Wladimyr Sanchez

>    Mecanismo de geração de energia vital orgânica ambiental : estudo do Livro dos Espíritos Segundo Visão Científica

Artigos, teses e publicações

Compartilhar

Wladimyr Sanchez
>    Mecanismo de geração de energia vital orgânica ambiental: estudo do Livro dos Espíritos Segundo Visão Científica

 

texto também disponível em pdf - clique aqui para acessar


Vamos transcrever, em continuação, o texto do Primeiro Livro dos Espíritos que se segue:

“Seja ele o que for (princípio vital), há um fato que ninguém poderia contestar, por ser resultado de observação: É o fato que os seres orgânicos, possuem em si uma força intrínseca que produz o fenômeno da vida enquanto essa força existe; que a vida física é comum a todos os seres orgânicos, e que tal vida é independente da inteligência e do pensamento; que inteligência e pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; que finalmente entre as espécies orgânicas beneficiadas com a inteligência e pensamento, existe uma dotada especialmente de senso moral, que lhe dá incontestável superioridade sobre as outras, é a espécie humana”.

Já, o texto equivalente de o Livro dos Espíritos, apresenta a redação seguinte:

“Seja como for, há um fato que não se poderia contestar, porque é resultado da observação, e é que os seres orgânicos têm em si uma força íntima que produz o fenômeno da vida, tanto que esta força existe; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos e que ela é independente da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; enfim que, entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento, há uma dotada de um senso moral especial que lhe dá uma incontestável superioridade sobre as outras e que é a espécie humana”.


Embora apareçam palavras diferentes, nos dois textos acima compilados, observa-se que o sentido de ambos é o mesmo. Vamos, pois, analisá-los, conjuntamente.

O primeiro aspecto a ser analisado é o que se refere ao fato dos seres orgânicos possuírem em si uma força íntima, intrínseca, que produz a chamada “vida orgânica”. Não se diz aqui, princípio vital, e sim vida orgânica, que são conceitos distintos. A vida orgânica, como já estudado, foi conseqüência da existência de uma causa primária: o princípio vital, pertinente à matéria, orgânica e inorgânica.

A vida orgânica surge, em parte, pelo fornecimento de energia que o Espírito faz à matéria orgânica que ele aglomera em seu redor, para criar os corpos perispiritual e físico denso, e em parte pelos mecanismos que ele mesmo criou nesses corpos, para auto absorverem energia do meio ambiente com o qual interagem (fluido cósmico universal ou energia cósmica radiante).

Estudamos, que o Espírito, ser inteligente do Universo, possui certa fisiologia que o capacita a retirar desse mesmo universo certa quantidade de energia, que usa para se manter vivo e atuante. Uma parte da energia máxima que o Espírito pode retirar do fluido cósmico universal pode ser usada para ele manter ao seu redor, magneticamente, matéria orgânica moldada. Assim, toda a energia que o Espírito não consome, para viver e atuar é transferida magneticamente à matéria orgânica, na forma de moléculas, células, tecidos, órgãos, aparelhos e sistemas que constituem os corpos, perispiritual e físico denso. A energia que os corpos perispiritual e físico necessitam para se movimentar, reproduzir e produzir trabalho é obtida por meio de sistemas especiais, criados pela inteligência do Espírito, capazes de retirar energia do meio ambiente e de transformá-la na chamada energia vital orgânica.

Poderíamos representar, esquematicamente, o princípio vital e suas transformações sucessivas em energia vital espiritual, energia vital perispiritual, energia vital humana, energia vital animal, energia vital vegetal e energia vital mineral (cristal) em um gráfico, na forma de reta descendente, como se segue: A energia contida no principio vital se transforma, do fim mais nobre para o menos nobre, sucessivamente.

E claro que este gráfico é apenas ilustrativo e especulativo, por isso não possui valores nos eixos das ordenadas e abcissas. Assim, a energia vital, para cada reino da natureza seria conseqüência da transformação da energia mãe, oriunda do princípio vital, obtido na origem do Universo, ou seja, como conseqüência do BIG-BANG, ou grande explosão que deu origem ao Universo.

A energia vital que os seres orgânicos necessitam para se movimentar, reproduzir e produzir trabalho é retirada do meio ambiente onde vivem e transformada, nas moléculas das células, em energia elétrica específica, denominada energia vital, energia nervosa, energia magnética, energia animal ou outro nome qualquer que se lhe dê.

