Espiritualidade e Sociedade





Tácito Sgorlon

>    O Espiritismo e as Tranformações Científicas

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Tácito Sgorlon
>  O Espiritismo e as Tranformações Científicas

 

ANTIGA
- do século VIaC até VIdC -

Foi a era dos pré-socráticos, os filósofos da natureza, os Atomistas, os sofistas, de Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Plotino e etc. Esses filósofos simplesmente construíram toda a estrutura de nosso conhecimento. Tudo o que temos hoje deve-se ao progresso promovido pelos gregos antigos, ainda que a maior parte dele tenha permanecido adormecido por mil anos. O Universo foi a principal preocupação nesta época.

Dentro da chamada Filosofia Natural dos Gregos incluía-se a preocupação com o movimento como fenômeno evidente e relevante do Universo. Justifica-se assim que a Mecânica, ou seja, o estudo dos movimentos, seja considerada a parte mais antiga da Física e talvez a área da ciência com que todos se sentem mais familiarizados, dada a convivência que os humanos têm com movimentos em seu quotidiano.

Desde a Antigüidade, tem sido dada ênfase especial aos movimentos de corpos celestes, ou seja, do Sol, da Lua, dos planetas e de outras estrelas observadas da Terra. Os pensadores gregos desenvolveram sistemas dedicados à descrição dos movimentos dos corpos celestes. Eles entenderam os movimentos como parte relevante da "natureza das coisas". Com isto contribuíram de forma decisiva para o estabelecimento das bases de duas áreas do conhecimento: a astronomia e a mecânica.

ANAXÍMENOS DE MILETO (570 - 500 a.C.) e os seguidores de sua Escola já se preocupavam com o movimento dos corpos celestes. Foi Anaxímenos quem primeiro propôs que os astros celestes seriam corpos fixos a esferas de revolução.

É de PLATÃO (427 - 347 a.C.) a proposta de um modelo mais complexo para o movimento dos corpos celestes, apresentado nos famosos diálogos. No pensamento de Platão há hegemonia da beleza pura e abstrata sobre a observação dos fenômenos físicos. Entre os elementos objeto da admiração de Platão e dos participantes da sua Academia está a geometria, que desempenha um papel essencial em todas as atividades intelectuais da época. A geometria era tida como uma combinação perfeita de lógica e beleza, e alguns creditavam isso à sua origem divina. Platão teria afirmado que "Deus é geômetra".

Coube a ARISTÓTELES DE ESTAGIRA (384 - 322 a.C.), discípulo de Platão, a sistematização e organização do conhecimento racional da Antigüidade. E, além disso, preocupou-se com o seu registro. No que se refere ao conhecimento que chamaríamos hoje de científico, ele criou um sistema que se constituiu em base da visão do mundo por quase dois mil anos. Teve assim uma influência na evolução das ciências, e da mecânica em particular, que do ponto de vista da duração não encontrou paralelo na história da humanidade

O surgimento da RELIGIÃO CRISTÃ como religião oficial do Império Romano é freqüentemente apontado como uma causa do declínio da ciência no período subseqüente. No entanto, mesmo em períodos anteriores, a ciência grega era, como vimos, pouco cultivada em Roma. Na época de seu surgimento, o cristianismo era uma dentre muitas outras seitas tal como a adoração de Ísis e Osíris, de Baco, e de outras divindades buscadas em diversos rincões do vasto império. Com sua ascensão a religião oficial, trouxe certo antagonismo aos ideais "pagãos'' do período anterior. No entanto, não foi esta a causa maior do declínio da ciência grega. Nas palavras de Farrington, "a ciência grega não foi assasinada, mas morreu ...'' (Farrington ). A Igreja católica foi, durante muitos séculos, a única preservadora no Ocidente da herança escrita da Antigüidade, arquivada em bibliotecas monásticas, copiada pacientemente sobre o couro do pergaminho.

 

MEDIEVAL
- do século IIdC até XVdC -

A era da Filosofia Cristã, da Teologia Revelada, da tradição escolástica. A preocupação principal dos filósofos era Deus. Alguns deles foram canonizados, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Surge a Navalha de Guilherme de Occam, que mais tarde viria a ser a ferramente básica da Ciência.

