Na própria essência de nosso esforço
de
compreensão está o fato, de, por um lado,
tentar englobar a grande e complexa variedade
das experiências humanas, e de, por outro lado,
procurar a simplicidade e a economia nas hipóteses básicas.
- ALBERT EINSTEIN
Há tempos que estamos pensando em fazer um estudo específico
sobre os acontecimentos no Monte Sinai, mas acabávamos sendo
envolvidos por outros assuntos, por isso, esse foi sendo postergado.
Entretanto, essa idéia ainda nos persegue. Vejamos, então,
o que poderemos fazer.
Primeiramente, devemos dizer porque tal idéia
surgiu. Como sempre estamos lendo textos da Bíblia, em certa
oportunidade deparamos com um que afirmava que as "Leis
do Sinai" haviam sido promulgadas pelos anjos. Isso nos
despertou a curiosidade, pois, até então, sabíamos
que Deus pessoalmente teria passado essas leis a Moisés.
Mas, antes de entrar no assunto, vejamos o seguinte
relato a respeito dos fenômenos ocorridos naquela ocasião:
"Três dias depois, pela manhã,
houve trovões e relâmpagos e uma nuvem espessa desceu sobre
a montanha, enquanto o toque da trombeta soava fortemente. O povo que
estava no acampamento começou a tremer. Então Moisés
tirou o povo do acampamento para receber Deus. E eles se colocaram ao
pé da montanha. Toda a montanha do Sinai fumegava, porque Javé
tinha descido sobre ela no fogo; a fumaça subia, como fumaça
de fornalha. E a montanha toda estremecia. O som da trombeta aumentava
cada vez mais, enquanto Moisés falava e Deus lhe respondia com
o trovão. Javé desceu no topo da montanha do Sinai e chamou
Moisés lá para o alto". (Ex
19,16-20).
Chamamos sua atenção, caro leitor, para
"trovões, relâmpagos, nuvem espessa, o Sinai fumegava,
o fogo, a montanha toda estremecia" coisas que, presumimos, estariam
bem próximas de uma ocorrência natural, tipo vulcânica.
Essa região, que faz parte da placa tectônica Africana,
fica bem próxima dos limites das placas da Grécia e da
Arábica, e, como sabemos, é no encontro dessas placas
que ocorrem as manifestações vulcânicas. Se nessa
região esses fenômenos não acontecem nos dias de
hoje, poderia muito bem ter acontecido naquela ocasião uma vez
que a mesma possui as condições geológicas para
tal e, por outro lado, a própria narrativa nos leva a acreditar
nisso.
E, como naquela época o nível de conhecimentos
desses fenômenos da natureza eram completamente nulos, deviam
ficar mesmo apavorados com essas ocorrências. Algumas delas julgavam
ser a manifestação da ira de Deus, uma vez que tais coisas
aconteciam no céu, local onde pressupunham ser a morada de Deus.
"... enquanto Moisés falava e Deus lhe respondia com o trovão",
fica aí a comprovação da ignorância dos fenômenos,
que são de ordem natural, mas naquele tempo eram considerados
como sobrenaturais.
Na seqüência da narrativa, é que Moisés
recebe os Dez Mandamentos: "Quando Javé terminou de
falar com Moisés no monte Sinai, entregou-lhe as duas tábuas
da aliança; eram tábuas de pedra, escritas pelo dedo de
Deus". (Ex
31, 18), tábuas onde estavam escritos.
Até aqui as coisas não estavam tão
complicadas, a não ser pelos fenômenos ocorridos no monte
Sinai, em tudo acreditávamos sem qualquer conflito. Entretanto,
inesperadamente, as coisas "estremeceram", depois de lermos
no livro Atos dos Apóstolos: "Foi ele [Moisés],
na assembléia do deserto, quem serviu de intermediário
entre o anjo que lhe falava no monte Sinai e os nossos
pais. Ele recebeu as palavras de vida, para transmiti-las a nós".
(At 7,38).
A narrativa diz "o anjo"
e, pela concepção da época, isso significava que
o próprio Deus teria se manifestado, entretanto, nessa passagem,
segundo o que pensamos, não seria essa a idéia a prevalecer.
