLES, 1994. p. 130-131)
Não é de fácil entendimento a delimitação
da redução eidética como método. De Bruyne
(1991) entende, a partir de Merleau Ponty, que se o pesquisador imaginar
todas as relações implicadas por um fenômeno e o
fizermos variar, pela imaginação, tudo o que não
puder ser variado sem que o objeto desapareça é uma essência.
A Fenomenologia, apesar de se situar como uma ciência rigorosa,
não se acha descrita metodologicamente de forma prescritiva,
o que levou Martin Heiddegger, discípulo de Husserl a escrever
uma frase que ficou famosa: “compreender a Fenomenologia é
apreender suas possibilidades”. Como a fenomenologia fez
escola, alguns dos seus pesquisadores realizaram esforços de
apresentação compreensiva do método. Bruyn, por
exemplo, fez uma releitura do trabalho de Spigelberg, onde se identificam
sete “passos” do método fenomenológico, a
saber:
1. Investigar fenômenos particulares
2. Investigar essências gerais
3. Apreender as relações essenciais entre as essências
4. Observar os modos de aparecimento
5. Observar a constituição dos fenômenos na consciência
6. Suspender a crença na existência do fenômeno
7. Interpretar o significado do fenômeno. (BRUYN, 1970. p. 284)
Miles e Huberman (1994) tecem outra consideração
metodológica sobre o trabalho dos fenomenologistas. Eles afirmam
que os pesquisadores desta orientação freqüentemente
trabalham com transcrições de entrevistas e que são
cuidadosos na condensação deste material. Evitar-se-ia
o uso de codificação, mas trabalhar-se-ia fazendo releituras
continuadas nas fontes primárias com cuidados para com suas próprias
pressuposições para capturar-se a essência (o
lebenswelt do informante). Podemos adicionar que os discípulos
da fenomenologia empregam outros métodos que não a leitura
de entrevistas transcritas, utilizando também a observação
participante.
Parece-nos que a fenomenologia tem seu lugar nas ciências humanas
e sociais e que a tentativa de empregá-la como método
de análise de objetos próprios das ciências naturais
é infrutífero, posto que eles se acham despidos de intencionalidade
ou de consciência de si. Neste campo a aparência estaria
mais “próxima” das essências; os determinismos
são mais patentes e, por tal, os métodos empírico-formais
são mais produtivos, já que se focalizam na identificação
de regularidades e conseqüente construção teórica,
seja pela via da indução, seja pela do método hipotético-dedutivo.
Miles e Huberman situam a fenomenologia, a semiótica, o desconstrutivismo
estético, a etnometodologia e a hermenêutica em uma única
categoria de linhas de metodologia de pesquisa, denominada interpretativismo.
Eles consideram que apesar de suas diferentes ênfases e variações,
há uma linha comum de ação e compreensão.
O Que é Pesquisa Qualitativa?
Um bom número de autores entende a pesquisa qualitativa como
sendo uma pesquisa cujas variáveis não podem ser mensuradas
a nível intervalar ou de razão. PARASURAMAN (1986), por
exemplo, define-se nesta linha:
“Pesquisa qualitativa envolve coletar, analisar
e interpretar dados que não podem ser significativamente quantificados,
isto é, sumarizados em forma de números. Por esta razão
a pesquisa qualitativa é algumas vezes considerada como uma
pesquisa soft.” (PARASURAMAN, 1986. p.
240)
Sampson leva esta concepção às
suas conseqüências:
“A pesquisa qualitativa é usualmente
exploratória ou diagnóstica. Ela envolve um número
pequeno de pessoas que não estão amostradas em uma base
probabilística. Elas podem, contudo, serem selecionadas para
representar diferentes categorias de pessoas de um mercado-alvo ou
segmento da comunidade. Em pesquisa qualitativa nenhuma tentativa
é feita para obter conclusões rápidas e sólidas
(hard)” (SAMPSON, 1991. p. 29)
Estas visões estão associadas à
concepção empírico-formal de ciência. Outros
autores defendem uma definição um tanto diferente de pesquisa
qualitativa.