Durante este período, a cultura científica se confundia com a da Igreja, se exprimindo muitas vezes como interpretação estrita das Escrituras Bíblicas. O que não fosse conciliável com elas era rechaçado. As representações do céu e dos movimentos celestes tornaram-se muito mais primitivas que as dos astrônomos alexandrinos sob o ponto de vista da matemática e geometria. Pela sua simplicidade, lembrando as dos pré-socráticos da escola Jônica, mas com uma importante diferença: a retomada da sacralização dos céus e da natureza.

O conhecimento abstrato sobre a natureza foi também bastante eclipsado pela crença na proximidade do fim do mundo, profecia bíblica bastante presente no imaginário da Alta Idade Média. A crença se inspira diretamente do Apocalipse, onde se descreve o fim dos tempos. Sua proximidade é afirmada explicitamente no prólogo do derradeiro capitulo das Escrituras:

"Revelação de Jesus Cristo: Deus lhe concedeu para que mostrasse aos seus servos as coisas que devem acontecer muito em breve.'' (Ap. 1,1).

O destino final dos pecadores se consubstancia no momento de seu julgamento final:

"Quanto aos covardes, e aos infiéis, aos corruptos, aos assassinos, aos impudicos, aos mágicos, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua porção se encontra no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte'' (Ap.21,7)

A proximidade do Milênio, o fim do mundo, possuía uma fundamentação teológica e numerológica: O mundo teria uma existência total limitada a seis mil anos, conforme referências bíblicas. Um cômputo numerologista extraído de referências bíblicas, realizado no século IV, previa o fim do mundo em exatos 101 anos. Esta data do fim do mundo foi inúmeras vezes adiada, mas demarca certo espírito fatalista que permeia a Idade Média. Passado, enfim, o segundo milênio, vemos, a iminência do fim dos tempos é uma preocupação bem antiga.

A ciência ganhou prestígio no pensamento medieval com Santo Agostinho (354-430 d.C), importante expoente da teologia católica, um dos pais da Igreja, como foi conhecido. Retirado em vida monástica, escreveu mais de uma centena de livros, e também tratados de teologia. Teve modesta contribuição com respeito a novos conceitos científicos, mas, em sua obra De Civitate Dei (``A Cidade de Deus''), dignificou a ciência como algo essencialmente piedoso, na medida em que busca o conhecimento da perfeita e inteligente obra do Senhor. Em sua obra Confissões, rejeitou a astrologia (que diminuía a importância do livre arbítrio), distinguindo-a, porém, da astronomia, que poderia permitir, em princípio, uma previsão teórica do futuro movimento dos astros.

Agostinho, como outros teólogos medievais, também acreditava na existência das águas acima dos céus, que refrigerariam os astros. Tal água poderia estar em estado de vapor, mas sua existência não podia ser questionada. Eis uma frase de Agostinho a respeito dos conhecimentos "pagãos'' que condensa sua atitude face ao conhecimento:

"qualquer conhecimento que o homem queira fora da sagrada Escritura, se for prejudicial, estará nela condenado; se for salutar, estará nela contido...''

A fé era, portanto, para Agostinho, colocada acima de todas as coisas, inclusive da ciência, cujo papel se limitaria ao de confirmar, de algum modo, o que já está nas Escrituras. Enfim, os ensinamentos gregos foram rechaçados em grau maior ou menor por estes religiosos, mas nenhum deles propôs realmente um novo sistema coerente, que se direcionasse para predições quantitativas.

Existiram ao longo da Idade Média duas atitudes antagônicas face à pesquisa científica, que se alternaram ao longo dos séculos:
a) Negação das idéias "pagãs'' de origem grega, para reafirmação da nova religião (a cristã) como detentora da explicação fundamental do mundo.
b) Exortação do estudo da obra divina que é o mundo (que ``Ele viu que era bom'', conforme afirma o Gênesis), descobrindo na natureza manifestações da perfeição divina, principal função de seu estudo.

