Espiritualidade e Sociedade



André Luís N. Soares

>       Estamos Vivos: uma re-análise de 16 casos psicográficos

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André Luís N. Soares
>       Estamos Vivos: uma re-análise de 16 casos psicográficos

 

Resumo


Neste artigo é feita uma análise estatística das características comuns de 16 psicografias de Chico Xavier, na obra Estamos Vivos, estruturada pelo Dr. Elias Barbosa. Posteriormente são discutidas possíveis causas para os dados apresentados. A fraude não se apresentou como uma tese idônea. Telepatia entre vivos conjugada com dramatização (personificação) foi considerada uma alternativa possível, embora creditada como uma explicação menos parcimoniosa que a hipótese da sobrevivência após a morte. O parecer ainda é não-conclusivo acerca dos fenômenos do médium. Pretende-se no futuro aditar novas psicografias ao presente em busca de maiores esclarecimentos e possível fortalecimento de itens evidenciais.

Introdução

O presente trabalho faz uma revisão global das 16 psicografias elaboradas pelo falecido e célebre médium Francisco Cândido Xavier e coletadas pelo Dr. Elias Barbosa na obra "Estamos Vivos". Este, oportunamente, entrevistou os requerentes com escopo em obter esclarecimento sobre as informações recebidas pelo médium. Dados significativos foram revelados. A significância parece ficar mais evidente através de uma análise estatística das características de todo o conjunto. As psicografias aqui em comento remetem-nos à década de 80. Apenas uma foi elaborada fora deste período (caso 15 - Abr/1978). Elas foram obtidas regradamente dentro do “Grupo Espírita da Prece” em Uberaba/MG.

Termos como “consulente” e “requerente” foram usados aqui para indicar a pessoa que se direcionou ao médium e solicitou notícias de um parente falecido. “Comunicante” e “comunicador” designam a personalidade mediúnica - ou autor espiritual - que transmite a mensagem através do médium.


Dados Gerais

Dos 16 casos, apenas em um o comunicante não era a pessoa esperada (caso 13). O consulente na ocasião desejava receber notícias da falecida mãe, não obstante quem subscreveu a missiva foi seu irmão, morto, à época, há mais de 33 anos, antes do próprio nascimento do requerente. Todas as psicografias citaram nomes de parentes vivos. Do caso 1 ao 5, os comunicantes eram crianças e adolescentes mortos no mesmo acidente automobilístico. Nesses casos, foram desconsiderados do cômputo dos "nomes de parentes e conhecidos vivos citados" os nomes dos envolvidos no acidente bem como de seus respectivos pais, uma vez que na imprensa do lugar do acidente e municípios vizinhos houve publicação de tais dados. Os 16 casos psicográficos citaram 61 nomes de parentes vivos e 8 nomes de pessoas conhecidas do comunicante e família, sem relação de parentesco. Outro dado estatisticamente considerável foi a referência a 23 parentes falecidos, tidos como vivos num suposto plano espiritual. A maioria desse parentesco era em relação de ascendência em linha reta de 2º grau, embora tenha havido uma correlação de 4º grau em relação de ascendência em linha colateral e outras de ascendência em linha colateral de 3º grau. 37,5% dos casos fizeram referência a personalidades identificadas após o contato e as quais só foram conhecidas pelos comunicantes após a morte. Em 56,25% dos casos a psicografia citava alguém não pelo seu nome próprio, mas por um apelido. Quase a metade das comunicações (43,8%) expressava ter a personalidade comunicante recebido alguma espécie de socorro ou tratamento espiritual, fazendo referências a palavras ou cognatos de "clínica", "hospital", "tratamento", "posto de socorro espiritual" e "internação". A média de idade dos comunicantes foi de 19,38 anos, variando de 03 a 37 anos. A média de tempo entre a morte do comunicante e sua mensagem através do médium foi de 7 meses e 19 dias (caso 15 não foi considerado por sua atipicidade). 62,5% deles se referiram ou descreveram detalhadamente o modo da morte. 25% dos casos citaram nomes de lugares (ruas, municípios, estados e países). 37,5% das mensagens trouxeram alguma declaração informando dificuldades na transmissão das mensagens [ver tabelas: 01 e 02].


As Circunstâncias Peculiares

Em 68,75% dos casos houve menção a circunstâncias peculiares. Essas são aqui consideradas como detalhes significativos que individualizam a comunicação, tornando-a de alguma maneira especial, trazendo a sugestão de algum fenômeno paranormal. Por sabermos que uma classificação dessas é subjetiva, teremos o cuidado então de colocar uma breve justificativa para os 16 detalhes julgados no presente artigo como sugestivos de paranormalidade.

