A ALMA E O ESPÍRITO
“ um esclarecimento necessário”
Muito se fala em espírito e alma
quando se trata de temas transcendentais, como se os mesmos fossem sinônimos.
Na verdade, ao longo da história, nunca se tratou verdadeiramente
de se convencionar uma referência devida a cada termo.
Diz o Aurélio: Espírito é
a parte imaterial do ser, parte incorpórea, inteligente.
E a alma: Princípio de vida, preceito de
unificação (o termo unificação, nos dá
uma idéia mais precisa da fusão das duas partes).
As duas balizas são usadas, portanto, como sinônimos.
A literatura iniciática, estruturada em suas escolas de estudo,
nas fraternidades, e que ao longo do processo civilizatório cuidou
do lado divino do homem, na sua busca evolutiva, no refinamento moral
e filosófico e dos métodos para tal, dão conotações
distintas às duas.
O espírito é a centelha divina, que saiu
do seio do Criador. Foi por ele construído e sendo eterna em
essência parte para as grandes jornadas cósmicas, operando
em diversos planos da criação: vestindo roupagens-almas
e corpos físicos, mesmo etéreos, propiciando assim às
almas-instrumento a evolução, a oportunidade de servir
de instrumento ao Eterno!
É o exercício da ação construtiva, criativa
e redentora!
Ele, o espírito, é um ato de puro amor
de Deus-Pai por si mesmo, na sua forma mais incondicional. Através
da fagulha criada (e já revestida do Divino Espírito Santo),
o Pai obra a criação!
Elas, as chispas, são os seus filhos amados!
A alma é um instrumento vibracional, artificial,
plástico, adaptável. É o Carro de Combate, um aríete
para romper obstáculos, um veículo que busca na ação,
a adaptação, as tomadas de posição, e para
isso, usando o atributo divino que lhe foi confiado, o livre arbítrio!
Busca a compreensão através do discernimento, do uso da
razão, do jogo dos pares contrários, da ilusão
dos sentidos físicos, da superação dos opostos,
tragédias e comédias! Constrói o seu código
doutrinário. É a busca da evolução!
Ela, a alma, é o veículo-ator que expressa
à sabedoria divina em ação objetiva, nos diversos
palcos de vidas. Diz o aforismo que: Eu estou em você,
mas você não está em mim. Uma clara alusão
à presença divina no corpo físico, através
da alma.
Ela tem em si o divino, mas não habita a consciência Suprema;
é apenas um veículo, o sopro, o alento insuflado no corpo
físico, trazendo a energia quente de vida!
O corpo físico, os instintos atávicos, a alma com a sua
mente e consciência, os condicionamentos, o resultados das adaptações,
o jogo dor-prazer, a busca da alma gêmea... A ilusão dos
opostos! A busca dos contrários, a se completarem.
A alma, em sua jornada evolutiva, tenta modificar o
organismo através de séculos, em suas sucessivas passagens
pelas trilhas terrestres. Daí a nossa sensibilidade emocional,
psíquica, ser proporcional ao nosso adiantamento moral e filosófico.
Daí as nossas reminiscências.
Na nossa vivência como encarnados, transitamos em meio a uma multidão
invisível de almas, de naturezas várias, a nos observar,
a analisar as nossas falácias, mesquinharias, a compará-las,
a medir os nossos anseios. Participam da nossa vida pelo pensamento
influem mesmo, nas alegrias e tristezas que nos ocorrem.
Sofrem e amam com a nossa jornada, se evoluem e se perdem, ao acompanhar
e se sugerir com as nossas decisões. Buscam-se coisas distantes
de uma doutrina Crística, não há calor, só
irrealizações.
O perispírito, este corpo tênue que nos envolve imediatamente
acima da epiderme, é o responsável pelo nosso centro nervoso,
são partículas de antimatéria que se sustentam
e se transmutam pela alma.
As suas partículas promovem uma variedade enorme de percepções.
O perispírito é energia de ação e reação,
este invólucro do corpo, uma forma inorgânica e sensível
que se expressa via pensamento, sempre no presente, a registrar a nossa
evolução.
Os materialistas não aceitam a antimatéria, mas não
conseguem queimar ou excluir o que lhes incomoda!
O ser encarnado possui vários plexos. O nervoso perfeito universo
em miniatura são as emoções os desejos, a vida,
o nascimento e a morte. A consciência e o nosso viver nos envolvem
nos nossos próprios pensamentos. Vivemos e somos atraídos,
isto é o peso que dura tanto na vida quanto na morte.
Diariamente, nos encontramos com a nossa individualidade, formamos o
estado onírico, os sonhos, e somos jogados na tela da vida. A
terra move e absorve os nossos lamentos e alegrias! Os corpos físicos
são partículas atômicas. A alma é o veículo
sangüíneo do espírito, a sede dos sentimentos.
A individualidade usa a personalidade de forma transitória, como
uma roupagem.
O espírito é uma centelha vinda do Criador! Do pai! Somos
um segmento inseparável da alma divina, um pequeno pedaço
que contém o micro e o macrocosmo. Somos a imagem e semelhança
de Deus Pai Todo-Poderoso! E pôr Ele foi criado, num exercício
de puro amor.
Lançados na aventura da vida, numa grande jornada, uma sístole
e uma diástole cósmica. Somos a expressão da vontade
divina!
“O homem vive no tempo, na sucessão,
e o mágico animal, na atualidade, e na eternidade do instante”
– (Borges).
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