Assim, a energia vital que anima os corpos perispiritual e físico denso é formada por dois componentes distintos, com funções diferentes. O primeiro componente refere-se a energia fornecida pelo Espírito, com objetivo de manter as moléculas, células, tecidos, órgãos, aparelhos e sistemas unidos, coesos, magneticamente. Por isso, os corpos perispiritual e físico denso são constituídos pelos mesmos elementos químicos, possuindo apenas densidades diferentes, ou seja, para o mesmo volume corporal o número de células do corpo perispiritual é bem inferior ao número de células do corpo físico denso. O segundo componente refere-se a energia que os sistemas respiratórios e digestivos desses dois corpos podem obter a partir do ar atmosférico e dos alimentos ingeridos. É claro que os processos pelos quais o Espírito, o perispírito e o corpo humano retiram energia do meio ambiente diferem um dos outros, de acordo com o tipo de fisiologia de que é dotado cada corpo.

Podemos, portanto, representar a energia vital necessária aos corpos perispiritual e físico denso, pela equação do tipo:

E

= E + E
Vital   Espírito   Meio Ambiente

 

A energia retirada do meio ambiente, necessária ao mecanismo vital, é obtida por meio dos processos de respiração e de nutrição, para todos os seres orgânicos, embora os mecanismos de captação e de transformação energética variem acentuadamente, de espécie para espécie.

Os alimentos são importantes para o organismo porque atuam como fontes de energia, como matéria-prima do crescimento, de reconstituição de partes dele e ainda como reguladores de diversas funções orgânicas. Por isso, podem ser classificados como plásticos, energéticos, mistos e reguladores.

Plásticos são os alimentos utilizados na estrutura do organismo e na construção de componentes das células. Um exemplo típico de alimentos plásticos são as proteínas (carne, leite, ovos, soja, queijo, gelatina, feijão, etc.).

Energéticos são os elementos usados diretamente como fontes de energia necessária as atividades vitais. Pode-se incluir nessa categoria os carboidratos (cana de açúcar, beterraba, arroz, milho, trigo). Nesse caso, a energia é obtida por meio da oxidação dos alimentos realizada no interior das mitocôndrias.

Mistos são os alimentos que contribuem para o desenvolvimento de varias funções ao mesmo tempo: óleo, manteiga, margarina, ovos, etc.

Reguladores são os alimentos que controlam as funções vitais, como as vitaminas e os sais minerais. As vitaminas atuam como agentes ativadores das enzimas que aceleram o metabolismo celular. São fontes naturais de vitaminas as frutas, os cereais integrais, o leite, o ovo, etc.

Chama-se digestão o conjunto de transformações físico-químicas que os alimentos orgânicos sofrem para se transformarem em compostos moleculares menores, solúveis em líquidos e absorvíveis pelos componentes do organismo.

A digestão dos compostos orgânicos ocorre sempre na presença da água e é catalisada pelas enzimas digestivas. Este é um dos motivos pelo qual a água é o maior componente presente no organismo humano.

Existem vários tipos de digestão, no organismo humano, e de acordo com o local onde ela se desenvolve recebe nomes diferentes. Temos, assim: a digestão intracelular (ocorre totalmente no interior da célula); a digestão extracelular (ocorre totalmente no tubo digestório); extra e intracelular (inicia-se no tubo digestório e completa-se no interior da célula); digestão extracorpórea (a digestão da aranha, por exemplo, não ocorre no seu corpo mas no da própria presa).

A digestão intracelular ocorre totalmente no interior da célula e é realizada pelos chamados lisossomos, que são pequenos vocúolos citoplasmáticos que possuem membrana lipoprotéica e enzimas digestivas responsáveis pela digestão de vários tipos de compostos orgânicos.

Se a membrana do lisossomo for perfurada as enzimas extravasam para o citoplasma e a célula acaba morrendo por autodigestão.

As moléculas alimentares, de cadeia pequena, penetram na célula e formam um vacúolo com alimento, chamado fagossomo. No interior da célula, o lisossomo se une ao fagossomo formando o vacúolo digestivo. Após a absorção das partes úteis das moléculas alimentares forma-se o corpo residual que defeca para o exterior da célula. Quando o lisossomo digere componentes estruturais da própria célula forma-se um vacúolo autofágico.

Representa-se esquematicamente, no desenho abaixo, o processo de digestão intracelular. Vacúolos são espaços cheios de líquido incolor que se formam no protoplasma das células.