Nascimento das Universidades (séc. XIII)

Fruto da intensificação da vida urbana, as Universidades tiveram como ponto de partida uma estrutura análoga às corporações de ofício (chamadas de universitas). Gradualmente assume o papel de centralizadora do conhecimento, fórum de debate e difusão de idéias. Sua história aos poucos confunde-se com a própria história do pensamento, passando a assumir um virtual monopólio. Até século XII o ensino era monopolizado pela igreja. Aos poucos, este poder é delegado ao chanceler, cujo poder diminui com o tempo. Com o crescimento do número de alunos, surge a licença para lecionar (licencia docendi) delegada a cidadãos leigos.

 

MODERNA
- do século XVIIaC até XIXdC –

O Renascimento caracterizou-se como um movimento de renovação literária, artística e científica, que pode ser localizado grosso modo entre os anos 1450 e 1600. Tanto nas artes plásticas como nas ciências, desenvolveu-se um vigoroso esforço de retorno aos ideais estéticos e científicos da Grécia antiga, que "renasceram'' neste período. Mas, além de uma releituras do passado, surgiu ao longo do Renascimento uma miríade de idéias inovadoras, originais, edificadas sobre o substrato da ciência da Antigüidade. O ecletismo caracteriza o pensador renascentista, que tem o ideal de ser um homem de virtu (literalmente, "virtude'', enquanto capacidade de realização), que se reflete numa ambição de constante integração dos vários campos do conhecimento, de inter-disciplinaridade.

Surge junto com o Renascimento e o despertar científico, que recupera a sabedoria da Grécia Antiga. O Racionalismo Cartesiano, o Empirismo, o retorno do Ceticismo e muitos outros movimentos deram impulso a Ciência. Descartes imortalizou o "PENSO LOGO EXISTO" como um ponto de partida para a construção de um conhecimento seguro. Mais tarde Karl Marx lança as bases do Socialismo, e Adam Smith estrutura o Capitalismo. O enfoque de aí em diante se centrou no Ser Humano e suas possibilidades. Com o Renascimento surgem novas formas de vida, ocasionando

uma crise social que culmina com o CONTESTAÇÃO DAS VELHAS TRADIÇÕES E O ROMPIMENTO DA CIÊNCIA COM A RELIGIÃO. O homem descobre que é capaz de decidir por si, sente-se livre e coloca-se na posição de centro do Universo, buscando objetividade nas suas experiências. O mundo deixa de ser sagrado para tornar-se num objeto de uso para o próprio homem, embora a crença em Deus permanecesse. O trabalho intelectual, neste período, torna-se mais intenso e individualizado; e a religiosidade, uma decisão íntima.

Leonardo Da Vinci (1452-1519)

Ao mesmo tempo prenúncio e símbolo do Renascimento, Leonardo da Vinci atuou em amplo espectro de atividades. Com seu ágil ecletismo, buscava uma ilimitada integração entre arte e ciência. Enquanto as imagens medievais possuíam uma noção rudimentar de profundidade, a pintura de Da Vinci, estruturada sobre a geometria, além de redescobrir proporções harmônicas, empregava com desenvoltura a perspectiva, cujo uso se afirmou na pintura renascentista. Por outro lado, também eram ingredientes de sua pintura a anatomia, na qual se guiava meticulosamente para a representação da figura humana.

Nicolau Copérnico (1473-1543)

A tradução dos escritos de Ptolomeu no século XII ensejaram a recuperação de um método bastante preciso na previsão dos movimentos planetários, e por isso poucas mudanças foram nele propostas no Ocidente. De fato, as grandes navegações se fizeram sob a égide da astronomia ptolomaica. O astrônomo polonês Nicolau Copérnico reinterpretou dados astronômicos existentes e o modelo de Ptolomeu, tendo feito poucas observações diretas.