Kirk e Miller ampliam o conceito de pesquisa qualitativa dizendo que
ele pode ser visto a partir de duas óticas: a ótica da
“oposição à quantidade” e
a da tradição das ciências sociais que “fundamentalmente
dependem da observação de pessoas em seu próprio
território e interagindo com elas em sua própria linguagem,
em seus próprios termos”. Eles consideram a primeira
definição limitada e se posicionam da seguinte forma:
“A partir da nossa visão pragmática,
a pesquisa qualitativa implica em um comprometimento com atividades
de campo. Não implica em um comprometimento com a “inumeração”.
A pesquisa qualitativa é um fenômeno empírico,
socialmente localizado, definido pela sua própria história,
não apenas um “saco de gatos” que compreende todas
as coisas que não são quantitativas.” (KIRK
e MILLER, 1988. p. 10)
Eles adotam uma posição epistemológica
interessante. Se por um lado não crêem que o mundo externo
determina absolutamente a única e correta forma visão
que se pode ter dele (positivismo) pelo outro lado criticam
a posição oposta e extrema de que é possível
encontrar explicações alternativas para tudo e com isto
desistir de fazer qualquer esforço de escolha entre elas (relativismo).
Recordam-nos de que há um outro lado da objetividade: a de que
o mundo externo existe, apesar de tudo (realismo).
Posição semelhante é a de Miles e Huberman (1994)
que se definem como “realistas transcendentais”
por acreditarem que o fenômeno social não existe apenas
na mente, mas também no mundo objetivo e que algumas relações
estáveis podem ser encontradas entre eles.
Glazer e Strauss (1970) criticam a concepção empirista-formal
da teoria científica, como a concepção de Sampson
apresentada acima, e defendem que a pesquisa qualitativa não
é uma preliminar da pesquisa quantitativa, mas que pode ser a
base da formulação e descoberta de “teoria substantiva”.
Os métodos clínicos têm sido a base de inúmeras
teorias em Psicologia. A psicanálise e a epistemologia genética
de Jean Piaget são exemplos de teorias que se tornaram globalmente
difundidas. Nas ciências sociais, a etnometodologia e o interacionismo
simbólico têm sido construídos a partir dos métodos
qualitativos, quase que exclusivamente.
Em um outro extremo temos a definição de um cientista
social, Cicourel (1969), que seria considerado relativista por Miles
e Huberman, já que ele considera semelhantes o dogma religioso
e a ciência, considerando-os ao mesmo tempo como corpos de conhecimento
e ideologias, já que ambos possuem “seus próprios
pressupostos teóricos, métodos e regras para admitir proposições
para o seu respectivo corpo de conhecimento”. Ele entende
que “o mundo dos “observáveis” não
está simplesmente “lá fora” para
ser descrito e medido com os sistemas de mensuração da
ciência moderna, mas o curso dos eventos históricos e das
ideologias de uma dada era pode influenciar o que está “lá
fora” e como estes objetos e eventos devem ser percebidos,
avaliados, descritos e medidos”. (CICOUREL, 1969. p. 38). Com
base nesta perspectiva, ele evita a análise de métodos
pela via da distinção entre sistemas científicos
e metafísicos, ou se representam ideologias particulares, mas
considera-os todos como meios de obter conhecimento sobre o mundo social.
Ely et al. (1996) também definem a pesquisa qualitativa de uma
perspectiva diferente, que não pode ser considerada relativista
como a de Cicourel, mas fenomenológica. Estas autoras consideram
pouco compreensivo definir o termo “pesquisa qualitativa”,
sendo melhor analisar características comuns de seus métodos.
Elas identificam cinco características que consideram comuns
a todo tipo de pesquisa qualitativa:
1. Os eventos só podem ser entendidos adequadamente
se eles são vistos no contexto. Por isto, o pesquisador qualitativo
imerge-se no “setting”.
2. Os contextos de questionamento não são
planejados, eles são naturais. Nada é predefinido ou
suposto.
3. Os pesquisadores qualitativos querem que aqueles
que são estudados falem por si mesmos, para que forneçam
suas perspectivas em palavras e outras ações. Conseqüentemente,
a pesquisa qualitativa é um processo interativo no qual as
pessoas estudadas ensinam ao pesquisador sobre suas vidas.
