Armando Reis

>    Uma reflexão sobre O Livro dos Espíritos

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Armando Reis
>    Uma reflexão sobre o Livro dos Espíritos



I - ESTRUTURA DO LIVRO DOS ESPÍRITOS



1. INTRODUÇÃO

Kardec afirma na Introdução de O Livro dos Espíritos, 2º parágrafo, que devemos estudar o Livro dos Espíritos porque (...) “a Doutrina Espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível.”



2. ETAPAS DA TEORIA CIENTÍFICA

  • Para entender o processo de elaboração da Doutrina Espírita, precisamos conhecer quais são as etapas da Teoria Científica.
    • Toda ciência, ao começar o estudo, a pesquisa, pergunta: ESTUDAR O QUÊ?

Este é o primeiro passo.

Isto é, qual o objeto a ser estudado.

Então, o objeto é a delimitação do campo de atuação da ciência (campo de estudo).

    • No caso da Doutrina Espírita, o objeto de estudo é o Espírito

 

  •   Segundo passo de uma teoria científica.

Escolhido o objeto de estudo fazemos a seguinte pergunta?

POR QUE ESCOLHEMOS TAL ASSUNTO?

Neste momento, realiza-se um estudo do fato científico, por meio de uma descrição detalhada do objeto estudado (no caso o Espírito), buscando descobrir, examinando todas as circunstâncias, as características do objeto estudado e todas as informações sobre ele (objeto de estudo – Espírito).

  •   O terceiro passo de uma teoria científica é apresentar as leis que regulam o comportamento do objeto estudado.


Busca-se, por meio da análise profunda, a elaboração de leis.

Formulada a lei, podemos determinar as conseqüências desta lei.

  •   E isto constitui o quarto passo de uma Teoria Científica – conseqüências do cumprimento ou não destas leis.

Isto constitui propriamente uma ciência :

Ser capaz de formular leis e apresentar as conseqüências destas leis.

Este é um resumo das quatro etapas de uma Teoria Científica. Além disso, a escolha deste estudo deve ser justificada.


3. ELABORAÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA

  • Kardec apresenta esta justificativa em a Gênese, cap. I – item 14.


Em seguida, Kardec apresenta a Doutrina Espírita de forma didática
.

  • A PRIMEIRA PARTE é o objeto de Estudo – “O ESPÍRITO”. Nesta parte, Kardec complementa com a obra “A GÊNESE”. A Doutrina Espírita tem como objeto de estudo “O Espírito”.

 

  • Passa-se a SEGUNDA PARTE – Estudo de toda a vida dos Espíritos. Esta parte foi complementada pelo “O LIVRO DOS MÉDIUNS”. É a descrição detalhada do OBJETO. (O ESPÍRITO).

 

  • Passa-se em seguida à TERCEIRA PARTE – Leis que regulam a Conduta dos Espíritos.

 

É a Formulação das Leis.

Esta é a parte principal da ciência.

Por isso, no quadro 3 ela está acima.

Esta parte foi complementada pelo “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”.

  •   Passa-se, finalmente, à QUARTA PARTE – Dedução das Conseqüências.Nesta parte Kardec apresenta o que ocorre aos espíritos com o cumprimento ou não das leis. Esta parte está complementada pela obra “O CÉU E O INFERNO”.
  •   Kardec, então escreveu uma obra básica, que deu origem a quatro outras complementares – isto para se estudar cada parte com mais profundidade.

  •   Houve um planejamento por parte de Kardec. Nada foi feito ao acaso.

 

II – EXAME DETALHADO DA OBRA

ESTUDO DA PRIMEIRA PARTE


Por que a primeira parte é a escolha do objeto?

Porque ela trata das CAUSA PRIMÁRIAS (ou da Causa Primeira) – Kardec vai investigar como as coisas surgiram – são as causas que dão início a todo processo de informação;

Vai estabelecer a causa primeira de todas as coisas e chega à questão: – QUE É DEUS? Demonstrando para nós que não devemos perguntar mais nada sobre a origem das coisas.

Eu tenho uma causa, o UNIVERSO tem uma causa.

E Deus? Se Deus é a CAUSA PRIMEIRA, DEUS NÃO TEM CAUSA. Ou Deus é sua própria causa. Sempre existiu.

A idéia de Deus é clara e satisfaz nossas exigências de seres racionais.

Em seguida, Kardec apresenta as duas causas criadas por Deus – ESPÍRITO E MATÉRIA.

Aí está a TRINDADE UNIVERSAL: DEUS – ESPÍRITO E MATÉRIA – Os três elementos do Universo.

A Matéria serve de instrumento ao Espírito. Mas Kardec concentra o seu estudo no objeto de estudo: ESPÍRITO.
(Conforme descrição no item VII da Introdução de o “O Livro dos Espíritos”).