Copérnico obteve uma simplificação considerável na descrição dos movimentos ao notar um epiciclo para os planetas interiores e um deferente para os planetas exteriores que eram idênticos. Esta constatação apontava para uma oportunidade de simplificar o sistema do Almagesto e do Hipótese dos Planetas, de Ptolomeu, que contava com 43 esferas em movimento simultâneo. A modificação de Copérnico foi colocar o Sol no centro do movimento (HELIOCENTRISMO), o que terminou por diminuir o número de círculos em movimento necessários para descrever as trajetórias dos planetas no céu. Um esboço da teoria heliocêntrica é descrito na obra Commentariolus (c. 1510).

Giordano Bruno (1550-1600)

Em sua prolixa obra, Bruno propunha uma profunda reforma filosófica e religiosa que, levada às últimas conseqüências, destronaria a Igreja de sua hegemonia com relação ao conhecimento.

Johannes Kepler (1571-1630)

Convicto copernicano. Astrônomo e Astrólogo, função que exercia como matemático da corte. Realizou observações astronômicas precisas com o astrônomo Tycho Brahe, cujos dados utilizou em suas teorias posteriores

Kepler procurou estabelecer novos limites à astrologia, decorrentes da teoria de Copérnico e do novo status da Terra como mais um planeta, semelhante aos demais. A Terra teria, como os demais planetas, uma alma, a anima terrae, e seria como um grande ser vivo

Galileu Galilei (1564-1642)

Galileu nasceu e estudou em Pisa, tornando-se professor de matemática em sua Universidade, e depois, em Pádua Galileu já havia descoberto, em 1593, o ``isocronismo'' do pêndulo, ou seja, seu período independe da amplitude, propriedade básica do oscilador harmônico simples. Em 1604, descreveu as leis da queda livre dos corpos como um movimento uniformemente acelerado, independente de suas densidades. aperfeiçoou o telescópio (que já era conhecido, embora em versões rudimentares) e com ele realizou observações astronômicas, descritas em sua obra Sidereus Nuncius (Mensageiro das Estrelas, 1610). Com o telescópio, viu a superfície montanhosa da Lua

René Descartes (1596-1650)

O filósofo e matemático francês René Descartes desenvolveu a idéia de Gilbert de que um ímã teria ao redor de si um fluxo de uma matéria sutil formando um vórtice. Isso explicaria a atração de polos opostos e a repulsão de polos iguais. O ferro e aço seriam atraídos pelo ímã pela resistência que estes materiais oferecem a tal fluido.

Isaac Newton (1642-1727)

Nascido no ano em que morreu Galileu, ingressou em Cambridge aos 18 anos, depois de uma juventude de grandes dificuldades materiais. Com 26 anos, tornou-se doutor e, no ano seguinte, catedrático.

Na introdução do Principia, depois de algumas definições básicas, as 3 "Leis de Newton'' são enunciadas:

1. Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento em linha reta, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças nele impressas.
Essa lei já havia sido enunciada, de modo diferente, por Galileu e Descartes.
2. A mudança do movimento é proporcional à força motriz impressa, e se faz segundo a linha reta pela qual se imprime essa força.
Esta lei também fora enunciada, ainda que de maneira menos clara, por Galileu, que tinha a consciência de que a força produziria variações na velocidade, e que a relação era vetorial e não escalar como no enunciado de Descartes.
3. A uma ação sempre se opõe uma reação igual, ou seja, as ações de dois corpos um sobre o outro sempre são iguais e se dirigem a partes contrárias.

Embora o mecanicismo de Descates tenha sido importante ponto de partida metodológico para Newton, vários aspectos da teoria cartesiana do movimento dos planetas são contestados no Principia. A existência de um fluido (o éter) girando como um turbilhão ou vórtice junto com os planetas é contestada por Newton que, usando como argumento observações em fluidos, sustenta que os planetas devem mover-se no vácuo para permanecerem em movimento, interagindo graças à polêmica ação à distância.

 

CONTEMPORÂNEA
- do XIXdC até... -

Os novos desafios no mundo atual surgem sob a forma da Emancipação Feminina, o rompimento definitivo dos Governos com as Igrejas Cristãs, o Existencialismo, a ênfase na Linguística, e mais recentemente o Estruturalismo e o Desconstrutivismo.