Caso 03: o comunicante citou o nome de uma prima morta antes de seu nascimento. Disse que a menina lhe visitava no plano espiritual e que pedia para ele (através do médium) falar a tia Nancy (mãe da garota), ainda viva, que ela vai ficar bem. A mãe da menina se culpava pelo acidente que vitimou a moça.

Caso 04: a mensagem faz referência ao escritório e profissão (técnico em contabilidade) do pai do comunicante sem que este tenha falado a respeito ao médium.

Caso 05: a mensagem faz referência certeira aos aniversários do pai e avô do comunicante, sem que tais dados fossem fornecidos ao médium.

Caso 07: a psicografia citou o nome da avó paterna do comunicante, dado desconhecido até mesmo pelo consulente. Só após uma pesquisa na família a informação foi confirmada. A personalidade mediúnica ainda citou o nome dos três irmãos em ordem decrescente de idade.

Caso 08: Houve referência ao nome "Rita", com a ressalva que não se tratava da mãe do comunicante. Pesquisado depois, constatou-se que "Rita" era uma escrava da família que faleceu no início do século passado. A tia-bisavó, "Ana", também foi citada como viva num plano espiritual. Ela também morreu no início do século passado.

Caso 09: A mensagem traz informações sobre a avó do comunicante. Diz que ela está viva espiritualmente e que em vida cometeu suicídio. Faz referência aos problemas de dinheiro que ela tinha e da doença que sofria. Tudo correto.

Caso 11: A psicografia acertadamente diz não haver dolo no projétil que vitimou o comunicante. A mensagem ainda corretamente disse que o comunicante estava a passeio no Brasil e que voltaria aos EUA onde sua irmã o aguardava. Curiosamente foi citado o nome "Ricardo Campos", dado como um socorrista espiritual. O comunicante ainda o correlacionou à cidade de Rio Verde. O mesmo era um respeitado advogado na mencionada cidade.

Caso 12: A mensagem trazia a assinatura múltipla, como costumeiramente fazia o comunicante. Faz menção expressa a instituição projetada pelos pais do falecido com a finalidade de unir pais que perderam seus filhos. O comunicante ainda diz ter sido assistido por uma moça. O nome dado era o da filha falecida de um casal que se tornou amigo dos pais do comunicante após a morte dele.

Caso 13: O consulente desejava receber informações de sua falecida mãe e algumas palavras de conforto. Apenas disse isso ao médium. No entanto, quem apareceu foi seu irmão, falecido há mais de 33 anos, antes do nascimento do requerente da mensagem.

Caso 15: Havia uma frase na psicografia que fazia referência aos tios do comunicante e que aparentemente não fazia sentido. A mãe do falecido acrescentou no início dela a palavra “abraços”. Numa segunda mensagem a entidade diz: “era mesmo dois abraços que desejava enviar ao tio Rômel e ao nosso caro Edmundo. Se coração adivinhou e mais uma vez me auxiliou a acertar”. Depois o comunicante faz referência a uma amiga que deixou na Terra e a tranqüiliza dizendo que “amigos quando brigam um pouco, é porque se querem muito”. A moça, antes do acidente que vitimou o rapaz, havia se desentendido com ele e estava triste.

Caso 16: o comunicante, em mensagem a seu pai, fez referência ao suicídio de sua mãe, a qual aparentemente não suportou a dor de perder seu filho.