 

A digestão extracelular ocorre totalmente no inteiro do tubo digestório do animal. Ocorre na maioria dos invertebrados (minhocas), nos protocordados, (anfioxo) e nos vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). Em relação à alimentação, pode-se afirmar que o homem apresenta especialmente digestão extracelular, enquanto os lisossomos realizam a digestão de componentes celulares velhos, que devem ser renovados (autofagia).

A busca de alimentos é tão antiga quanto os reinos animal e vegetal, porque é a essência da vida e da sobrevivência do seres que os compõem. No caso específico do gênero homo, desde seu aparecimento na crosta terrestre, as tribos nômades primitivas alimentavam-se de vegetais e animais que lhes eram inferiores. Ao fim do período paleolítico – por volta de 15.000 ac – o homem transforma-se, aos poucos, em agricultor e pastor. A colheita torna-se atividade organizada e o processo evolui gradativamente. Atingi-se o Período Neolítico e a humanidade começa a realizar sua primeira grande revolução. A natureza começa ser melhor compreendida e usada em benefício do próprio homem.

Sabemos que o organismo humano libera energia em qualquer forma de trabalho que realiza. Para muitos, a idéia de trabalho está associada à de movimentos “pesados”. Mas, na realidade, trabalho e, por conseguinte, consumo de energia, ocorre em qualquer tipo de movimento executado pelos órgãos, por mais imperceptíveis que pareçam, como o piscar dos olhos, o deslocamento do sangue pelas veias e artérias, a vibração das cordas vocais, o movimento dos tímpanos, vibrando sobre o efeito da pressão da onda sonora, etc., até o levantamento de pesos grandes. A regra aplica-se, pois aos movimentos voluntários, andar, sentar, mover os braços, correr, e também aos atos involuntários, como a respiração, a transmissão dos impulsos nervosos, etc. Por isso, o organismo humano precisa consumir grande quantidade de energia, daí a necessidade de ser dotado de mecanismos que sejam auto produtores de energia elétrica.

Todas as células do organismo humano, cerca de 50 trilhões, precisam trabalhar continuamente e, portanto, produzir e consumir energia. Para isso ocorrer elas funcionam com auto produtoras de energia que geram para consumo próprio e parcela adicional que pode ser fornecida a outros componentes do sistema orgânico. Mas, para funcionar, adequadamente, a máquina corporal necessita de combustível adequado. Em outras palavras, necessita de alimentos selecionados.

Sabemos que existem seis (6) tipos de alimentos que fornecem ao organismo humano seus elementos constituintes: os açúcares, as proteínas, as gorduras, as vitaminas, os sais minerais e a água. Essas substâncias podem ter valor energético (fornecimento de energia), plástico (proporcionar a concentração de materiais de construção) ou simplesmente, contribuir com grupos químicos necessários ao funcionamento de algumas enzimas consideradas vitais.

A utilidade de um alimento para o organismo é proporcional à quantidade de energia que é capaz de liberar, quando “queimado”. Para medir essa energia utiliza-se uma unidade de calor, chamada caloria, que corresponde a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de um grama de água de um (1) grau centígrado. Por exemplo, um grama de açúcar, quando queimado pelo organismo, produz quatro (4) calorias; um grama de proteína produz igualmente quatro (4) calorias e um grama de gordura gera nove (9) calorias.

A parte da energia produzida pelos alimentos é convertida em calor para manter a temperatura corporal, porque somos seres muito sensíveis às bruscas variações de temperatura que podem levar a morte do corpo humano. Outra parte é utilizada para a realização de trabalho (secreção glandular, contração muscular e transporte celular etc.) que, mais tarde pode-se converter em produção de calor. Finalmente, uma porção é armazenada (sob forma de glicogênio e de gorduras) para se transformar em fonte de energia, quando necessário.

A quantidade de calor perdida diariamente, pela irradiação cutânea, fezes, urina, suor, expiração, é igual a quantidade adquirida pela ingestão de alimentos. O organismo humano possui equilíbrio calórico, como não podia deixar de ser; o peso e a composição média de um adulto praticamente não variam de um dia para outro, em condições normais de funcionamento dos órgãos que constituem o corpo humano.

