Marcelo Henrique Pereira

>    35 Anos de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita

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Marcelo Henrique Pereira
>    35 Anos de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita

 

 

Os espíritas gaúchos foram pioneiros na efetivação de um programa de estudo sistematizado, verdadeira âncora do movimento espírita contemporâneo, capaz de pensar o Espiritismo do presente e projetar o do futuro, atualizando-o.

 

Tudo na vida tem um ponto de partida, um início. Não raro, atitudes corajosas e destemidas, motivadas por grande força interior – e, sabemos, nós, espíritas, com o concurso de inteligências desencarnadas afins – desembocam em ações e estas se perpetuam no tempo, muitas delas com alterações progressistas e atualizações necessárias.

Num distante e frio sábado do inverno gaúcho, a 22 de julho de 1978, Salomão Benchaya e Maurice Herbert Jones (na foto com Felipe Rachewski) lançavam na federativa do Rio Grande do Sul a “Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - ESDE”, iniciativa que frutificou pelo Brasil, não obstante a resistência da Federação Espírita Brasileira (FEB) para encampar o projeto e difundi-lo, oficialmente, entre as instituições do Conselho Federativo Nacional (CFN), senão de modo explícito, mas pelo que se chamou de “surda resistência”, por desinteresse.

O embrião local, em solo gaúcho, para a idealização da campanha havia sido a trajetória dos grupos de estudo sistematizado do Espiritismo sediados na (antiga) Sociedade Espírita Luz e Caridade - SELC (hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre - CCEPA) durante aquela década (1970), o que representou verdadeira revolução na FORMA de trabalhar conceitos e estruturar estudos e debates, já que as práticas pedagógicas direcionadas a adultos nas instituições espíritas, àquela época, se limitavam à leitura sequencial dos capítulos das obras básicas, seguidas de interpretação dos dirigentes e alguma discussão entre os participantes. Registre-se, ainda, a inspiração obtida no programa de estudos do COEM (Centro de Orientação e Estudo da Mediunidade), uma exitosa iniciativa do Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba (PR), fazendo da SELC um verdadeiro e dinâmico laboratório onde foi gestada, parida, acalentada e vivenciada nos passos de tenra idade, a Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.

Vale dizer que o movimento espírita, com a proposta da federativa gaúcha, iniciava uma nova e importante fase: a da conscientização da necessidade do estudo. Tanto que a própria FEB que, a princípio não tinha dado muita importância ao projeto, resolveu, de próprio punho, conceber outra campanha, deixando de lado os textos já testados e em uso, para valer-se de roteiros e programas de estudo reelaborados por uma comissão específica. Assim, a partir de 1983, começou o ESDE da FEB, para “divulgar nacionalmente o aprofundamento coletivo nos estudos de Espiritismo”, embora com relativo atraso, eis que a proposta já havia sido aprovada pelo CFN em 6 de julho de 1980.

Salomão e Jones, os pioneiros, por certo leram, releram e entenderam com maestria a dicção do Codificador (em “Obras Póstumas”, Projeto 1868), que recomendara:

“Um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Este curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as ideias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns”.

O modelo originário foi sendo reestudado e, a partir de 1990, no CCEPA, os interessados passaram a ser encaminhados aos Cursos Básicos de Espiritismo abertos à comunidade.

De lá para cá, ao fim desses cursos básicos, os participantes que manifestem interesse em prosseguir seus estudos são encaminhados ao Ciclo Básico de Estudos Espíritas (CIBEE), que tem a duração de um ano e não realiza intercâmbio mediúnico, iniciando, assim, o estudo sistemático do espiritismo. Na sequência, os grupos, agora denominados Grupos de Estudo de Espiritismo (GEE) passam a desenvolver seus próprios programas, calcados em pesquisa, debate e produção cultural, utilizando-se os princípios da “problematização".

As únicas reuniões públicas são palestras mensais, na primeira 2a. feira e na terceira 4a. feira, com expositores da casa ou convidados.

Recentemente, o CCEPA constituiu um Grupo de Estudo Analítico de O Livro dos Espíritos (GEALE), destinado a estudiosos da doutrina fundada por Allan Kardec que tenham interesse numa apreciação crítica dessa obra básica da filosofia espírita num contexto de atualização.

Não há dúvidas de que a semente lançada encontrou solo propício e gerou – continua gerando – bons frutos, como diz a Parábola do Semeador, atribuída a Jesus de Nazaré. E, como sempre vale resgatar o espírito do pensamento de Kardec, a proposta de “atualização”, que é a da própria PERMANÊNCIA do Espiritismo enquanto filosofia e ciência capaz de influenciar a sociedade planetária, o CCEPA cumpre aquilo que o Codificador, no texto acima mencionado, também aduziu: “Considero esse curso como de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas consequências.".

Fonte:
http://ccepa-opiniao.blogspot.com.br/2013/07/opiniao-ano-xix-n-209-julho-2013.html


(*)


Doutorando em Direito, Assessor Administrativo da ABRADE, Assistente da Vice-Presidência de Cultura e Ciência da Federação Espírita de Santa Catarina e Delegado da CEPA.




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