Inferências Justificantes


a) Fraude

Inferir é interpretar uma hipótese possível a qual seja uma subsunção lógica das informações apresentadas. A inferência, longe de ser a única exegese, é apenas uma das alternativas capazes de explicar dados fornecidos. Sem dúvida a inferência primária em casos que chocam a nossa noção de realidade é a opção de que eles sejam produto de fraude. Em tela, é possível imaginar vazamento de informações em jornais sobre alguns casos, pois que a maioria deles trazia algum acidente trágico, o que é matéria comum em notícias da impressa falada e escrita. Entretanto, segundo o processo em que as mensagens foram elaboradas, essa explicação parece não ter muita força. Como já dito, as psicografias foram realizadas no Grupo Espírita da Prece - Uberaba. Os requerentes presumivelmente se aglomeraram a tantos outros, eis que os dons mediúnicos de Chico conclamavam uma legião de pessoas angustiadas e esperançosas em receber uma mensagem de conforto de um ente querido que desencarnou. Não há evidência de que os casos aqui analisados tenham fugido a essa regra. Sendo assim, pouco tempo e contato – físico e de palavras – tinham os consulentes para pleitear ao médium um contato com o parente morto. Algumas vezes o nome do falecido era apenas deixado e a mensagem era distribuída na sexta à noite junto com cinco ou seis outras psicografias. Em um olhar detalhado, o nível de minudências é tão rico que articular um plano de trapaça requereria um concurso de muitas pessoas, dotadas de boa capacidade investigativa que pudessem concorrer para os acertos do médium. Veja, caro leitor, que em apenas 16 casos houve citação correta de 101 nomes (na obra estudada apenas dois nomes não foram correlacionados: 1- Rafael (caso 8) e 2- Victor (caso 11)). As mensagens ainda indicaram acertadamente 12 apelidos de pessoas próximas ao comunicante. Para confirmar o caráter da inviabilidade de vazamento de informações, no dia 18.09.2007, solicitei respeitosamente esclarecimentos ao autor das entrevistas e da obra em epígrafe, Dr. Elias Barbosa, o qual amavelmente informou que:

“Em resposta ao seu e-mail, informo ao Amigo que as páginas recebidas pelo médium Francisco Cândido Xavier (1910-2002), dirigidas aos familiares que ficaram no mundo, presentes nas reuniões públicas da Comunhão Espírita Cristã, de Uberaba, de 1959 a 1975, todas elas foram psicografadas, sem que o médium soubesse qualquer informação dos nomes citados nas referidas páginas. Muitos dos assistentes ficavam surpresos porque as mensagens vinham espontaneamente, grande parte delas com as respectivas assinaturas semelhantes às deixadas em documentos ou em várias correspondências, até mesmo em cadernos escolares. De abril de 1975 até poucas semanas antes de sua desencarnação, Chico Xavier continuou recebendo as cartas mediúnicas, levando o conforto a centenas de pessoas, no Grupo Espírita da Prece, sempre trabalhando da mesma forma, isto é, desconhecendo os detalhes narrados pelos espíritos comunicantes, emocionando profundamente pais e mães ali presentes”.


b) Telepatia Entre Vivos e Dramatização

A segunda inferência a se fazer seria aquela em que os casos são explicáveis pela hipótese telepática entre vivos conjugada com elementos dramáticos derivados da cultura espiritualista a que o médium fora submetido ao longo da vida. Essa explicação enseja que Chico teria uma acentuada e incisiva capacidade de selecionar dados na mente do requerente (e mesmo extensivamente nas pessoas que lhe são próximas) e coletar circunstâncias especiais que envolvam o falecido. Posteriormente, por um processo altamente criativo, o médium construiria um drama segundo as bases de sua crença espiritualista. O caráter constante de algumas expressões e a qualidade padronizada da linguagem realmente podem sugerir um único autor. O substantivo “mãezinha”, designando um afeto filial, foi usado em todos os casos analisados. Em 50% das despedidas foi usada as palavras “reconhecido” ou “reconhecimento”. Praticamente todas as citações de “avô/avó” usam os substantivos “vovô/vovó”. Algumas mensagens usam orações incomuns a idade/instrução do falecido, mesmo considerando um suposto período de aprendizado post mortem.

Por exemplo, no caso 12, o comunicante faleceu aos 13 anos de idade, um pouco mais de 7 meses contatou usando orações como: “espelhando o ideal de servir, que atualmente vem jorrando esperanças novas de nossas almas, qual se os corações estivessem transfigurados em fontes de paz e renovação para o bem”.

No caso 14, o falecido estava cursando a 7ª série ginasial, depois de 3 meses transmite: “escutei as indicações de meu pai, no silêncio das suas horas de reclusão, e li com enternecimento e com muitas lágrimas o texto escrito por nossa Rachel com respeito à minha passagem para esta ‘outra vida’”.

No caso 05, o comunicante era um menino que falecera aos 12 anos. 6 meses depois, fazendo uma homenagem ao pai, diz: “... porque o diálogo amigo foi sempre a base de seu intercâmbio com os filhos que o adoram; que estudando os orçamentos domésticos e pesando valores e conveniência, preferisse usar roupa humilde, conquanto digna, para que seus rapazes se apresentassem nos grupos sociais na melhor forma...”