Um pouco antes, está narrado: "Quarenta anos depois,
apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo na chama
de uma sarça que ardia" (At 7,30) e, posteriormente,
no versículo 53 se dirá anjos, fugindo, portanto, do conceito
tradicional. E, se não estivermos enganados, em At 7,38 deveria
estar "um anjo", ao invés de "o
anjo", já que, no primeiro caso, seria o artigo
indefinido ficando, portanto, condizente com At
7,30.
Em outras oportunidades encontramos a confirmação
de que as leis foram passadas pelos anjos, no plural mesmo, indicando
terem sido mais de um. Concluímos que, é bem provável,
seja essa a realidade, pois não concebemos o próprio Deus,
criador do Universo infinito, vir pessoalmente entrar em contato com
os seres humanos, uma vez que usaria para isso os seus mensageiros ou
anjos, pois "não são todos eles espíritos
encarregados para um serviço, enviados para servir àqueles
que deverão herdar a salvação?"
(Hb 1,14). Vejamos, então, as seguintes passagens:
"Vocês receberam a Lei, promulgada
através dos anjos, e não a observaram!"
(At 7,53).
"Então, por que é que foi dada
a Lei? Ela foi acrescentada para mostrar as transgressões, até
a chegada do descendente, em vista do qual foi feita a promessa.
A Lei foi promulgada pelos anjos e um homem serviu de intermediário".
(Gl 3,19).
"De fato, se a palavra transmitida
por meio dos anjos se mostrou válida, e toda transgressão
e desobediência recebeu um justo castigo,...". (Hb
2,2).
Assim, na própria Bíblia, encontramos
elementos que nos levam à conclusão de que não
foi realmente Deus que esteve no monte Sinai. Pelo próprio conteúdo
dessas leis já questionávamos sobre isso. Nos é
passado o nono mandamento como "não cobiçar a
mulher do próximo", mas duas coisas nós podemos
colocar sobre ele. Primeiro, Deus jamais diria um absurdo desse, pois
se trata, com certeza, de produto de uma sociedade altamente machista,
e, partindo do pressuposto de que o que não é proibido
é permitido, diríamos que a mulher poderá cobiçar
o marido da outra sem nenhum problema. O segundo, é que apesar
de sempre o colocarem dessa forma, na verdade, esse mandamento é
mais abrangente: "Não cobice a casa do seu próximo,
nem a mulher do próximo, nem o escravo, nem
a escrava, nem o boi, nem o jumento, nem coisa alguma que pertença
ao seu próximo". (Ex 20,17).
Isto posto, iremos concordar com o pensamento do escritor Hélio
Pinto que diz que os Dez Mandamentos na realidade são nove. No
texto bíblico a mulher é colocada como propriedade do
homem, coisa que naquela época era normal, não nos dias
de hoje. E, além desse novo absurdo, podemos ainda dizer que
uma Lei, para ser de origem divina, deve ser, acima de tudo "atemporal",
ou seja, serve para todos os tempos, também deve servir para
todos os povos, o que não ocorre como se encontra escrita na
passagem em relação a escravo, boi ou jumento, pois eram
coisas de muito valor na época, já que, por exemplo, o
jumento era instrumento de transporte, hoje temos os automóveis,
ter bois significava ser alguém de posses, e quanto aos escravos,
nos tempos atuais, dá até cadeia para quem escravizar
alguém.
Nossa surpresa maior foi quando nos deparamos com a
seguinte afirmativa: "Os babilônios desenvolveram as leis
morais mais tarde incorporadas por Moisés nos Dez Mandamentos
e que ainda hoje constituem os alicerces do cristianismo".
(LOON, 1981). Mas será que é isso mesmo? Entretanto,
pesquisas posteriores acabaram por nos revelar a verdade.
Kersten, nos passa a seguinte informação:
"Moisés continua a ser considerado um grande legislador,
porém, é fato sabido que os Dez Mandamentos nada mais
eram que o resumo de leis que vigoraram entre povos do Oriente Próximo
e da Índia, muito antes do nascimento de Moisés e que
eram comuns também na Babilônia, já há 700
anos. A famosa lei do rei babilônico de Hamurabi (728-1686 a.C.),
inspirada no Rig-Veda dos hindus, já continha todos os dez mandamentos".
(Jesus viveu na Índia, pág. 56).