As descobertas da imprensa, da máquina a vapor, do motor a combustão, do rádio, do cinema, do telefone, da televisão, do computador entre outras, provocaram transformações vultosas exigindo novas sistemáticas de organização para o trabalho e para a hierarquia da sociedade. Essas conquistas instrumentalizaram o homem, permitindo que ele multiplique sua força, amplie sua velocidade, economize seu tempo, difunda suas idéias, divulgue seus costumes e, enfim, concretize seus sonhos.

A revolução dos paradigmas científicos que ocorreu em épocas diversas, repercutiu também no comportamento e nos costumes das sociedades humanas.

A Ciência foi dada ao homem para seu adiantamento em todas as coisas; ele, porém, não pode ultrapassar os limites que Deus estabeleceu.

Em cada século o progresso científico renova a sua concepção acerca dos mais importantes problemas da vida.

Raramente os verdadeiros sábios são compreendidos por seus contemporâneos. Se as contradições dos estudiosos são o sinal de que a Ciência evolve sempre, elas atestam, igualmente,...

  •   a fraqueza e inconsistência dos seus conhecimentos e a falibilidade humana

A Ciência a conhece pelas suas formas de manifestação e a chama de potencial, cinética, térmica, mecânica, luminosa, eletromagnética, gravitacional, atômica, sonora, de ativação, de dissociação, de ionização, de ligação, de permuta, de recuo, etc.

Entretanto, nada sabe, por ora, da energia mental, do mesmo modo que também nós nada sabemos de Energia Divina.

Vê-se a Ciência no dever de investigar, de estudar, e, no seu afã incessante de saber, rolam por terra idéias errôneas, mantidas até hoje como alicerces de todas as suas perquirições, como, por exemplo, a da teoria da indivisibilidade atômica.

Quanto mais a ciência se aprofunda nos mistérios do Universo, com telescópios que esquadrinham os confins do espaço e microscópios que vasculham o íntimo da matéria, menos lugar para as teorias religiosas imagina-se existir nos corações e mentes humanas. Em pleno século da tecnologia, porém, o que se vê é o contrário. As mesmas ferramentas inventadas para saciar nossa curiosidade aumentaram o desconhecimento. E Deus nunca esteve tão presente.

A ciência, se não deseja continuar no papel de comparsa da tirania e da destruição, tem absoluta necessidade do Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada melhoria das características morais do homem.

Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; o Espiritismo ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as conseqüências e busca as aplicações úteis.

O Espiritismo não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses...

• a existência e a intervenção dos Espíritos,
• nem o perispírito,
• nem a reencarnação,
• nem qualquer dos princípios da doutrina;

Concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios.

Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subseqüentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas.

Depois de Kardec, o Codificador, vultos notáveis do Espiritismo reafirmaram o caráter científico da Doutrina Espírita, expressando de modo positivo seu pensamento:

Gabriel Delanne, em O ESPIRITISMO PERANTE A CIÊNCIA - “O Espiritismo deixa de parte as teorias nebulosas, desprende-se dos dogmas e das superstições e vai apoiar-se nas base inabalável da observação científica”, em O FENÔMENO ESPÍRITA - “O Espiritismo é uma ciência cujo fim é a demonstração experimental da existência da alma e sua imortalidade, por meio de comunicações com aqueles aos quais impropriamente se têm chamado mortos”.

Russel Wallace - “Os fenômenos espíritas estão tão bem comprovados, como os fatos de todas as outras ciências” Gustavo Geley, em RESUMO DA DOUTRINA ESPÍRITA - "... esta é uma ciência positiva, baseada no estudo experimental dos fenômenos psíquicos e nos ensinamentos dos espíritos elevados”.

Willian Crookes, sábio inglês e pesquisador de grande acuidade, realizou durante os anos de 1870 a 1873, experiências, que se tornaram clássicas, com a médium extraordinária que foi Florence Cook; as mais completas do gênero, demonstraram à sociedade que os fantasmas voltam e se tornam visíveis, tangíveis e examináveis, de modo a não deixar dúvidas quanto à imortalidade do Espírito e sua possibilidade de comunicação com os vivos. (1) O Espírito Katie King deu a Crookes todas as oportunidades de exame, sério e cercado de todas as cautelas, de comprovação de sua imortalidade, mediante métodos rigorosamente científicos.