A Matéria compete à Ciência, porque pode ser manipulada à vontade pelos experimentadores. A opinião do Espiritismo quanto ao mundo físico é a mesma opinião da ciência.

A Ciência tem como competência estudar a matéria e o Espiritismo segue o que a ciência pesquisa e aceita.
(Ver A GÊNESE e o item VII da Introdução de O Livro dos Espíritos).

Quanto ao elemento espiritual, coube à Doutrina Espírita estudar. Por ser o ESPÍRITO algo sem possibilidade de demonstração em laboratório, porque não se trata de objeto material, Kardec o escolheu para ser o objeto do estudo da Doutrina Espírita.

Por que Kardec não escolheu DEUS como objeto de estudo da Doutrina Espírita?
(Ver questão nº 10 de O Livro dos Espíritos).

Porque o homem não pode compreender a natureza íntima de DEUS. Falta-lhe para isso O SENTIDO (A GÊNESE – 2º Capítulo).

O espírito só compreenderá DEUS com sua completa depuração. Se o homem não pode se deter no estudo da Divindade, este não pode ser seu objeto.

Então o objeto é o ESPÍRITO. Da interação do Espírito e da Matéria é que surge a criação (Questão 21 de O Livro dos Espíritos). Da ação do Espírito sobre a matéria é que surge a matéria. EX: A criação do Planeta Terra. Então Kardec aborda este assunto nesta parte da obra.



ESTUDO DA SEGUNDA PARTE

Após escolhido o objeto o pesquisador busca explorar todas as características, todas as propriedades do mesmo. Nosso objeto é o ESPÍRITO. Neste Capítulo Kardec explora tudo sobre os Espíritos, abrangendo o Mundo Espiritual, o Mundo Corporal, a ida e vinda do ESPÍRITO. Nesta parte fala-se, então, da encarnação, da intervenção dos Espíritos no mundo corporal etc.

Se o objeto é o ESPÍRITO, o primeiro Capítulo tratou de os espíritos de forma geral, tanto que Kardec usa a palavra espírito com letra minúscula. Nesta parte (segunda), Kardec estuda o que é o ESPÍRITO (já individualizado). Neste caso ele passa a usa a palavra ESPÍRITO com letra maiúscula.

Na primeira Parte Kardec fala do espírito como substância e na segunda Parte (questão 74) trata ESPÍRITO como ser individual, personalidade.

Vejam a grande força que é o Espiritismo e quanto a ciência se beneficiaria se admitisse a existência do Espírito.

Esta Parte trata também do elo que liga o Átomo ao Arcanjo, pois tudo se encadeia na Natureza – Os três Reinos.



ESTUDO DA TERCEIRA PARTE

A Terceira Parte é a FORMULAÇÃO DAS LEIS
(Questão 617 de O Livro dos Espíritos)

No Primeiro Capítulo Kardec mostra o caráter da Lei Moral proposta pela Doutrina Espírita, isto é, revivescência do Evangelho de Jesus. Espiritismo é uma Doutrina Cristã.

Tanto que na Questão 625 ela responde que Jesus é nosso modelo (para se imitar) e guia (para se seguir).

Nesta parte Kardec deixa claro o que é MORAL (Questões 629 e 630 de o “O Livro dos Espíritos) quando trata do BEM e do MAL.

Este assunto é bem complementado em A GÊNESE.

Ex: O mal é a ausência do bem. Na visão espírita, o mal não tem realidade própria. Não há substância maligna. As coisas não são em si mesmas más, mas produto do que as pessoas fazem das coisas.

Quando cumprimos a lei o bem se faz presente, como a luz faz desaparecer a escuridão.

Não há ser maligno (filosofia maniqueísta).

- Filos. Doutrina do persa Mani ou Manes (séc. III), sobre a qual se criou uma seita religiosa que teve adeptos na Índia, China, África, Itália e S. da Espanha, e segundo a qual o Universo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis: Deus ou o bem absoluto, e o mal absoluto ou o Diabo.

Nesta parte Kardec fala da consciência que é um pensamento íntimo e as experiências milenares constituem as aquisições da nossa consciência atual. O corpo perispiritual é o reflexo do nosso mundo espiritual, do pensamento contínuo que mantemos.

Virtude é hábito bom que permanece.

No segundo capítulo, Kardec descreve as leis.

Propõem Kardec 10 (dez) leis, como as de Moisés, mas isto nada tem de absoluto. É questão de sistema, de classificação, forma didática.

Há alguma ordem nesta escolha? Jesus propôs:

AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO.

É o caráter trinitário.

DEUS – O HOMEM E O PRÓXIMO.

Até a Prece “PAI NOSSO”, estabelece todos os deveres do homem para com Deus, consigo mesmo e com o próximo.

Os primeiros deveres do homem são para com Deus.

Se não cumprirmos os deveres para com Deus, nós não nos habilitamos a cumprir os outros deveres.

É sintonizar com o Criador, é receber a inspiração; é colocar-se em condições de cumprir os outros deveres.