No caso 16, a personalidade mediúnica, morta aos 23 anos de idade, 14 meses depois, assim descreve o suicídio da própria mãe: “aquela alma forte e sensível fora ferida nas próprias entranhas, e por muito nos dedicássemos a ela, no sentido de alterar-lhe as disposições, incapaz de arrebatá-la ao terrível intento, vi-a arrasar o próprio corpo...”

No caso 7, o comunicante faleceu aos 36 anos, e disse 4 meses depois: “tenho a convicção de que a bondade de Deus cobre a desencarnação com muitos agentes da natureza, que resultam no esquecimento em que somos mergulhados, para não acrescentar sofrimentos maiores ao sofrimento de demissão da vida física a que somos obrigados”.

No caso 10, o comunicador, falecido aos 22 anos de idade, diz cerca de 8 meses depois: “desvincular-se, de repente, do corpo robusto, não é uma erradicação de raízes, como no mundo das árvores”.

No caso 11, a personalidade supostamente espiritual, a qual falecera aos 25 anos, 10 meses após o desenlace transmite: “E eu, transferido para a Vida Espiritual, sob a proteção dos amigos fies que encontrei, passarei à condição de cooperador dos irmãos que se fazem mensageiros do Pai...”

Em suma, independente da instrução e da idade do comunicador, as psicografias parecem ter a mesma disposição na escolha das palavras e mantêm o mesmo bom padrão lingüístico.

Inegável que o nível de cognição é fator preponderante para a individualização da personalidade. Nesse contexto, todas as psicografias parecem conciliar a mesma qualidade vocabular, salvo algumas exceções de expressões (as quais veremos a seguir). Assim, tal identidade formal na escrita pode sugerir um único autor das mensagens, o próprio médium, o qual captaria as informações telepaticamente na mente das pessoas vivas e íntimas ao morto. O segundo aspecto do processo, de natureza psicológica, seria a encenação e o comportamento artificioso do médium (inclusive para si), moldado por fatores culturais que serviriam de elo para que as informações anômalas fosse exteriorizadas no papel. Assim, a dramatização espiritualista ao invés de ter um caráter simplesmente de realce, teria uma função condutiva, a fim de que os dados captados telepaticamente pelo médium saiam da esfera subjetiva do seu inconsciente e sejam revelados a terceiros. A construção dessa tese é fortemente embasada na famosa teoria de Tyrrell sobre Aparições (ver: G.N.M Tyrrell, Apparitions (London: Society of Psychical Research, 1942). Republished, New York , Pantheon Books, 1953). Tyrrell não exclui que possa haver telepatia entre o falecido e o percipiente da Aparição.

Como contraponto, podemos citar: consideráveis referências a “familiares” e a “pessoas conhecidas” usaram um artigo antes, revelando um aspecto bastante informal de tratamento (“O Walter” [caso 12]; “O Didido” [caso 01], etc.). Outros exemplos de termos informais que parecem espelhar ou a mesma intimidade que o falecido tinha em vida com as pessoas referidas ou a seu modo de falar, foram: “nosso choque com a carreta não está em nenhum gibi” [caso 1]; “Luciene, a nossa neguinha” [caso 5]; “a irmãzinha” [caso 14] etc.. Há um número significativo de apelidos em momentos adequados. Articulação de termos bastante usuais do morto e mesma maneira de assinar cartas, “abilolado” [caso 7] e “Luís” [caso 12], respectivamente. Houve dois casos com informações desconhecidas do consulente: a referência ao nome da avó do falecido, informação desconhecida pela requerente da mensagem, a mulher dele (caso 7); e a menção ao nome “Rita”, escrava da família morta no início do século passado (caso 8). Telepatia entre vivos, nesses dois exemplos, requereria ser de forma indireta (captar informações que estão na mente de pessoas que estão na mente do suplicante da mensagem), o que a tornaria, para muitos, uma tese muito forçada. No caso 15, o comunicante sabia que sua amiga, a qual não era a consulente, ficara triste pela briga que tiveram, antes da morte dele, muito embora essa informação poderia ser de conhecimento no seio da família.