4. Os pesquisadores qualitativos presenciam a experiência
como um todo, não como variáveis separadas. O objetivo
da pesquisa qualitativa é compreender a experiência de
forma global².
5. Os métodos qualitativos são apropriados
às afirmações acima. Não há um
método geral.
6. Para muitos pesquisadores qualitativos, o
processo em seu curso fornece uma avaliação do que foi
estudado”. (ELY et al., 1996. p.
4)
As autoras sintetizam bem em seu texto as diretrizes
interpretacionistas para a pesquisa qualitativa, mas certamente não
compreendem com elas o tipo de investigação realizado
por cientistas como Parasuraman. Isto nos conduz às considerações
finais deste despretensioso trabalho.
¹ ZILLES (1994) mostra a distinção
que o pensador austríaco faz entre o transcendental e o transcendente.
Enquanto o primeiro é fruto da consciência, o último
termo é empregado referindo-se ao mundo exterior.
² “..to understand experience as unified.”
A Pesquisa Qualitativa entre a Matriz
Hermenêutico-Fenomenológica e a Matriz Empírico-Formal
Não foi difícil mostrar que em meio
aos chamados cientistas humanos e sociais, incluindo-se aí os
que laboram no campo da administração, há uma multiplicidade
de concepções de ciência. Selecionamos duas orientações,
seguindo a proposta de Zilles, que designamos como “matrizes”,
posto que não se trata de aplicar um método para uma disciplina
(como a física) e outro para outra (como a medicina). Trata-se
de entender que mesmo dentro de uma dada disciplina, especialmente aquelas
cujo objeto se acha em clara interação com o homem e sua
cultura, é-se passível de aplicar métodos de pesquisa
qualitativa com bases fenomenológico-hermenêuticas ou com
bases empírico-formais.
Geralmente, quando se usa o conceito “pesquisa qualitativa”
está se dizendo “pesquisa não-quantitativa”,
ou seja, que por algum motivo não construiu suas conclusões
a partir da análise matemática das suas variáveis,
que por sua vez não foram mensuradas a nível intervalar
ou de razão. Sempre que se define assim, está se dizendo
que se aceita a matriz empírico-formal como referência
epistemológica (única) para a construção
do conhecimento, que se está procedendo segundo as suas prescrições
metodológicas mas que se reconhece uma limitação
da pesquisa: seja o desconhecimento teórico do fenômeno
específico (ausência de variáveis conhecidas) que
demanda uma pesquisa exploratória, seja a desconfiança
da capacidade de um modelo teórico aceito explicar corretamente
um fenômeno, seja a impossibilidade de se mensurar um número
significativo de variáveis a nível nominal, tudo isto
justificaria o emprego da pesquisa qualitativa como uma préetapa
ou uma etapa confirmatória do desenvolvimento teórico
(uma teoria de regularidades).
Considerando-se a matriz hermenêutico-fenomenológica, entretanto,
o termo pesquisa qualitativa assume uma dimensão totalmente diferente
diante da construção teórica. Aqui se parte da
crítica da metodologia empírico-formal como incapaz de
construir teorias válidas, especialmente com relação
a fenômenos que pressupõe a subjetividade ou ação
subjetiva e intencional dos atores sociais. Neste cenário, não
se buscam regularidades, mas sim a compreensão das opções
dos agentes, daquilo que os levou singularmente a agir como agiram.
Só é possível esta empreitada ouvindo os sujeitos
a partir de sua lógica e exposição de razões.
Quando muito, pode-se identificar crenças compartilhadas mais
ou menos por grupos sociais, ou seja, cultura, sem pressupor que ela
seja uma categoria estática no tempo e no espaço, mas
uma categoria analítica em permanente transformação.
Desta forma, a análise da linguagem (ou análise do discurso)
parece ser mais produtiva que a análise matemática.
Na matriz empírico-formal, tem-se a análise a partir de
objetos, mesmo que estes sejam produções ideológicas
de uma pessoa ou grupo social. Isto leva seus críticos a atentarem
para o fenômeno da reificação, que neste sentido
seria a transformação em objeto daquilo que não
o é.
