Notas: Iansã
é uma das mães Orixás mais cultuadas dentro da
Umbanda e do Candomblé. Seu nome vem do yorubá - Iyá
Mesan (a mãe de nove filhos). Iansã simboliza o aspecto
guerreiro e protetor da Mãe Divina. É o arquétipo
da mulher determinada, que vai a luta e não espera as coisas
acontecerem.
Como vibração divina, Iansã é
o próprio axé que movimenta toda Criação.
É também força direcionadora dentro da vida dos
seres humanos. Senhora da Lei, és aplicadora e desencadeadora
dos processos cármicos ligados a justiça divina. Mas é
também, amparadora e guardiã dos trabalhos dármicos
(missão) desempenhados por diversas consciências encarnadas
aqui na Terra.
Seu elemento é o ar na sua forma mais revolta.
Muito comum também associá-la as tempestades e a qualquer
tipo de evento climático. Na Umbanda está ligada as pedreiras,
devido a sua forte ligação com Xangô.
Tem como símbolos principais o raio e a espada.
O raio é o símbolo da Justiça Divina atuando no
plano físico. A espada é o instrumento da Lei, que zela,
protege e ampara a todos. Em um nível mais profundo e romântico,
o raio é a força que ilumina as trevas do ego, iluminando
assim, toda nossa sombra psíquica e mostrando-nos o caminho verdadeiro
para a auto-realização espiritual. A espada é o
símbolo da luta pessoal, do melhoramento, da morte dos próprios
vícios e viciações.
Seu sincretismo acontece com Santa Bárbara, santa
católica, que tem como símbolos o cálice e a espada,
além de ser evocada durante as tempestades. O sincretismo afro-católico
sempre foi e ainda é muito importante dentro dos rituais afro-brasileiros,
especialmente dentro da Umbanda. Entendemos e vemos Santa Bárbara
como uma manifestadora das qualidades de Iansã.
Santa Bárbara é Iansã, Iansã
não é "apenas" Santa Bárbara, mas através
dela, percebemos uma manifestação humana dessa força.
Santa Bárbara é, na linguagem própria do culto,
uma filha iluminada de Iansã, que reflete em todos os sentidos
as qualidades desse Orixá. Uma "alma-partícula de
Iansã", enviada pela Mãe a Terra...
Além disso, aqui o conceito de egrégora
torna-se extremamente importante, pois quando alguém ora e eleva-se
através de Santa Bárbara, acessa mentalmente uma egrégora
(somatório coletivo de pensamentos e sentimentos elevados) construídos
através dos muitos anos que existe o culto a essa santa. Mais
do que isso, também acessa e entra em sintonia com os espíritos
socorristas que atuam dentro dessa egrégora de Santa Bárbara.
A isso, soma-se dentro da Umbanda, a egrégora/vibração
de Iansã e o trabalho de seus muitos falangeiros, em uma síntese
bem universalista e ecumênica, tão própria da religião.
Lembrando sempre aos mais "tradicionalistas",
que os Orixás não são africanos, mas sim, são
universais, estão em todos os povos, etnias e culturas. Como
divindades amorosas que são, por todos velam, independente de
raça, cor, língua, etc...
Lembrando também, que talvez a única e
verdadeira egrégora que exista seja a do AMOR INCONDICIONAL,
e é por ela que Iansã e Santa Bárbara trabalham
juntas, pois estão muito além das tolas convenções
ou preconceitos dos seres humanos, pois é o amor, o amparo e
o zelo pela humanidade, o que verdadeiramente importa a essas queridas
Mães.
Sua saudação é o Eparrei! (entoado
de forma vibrante), som que faz referência ao barulho das trovoadas,
além de ser uma saudação a força dos raios
e tempestades. É um poderoso mantra de defesa espiritual, que
pode ser vibrado mentalmente dentro do chacra frontal em situações
de assédios e demandas espirituais.
Seu toque dentro da Umbanda é o barravento, ritmo
vindo da cultura bantu, percutido de forma veloz, que potencializa o
axé movimentador da mãe, além de ser o toque ideal
para que suas falangeiras dancem e girem pelo terreiro, "horizontalizando"
e trazendo para o campo físico toda vibração e
energia de Iansã.
Iansã também é considerada a senhora
dos eguns (espíritos desencarnados). É ela que, depois
da partida do cordão de prata, direciona os espíritos
para o plano espiritual, depositando todos nas mãos amorosas
de papai Obaluayê, Orixá responsável pelas passagens
de um plano para o outro. Quando cultuada dessa forma, ganha o nome
de Iansã das Almas ou Iansã do Balê. Balê
é um nome africano para "casa dos mortos" ou cemitério.
Suas festas e homenagens acontecem no dia 4 de
dezembro, devido ao sincretismo católico. Sua cor é o
amarelo e o vermelho. Seu número o nove. Nos cultos de nação
é também chamada de Oyá, um epíteto para
Iansã, nome que também faz referências a seus domínios
em relação ao tempo climático.
Fernando Sepe
- 24 de novembro de 2006, inspirado pelo sopro de luz dessa Mãe...
Vós surgiu, minha Mãe,
Como uma tempestade.
E nos seus olhos eu vi,
A bela face da verdade.
Rainha de encantadores Jacutás,
Senhora de todos os Congás.
Chuva que acaricia o Ser,
Ventania que traz o poder.
Ouço vossa voz melodiosa,
E de minha alma mil canções florescem.
Entre as brumas, percebo-te esplendorosa,
Dançando entre estrelas que descem.
És a beleza da tormenta,
E o brilho do anoitecer.
És o raio que acalenta,
E o fulgor do amanhecer.
És o som do trovão,
E a Justiça de Xangô.
És o amor em turbilhão,
E o canto de Agô.
És a força da guerra,
Que conduz ao campo da paz.
És a semeadura da terra,
Com os ventos que a semente traz.
És o caminho reto,
Que a todos vigia.
Vitória, contigo é certo,
És a estrela que guia.
Sopro de luz e axé,
Rainha de todo Orixá.
Flecha veloz na mata de Odé,
Menina dos olhos de Oxalá...
És o ritmo do barravento,
Que ensina a dançar na guerra.
És a fúria dos elementos,
Que dissipam toda treva.
És a chama da coragem,
Início, busca e determinação.
És o começo da grande viagem,
Pelos longos caminhos da evolução.
És a faísca que brilha no bambuzal,
E o corisco que açoita o ego.
És o sangue, a força vital,
E a direção que conduz o cego.
És a espada que degola o vício,
Guerreando ao lado de Ogum.
És a linda canção que desabrocha,
Dos lábios de papai Olorum.
És luta, suor e trabalho,
Que enobrece o coração.
És honra, força e amparo,
No jardim da compaixão...
Por ti, Oh! Mãe, o raio estoura,
E do alto até o embaixo,
A voz de Xangô ecoa...
Luz que a Vida ampara,
Em uma de suas faces vejo,
O semblante de Santa Bárbara...
Vento que afasta os males,
O seu uivo reverenciamos,
Nas pedreiras e nos vales...
Ventarola que sopra no mar,
É por ti que as ondas quebram,
No reino de Iemanjá...
Almas santas, venham todas me valer!
Toco o solo e te saúdo,
Rainha do Balê...
Infinito é seu esplendor,
E nem mesmo com mil versos,
Cantaríamos todo seu valor...
Mãe Divina, em ti vejo o amor,
E em seu cálice apanho,
A mais tenra flor...
Eparrei Iansã, Eparrei bela Oyá!
Nos guie, hoje e sempre,
Pelas voltas que o mundo dá...
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