Vejamos a correlação de algumas
leis:
| Leis Mosaicas |
Código de Hamurabi |
Não tenha relações sexuais com sua mãe.
Ela é de seu pai, e é sua mãe; não tenha
relações sexuais com ela. (Lv 18, 7).
|
Se alguém for culpado de incesto com sua mãe depois
de seu pai, ambos deverão ser queimados.
|
| Se alguém ferir o seu próximo, deverá ser
feito para ele aquilo que ele fez para o outro:
fratura por fratura,
olho por olho,
dente por dente.
A pessoa sofrerá o mesmo dano que tiver causado a outro:
(Lv 24, 29-20).
|
Se um homem quebrar o osso de outro homem, o primeiro
terá também o seu osso quebrado.
Se homem arrancar o olho de outro homem, o olho do primeiro deverá
ser arrancado (olho por olho).
Se um homem quebrar o dente de um seu igual, o dente deste homem
também deverá ser quebrado (dente por dente).
|
Os juízes deverão fazer cuidadosa investigação.
Se a testemunha for falsa e tiver caluniado o seu irmão,
então vocês a tratarão do mesmo modo como ela
própria maquinava tratar o seu próximo. Desse modo,
você eliminará o mal do seu meio. (Dt 19, 18).
|
Se alguém "apontar o dedo" (enganar)
a irmã de um deus ou a esposa de outro alguém e não
puder provar o que disse, esta pessoa deve ser levada frente aos
juízes e sua sobrancelha deverá ser marcada.
|
Se um homem for pego em flagrante tendo relações
sexuais com uma mulher casada, ambos serão mortos, tanto
o homem como a mulher. Desse modo, você eliminará o
mal de Israel. (Dt 22, 22).
|
Se a esposa de alguém for surpreendida em
flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro
d’água, mas o marido pode perdoar a sua esposa, assim
como o rei perdoa a seus escravos.
|
Isso já tinha desestruturado todas as nossas convicções
a respeito do assunto, não precisava de mais nada, entretanto
mais um livro chegou às nossas mãos. Foi a gota d’água
que veio, por definitivo, mudar conceitos antigos. que aprendemos como
se fossem verdades absolutas.
Desta vez o autor foi Werner Keller,
que, no seu livro "e a Bíblia tinha razão..."
demonstrou, de forma categórica, tudo quanto já tínhamos
visto anteriormente. Vejamos suas colocações (págs.
157-160):
"Era perfeitamente possível concluir pela
singularidade das leis morais, dadas por Deus ao povo de Israel, sem
modelo nem paralelo no antigo Oriente, antes da descoberta dos elementos,
indicando clara e inequivocamente que, precisamente em um dos seus trechos
de maior relevo, ou seja, os Dez Mandamentos e demais leis promulgadas
para Israel, a Bíblia não está sozinha, pois sobretudo
ali ela se revela como imbuída do espírito do antigo Oriente.
Assim, os Dez Mandamentos representam uma espécie de ‘documento
de aliança’, ou a ‘lei básica’ da aliança
entre Israel e seu Deus. Em absoluto, não surpreende o fato de
corresponder, perfeitamente, aos acordos de vassalagem, celebrados no
antigo Oriente, para regulamentar os vínculos entre um soberano
e os reis vassalos, por ele instituídos para governar os povos
subjugados. Os textos desses contratos de vassalagem sempre começavam
citando o nome, título e os méritos do respectivo ‘grão-rei’.
Correspondentemente, a Bíblia reza: ‘Eu sou o Senhor
teu Deus, que te tirei do Egito, da casa da servidão’
(Êxodo 20.2). Logo, também,
ali cita-se primeiro o nome (a palavra ‘Senhor",
segundo a praxe bíblica, substituindo o nome verdadeiro de Jeová,
cujo pronunciar era proibido), o título (‘Deus")
e o mérito decisivo (‘que te tirei da terra do Egito’)
do grão-rei; só que, neste caso específico, tratava-se
do divino ‘grão-rei’ de Israel, do Deus da aliança.
