Marcelo Henrique Pereira

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Nos meios administrativos, é muito comum falar-se em oportunidades. Na esfera pública ou na iniciativa privada, os termos “estágio”, “aprendiz” e “primeiro emprego” são caracteres da disponibilização de espaços para quem está iniciando uma carreira profissional.

Transmudando-se o tema para a atividade espírita organizada, podemos visualizar a execução de tarefas, em níveis iniciais, por pessoas que estejam iniciando o seu processo de aprendizado e/ou desenvolvimento. Como nem todos são “espíritas de berço”, “de família”, grande parte dos freqüentadores das reuniões públicas vai se ambientando, aos poucos, com a dinâmica dos trabalhos, sendo convidado ou buscando participar, por iniciativa própria de determinadas reuniões, específicas e privativas. Geralmente, então, os espíritas “mais experientes” funcionam como tutores, orientadores ou monitores dos neófitos, os quais, na esteira do tempo, vão assumindo, pouco a pouco, determinadas funções, com base em suas capacidades e habilidades.

Em relação aos adultos, o processo é natural e vem atingindo bons resultados nas instituições. Todavia, o objetivo deste artigo é justamente o de enfocar a assunção de tarefas por parte dos mais jovens, geralmente aqueles até menores de idade, freqüentadores das juventudes e/ou mocidades.

A estes, a atenção dos dirigentes espíritas deve ser mais ampla e cuidadosa. Afinal, via de regra, os jovens de hoje, cedo ou tarde, substituirão os mais velhos, seja por competência e dedicação, seja pela substituição natural destes últimos, de vez que “ninguém fica para semente”.

Há alguns anos, procuramos seguir à risca o exemplo dado por determinados companheiros, líderes espíritas de ontem, que sabiam valorizar e aproveitar o impulso e a energia juvenil, catalisando-o para o desenvolvimento de grupos e tarefas. Lembro-me, claramente, de ações específicas como: autorização para funcionamento de juventude; iniciação na tarefa expositiva; designação para realização de atividades de evangelização; organização e supervisão de biblioteca; confecção e coordenação de mural de divulgação da casa; e, finalmente, recepção de novos freqüentadores, realizando uma pequena triagem, encaminhando-os para as atividades desejadas. Todas estas atividades realizamos, por apoio incondicional dos experientes e lúcidos dirigentes de nosso tempo. O aprendizado, nestes casos, foi fantástico, calcado em três premissas fundamentais: 1) a liberdade de fazer; 2) a confiança nas pessoas, até prova em contrário; e, 3) o acompanhamento (próximo e direto), mas sem ofuscar ou sufocar o brilho e a iniciativa dos jovens.

Com relação às oportunidades acima descritas, gostaríamos de destacar uma delas: a formação do jovem expositor. Em nosso caso particular, o processo de ensino-aprendizagem foi completo, iniciando, no próprio grupo de estudo sistematizado, com pequenas “palestras” de 10 ou 15 minutos. Assim ocorreu, por alguns meses (não mais que quatro), já que as reuniões eram semanais, até que, por convite do coordenador, fomos levados a uma, depois mais três casas espíritas, para uma “exposição em dupla”, calcada na seguinte sistemática: após a apresentação pelo dirigente da casa do expositor principal, este assume a palavra e explica, sucintamente, a atividade da noite, introduzindo o jovem e o tema. Este, no tempo que for possível (geralmente, os mesmos 10 ou 15 minutos do grupo de estudos), cumpre sua tarefa e devolve a palavra ao primeiro, para a complementação, o arremate e as considerações finais, agradecendo a oportunidade e devolvendo a fala ao presidente da reunião.

Em verdade, o nervosismo dos primeiros dias, a falta de experiência (que só advém com o tempo e com a freqüência dos trabalhos) e a (possível) reação do público ante um “palestrante” com pouca prática – já que foi ao centro para presenciar a fala de alguém “que sabe mais” – são superadas pelo apoio e pelo carinho de quem tem a sensibilidade de perceber que os grandes (de qualquer área) já foram pequenos, um dia. Recordamo-nos, assim, dos inúmeros sorrisos, dos cumprimentos sinceros, ao final da palestra, dos votos de incentivo e do reconhecimento de que, ainda muito jovens, teríamos um “grande futuro pela frente”.

Hoje, em nossa casa, procuramos fazer o mesmo. Além de envolver, sobremaneira, os jovens (desde a pré-juventude, ou seja, 11 anos de idade) em tarefas maiores, co-participando da própria gestão da instituição, oportunizamos talentos, repetindo a feliz iniciativa que nos levou à trilha de exposições doutrinárias em diversas cidades do Estado de Santa Catarina e fora dele. Agora, que nos preparamos para nossa primeira incursão internacional, em nome do Espiritismo, em conferência na vizinha Argentina, olhando para trás, percebemos o quão importante foram os primeiros passos, o ombro amigo dos primeiros dias, e a circunstância de ter encontrado algumas pessoas fundamentais, que acreditaram em nossos potenciais.

E, num gesto de gratidão e reconhecimento, fazemos o mesmo com vários dos nossos jovens, que precisam da “primeira chance”, em duplas, ou individualmente, falando com o coração, para o espírito de quem esteja na palestra. Amanhã, com certeza, estes queridos companheiros, por sua vez, estarão levando adiante esta iniciativa, abrindo portas para outros, na expressão da confiança e do carinho que devem marcar nossas atividades espíritas.

Que tal, também, você que lê este ensaio, sugerir ou implementar, em sua seara, este processo? Só depende da sua boa-vontade!

Marcelo Henrique Pereira, Mestre em Ciência Jurídica, Presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina e Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana para a Grande Florianópolis (SC)

 


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