Espiritualidade e Sociedade



Anderson Santos Andrade Silva

>   Lavar as mãos - Conversando com Jesus no Calvário

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Anderson Santos Andrade Silva
>   Lavar as mãos - Conversando com Jesus no Calvário

 

Senhor Jesus, quando enfrentaste o flagelo da cruz, nós te desdenhamos com a nossa indiferença à tua sorte que era, hoje o sabemos, a nossa própria sorte. Também temos nossas cruzes a carregar. Nos deste uma causa nobre, mas preferimos, naquele dia de trevas, lavar as nossas mãos na água da covardia. Bem o sabemos que o teu fardo é leve e teu jugo suave. Mas nossa cruz é a cruz dos nossos enganos, que pedem reparos. E a tua, nem sequer a mereceste. Carregaste-a por amor a nós. Disseste, diante de nossa iniqüidade: "Não sabem o que fazem". Tuas chagas foram as chagas dos cravos em tuas mãos. Mas nossas chagas são as que cravam as nossas almas com os cravos da imperfeição.


Como glorificaste tua missão! Perdoaste os teus algozes e deixaste, como em toda a tua missão, lições preciosas, ainda que no martírio do Calvário. Ah! Lembro-me de uma de tuas lições, naquele momento de dor: "Filho, eis aí tua mãe! Mulher, eis aí o teu filho!". Pedias a proteção do amor daquela que te amou, ao discípulo amado na grandiosa tarefa que se desenrolaria por longos e dolorosos caminhos, mas também ensinavas-nos que o amor do próximo não é restrito à nossa parentela e é poderoso recurso de sublimação para renovação do mundo, na edificação de cada coração.

Como podemos, diante da tua sublime lição, fechar os olhos à sorte de nossos semelhantes, membros da família universal que amaste, lavando nossas mãos com a água da indiferença? Como podemos afirmar, perante ti, que nada temos a ver com a morte de um morador de rua queimado por mãos criminosas na insensibilidade da grande cidade; com o vilipêndio da inocência da criança; nada a ver com a seca e a fome que afligem nossos irmãos africanos?

Oh! Quão árido é o nosso coração, em que pese todo o amor que nos deste. E a destruição desse globo maravilhoso, sublime morada da casa do Pai, que abriga a grande família da humanidade? E as balas perdidas que ceifam vidas nas ruas da amargura humana ou o recém nascido rejeitado por aquela que lhe devia amor, como a clamar: "Mãe, eis aqui o teu filho!"?

Somos elos da mesma corrente, que com a têmpera forjada no teu amor, deveria sustentar o amor no mundo. Por isso, te devemos testemunhos de amor. Ajuda-nos no trabalho de edificação de nossos corações, para que possamos não mais obrar a indiferença.

Foste julgado com a pena da iniqüidade humana. Acusaram-te de ser o rei dos judeus. Acusação injusta, pois és mais; és o timoneiro de nossas almas; Caminho, Verdade e Vida. Acusaram-te de incitar o povo a não pagar tributo a César. Mas foste tu mesmo que disseste, quando ardilosamente te perguntaram se era lícito pagar o tributo: "A César o que é de César". Mas não deixaste de recomendar: "A Deus o que é de Deus", porque sabes que estamos no mundo, mas não somos do mundo; somos de Deus, Senhor! Disseram que agitavas o povo, mas era o povo que se agitava ao influxo do teu amor. Ah! Que bela passagem aquela da tua entrada em Jerusalém, montado em uma jumenta, aclamado pela multidão. Essa foi a multidão que chorou por ti.

Teria chorado eu, Senhor?

E muitos de nós, ainda indiferentes a tudo o que pregavas, estávamos lá, no julgamento vil, gritando: "Barrabás! Solta-nos Barrabás!", levando o julgador injusto a lavar as mãos e te condenar... e nos condenar. Teria gritado eu, Senhor: "Barrabás, Barrabás!"?

Foste preso, mas tua doutrina liberta. Foste crucificado, mas tua mensagem está viva para os que têm o coração de sentir e o pensar de discernir. Subiste ao Céu, após permanecer por 40 dias entre os teus discípulos no testemunho da Ressurreição. Tua Ascensão é a Ascensão do justo que venceu o mundo. Nossa ascensão, ainda em laboriosa construção, é a ascensão do discípulo que aprende contigo a amar e aspira a dizer, um dia, como disseste: “Eu venci esse mundo!”. Subiste para permanecer entre nós, amando-nos e ensinando-nos a amar e a vencer os enganos do mundo, na árdua tarefa de ascensão do mundo para Deus. Voltarás, quando estivermos voltados para ti. Serei digno de ti, Senhor?

O teu Evangelho é a nossa redenção do martírio do Calvário. A força do teu amor nos ensina a amar. Hoje já lavamos as nossas mãos e purificamos os nossos corações na água pura desse amor que redime pela tarefa abraçada: a de trabalhadores da tua seara. E hoje ainda, da mesma forma que nos conclamaste que nos amássemos, nós te dizemos: "Sim, amamo-nos e lançamo-nos no trabalho de renovação do mundo em nós, com o suor de nossos esforços a verter na abnegação pela missão a que nos confiaste!".

Já não gritamos mais: "Crucifica-o! Crucifica-o". Dizemos, na acústica da alma, aos que têm ouvido de ouvir: "Segue-o! Segue-o!".

Não haverá mais crucificação, Senhor! Teu Evangelho não ficará preso à cruz dos interesses humanos e estará sempre redivivo em nossas consciências e em nossos corações, norteando nossas ações no teu infinito amor, na sublime tarefa da regeneração humana.

Fonte: http://www.aeradoespirito.net

 


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