A necessidade diária de calorias varia conforme os casos. Gravidez, lactação, doenças infecciosas e idade de crescimento são exemplos de situações especiais, que exigem mais calorias. Um adulto normal, de vida sedentária, necessita de alimentos que produzam a média de 2.500 calorias por dia de vida. O excesso não é queimado, depositando-se no organismo o que acarreta crescimento do peso da pessoa. Já, uma pessoa que realiza trabalho muscular intenso chega a consumir até 5.000 calorias diárias. Conclui-se daí que o Espírito criou um corpo humano apto a se movimentar, para realizar trabalho útil, e não para ficar preso, fixo, imobilizado, situação em que o acúmulo de energia produz gordura exagerada que dificulta o funcionamento dos próprios órgãos vitais.

O alimento mais comum e de mais fácil digestão é representado pelos açúcares ou hidrato de carbono, sobretudo das espécies tubérculos (batata, mandioca) e grãos de cereais (arroz, trigo, cevada, aveia, centeio, milho, etc.). Frutas, verduras, e leite também são fontes de hidrato de carbono, embora em menor proporção. Os açúcares são queimados rapidamente, constituindo os alimentos energéticos por excelência. Numa alimentação adequada devem contribuir com mais de 50 % de todo o teor energético. Numa dieta de 3.000 calorias, por exemplo, cerca de 1.600 calorias devem ser fornecidas por hidratos de carbono.

Os açúcares podem ser armazenados sob forma de glicogênio – no fígado e nos músculos, para possível uso futuro. Quando necessário (no intervalo entre as refeições ou durante o sono, por exemplo ) a reserva de energia é utilizada. O excesso de açúcar pode também ser transformado em gordura, que se acumula, então no tecido adiposo.

As proteínas são substâncias que participam de toda a estrutura do organismo, formando o seu esqueleto molecular. A sua importância é indicada pelo próprio nome, pois a palavra grega protéicos significa principal, em português. Basta lembrar que entram na constituição da substância contrátil dos músculos, das enzimas, dos anticorpos, da hemoglobina e de certos hormônios. Carne, peixe, ovos, leite e seus derivados são fontes de proteína animal. Feijão, soja, amendoim, são ricos em proteínas vegetais. Outros cereais, verduras, batatas e frutas são fontes pobres. A ingestão protéica deve ser de um grama para cada quilo de peso. Assim, uma pessoa pesando 70 quilos necessita de pelo menos 70 gramas de proteínas, fornecidas, sobretudo por fontes animais.

Vinte e cinco por cento (25%) do valor calórico de uma dieta normal deve ser representado pelas gorduras, com possível aumento em caso de grande consumo de energia, pelo organismo, no desenvolvimento de trabalho. Além do seu valor intrínseco como fornecedores de calorias, as gorduras são importantes pelo fato de transportarem as chamadas vitaminas lipossolúveis; A, D, E e K. Carnes, peixe, manteiga, óleos são algumas das principais fontes de gordura.

Água, sais minerais (de sódio, potássio, cálcio, fósforo, ferro, etc.) e vitaminas não são energéticos, nas desempenham papéis indispensáveis no organismo humano. A água é o meio no qual se dão todas as reações químicas orgânicas; os sais minerais e as vitaminas são imprescindíveis para que essas reações se realizem e a energia possa ser aproveitada.

A digestão humana é extracelular, pois ocorre no interior do tubo digestório. Compreende processos físicos (mecânicos) como a mastigação, a deglutição e os movimentos peristálticos. É também um processo químico, graças a ação das enzimas secretadas por glândulas anexas.

O aparelho digestório é fundado pelos órgãos seguintes: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (ceco, cólon e reto) e ânus. São órgãos anexos, as glândulas salivares, o fígado, com a vesícula biliar e o pâncreas.

O Espírito fornece energia ao corpo humano para que todos os seus órgãos se mantenham agregados. Mas, a energia necessária ao funcionamento do comando vital (cérebro e sistema hormonal) é autoproduzida pelas células, a partir da absorção de elementos existentes no meio ambiente e que se encontram dispersos no fluido cósmico universal ou energia cósmica radiante.

Por isso, é importante entender como o aparelho digestivo humano atua, comandado pelo cérebro (que por sua vez é comandado pela mente do Espírito) para compreender melhor o funcionamento do sistema global na produção de energia vital. Sem entrar em pormenores científicos e nos mecanismos das reações químicas que produzem energia, vamos procurar estudar, simplificadamente, o que são o estômago e o processo de digestão, para depois passarmos ao fenômeno da digestão intestinal, a mais importante no processo de geração de energia.

