Marcelo Henrique Pereira

>    A fábula de Jian Um

Artigos, teses e publicações

Compartilhar

Marcelo Henrique Pereira
>  
A fábula de Jian Um

 

Na mitologia chinesa consta uma lenda, bastante remota, que apregoava estarem o Céu e a Terra ligados por uma gigantesca árvore, chamada Jian Mu. Posicionada bem no centro de nosso planeta, a árvore parecia uma enorme escada para se atingir as nuvens. Não produzia qualquer flor ou fruto, nem dava sombra. Mas, do seu tronco desciam milhares de cipós, daí a analogia de serem estes, como que escadas celestes por onde os deuses desciam à Terra.

Vivemos, cotidianamente, pensando no Céu, isto é, no Plano Espiritual, que nos é a morada eterna e definitiva. Esquecemos, muitas vezes, dos atos e fatos puramente terrenos de nossa existência, os quais constituem, não raro, a Jian Mu de trajeto para mundos mais felizes. Em outras palavras, não há como “nos desvencilharmos” das situações presentes, peculiares à vida de relações da existência corporal, porque elas são fundamentais para nossa evolução.

Conheço muitos companheiros espíritas que parecem estar vivendo muito mais no “outro lado” do que aqui, na Terra. Pensam que podem descurar das situações, elementos e condicionantes da vida física, por já se considerarem “suficientemente espiritualizados”. Sem qualquer intenção de crítica destrutiva, mas apenas para provocar a análise e a reflexão dos leitores, há aqueles que não ingerem bebidas alcoólicas, não fumam, utilizam alimentação macrobiótica, deixam de comer carne, etc. Mas, em contrapartida, são criaturas extremamente individualistas, egoístas e, até, mal-humoradas, afastando qualquer pessoa de seu derredor. Adianta, então, evitar “vícios” materiais, e cultivar, outros, psicológicos ou psíquicos?

Penso que cada um tem o seu ritmo e deve buscar a HARMONIA interior, procurando adotar hábitos saudáveis e comportamentos positivos. É como buscar uma espécie de ponto médio, um meio-termo para nossa existência. Nem abuso, tampouco ausência. Evidentemente, existem substâncias ou elementos materiais que são, comprovadamente, bastante prejudiciais à saúde dos órgãos físicos, de modo que o ideal seria evitar usar ou conviver com eles.

Ademais, como Espíritos, estamos constantemente vivendo “entre dois mundos”, como, aliás, ilustra um título de conhecida obra mediúnica. Esta “concomitância” nos faz participar, ao mesmo tempo, das coisas materiais e das coisas celestiais (da Casa do Pai, que é o Universo, e suas muitas moradas, como asseverou aquele Carpinteiro). A árvore de Jian Mu, portanto, é a própria vida espiritual (que se completa nas fases encarnada e desencarnada). Por ela, temos acesso aos seres celestiais, deuses ou anjos, Espíritos que já lograram percorrer praticamente todos os estágios evolutivos, que de nós se acercam, com missões específicas de nos ajudar a compreender os porquês da vida. Diferentemente de grande parte dos homens, que ainda procuram um “jeitinho” para “queimar” etapas, e “subir” mais rapidamente, na trajetória espiritual, pelos cipós do logro, do levar vantagem e do ludibriar os outros, escolhamos um meio seguro de alcançar os degraus posteriores de nossa escalada: a paz de consciência e a fraternidade espiritual.

 

Fonte: http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/A_ERA_DO_ESPIRITO_-_Portal/ARTIGOS/ArtigosGRs/A_FABULA_DE_JIAN_MU_MH.html

 

(*) Marcelo Henrique Pereira, Mestre em Ciência Jurídica.
Secretário para a Promoção da Juventude
e Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA)
Presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina (ADE-SC)

 



* * *





topo

 

Leiam outros textos de Marcelo Henrique Pereira

>   30 Anos de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
>   35 Anos de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita

>   60 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem
>   152 anos de "O Livro dos Espíritos"
>   Ação Espírita contra a prostituição infantil
>   Amor genuíno - Doar órgãos é conceder nova chance de vida com qualidade ao semelhante
>   Apreciações Espíritas Sobre o Carnaval
>   Ataques contra o espiritismo: o remédio jurídico
>   Carnevale
>   Cataratas do Iguaçu: o sinal visível da devastação da Natureza e da poluição humana sobre a Terra
>   Catástrofes e Desencarnes em Massa
>   Cidadania e Meio-Ambiente : a questão do lixo
>   Comunicação e alteridade
>   Crianças e Mediunidade : comentários sobre a matéria de capa da revista IstoÉ, de janeiro de 2007
>   Dezenove anos de integração comunicativa
>   Dia Internacional da Imprensa Espírita
>   Do Metro ao Cento: uma Biografia para o Centenário: Herculano Pires
>   A Doutrina Espírita e a Santidade de Frei Galvão
>   Duas ou Mais Verdades
>   E se Kardec estivesse à frente do movimento espírita?
>   Elegia ao Livro Primeiro - Em homenagem a 18 de abril – Resgatando o “Espírito do Espiritismo”
>   Espiritismo, o grande desconhecido (dos Espíritas)
>   Espiritismo não é Curandeirismo!
>   Evangelizar ou Comunicar o Espiritismo?
>   A fábula de Jian Um
>   Francisco de Roma e do Brasil, entre os muitos Franciscos
>   Globalização e Massificação: Os prós e os contras
>   Herculano Pires: 30 anos de saudade!
>   Laboratório Mediúnico, a proposta
>   Máquinas de Crer?
>   Mente e Espírito
>   O Método de Kardec para dialogar (Conversar) com os Espíritos
>   Morte de crianças e jovens em acidentes: a orientação espírita
>   A música espiritual dos Beatles
>   A necessidade de estudo
>   Ombudsman da Imprensa Espírita
>   Oportunizando talentos
>   Ora, que melhora!
>   Participação dos Espíritas na Sociedade
>   Projeto genoma: confrontando as descobertas científicas com as informações espíritas
>   Próximos e distantes
>   Quem escreveu o livro?
>   Quem tem medo da morte?
>   O rebaixamento do Limbo e o destino das crianças após a morte
>   Tragédias aéreas: O medo que nos “acostumemos” com isso!
>   Transformando a fé em certeza
>   A SEDE do Espírito?
>   Um Guia de Ética Espírita
>   A união entre os espíritas
>   Unidos contra o “Apartheid” Espírita
>   Vida com dignidade
>   Violência contra o idoso
>   Vôo 1907: Acaso

 


topo