Espiritualidade e Sociedade





Augusto Rodrigues

>    Facto Mediúnico numa Epigrafia

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Augusto Rodrigues
>   Facto Mediúnico numa Epigrafia

 

Augusto Rodrigues - arqueólogo - ADEP

 

Ao folhear o volume III de «Religiões da Lusitânia», publicado em 1913 pelo insigne arqueólogo José Leite de Vasconcelos,
deparamos com uma página que refere um assunto interessante.

 

De modo a tornar esse facto acessível, decidimos transcrever um pequeno excerto do texto. Diz o autor que existe «numa lapide achada em Roma, na qual se conta que enquanto um indivíduo chora afflicto a morte de seu neto, que lhe morrêra na flor dos anos, vê descer do ceu, numa madrugada, um jovem envolto em luz, mais encorpado que o neto, mas com o typo, a côr, e a voz delle. O brilhante fantasma pede-lhe que não chore, porque o que morreu para a terra, vive nos astros transformado em deus

É claro que o texto da inscrição está de acordo com a mitologia romana, mas qualquer iniciado na doutrina espírita lhe poderá compreender o significado.

Note-se que o avô deveria certamente possuir mediunidade de vidência para poder ver o espírito do neto desencarnado («um jovem envolto em luz»).

 

Relativamente à mensagem deste, pode-se observar o estado de esclarecimento e lucidez do espírito que descobriu que a verdadeira vida é a vida espiritual, pois afirma: «o que morreu para a terra» (o espírito) «vive nos astros» (mundo espiritual) «transformado em deus» (espírito livre).

Muitos romanos acreditavam na vida depois da morte. A crença sobre o destino das almas é que variava, pensando alguns que ela ia viver na lua ou nas estrelas e outros julgavam que ela ficava a habitar o túmulo. Daí, muitas inscrições funerárias terminarem pela fórmula "Que a terra te seja leve", e daí, também, as oferendas fúnebres de alimentos que se colocavam renovadamente junto das sepulturas.

É curioso observar que numerosas lápides funerárias ostentam no topo meias-luas e outras representações astrais (estrelas) - figura 1-A e B, sendo estes dois casos concordantes com a primeira interpretação apresentada. A lápide A é consagrada aos deuses manes - D(iis) M(anibus) S(acrum) - que eram a colectividade das almas dos antepassados, tornadas divinas.

É com certeza por causa destas crenças que o espírito comunica ao avô que «vive nos astros transformado em deus».

 

Fonte: http://www.ieja.org/portugues/p_index.htm

 



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