Nada foi feito ao acaso.
II – EXAME DETALHADO
DA OBRA
ESTUDO DA PRIMEIRA PARTE
Por que a primeira parte é a escolha do objeto?
Porque ela trata das CAUSA
PRIMÁRIAS (ou da Causa Primeira) – Kardec vai investigar
como as coisas surgiram – são as causas que dão
início a todo processo de informação;
Vai estabelecer a causa primeira de todas as coisas
e chega à questão: – QUE É DEUS? Demonstrando
para nós que não devemos perguntar mais nada sobre a origem
das coisas.
Eu tenho uma causa, o UNIVERSO tem uma causa.
E Deus? Se Deus é a
CAUSA PRIMEIRA, DEUS NÃO TEM CAUSA. Ou Deus é sua
própria causa. Sempre existiu.
A idéia de Deus é clara e satisfaz nossas
exigências de seres racionais.
Em seguida, Kardec apresenta as duas causas criadas
por Deus – ESPÍRITO E MATÉRIA.
Aí está a TRINDADE
UNIVERSAL: DEUS – ESPÍRITO E MATÉRIA –
Os três elementos do Universo.
A Matéria serve de instrumento ao Espírito.
Mas Kardec concentra o seu estudo no objeto de estudo: ESPÍRITO.
(Conforme descrição no item VII da Introdução
de o “O Livro dos Espíritos”).
A Matéria compete
à Ciência, porque pode ser manipulada à vontade
pelos experimentadores. A opinião do Espiritismo quanto ao mundo
físico é a mesma opinião da ciência.
A Ciência tem como competência estudar
a matéria e o Espiritismo segue o que a ciência pesquisa
e aceita.
(Ver A GÊNESE e o item VII da Introdução de O Livro
dos Espíritos).
Quanto ao elemento espiritual,
coube à Doutrina Espírita estudar. Por ser o ESPÍRITO
algo sem possibilidade de demonstração em laboratório,
porque não se trata de objeto material, Kardec o escolheu para
ser o objeto do estudo da Doutrina Espírita.
Por que Kardec não escolheu DEUS como objeto
de estudo da Doutrina Espírita?
(Ver questão nº 10 de O Livro dos Espíritos).
Porque o homem não pode compreender a natureza
íntima de DEUS. Falta-lhe para isso O SENTIDO (A GÊNESE
– 2º Capítulo).
O espírito só compreenderá DEUS
com sua completa depuração. Se o homem não pode
se deter no estudo da Divindade, este não pode ser seu objeto.
Então o objeto é o ESPÍRITO. Da
interação do Espírito e da Matéria é
que surge a criação (Questão 21 de O Livro dos
Espíritos). Da ação do Espírito sobre a
matéria é que surge a matéria. EX: A criação
do Planeta Terra. Então Kardec aborda este assunto nesta parte
da obra.
ESTUDO DA SEGUNDA PARTE
Após escolhido o objeto o pesquisador busca explorar
todas as características, todas as propriedades do mesmo. Nosso
objeto é o ESPÍRITO. Neste Capítulo Kardec explora
tudo sobre os Espíritos, abrangendo o Mundo Espiritual, o Mundo
Corporal, a ida e vinda do ESPÍRITO. Nesta parte fala-se, então,
da encarnação, da intervenção dos Espíritos
no mundo corporal etc.
Se o objeto é o ESPÍRITO, o primeiro
Capítulo tratou de os espíritos de forma geral, tanto
que Kardec usa a palavra espírito com letra minúscula.
Nesta parte (segunda), Kardec estuda o que é o ESPÍRITO
(já individualizado). Neste caso ele passa a usa a palavra ESPÍRITO
com letra maiúscula.
Na primeira Parte Kardec fala do espírito como
substância e na segunda Parte (questão 74) trata ESPÍRITO
como ser individual, personalidade.
Vejam a grande força que é o Espiritismo
e quanto a ciência se beneficiaria se admitisse a existência
do Espírito.
Esta Parte trata também do elo que liga o Átomo
ao Arcanjo, pois tudo se encadeia na Natureza – Os três
Reinos.
ESTUDO DA TERCEIRA PARTE
A Terceira Parte é a FORMULAÇÃO
DAS LEIS
(Questão 617 de O Livro dos Espíritos)
No Primeiro Capítulo Kardec mostra o caráter
da Lei Moral proposta pela Doutrina Espírita, isto é,
revivescência do Evangelho de Jesus. Espiritismo é uma
Doutrina Cristã.
Tanto que na Questão 625 ela responde que Jesus
é nosso modelo (para se imitar) e guia (para se seguir).
Nesta parte Kardec deixa claro o que é MORAL
(Questões 629 e 630 de o “O Livro dos Espíritos)
quando trata do BEM e do MAL.
Este assunto é bem complementado em A GÊNESE.
Ex: O mal é a ausência
do bem. Na visão espírita, o mal não tem
realidade própria. Não há substância maligna.
As coisas não são em si mesmas más, mas produto
do que as pessoas fazem das coisas.
Quando cumprimos a lei o bem se faz presente, como a
luz faz desaparecer a escuridão.
Não há ser maligno (filosofia maniqueísta).
- Filos. Doutrina do persa Mani ou Manes (séc.
III), sobre a qual se criou uma seita religiosa que teve adeptos na
Índia, China, África, Itália e S. da Espanha, e
segundo a qual o Universo foi criado e é dominado por dois princípios
antagônicos e irredutíveis: Deus ou o bem absoluto, e o
mal absoluto ou o Diabo.
Nesta parte Kardec fala da consciência
que é um pensamento íntimo
e as experiências milenares constituem as aquisições
da nossa consciência atual. O corpo perispiritual é o reflexo
do nosso mundo espiritual, do pensamento contínuo que mantemos.