c) A Hipótese da Sobrevivência

Intuitivamente, a alternativa de autêntica mediunidade é sem dúvida mais adequada. Mas dentro de um viés científico, a intuição não é um meio seguro de validar um fato. Nos casos aqui discutidos, inexiste uma justificativa suficiente para conceder certeza completa para as psicografias como produto de autores desencarnados ou, alternativamente, de incisiva telepatia do médium na mente dos requerentes. O que podemos fazer é escolher a hipótese mais razoável. Analisando a tese da sobrevivência da consciência após a morte, afigura-nos ela, por vezes, ser uma alternativa mais econômica que telepatia entre vivos, eis que supõe apenas duas mentes como causa das informações obtidas anormalmente: a mente de um desencarnado e a do próprio médium. Nos casos 7 e 8, ad argumentandum telepatia entre vivos, no mínimo três mentes deveriam se correlacionar. E ainda, como já citado – e aqui se recomenda fortemente ao leitor à leitura das psicografias de Chico Xavier a fim de ter dimensão do que estamos falando – a quantidade de minúcias é tão alto que acredito ser forçoso (ou mesmo temerário) afirmar que todas as informações estavam presentes na mente do consulente. No que tange ao aspecto formal da escrita e linguagem, seria estranho supor que não houvesse interferência do arcabouço cognitivo do próprio médium, já que ele em tese é o “fio condutor” da transmissão. O médium, longe de ser um instrumento passivo, é um colaborador e, como uma espécie de tradutor, transforma em palavras aquilo que recebe telepaticamente dos mortos. Nesse processo é natural que ele impregne parte das mensagens com seu estilo lingüístico.


Conclusão

Diante da análise de “Estamos Vivos”, a qual coleta 16 psicografias do médium Chico Xavier e as confronta com os dados fornecidos pelos familiares, realmente elas parecem sugerir a ação de uma mente externa ao médium e que, a todo custo, pretende passar uma mensagem de alívio aos parentes e amigos. Acredito que a maior motivação – em cada caso específico – em transmitir a missiva é a da própria personalidade desencarnada, e não alguma suposta intenção do médium. Particularmente, não penso ser parcimonioso admitir com mais facilidade uma ação telepática do médium capaz de investigar a mente de quem quer que se lhe apresente (e mesmo nas mentes daqueles que estão no círculo de intimidade do consulente), sem nenhuma resistência, pois tal seria o caso de Chico, caso telepatia entre vivos fosse a única e verdadeira causa. William James, quando pesquisando a médium americana Sra. Piper, disse acreditar, embora sem se comprometer, no concurso de duas vontades: a vontade em se expressar da personalidade exterior e a vontade do médium em personificar. A personificação é o comportamento dramático em imitar a expressão e os maneirismos do falecido. Na ocasião, James pesquisava a Sra. Piper a fim de legitimar ou não a identidade de Hodgson, conhecido em vida pela médium. No caso do médium mineiro, ele não só não conhecia os falecidos como também seus parentes, amigos e os requerentes das mensagens; ainda as transmitia não apenas sobre um único morto, mas de diversos, desde 1959 aos últimos momentos de sua existência, a exemplo dos 16 casos aqui tratados. Isto posto, embora também não queira me comprometer ainda sobre o fenômeno Chico Xavier, em razão de necessitar de mais estudos e pesquisas, concedo um parecer, mesmo que ainda não conclusivo, a favor da hipótese espírita. Não se pretende com isso persuadir nenhum cético nem afrontar a convicção religiosa de alguém, mas apenas se pensa que aqueles desejosos em opinar diferente deveriam expor fundamentadamente suas razões, embasadas em dados históricos e/ou técnicos, evitando assumir, por pré-conceito, uma negação/aceitação sistemática. O autor do presente artigo não tem problemas em rever seu ponto de vista e encontra-se aberto a sugestões.


Agradecimentos e Observações

Agradeço ao Dr. Elias Barbosa pelas informações prestadas. Foi de suma importância ao presente os dados fornecidos pelo próprio entrevistador. Os esclarecimentos enfraquecem ainda mais qualquer hipótese de fraude. Fica assim o agradecimento e espero que de alguma forma este artigo possa estimular estudantes do espiritualismo ou aos interessados em pesquisa psíquica a analisarem cada vez mais a parte experimental. Existem pessoas que precisam de uma dose maior de conteúdo evidencial; trabalhar nesse sentido pode servir para lhes mostrar a dimensão de uma outra possível realidade que parece se sustentar muito mais do que em meras alegações e divagações.


Bibliografia

BARBOSA, Elias e XAVIER, Francisco Cândido. Estamos Vivos. Araras: IDE. 3ª edição, 1998.

 

Fonte:
http://parapsi.blogspot.com.br/2007/09/estamos-vivos-uma-re-anlisede-16-casos.html

 


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