O homem é considerado um ser unívoro, isto é, sua alimentação inclui diferentes vegetais e animais. E cada tipo de alimento exige um trabalho diferente do estômago. Os alimentos quando chegam ao estômago, são atacados por uma série de substâncias presentes no chamado suco gástrico e decompostos quimicamente, para facilitar o trabalho final de digestão no intestino.

Sabe-se que o estômago não é um órgão imprescindível à vida, uma vez que o homens e animais podem sobreviver sem ele. Contudo, também não constitui um mero depósito de alimentos. Possui poderosa musculatura em suas paredes; esses músculos se contraem de maneira enérgica, triturando completamente os alimentos e, em conseqüência, transformando-os em pasta homogênea, chamada quimo. Sem esse processo, torna-se mais difícil a decomposição dos alimentos no tubo digestivo.

As substâncias úteis são, a seguir, absorvidas pelas mucosas do estômago e, sobretudo, dos intestinos.

A secreção do estômago é constituída principalmente por ácido clorídrico. Essa substância é secretada em forma quase pura por glândulas especiais que se encontram no órgão. No entanto, não constitui perigo para o organismo, porque é diluído na grande quantidade de água existente no estômago. O ácido clorídrico é o primeiro elemento que atua na decomposição das proteínas, e prepara a decomposição das moléculas, que são transformadas em moléculas menores pela ação da substância chamada pepsina.

A mistura das secreções glandulares do estômago recebe o nome de suco gástrico. Apesar de ser um dos mais importantes, o ácido clorídrico não é o único elemento produzido. Duas espécies de enzimas (substâncias que existem nos organismos vivos) apressam a decomposição química de qualquer tipo de proteína sob a ação do ácido. Uma dessas enzimas, a pepsina, é o principal elemento digestivo do suco gástrico.. A pepsina é encontrada em maior quantidade nos adultos. Nas crianças, suas funções são desempenhadas por outra substância chamada renina, cuja principal ação é sobre a caseína ( proteína do leite ). A renina deixa de existir quando a criança se transforma em adulto.

Para não ser atacado pelo suco gástrico, altamente ácido, o estômago possui seu sistema de segurança. Uma espécie de graxa, chamada muco gástrico, recobre a mucosa do estômago e a isola, assim como uma camada de óleo protege as máquinas da umidade. Se não existisse essa proteção, as células da mucosa seriam destruídas pelo próprio suco gástrico que produzem.

Gorduras e açúcares são resistentes ao suco gástrico. As gorduras atravessam o estômago praticamente incólumes e só serão totalmente decompostas nos intestinos. É por isso que uma refeição gordurosa, como por exemplo, a feijoada, dá sensação de peso no estômago. Os açúcares são parcialmente decompostos no estômago, porém, não pela ação do suco gástrico, mas pela ação de outra substância chamada de pitialina, que é uma enzima contida na saliva. Por outro lado, a acidez do estômago limita a ação da pitialina, que é destruída em cerca de 20 (vinte) minutos pelo suco gástrico.

Outra função muito importante do estômago é eliminar – graças a presença dos ácidos – os micróbios que são ingeridos na alimentação, principalmente nas verduras e vegetais consumidos crus.

A função mais importante na absorção dos alimentos é executada pelos intestinos. O estômago absorve apenas pequenas quantidades de ferro, aminoácidos, açúcares, alguns sais, como o cloreto de sódio (sal de cozinha) e álcool. Esse último pode atravessar muito rapidamente a mucosa gástrica, passando logo para a circulação sangüínea. Por isso, não adianta aplicar lavagens gástricas em pessoas muita alcoolizadas, pois a absorção é mais rápida quando o estômago está vazio.

Muitos medicamentos, feitos para serem absorvidos nos intestinos, precisam ser acondicionados em cápsulas especiais que resistam a ação do suco gástrico, para evitar que sejam destruídos no estômago. Os produtos que não são decompostos pelo suco gástrico não precisam dessa proteção, iniciando sua atuação no intestino. Quando tomados em jejum, esses comprimidos podem provocar irritações nas mucosas estomacais, levando ao surgimento de úlceras.

Representa-se esquematicamente, no desenho abaixo, o mecanismo de aproveitamento de substâncias presentes na alimentação humana, levando-se em conta que o organismo aproveita três espécies de substâncias: hidratos de carbono ou carboidratos, proteínas e gorduras. No estômago, onde são digeridas principalmente as proteínas, começa a digestão dos açúcares, enquanto que as gorduras não sofrem, praticamente, nenhuma modificação; serão decompostas mais tarde no intestino.



topo