Histórico:
Em 1900, no Congresso Internacional de Matemática de Paris, o
jovem e genial David Hilbert apresenta um surpreendente
trabalho notificando as 23 questões ainda "em aberto",
que após resolvidas, completariam todo o escopo da matemática.
O ideal de Hilbert era desencadear um esforço
geral da comunidade científica a fim de completar a fundamentação
lógica da matemática. Nos poucos anos que se
seguiram, realmente a maior parte das questões por ele propostas
foram adequadamente resolvidas.
Contudo, em 1931, enquanto ainda vigorava a proposta
de Hilbert, Kurt Gödel publicou seu trabalho "Sobre
as Proposições Indecidíveis", pondo fim
essa expectativa. O prestigiado Neuman, que trabalhava com afinco na
proposta de Hilbert em Princepton, não tardou a aderir aos trabalhos
de Gödel, dando-lhe grande apoio.
Ao mesmo tempo, no campo da Física, acontecia
o desenvolvimento da teoria quântica. Também, quatro anos
antes (1927), Heisemberg divulgara seu "principio
da incerteza", que estabelecia um limite físico para
a experimentação microscópica direta.
Foi mais um golpe nas hipóteses determinísticas
da ciência.
Mais a frente, Alonso Church e Alan
Turing demonstraram que não há meios de provar
se "uma proposição qualquer faz ou não
parte de uma teoria".
Curiosamente, até 1963, nem Gödel ou qualquer
outro matemático havia apresentado alguma proposição
que ilustrasse os teoremas da indecibilidade. Somente então,
que o jovem Paul Cohen, de Stanford, desenvolveu uma
técnica para teste de proposições indecidíveis
chamada método de Forcing. Com ela, Cohen mostrou que o problema
do contínuo Cantor da lista de Hilbert (hipótese do continuum),
justamente uma das questões fundamentais da matemática,
é indecidível. Após esse, numerosos problemas foram
demonstrados indecidíveis, tais como: Conjectura de Borel sobre
conjuntos de medida nula forte, Conjectura de Kaplansky sobre álgebras
de Banach e Conjectura de Whitehead sobre o funtor Ext para grupos abelianos.
“O teorema de Gödel fixou limites
fundamentais para a matemática. Foi um grande choque para a comunidade
científica, pois derrubou a crença generalizada de que
a matemática era um sistema coerente e completo baseado em um
único fundamento lógico. O teorema de Gödel, o princípio
da incerteza de Heisenberg e a impossibilidade de seguir a evolução
até mesmo de um sistema determinista que se torna caótico
formam um conjunto fundamental de limitações ao conhecimento
científico que só veio a ser reconhecido durante o século
XX”.(*)
Stephen Hawking, O Universo Numa Casca
De Noz
Contudo, muitos ainda teimam não aceitar essa
verdade em pleno século XXI. Argumentam que somente pelo equacionamento
matemático e pelos teoremas da física é que podemos
chegar à “verdade científica”. Não
estamos, de modo algum, pregando a exclusão da Matemática
e da Física do processo de construção científica,
mas a Ciência não é uma caixinha completamente delimitada
e fechada. Precisa e pode ser renovada pelas contribuições
e conhecimentos metafísicos.
Desenvolvimento:
Inicialmente, apresentemos o Teorema de Gödel
( lê-se “Guidel”), também conhecido como Teorema
da Indecidibilidade:
“1. Se o conjunto axiomático de
uma teoria é consistente, então, nela existem teoremas
que não podem ser demonstrados (ou negados).
2. Não existe procedimento construtivo que demonstre
que tal teoria seja consistente.”