Virtude é hábito bom que permanece.
No segundo capítulo, Kardec descreve as leis.
Propõem Kardec 10 (dez) leis,
como as de Moisés, mas isto nada tem de absoluto. É questão
de sistema, de classificação, forma didática.
Há alguma ordem nesta escolha? Jesus propôs:
AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO.
É o caráter trinitário.
DEUS – O HOMEM E O PRÓXIMO.
Até a Prece “PAI NOSSO”, estabelece
todos os deveres do homem para com Deus, consigo mesmo e com o próximo.
Os primeiros deveres do homem são para com Deus.
Se não cumprirmos os deveres para com Deus, nós
não nos habilitamos a cumprir os outros deveres.
É sintonizar com o Criador, é receber
a inspiração; é colocar-se em condições
de cumprir os outros deveres.
As Leis que regulam o comportamento do homem para com
Deus são:
LEI DE ADORAÇÃO – Como adorar? Adorar
Deus pelo pensamento.
LEI DO TRABALHO – Adorar a DEUS pela ação.
Em seguida, Kardec propõe as leis que regulam
o comportamento do homem para consigo mesmo.
AMAR A SI MESMO é fazer o melhor para si, para
sua felicidade. Não é egoísmo, é equilíbrio.
Por meio destas Leis – REPRODUÇÃO,
CONSERVAÇÃO E DESTRUIÇÃO - Kardec propõe
como regular o comportamento do homem para consigo mesmo.
Na REPRODUÇÃO o homem deve preocupar-se
em garantir a existência de um outro ser, a vida de um outro espírito.
PELA CONSERVAÇÃO – Kardec propõe
ao homem garantir a própria vida, nossas forças físicas.
É curtir os prazeres sem causar prejuízo a si e ao semelhante,
com equilíbrio.
É a razão controlando os excessos para
que o prazer não se transforme em dor. EX: Vícios, sexo.
Fala que o sexo não é simples contato
físico, mas envolve emoções, sentimentos. Buscar
a sexualidade responsável.
A Doutrina Espírita não abomina o prazer,
mas convida ao prazer equilibrado, à felicidade.
Na LEI DE DESTRUIÇÃO
– Kardec fala que a destruição necessária
é decorrente da conservação.
Em seguida, Kardec formula as leis que regulam os deveres
do homem para com seu próximo.
São – LEI DE SOCIEDADE, LEI DE PROGRESSO,
LEI DE IGUALDADE, LEI DE LIBERDADE.
LEI DE SOCIEDADE –
O primeiro dever do homem é viver em sociedade. O homem depende
do outro para viver.
A todo momento precisamos uns dos outros (para vestir,
para alimentar, para se locomover). Só em sociedade, podemos
viver em equilíbrio.
LEI DO PROGRESSO –
A sociedade engendra o Progresso.
O Progresso é uma decorrência da lei social.
Kardec fala do progresso material, intelectual e moral.
O perispírito reflete o progresso moral.
O progresso gerará duas coisas: A IGUALDADE E
A LIBERDADE.
Da conquista da IGUALDADE nasce a LIBERDADE.
(o ápice do progresso humano) quando vivo em
IGUALDADE.
A maior liberdade é conquistada quando o espírito
escolhe cumprir a lei. A liberdade surge quando o homem cumpre espontaneamente
a lei, escolhe, com naturalidade, seguir a lei
(Ver o artigo em OBRAS PÓSTUMAS – Fraternidade, Igualdade
e Liberdade).
“Quanto mais preso aos deveres, mais livre
o espírito é.”
A Liberdade é o patamar máximo que o homem
alcança após cumprir os seus deveres.
Mas não são DEZ LEIS? Então falta
uma (QUESTÃO 648)
– JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE.
Esta lei é um resumo das nove leis.
É o resumo do pensamento moral proposto
por Jesus.
Passa-se, então ao último item:
Como praticar as Leis?
Isto está contido no Capítulo sobre a
Perfeição Moral.
Aí está a orientação segura
para se cumprir as leis.
Neste capítulo Kardec oferece a chave fundamental
para conquistar as virtudes (QUESTÃO 919 de “O Livro dos
Espíritos”).
Qual o meio mais PRÁTICO para viver estas leis.
Observe a pergunta de Kardec: “MEIO PRÁTICO”.
E a resposta é simples “CONHECE-TE
A TI MESMO”. (Sócrates).
Aqui Kardec estuda a personalidade
humana (apresenta as virtudes e vícios) – é
o mais completo estudo sobre a personalidade humana.
A dificuldade para se conhecer a si mesmo é
abordada por Santo Agostinho, que nos recomenda o EXAME
DE CONSCIÊNCIA.
ANÁLISE DA QUARTA PARTE.
Nesta parte Kardec aborda as “Conseqüências
para o Espírito do cumprimento ou não das Leis Morais”.
Os Espíritos vivem nos dois lados da vida –
mundo corporal e mundo espiritual. Quais as conseqüências
para o espírito na terra ou no plano espiritual (na vida futura)
do cumprimento da Lei?
Para examinar com detalhes estas conseqüências,
Kardec oferece “O CÉU E O INFERNO”
(obra).
E afirma que CÉU E
INFERNO são estado interiores da consciência e não
lugares (espaços) exteriores, onde você está.
UMBRAL – região
de criações mentais negativas, onde os espíritos
plasmam e viciam este lugar.
Não são regiões fixas e desaparecerão
com a modificação dos pensamentos dos espíritos.
Não é análogo
a INFERNO que é um lugar definitivo e permanente.
III - CONCLUSÃO.
O “O Livro dos Espíritos” é
a pedra angular da Doutrina Espírita, é a base.
Assim, não basta lê-lo, é
preciso estudá-lo e em conseqüência praticá-lo.
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