Ademais, os vassalos eram proibidos de estabelecer relações
com soberanos estrangeiros. A isso corresponde o mandamento ‘Não
terás outros deuses diante de Mim’ (êxodo
20.3). A forma imperativa de ‘tu deves’, ‘tu
não deves’ está sempre presente nos acordos entre
um grão-rei e seus vassalos; portanto, ao contrário do
que supõem alguns cientistas, ela absolutamente não se
restringe aos Dez Mandamentos bíblicos. Por
exemplo, um daqueles tratados de vassalagem reza: ‘Não
cobiçarás nenhuma região do país de Hatti’,
conquanto a Bíblia diga: ‘Não cobiçarás
a casa do teu próximo...’ (Êxodo
20.17). Foram apuradas ainda outras concordâncias, como
as referentes à guarda das tábuas como os mandamentos
na arca da aliança (as cópias dos contratos de vassalagem
também eram guardadas no interior do santuário), bem como
à selagem dos contratos, respectivamente, dos mandamentos, com
bênção e maldições, pois também
Moisés falou (Deuteronômio 11.26
a 28): ‘Eis que eu ponho hoje diante dos vossos olhos a
benção e a maldição; a benção,
se observardes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu hoje vos
prescrevo; a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos
do Senhor vosso Deus, mas vos apartardes do caminho que eu hoje vos
mostro...’ Aliás, o renomado cientista católico,
pesquisador de Bíblia, Roland de Vaux, já
mencionado por várias vezes, encontrou em diversos acordos de
vassalagem hititas a disposição de ler, em intervalos
regulares, o texto do acordo, as leis bíblicas deveriam ser lidas
em público, pois ‘todos os sete anos, no ano da remissão,
na solenidade dos tabernáculos, quando todos os filhos de Israel
se juntarem para aparecer diante do Senhor teu Deus... lerás
as palavras desta lei diante de todo o Israel, o qual ouvirá...
para que, ouvindo, aprendam e temam o Senhor vosso Deus, e guardem e
cumpram todas as palavras desta lei’ (Deuteronômio
31.1, 10 a 12)".
"Tudo isso refere-se somente à forma externa
dos Dez Mandamentos. No entanto, o que há em relação
ao seu conteúdo espiritual? Tampouco, quanto a isso, faltam paralelos.
Assim, na Assíria, um sacerdote, ao exorcizar os ‘demônios’
de um doente, teve de perguntar: ‘Será que ele (o doente)
ofendeu um deus? Menosprezou uma deusa?... Menosprezou seu pai e sua
mãe? Menosprezou a irmã mais velha?... Teria ele falado
‘não é assim, ao invés de ‘é
assim" (ou vice-versa)? ... Teria ele feito pesagem falsa? Invadido
a casa do seu próximo? Ter-se-ia aproximado demasiadamente da
mulher do seu próximo? Teria vertido o sangue do seu próximo?...".
"Por fim, seguem-se ainda alguns exemplos, tirados
do chamado ‘ensinamento de Amenemope’, em uso no antigo
Egito":
‘Não retirarás a pedra demarcando
os limites do campo e não alterarás a linha, seguida pela
fita do metro; não cobiçarás nem um côvado
de terra e não derrubarás a demarcação das
terras de uma viúva’.
‘Não cobiçarás a propriedade
de um homem de posses modestas e não terás fome do seu
pão’.
‘Não regularás a balança
de maneira errada, não adulterarás os pesos e não
diminuirás as peças da medida dos cereais’.
‘Não farás a desgraça de
ninguém perante o tribunal e não corromperás a
justiça’.
‘Não darás risada de um cego, não
farás troça de um anão e não desfarás
os planos de um paralítico’.
"Da mesma forma, o ‘exemplo clássico’
que hoje em dia costuma ser citado pelos pesquisadores da Bíblia
é a chamada ‘confissão negativa’, mencionada
na introdução ao centésimo vigésimo quinto
capítulo do Livro dos Mortos. No antigo Egito era crença
que o defunto ingressaria em uma ‘sala de justiça’,
onde, perante quarenta e dois juízes dos mortos, deveria fazer
as seguintes declarações":
‘Não fiz adoecer ninguém.
Não fiz chorar ninguém.
Não matei ninguém.
Não fiz mal a ninguém.
Não diminuí os alimentos nos templos.
Não maculei os pães oferecidos aos deuses.
Não roubei os pães destinados aos mortos,
como oferendas fúnebres.
Não tive relações sexuais (proibidas).
Não tive relações sexuais contrárias
à natureza’.
"E assim por diante".