As Leis que regulam o comportamento do homem para com Deus são:

LEI DE ADORAÇÃO – Como adorar? Adorar Deus pelo pensamento.

LEI DO TRABALHO – Adorar a DEUS pela ação.

Em seguida, Kardec propõe as leis que regulam o comportamento do homem para consigo mesmo.

AMAR A SI MESMO é fazer o melhor para si, para sua felicidade. Não é egoísmo, é equilíbrio.

Por meio destas Leis – REPRODUÇÃO, CONSERVAÇÃO E DESTRUIÇÃO - Kardec propõe como regular o comportamento do homem para consigo mesmo.

Na REPRODUÇÃO o homem deve preocupar-se em garantir a existência de um outro ser, a vida de um outro espírito.

PELA CONSERVAÇÃO – Kardec propõe ao homem garantir a própria vida, nossas forças físicas. É curtir os prazeres sem causar prejuízo a si e ao semelhante, com equilíbrio.

É a razão controlando os excessos para que o prazer não se transforme em dor. EX: Vícios, sexo.

Fala que o sexo não é simples contato físico, mas envolve emoções, sentimentos. Buscar a sexualidade responsável.

A Doutrina Espírita não abomina o prazer, mas convida ao prazer equilibrado, à felicidade.

Na LEI DE DESTRUIÇÃO – Kardec fala que a destruição necessária é decorrente da conservação.

Em seguida, Kardec formula as leis que regulam os deveres do homem para com seu próximo.

São – LEI DE SOCIEDADE, LEI DE PROGRESSO, LEI DE IGUALDADE, LEI DE LIBERDADE.

LEI DE SOCIEDADE – O primeiro dever do homem é viver em sociedade. O homem depende do outro para viver.

A todo momento precisamos uns dos outros (para vestir, para alimentar, para se locomover). Só em sociedade, podemos viver em equilíbrio.

LEI DO PROGRESSO – A sociedade engendra o Progresso.

O Progresso é uma decorrência da lei social.

Kardec fala do progresso material, intelectual e moral.

O perispírito reflete o progresso moral.

O progresso gerará duas coisas: A IGUALDADE E A LIBERDADE.

Da conquista da IGUALDADE nasce a LIBERDADE.

(o ápice do progresso humano) quando vivo em IGUALDADE.

A maior liberdade é conquistada quando o espírito escolhe cumprir a lei. A liberdade surge quando o homem cumpre espontaneamente a lei, escolhe, com naturalidade, seguir a lei
(Ver o artigo em OBRAS PÓSTUMAS – Fraternidade, Igualdade e Liberdade).

“Quanto mais preso aos deveres, mais livre o espírito é.”

A Liberdade é o patamar máximo que o homem alcança após cumprir os seus deveres.

Mas não são DEZ LEIS? Então falta uma (QUESTÃO 648)
– JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE.
Esta lei é um resumo das nove leis.


É o resumo do pensamento moral proposto por Jesus.



Passa-se, então ao último item:

Como praticar as Leis?

Isto está contido no Capítulo sobre a Perfeição Moral.

Aí está a orientação segura para se cumprir as leis.

Neste capítulo Kardec oferece a chave fundamental para conquistar as virtudes (QUESTÃO 919 de “O Livro dos Espíritos”).

Qual o meio mais PRÁTICO para viver estas leis.

Observe a pergunta de Kardec: “MEIO PRÁTICO”.

E a resposta é simples “CONHECE-TE A TI MESMO”. (Sócrates).

Aqui Kardec estuda a personalidade humana (apresenta as virtudes e vícios) – é o mais completo estudo sobre a personalidade humana.

A dificuldade para se conhecer a si mesmo é abordada por Santo Agostinho, que nos recomenda o EXAME DE CONSCIÊNCIA.


ANÁLISE DA QUARTA PARTE.

Nesta parte Kardec aborda as “Conseqüências para o Espírito do cumprimento ou não das Leis Morais”.

Os Espíritos vivem nos dois lados da vida – mundo corporal e mundo espiritual. Quais as conseqüências para o espírito na terra ou no plano espiritual (na vida futura) do cumprimento da Lei?

Para examinar com detalhes estas conseqüências, Kardec oferece “O CÉU E O INFERNO” (obra).

E afirma que CÉU E INFERNO são estado interiores da consciência e não lugares (espaços) exteriores, onde você está.

UMBRAL – região de criações mentais negativas, onde os espíritos plasmam e viciam este lugar.

Não são regiões fixas e desaparecerão com a modificação dos pensamentos dos espíritos.

Não é análogo a INFERNO que é um lugar definitivo e permanente.

 

III - CONCLUSÃO.


O “O Livro dos Espíritos” é a pedra angular da Doutrina Espírita, é a base.

Assim, não basta lê-lo, é preciso estudá-lo e em conseqüência praticá-lo.

 



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