Frederico Zollner, notável físico alemão, utilizou-se, em 1877, de outro grande médium do passado, Henry Slade e, agindo como verdadeiro homem de ciência, que era, conseguiu extraordinários fenômenos de materialização, de transporte, de levitação e de escrita direta. Para explicar fenômenos de penetração da matéria pela matéria, imaginou uma quarta dimensão, característica dos seres que habitam o mundo invisível, ou dos Espíritos.

Willian Crawford é outro nome da Ciência, professor do Instituto Técnico e da Universidade de Belfast, que a história das pesquisas psíquicas apontará, um dia, como dos seus mais destacados e competentes cultores. A levitação de objetos foi estudada por ele com extremos cuidados e, graças aos componentes do “Círculo Goligher”, grupo de médiuns de que se destacava a senhorita Kathlen Goligher, pôde comprovar a formação de uma alavanca formada por ectoplasma – de que se valeriam os Espíritos para fazer levitarem objetos pesados (mesas etc.).

Ernesto Bozzano, em cuja autobiografia confessa: “Nunca fiz outra coisa senão estudar.” Bozzano trabalhou, como sabemos, com a grande Eusápia Paladino, a extraordinária médium italiana, que lhe proporcionou a observação de numerosos fenômenos de efeitos físicos. É inestimável a contribuição de Ernesto Bozzano ao estudo da Ciência espírita. São numerosas as obras, todas esplêndidas, que escreveu, a respeito, muitas traduzidas para o Português:

• FENÔMENOS DE TRANSPORTE,
• A CRISE DA MORTE,
• FENÔMENOS PSÍQUICOS,
• PENSAMENTO E VONTADE,
• ENIGMAS DA PSICOMETRIA,
• XENOGLOSSIA,
• ANIMISMO OU ESPIRITISMO?,
• METAPSÍQUICA HUMANA,
• COMUNICAÇÃO MEDIÚNICAS ENTRE VIVOS,
• MATERIALIZAÇÕES DE ESPÍRITOS etc.

Em 1853, Robert Hare, professor de química na Universidade de Pensilvânia, quis desmascarar "a ilusão dos fenômenos de Hydesville". Em 1855, após numerosas e meticulosas experiências, ele reconheceu sua autenticidade, publicando o livro "Experimental Investigation of the Spirit Manifestation".

Alfred Russel Wallace, colaborador de Charles Darwin, afirmou em 1874:

"Os fatos são coisas teimosas, dos quais não podemos nos desembaraçar segundo a nossa vontade. Não é exagero afirmar que os fatos principais estão hoje tão bem caracterizados e são também tão facilmente verificáveis quanto quaisquer outros fenômenos excepcionais da Natureza, ainda não reduzidos a uma lei”.

O Doutor Gustave Geley, professor da Faculdade de Medicina de Lyon, estudou o ectoplasma e os fenômenos de materializações. Obteve moldagens de cera, impossíveis de serem reproduzidas por outro processo e que estão conservadas no Instituto Metapsíquico International em Paris.

Charles Richet, professor da Faculdade de Medicina de Paris, prêmio Nobel de Fisiologia e autor do "Tratado de Metapsíquica", participou nas experiências de Geley e naquelas da Comissão de Milão em 1892, com Cesare Lombroso, antropologista professor na Faculdade de Medicina de Turin, Alexander Aksakof, sábio russo conselheiro do kzar, e Carl du Prel, filósofo de Munich.

Charles Richet igualmente participou nos trabalhos da comissão de estudos científicos em 1898, com Camille Flammarion, astrônomo francês, por muito tempo estudou e contribuiu para vulgarizar os fenômenos espíritas, escrevendo várias obras. Estabeleceu a existência da telepatia no momento da morte. Deve-se a ele a citação seguinte:

"Não hesito em dizer que aquele que declara os fenômenos Espíritas contrários à ciência, não sabe do que fala. Com efeito, na natureza, não há nada de sobrenatural; há o desconhecido, mas o desconhecido de ontem torna-se a realidade de amanhã”.

