O aprendizado não pode prescindir da teoria e da prática.
Aprender significa estar apto a fazer.
Para isso é necessário que se conheça os fundamentos
(teoria), mas que se desenvolva as habilidades necessárias à
transformação desses fundamentos em ações
do dia-a-dia, através da prática, desenvolvendo aptidões.
Isso é verdade para qualquer campo do conhecimento ou da prática
humana, inclusive no campo da ética, da moral e da religiosidade.
Muitas pessoas ainda não perceberam como o processo de aprendizado
é importante para a questão "religiosa".
As próprias religiões acabam se esquecendo disso, pois
repetem constantemente seus fundamentos religiosos e os simbolizam nos
seus rituais, mas isso é exatamente a repetição
da teoria e sua "memorização" pela significação
simbólica (rito).
Com isso, os seguidores das religiões tradicionais acabam entendendo
que a prática religiosa é o estudo teórico dos
conteúdos "sagrados" dessas religiões, seguido
da "prática do rito", que nada mais é que a
significação simbólica do conteúdo religioso
teórico. Com isso entendem, erroneamente, estarem "praticando"
sua religião.
Esse "erro" acabou se generalizando. As religiões Cristãs
esqueceram que o Cristo veio a viver a Lei
do Amor, e não simplesmente "pregá-la".
O Evangelho do Cristo foi vivido, ou seja, praticado e não simplesmente
pregado (transmitido).
No entanto, as religiões tradicionais preferem transformar a
prática do Evangelho em uma prática ritualística
alicerçada por uma teologia específica, onde o meio de
transmissão, ou seja, o ritual religioso, que deveria ser um
meio (pela repetição do simbolismo), se torna o fim por
si só (a própria prática religiosa).
Nesse caso, o praticante dessa religião acha que se cumprir os
preceitos simbólicos ou rituais está cumprindo o "ensino"
religioso. Isso se torna evidente, apenas como exemplo, quando a pessoa
acha que consumir ou deixar de consumir determinado tipo de alimento,
de modo geral ou em datas específicas, está sendo "religioso",
ou seja, está se ligando a Deus.
Religião é o estado de estar ligado a Deus. A função
das religiões é o de agregar indivíduos no objetivo
comum de se ligar a Deus.
Mas como se ligar à Deus?
Só há um meio de se ligar a Deus. Estabelecendo uma relação
de amor verdadeiro com ele. Amor verdadeiro significa respeitar e cumprir
a Lei Divina. Em todos os momentos da vida, em todos os atos da vida
de relação, no dia-a-dia. Não somente na Igreja,
Templo ou Casa Espírita. Não somente no cumprimento de
rituais.
Religiosidade sem prática diária da Lei de Amor, em cada
instante da vida, é como o conhecimento teórico sem a
prática devida. É o conhecimento que se encerra em que
o tem, mas que não se transforma em aprendizado efetivo, pois
não é vivenciado, não se transforma em habilidade,
em aptidão.
Ter religião é praticar o bem, o amor e a caridade. Essa
é a prática religiosa. Esse é o Evangelho do Mestre
Jesus. Tudo o demais é teoria.
Busquemos a prática.
Carlos Augusto Parchen
Curitiba, Paraná
julho de 2002
Centro Espírita Luz Eterna - CELE
www.parchen.hpg.ig.com.br
c_a_parchen@yahoo.com.br
http://www.carlosparchen.net/teoria140702.html
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