Na matriz fenomenológico-hermenêutica tem-se a análise
a partir da percepção do sentido das produções
do sujeito, em busca de essências e de compreensão, através
da intersubjetividade, o que leva seus críticos a atentarem para
o fenômeno da subjetividade, no sentido de uma certa arbitrariedade
do pesquisador na construção de suas teorias, assim como
de uma dificuldade de verificação ou falsificação
destas.
Entendemos que os dois métodos produzem conhecimento, mas cabe
ao pesquisador senso crítico e clareza sobre seus objetos e objetivos,
assim como a explicitação suficiente das matrizes epistemológicas
que estão em uso a fim de não se perder em sua pesquisa
e se fazer compreendido por seus pares. Concluímos também
que a medida em que objetividade e subjetividade se entrecruzam no objeto
de pesquisa, torna-se mais complexo fazer escolhas metodológicas.
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Paulo: Nova Cultural, 1987.
ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1994.
Destaques
"...a pesquisa qualitativa não é uma pesquisa para
a qual não se teve fôlego para estudar um número
suficiente de eventos que permitam generalização, nem
está às voltas com um tipo de objeto que permite apenas
uma mensuração não-métrica e muito menos
é uma abordagem menor da ciência porque não consegue
estabelecer com fundamento leis que estabelecem relações
determinantes ou probabilísticas entre eventos. Trata-se de um
tipo de pesquisa própria para a análise em profundidade
de fenômenos onde se pressupõe, ou se busca entender melhor,
a singularidade ou a subjetividade."
A idéia que o conhecimento científico é um tipo
de conhecimento verdadeiro, e que a aplicação da metodologia
científica conduz à obtenção da verdade,
é um mito de difícil sustentação se o leitor
se dispuser a analisar atentamente os pressupostos sobre os quais se
constrói uma dada teoria epistemológica.
Grosso modo, temos então uma noção de ciência,
que seria um método de produção de conhecimento
verificável e acumulável, que estabelece nexos de causalidade
entre fenômenos, a partir da observação sistemática
e experimentação de fenômenos naturais com a finalidade
de identificarem-se, por generalização, regularidades
(leis) passíveis de descrição matemática.
Este problema não é diferente nas ciências administrativas,
posto que têm por objeto as organizações de trabalho
constituídas por seres humanos. Se por um lado é possível
estabelecer regularidades que parecem ser universais às relações
de troca (lei de oferta e procura nas ciências econômicas),
da mesma forma temos as organizações com suas singularidades
(os transplantes de modelos administrativos, por exemplo), gerando outputs
diferentes daqueles que seriam esperados por um certo modelo administrativo.
Neste cenário, não se buscam regularidades, mas sim a
compreensão das opções dos agentes, daquilo que
os levou singularmente a agir como agiram. Só é possível
esta empreitada ouvindo os sujeitos a partir de sua lógica e
exposição de razões. Quando muito, pode-se identificar
crenças compartilhadas mais ou menos por grupos sociais, ou seja,
cultura, sem pressupor que ela seja uma categoria estática no
tempo e no espaço, mas uma categoria analítica em permanente
transformação.
Pesquisa Qualitativa Entre a Fenomenologia e o Empirismo-Formal
Jáder dos Reis Sampaio
Professor assistente da Universidade Federal de Minas Gerais. Psicólogo
formado pela UFMG, Especialista em
Psicologia do Trabalho pela Universidade de Brasília
- UnB, Mestre em Administração pela UFMG e Doutorando
em Administração pela Universidade de São Paulo
- USP.
Artigo publicado originalmente na Revista de Administração
da Universidade de São Paulo
[SAMPAIO, Jáder dos Reis. A pesquisa qualitativa
entre a fenomenologia e o empirismo formal.
Revista de Administração. São Paulo, v. 36, n.
2, p.16-24, abr/jun 200
História & Pesquisa
Seção em parceria com a "Liga
de Historiadores e Pesquisadores Espíritas" Comitê
Editorial da LIHPE)
Autor: Jáder dos Reis Sampaio
País: Brasil
Boletim GEAE
Grupo de Estudos Avançados Espíritas
http://www.geae.inf.br
Ano 12 - Números 480 à 483 - 2004
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