Espiritualidade e Sociedade





Iaponan Albuquerque da Silva

>    Civilização e Progresso

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Iaponan Albuquerque da Silva
> Civilização e Progresso

 

Desde a mais remota antiguidade, encontraremos no seio dos povos um ideal superior de progresso. Este, como é natural, surge através do trabalho intensivo dos membros das sociedades, do esforço coletivo e conjugado de todos os órgãos que compõem as comunidades.

Todavia, de permeio com essa dinâmica evolutiva, queremos ressaltar a situação daqueles que, na condição de autênticos promotores da Civilização e do Progresso, impulsionam nações, transformam idéias, criam sistemas de melhoramentos para as condições de vida de indivíduos e povos, e como que carregam em si as mais potentes virtudes do adiantamento e do avanço de idéias e realizações, deixando sobre a face da Terra os sinais indiscutíveis de sua superioridade intelecto-moral traduzida em obras de real interesse individual e coletivo.

Houve, há e haverá sempre criaturas assim, que, segundo sabemos, são Espíritos iluminados, enviados à Terra com a missão expressa e a finalidade precípua de fazê-la progredir.

Não pretendemos aqui fazer citações daqueles povos em cujos países floresceram obreiros e heróis de todos os matizes, mas apenas salientar que, tendo o Orbe Terreno atingido um alto índice de conhecimentos técnico-científicos, não lograram seus habitantes assentá-los sobre bases sólidas.

Passaram, multiplicaram-se e revezaram-se arautos e vanguardeiros da Civilização e do Progresso, porém, a grande, a inexcusável verdade é que o coração do Homem permanece fechado aos apelos do Alto, em terrível crise abúlica do sentimento, sofrendo de visível acromegalia em seu corpo associativo.

Antes de nos estendermos mais sobre tão momentoso quão palpitante assunto, recorramos à Codificação Kardequiana e atentemos para a orientação que, nesse sentido, nos vem de Mais Alto.

Vejamos os desdobramentos da pergunta 780 de O Livro dos Espíritos e as sapientíssimas respostas dos Espíritos Reveladores, dadas a Allan Kardec:

O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?
“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.”

a) – Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral?
“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher.
O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.”


b) – Como é, nesse caso, que, muitas vezes, sucede serem os povos mais instruídos os mais pervertidos também?
“O progresso completo constitui o objetivo. Os povos, porém, como os indivíduos, só passo a passo o atingem. Enquanto não se lhes haja desenvolvido o senso moral, pode mesmo acontecer que se sirvam da inteligência para a prática do mal.
O moral e a inteligência são duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se.”


Diante de tão oportunos e importantes esclarecimentos, concluímos facilmente que o fenômeno atualmente apresentado no Globo Terráqueo deixa de oferecer dificuldades de apreciação e entendimento.

O verdadeiro progresso de um povo, de uma nação estribar-se-á necessariamente nas suas conquistas morais e intelectuais e, quando tal não se verifica, apresentam-se anomalias no seio das coletividades, em forma de convulsões de toda espécie.

Levando-se em conta que essas ponderações se aplicam a todos os povos, depreender-se-á daí o lastimável aspecto que eles nos apresentam, por efeito dos desvios do Homem que aviltou a sua própria consciência e o seu senso de responsabilidade, dando às descobertas científicas aplicação para a guerra, como se o extermínio fosse Lei de Morte para a Vida.

Sobre a Civilização, vejamos ainda, em O Livro dos Espíritos, a pergunta 793 e a respectiva resposta:

Por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa?
“Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização.”

Ante tais assertivas, emanadas de Espíritos de escol, lastreadas pelo consenso da lógica, resta-nos somente confessar que longe estamos das verdadeiras metas da Civilização, daquela que há de imperar no futuro, quando da regeneração do Planeta.

A nós, espíritas, compete o dever inadiável de, à luz do Evangelho de Jesus Cristo, batalharmos pela implantação dos princípios cristãos, acrisolarmos virtudes e fugirmos às esdrúxulas fórmulas de renovação calcadas em extremismos de violência, cientes das luminosas palavras de André Luiz: “O homem renovado para o Bem é a garantia substancial da felicidade humana.”

 

 

Fonte: Revista Reformador – non/2001

 



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