Gabriel Delanne, engenheiro formado pela Escola Central das Artes e Manufaturas, estudou os fenômenos entre 1874 e 1926. Pesquisador infatigável merece um lugar de honra em razão de sua impressionante bibliografia de oito obras muito precisas e detalhadas sobre o Espiritismo científico e experimental.

Por sua parte, Léon Denis, orador incomparável e grande estudioso da fenomenologia, desenvolveu consideravelmente as conseqüências no plano filosófico e ético.

Thomas Edison evidenciou a "insuperável filosofia espírita" ao aderir publicamente ao "Congresso de Investigações Psíquicas" celebrado em Chicago, escreveu ao seu presidente, Dr. Cones, entre outras coisas, o seguinte: "O Congresso será, sem dúvida, proveitoso para o interesse do Espiritismo, porque dele resultará a distinção entre o falso e o verdadeiro, contribuindo por igual a fazer luz no assunto. Será salutar para os espíritas, porque sua insuperável filosofia tornar-se-á patente."

Hoje, a teoria das supercordas postula que os quarks, mais ínfima partícula subatômica conhecida até o momento, estariam formados por "supercordas" que, de acordo com sua vibração, dariam a "tonalidade" específica ao núcleo atômico a que pertencem, dando assim as qualidades físico-químicas da partícula em questão.

Querer imaginá-las é como tentar conceber um ponto matemático: é impossível, por enquanto. Além disso, são inimaginavelmente pequenas. Para termos uma idéia: o planeta Terra é dez a vinte ordens grandeza menor do que o universo, e o núcleo atômico é dez a vinte ordens de grandeza menor do que a Terra. Pois bem, uma supercorda é dez a vinte ordens menor do que o núcleo atômico.

Em O Livro dos Espíritos, item 30: A matéria é formada de um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.

Ou seja, é a vibração dessas infinitesimais "cordinhas" que seria responsável pelas características do átomo a que pertencem. Conforme vibrem essas "cordinhas" dariam origem a um átomo de hidrogênio, hélio e assim por diante, que por sua vez, agregados em moléculas, dão origem a compostos específicos e cada vez mais complexos, levando-nos a pelo menos 11 dimensões. Em O Livro dos Espíritos, item 79: Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material.

Poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material.

Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material.

Em O Livro dos Espíritos, item 64: Vimos que o Espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital é um terceiro e um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É, para vós, um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois que tudo isso deriva de um só princípio.

Essa teoria traz a ilação de que tal tonalidade vibratória fundamentada, é dada por algo ou alguém, de onde abstraímos a "consciência" como fator propulsor dessas cordas quânticas. Assim sendo, isso ainda mais nos faz pensar numa unidade consciencial vibrando a partir de cada objeto, de cada ser.

Através da ciência, o homem se transforma, reinterpretando o mundo onde vive, modificando suas relações com o meio ambiente e com o seu semelhante

Os Espíritos se regozijam a cada novo passo de progresso da ciência humana, porque dos seus labores, das suas dedicações, brotará o conhecimento superior, que felicitará os núcleos de criaturas, porquanto ficará patente, plenamente evidenciada, a grande missão do Espírito como elemento criador, organizador e conservador de todos os fenômenos que regulam a vida material.

Quanto mais avançam os cientistas, mais se convencem das realidades de ordem subjetiva, nos fenômenos universais.

As palavras natureza, fatalismo, tônus vital não bastam para elucidar a alma humana, quanto aos enigmas da sua existência: faz-se mister a intervenção das sínteses espirituais, reveladoras das mais elevadas verdades.

É para essas grandiosas afirmações que trabalhamos em comum, e esse desiderato constituirá a luminosa coroa da Ciência do porvir.

 

Fonte: USE - RIBEIRÃO PRETO - União das Sociedades Espíritas - Intermunicipal de Ribeirão Preto
Rua Jorge Velho, 59 - Vila Amélia - CEP 14050-280 - Ribeirão Preto - SP
http://www.userp.org.br/roteiros_2007.asp#julho

 



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