A primeira proposição indica que a “completude”
de uma teoria não pode ser alcançada; a segunda diz que
não há garantia de que não surjam eventuais inconsistências
(não afirma que elas existam _ apenas que não se pode
decidir). A consistência só poderia ser demonstrada a partir
de uma teoria mais geral, a qual necessitaria de outra ainda mais ampla
e assim por diante, “ad infinitum”. Em outras palavras:
um sistema qualquer, criado para explicar satisfatoriamente uma determinada
coisa, só será completamente inteligível e compreensível,
quando se apoiar em algo fora dele e anterior a ele. Ou seja, ele
jamais se auto-explica.
Lehninger publicou um livro bastante
conhecido dos estudantes de graduação na área de
ciências biológicas (saúde) chamado “Princípios
de Bioquímica”, considerado um clássico. Na página
de rosto do livro está escrito: “A Bioquímica explica
todos os fenômenos vitais”. Verdade?! Eu diria que sim.
Os fenômenos vitais descritos pela Biologia necessitam do apoio
da Bioquímica para serem entendidos. A Biologia necessita de
algo fora dela, ou se preferirem, além dela para ser compreendida.
Mas o que explica a Bioquímica? Esta só pode ser entendida
também por algo além dela: a Atomística. E assim
por diante…
Questão: Você é ou não
o seu corpo?
Uma pessoa de posse de um livro quer lê-lo. Para
entendê-lo, ela precisa se afastar do livro. Com ele colado no
rosto não dá! É preciso posiciona-lo à distância
focal correta para visualizar seu conteúdo. Para se entender
um sistema é preciso se afastar dele, sair dele. Só se
tem consciência de alguma coisa quando se distancia dela, se afasta
dela. Para que exista o processo de consciência em nós,
não podemos ser o nosso corpo, senão não teríamos
a consciência dele. É preciso que sejamos algo
além dele.
Sou um ser consciente. Se eu tenho consciência
do meu corpo é porque ele é um objeto de minha posse,
embora não seja “eu” (por mais que eu esteja conectado
a ele assim como a Biologia, a Bioquímica e a Atomística
também estão conectadas entre si). Tendo como base o Teorema
de Gödel, se eu fosse meu corpo não poderia ter consciência
dele próprio!
Se eu não sou o meu corpo, então
o que eu sou? Sou algo além dele. Se meu corpo é
uma entidade física e eu estou além dele, só posso
ser algo extra-físico, extra-corpóreo. Algo imaterial,
não palpável. Deixemos o preconceito de lado e chamemo-lo:
espírito.
Um outro ramo da Matemática que dá subsídio
para o paradigma do espírito é algo bastante presente
em nossas vidas: a matemática euclidiana (de
Euclides). Olhe ao seu redor e certamente achará pelo menos um,
senão várias aplicações práticas
da mesma. Uma mesa, uma cadeira, a casa ou edifício em que está,
etc só podem existir graças a 03 conceitos básicos
desenvolvidos por essa ciência: o ponto, a reta e o plano. Os
dois últimos derivam do primeiro. Tudo bem, mas o que é
um ponto? Nenhum matemático ou ninguém nunca provou a
existência de um ponto! O que é um ponto? Não vale
fugir e dizer que é uma “coisa” em que se juntando
mais de um forma-se uma reta. Que coisa é? Quadrado? Redondo?
Um círculo perfeito? Mostre-me se puder! Contudo, nenhum desses
objetos citados como cadeira, cama ou edifício poderia existir
sem esse conceito. E eles existem, embora o ponto seja inicialmente
apenas um postulado. Postulado é algo que tomamos inicialmente
como base de análise de uma situação ou fenômeno,
a partir do qual pode-se, por comprovação, chegar a um
fim desejado, desde que respeite critérios invioláveis
de lógica e coerência. Pois bem, a partir daí verifica-se
se este postulado ajuda a resolver o proposto problema ou se pode ser
quebrado e anulado. Ele o resolve? Traz benefício? Sim. Pode
ser justamente contradito? Não. Então ele é verdadeiro.
