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Scott Rogo

>   Pesquisa Psíquica e a Controvérsia da Sobrevivência

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(trecho)

 

O Caso de James Kidd

Um dos mais curiosos capítulos da história da jurisprudência americana data de 1967, quando um excêntrico garimpeiro americano do Arizona foi declarado legalmente morto. Ele havia desaparecido no deserto que cerca Phoenix em 1949. Essa ocorrência provavelmente não teria chamado a atenção dos jornais, nem do público... se não fosse um aspecto bizarro do caso. Quando desapareceu, o garimpeiro deixou cerca de 175.000 dólares em dinheiro e ações depositados em um banco. Deixou também um testamento escrito a mão, datado de 2 de janeiro de 1946, no qual declarava, entre outras coisas, que o grosso de seus bens devia ser destinado a "...pesquisa de alguma espécie de prova científica de uma alma do corpo humano que o deixa na morte...".

Quando se tornou pública, a notícia da existência do testamento provocou um furor. Logo o tribunal superior de Phoenix foi inundado por reivindicantes, todos esperando beneficiar-se do testamento. Havia médiuns, igrejas, filósofos, institutos de pesquisa e uma variedade de excêntricos, todos alegando ter direito ao dinheiro. As audiências realizadas pelo tribunal nos poucos meses seguintes foram cheias de profundas discussões filosóficas, assim como de humor. Uma "médiun" de Los Angeles demonstrou ao tribunal como seu "espírito guia" podia responder a perguntas através dela, enquanto ela deixava um secador de cabelos funcionando para não ouvir o que estava sendo perguntado. Um professor de filosofia de um colégio da Califórnia alegou que poderia provar a existência da alma por meio da lógica, enquanto o Instituto Neurológico Barrow, com sede no Arizona, se propôs usar o dinheiro em pesquisa cerebral. Parapsicólogos também se sentiram intrigados pelo testamento, e a Sociedade Americana de Pesquisa Psíquica (de Nova York) e a Fundação de Pesquisa Psíquica (de Durham, Carolina do Norte) enviaram representantes para depor.

As audiências finalmente passaram a ser conhecidas como o "Grande Julgamento da Alma" e a decisão final do tribunal foi bastante anticlimática. O juiz Robert J. Myers conferiu os fundos ao pessoal do Barrow, argumentando que o dinheiro seria melhor aplicado em algum trabalho de pesquisa prática.

A decisão enraiveceu vários dos reivindicantes, os quais alegavam que o Instituto se desqualificava previamente por seu próprio depoimento. Representantes enviados pelo Instituto explicaram durante as audiências que não realizariam pesquisas sobre a alma, de modo que os protestos eram justificados. Finalmente, a Sociedade Americana de Pesquisa Psíquica e a Fundação de Pesquisa Psíquica, que fora fundada em 1960 expressamente para pesquisar o problema da sobrevivência, apelaram da decisão. O supremo tribunal estadual mostrou-se mais simpático que o tribunal superior e, depois de reexaminar o caso, ordenou ao juiz Myers que reformasse sua decisão. Isso lhe deixou pouca alternativa além de destinar o dinheiro à Associação Americana de Pesquisa Psíquica, pois esta demonstrara convincentemente durante as audiências que estava historicamente interessada em descobrir prova da vida depois da morte. A Associação, por sua vez, decidiu partilhar o legado com a Fundação de Pesquisa Psíquica.

O estranho caso James Kidd e seu testamento forneceu à parapsicologia um curioso precedente. Publicamente e (em certo sentido) legalmente, fora reconhecido que a questão de vida depois da morte podia ser cientificamente estudada. Ficara estabelecido também que a ciência da parapsicologia estava melhor qualificada para enfrentar o desafio. A sentença reformada do tribunal inferior foi provavelmente influenciada pelo depoimento do falecido dr. Gardner Murphy, que era na época presidente da Associação Americana de Pesquisa Psíquica e também eminente psicólogo. Murphy procurou em seu depoimento explicar que a parapsicologia dedicava-se havia muito tempo ao estudo de aparições, visões no leito de morte, mediunidade e outros fenômenos psíquicos. Eram ocorrências raras sugerindo que nós, os vivos, podemos ocasionalmente vislumbrar o mundo invisível. O tribunal concluiu concordando sobre o assunto.

Mas, se a parapsicologia vem explorando a questão da sobrevivência há tanto tempo, por que a causa da vida depois da morte ainda está em aberto? Pois, embora exista rica literatura histórica sobre o assunto, a prova definitiva da existência de vida depois da morte continua esquiva.

 

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