"Em outra parte veremos ainda que, graças
às pesquisas mais recentes, hoje em dia já se tornou bem
menos acentuada a diferença, outrora gritante, entre conceitos:
‘Aqui, a sublime fé monoteísta – ali, a multidade
bizarra de deidades’. Em certa época, pelos menos nos tempos
primitivos, aquela multidade de deidades existiu, inclusive em Israel,
conquanto a idéia da grandiosidade de figuras divinas, reais,
fosse divulgada igualmente nas crenças religiosas de outros povos,
habitando as imediações da Terra Santa. Da mesma forma,
cumpre fazer constar que também alhures houve moralidade; além
das fronteiras de Israel, o povo era igualmente responsável,
tinha modos, observava os preceitos da lei, ordem, ética e moral,
e também ali as normas regendo o comportamento humano encontravam
uma expressão que, tanto no espírito quanto na letra,
correspondia perfeitamente aos regulamentos sagrados vigentes em Israel.
E, mais uma vez, a Bíblia tem razão, no sentido de que,
nos seus textos jurídicos, cuja peça principal são
os Dez Mandamentos, ela nos transmite um trecho pertinente, comprovado
por respectivos paralelos na história cultural e moral do antigo
Oriente. O quadro assim constituído, e de modo a dificultar que
fosse mantida a outrora levantada pretensão da singularidade
das leis bíblicas, talvez confunda e intrigue a mente de algumas
pessoas. Lamentavelmente, não há condições
de eliminar tal confusão e insegurança. No entanto, hoje
em dia, a confirmação extrabíblica dos respectivos
textos bíblicos revela o relacionamento de Israel com seu ambiente
cultural e histórico, bem como suas máximas, de uma maneira
bastante mais clara e precisa do que antes...".
Foi aqui, finalmente, que jogamos, de vez, "a tolha
no chão", vamos assim dizer, não resistindo aos inapeláveis
argumentos históricos desenvolvidos por Keller.
Pode ser que eventualmente isso venha a chocar a muitos,
entretanto, muitas vezes acontece isso mesmo, quando ficamos sabendo
da verdade. Alguns, com certeza nos chamarão de heréticos,
como se isso fosse mudar os fatos. Além de que, se o somos, estaríamos
muito bem acompanhados, pois Jesus foi também herético
no seu tempo. Outros, talvez, dirão que estamos possuídos
por satanás, a estes pedimos estudar mais a história,
pois irão ver que esse ser foi incorporado, na Bíblia,
por influência da cultura persa, pela doutrina de Zoroastro.
Deveríamos fazer um estudo mais aprofundado desses
assuntos bíblicos, demonstrando, por separação,
a realidade da fantasia, sob pena de, no futuro, ninguém mais
vai dar valor algum a ela. Pelos estudos que temos feito da Bíblia
a conclusão que inevitavelmente estamos chegando é que
apesar dela ter sido imposta como sendo "a palavra de Deus"
ela é sim um livro histórico, em que também se
encontra registrados os conceitos religiosos do povo hebreu, muitas
vezes, cheios de superstições, misturadas com mitologia,
lendas e conceitos pagãos, daí a necessidade de seu estudo
sem preconceitos. Ressalva faremos apenas ao Evangelho de Jesus.
Mas, apesar disso tudo, ainda poderemos aceitar que
os Dez Mandamentos são realmente de inspiração
divina. Entretanto, teremos que identificar quem foi o "Moisés"
que antes os recebeu.
Jan/2004
Referência bibliográfica:
KELLER, Werner, e a Bíblia tinha razão...,
22ª ed., Melhoramentos, São Paulo, 2000.
KERSTEN, Holger, Jesus Viveu na Índia, 15ª
ed., Best Seller, São Paulo, 1988.
LOON, Hendrik W.V., A História da Bíblia,
s.ed., Cultriz, São Paulo, 1981.
STOMIOLO, Ivo e BALANCIN, Euclides. M., Bíblia
Sagrada -Edição Pastoral, Paulus, São Paulo, 1991.
VESENTINI, J. W, e VLACH, V, Geografia Crítica,
vol. 1, Ática, São Paulo, 13ª edição.
Internet: http://www.unificado.com.br/historia/codigo_hamurabi.htm
http://www.apologiaespirita.org/index.htm
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