Pois bem, sendo assim pode-se dizer: o espírito
é um postulado. Resolve questões e traz inúmeros
benefícios à humanidade seja no campo da saúde
mental, psíquica e orgânica, ou ainda na explicação
de fenômenos indecifráveis à ciência vulgar
como curas incomuns, premonição, telepatia, materialização,
telecinese e mediunidade.
Não é por acaso que o Prof. Rogers
Tenrons, das cadeiras de física e matemática
da Univ. de Oxford na Inglaterra (atualmente em Cambrigde), afirmou
que o homem é um ser biológico, psicológico e espiritual.
Nos meandros do século XX, a Matemática
deparou-se com um empecilho na área dos cálculos, que
travava a evolução científica. Chegou-se a barreira
de uma expressão conhecida como radiciação negativa.
Por exemplo: raiz quadrada de menos dois (v-2). Esse número não
existe no conjunto dos números reais! E aí? O que fazer?
É então, que a mente brilhante do homem
cria o conjunto dos números complexos. Esse, na verdade, é
um somatório de esforços de muitos homens, que vem desde
Héron de Alexandria (séc, I d.C.) até Gauss no
século XIX, passando inclusive, por Leonard Euller e muitos outros.
Denomina-se “i”, um número imaginário. Também
se convenciona que esse número imaginário elevado à
segunda potência é igual a menos um (i² = -1). O conjunto
dos números reais (R) estaria contido no conjunto dos números
complexos (C). Este seria assim representado: C = {z = a + bi : a,b
? R e i² = -1}. Para se ter um número imaginário
é necessário que: b ? 0. A partir daí, os cálculos
foram solucionados e permitiram o homem chegar à Lua.
Pergunta-se: Esse número imaginário
existe?
Claro que sim!!! Se ele não existisse não
se teria solucionado o problema. Se ele fosse uma enganação,
o cálculo poderia até ser “enganosamente resolvido”,
mas com ele, jamais se obteriam resultados concretos e positivos. Com
os números complexos, desenvolveram-se conhecimentos nas áreas
de aerodinâmica, eletricidade e eletrônica (análise
de circuitos alternados) entre outras. Sem este avanço, o homem
não teria chegado à Lua. Tudo bem que o número
“i” não possa ser comumente detectado, ou seja, ordinariamente
mensurado, mas isso não quer dizer que ele não exista!
Ele não é palpável e conhecido, mas indubitavelmente
existe. Isso é fato comum entre os próprios matemáticos.
Dessa maneira, a própria Matemática mostra,
que existem coisas que não se encontram totalmente nos domínios
da matéria. Se estão fora da matéria, estão
no campo extrafísico, ou como dizem alguns, em uma outra dimensão,
em um plano espiritual ou simplesmente “no além”.
Somos, indubitavelmente, algo além de nossos
corpos físicos. Somos almas ou espíritos.
Leopoldina, 03 de fevereiro de 2005.
André Maximiano Serpa
Referências Bibliográficas:
1. Palestra proferida pelo Dr. Sérgio Felipe
de Oliveira, psiquiatra da USP, no ICEB - Instituto Cultural Espírita
da Brasil, no Rio de Janeiro.
2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Teorema_ da_ Incompletude_de_Gödel
3. Sérgio,M.G. Matemática, Série
Novo Ensino Médio, Ática, pág.362 a 368, 2000.
4. Faculdade de Ciências da Universidade de
Lisboa www.educ.ul.pt/icm/icm2000/icm25/-8k
5. ,Piotr Koszmider web page. Instituto de Matemática
e Estatística da USP
(IME-USP) www.ime.usp.br/~piotr/-44k
6. Para que servem os números complexos?
www.ezequiassilva.hpg.ig.com.br/mat/resumo.html-6k
7. Lehninger,A. Princípios de Bioquímica,
Savier, São Paulo, 785p., 1986.
8. (*) Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca De
Noz, Arx, São Paulo, 2002, pág. 139.
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http://www.apologiaespirita.org/index.htm
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