Acompanhemos o seguinte diálogo:
- Por favor, Dr. Odilon – solicitou Paulino -,
esmiúce mais a questão de estarmos 50 anos à frente
de nossos irmãos encarnados... Que exemplo prático o senhor
poderia nos dar neste sentido?
- A tecnologia ligada à computação...
Se os nossos irmãos estudarem detidamente o assunto, concluirão
pela realidade da Reencarnação.
- Como assim?...
- É simples – esclareceu o Instrutor -:
veja-se a facilidade com que as crianças aprendem a lidar com
toda espécie de engenho eletrônico, principalmente com
o computador... Ora, a memória não é genética
e, portanto, não é hereditária. Os filhos não
poderiam ter herdado de seus pais nenhuma habilidade neste sentido.
Onde foi, então, que adquiriram cérebro para tanto? Nas
vidas pretéritas? É evidente que não, pois o computador
é conquista recente no mundo.
- O desembaraço das crianças é
notável!... – exclamou Paulino.
- E o dos adultos é deplorável!... –
emendei, fazendo-se sorrir. – Lembro-me da dificuldade que eu
tinha com um simples controle remoto!... É como fala o ditado:
“Sabão não espuma em cabeça de burro velho”.
- Os meninos, parece que já “nascem”
sabendo...
- Por que, Paulino? Porque o computador surgiu primeiro
por aqui e os meninos que estão reencarnando agora já
tiveram acesso a eles antes, ou seja, não se lhes constitui em
novidade nenhuma espécie de engenho eletrônico. Por assim
dizer, quase todos são autodidatas, de vez que o que ainda é
de poucos sobre a Terra, na dimensão que povoamos é de
quase todos...
[...]
- As suas considerações são interessantíssimas,
Odilon, eu nunca havia pensado no fato de o que se conhece sobre a Terra
ter a sua origem no que se sabe na Vida Espiritual...
- São as reminiscências com as quais reencarnamos.
Citando novamente Platão, o fiel discípulo de Sócrates
afirmava que “aprender é recordar”... [...] (BACCELLI,
C. A., Infinitas Moradas, pp. 52-54).
Achamos esse trecho muito interessante, que poderia
desvendar o mistério do inconsciente coletivo.
A Psicanálise diz que o inconsciente coletivo
são as experiências de antepassados da humanidade que se
acumularam na mente humana ao longo de sua evolução, por
isso é que explicam a TRVP – Terapia Regressiva de Vivências
Passadas - como reflexo desse inconsciente coletivo. É óbvio
que a Psicanálise não prova tal hipótese, apenas
empiricamente dizem que é assim; até os dias atuais nada
disso foi provado cientificamente. Um dia a prova virá, mas dirá
que esse inconsciente coletivo é nada mais que a memória
integral, local onde se encontra arquivado todo o nosso conhecimento
- soma das nossas experiências pessoais adquiridas ao longo do
processo evolutivo que se dá através das nossas anteriores
reencarnações.
Entretanto, se o fato narrado no livro for verdadeiro,
cai por terra esse argumento de que é o inconsciente coletivo.
Por outro lado, se trazemos dos antepassados, como explicar que pessoas
nascidas no meio de selvagens não produzem conhecimentos adquiridos
pelos civilizados? Na questão da regressão de memória
se consideramos que todos os pacientes teriam a possibilidade de acessar
a esse arquivo de experiências dos antepassados, já que
é comum a todos, diríamos que, em tese, todos poderiam
passar pelas mesmas experiências, entretanto, não é
o que acontece conforme os fatos que são relatados pelos pesquisadores.
Na regressão de memória, só vêm
à mente fatos vividos pela própria pessoa, que experimenta
todas as antigas sensações num processo individualizado.
O que se confirma com a pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de
Pesquisa e Terapia Vivencial Peres que constatou que, na regressão
de memória, a área do cérebro utilizada é
a da memória:
“... Entre os estudos, um feito em parceria
com a Universidade da Pensilvânia/EUA, monitorou o fluxo sanguíneo
no cérebro e revelou que as estruturas mais solicitadas são
as do lobo médio temporal e as do lobo pré-frontal esquerdo,
que respondem pela memória e pela emoção. A conclusão
é que as histórias contadas durante a terapia regressiva
não são fruto da imaginação, pois, se assim
fosse, o lobo frontal seria acionado e a carga emocional não
seria tão intensa” (IstoÉ, nº 1780, 12/11/2003,
pág. 56).
Como as coisas ficariam mais fáceis de serem
compreendidas, se, ao invés, de coletivo, disséssemos
inconsciente individual, onde são acumuladas as próprias
experiências vividas anteriormente por cada um de nós,
não ficaria tal e qual o que supomos ocorrer no processo reencarnatório.
Ou seja, cada um é produto de si mesmo, fruto de sua própria
evolução.
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