Carlos Augusto Parchen

>   Teoria e Prática

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O aprendizado não pode prescindir da teoria e da prática. Aprender significa estar apto a fazer. Para isso é necessário que se conheça os fundamentos (teoria), mas que se desenvolva as habilidades necessárias à transformação desses fundamentos em ações do dia-a-dia, através da prática, desenvolvendo aptidões.

Isso é verdade para qualquer campo do conhecimento ou da prática humana, inclusive no campo da ética, da moral e da religiosidade.

Muitas pessoas ainda não perceberam como o processo de aprendizado é importante para a questão "religiosa".

As próprias religiões acabam se esquecendo disso, pois repetem constantemente seus fundamentos religiosos e os simbolizam nos seus rituais, mas isso é exatamente a repetição da teoria e sua "memorização" pela significação simbólica (rito).

Com isso, os seguidores das religiões tradicionais acabam entendendo que a prática religiosa é o estudo teórico dos conteúdos "sagrados" dessas religiões, seguido da "prática do rito", que nada mais é que a significação simbólica do conteúdo religioso teórico. Com isso entendem, erroneamente, estarem "praticando" sua religião.

Esse "erro" acabou se generalizando. As religiões Cristãs esqueceram que o Cristo veio a viver a Lei do Amor, e não simplesmente "pregá-la". O Evangelho do Cristo foi vivido, ou seja, praticado e não simplesmente pregado (transmitido).

No entanto, as religiões tradicionais preferem transformar a prática do Evangelho em uma prática ritualística alicerçada por uma teologia específica, onde o meio de transmissão, ou seja, o ritual religioso, que deveria ser um meio (pela repetição do simbolismo), se torna o fim por si só (a própria prática religiosa).

Nesse caso, o praticante dessa religião acha que se cumprir os preceitos simbólicos ou rituais está cumprindo o "ensino" religioso. Isso se torna evidente, apenas como exemplo, quando a pessoa acha que consumir ou deixar de consumir determinado tipo de alimento, de modo geral ou em datas específicas, está sendo "religioso", ou seja, está se ligando a Deus.

Religião é o estado de estar ligado a Deus. A função das religiões é o de agregar indivíduos no objetivo comum de se ligar a Deus.

Mas como se ligar à Deus?

Só há um meio de se ligar a Deus. Estabelecendo uma relação de amor verdadeiro com ele. Amor verdadeiro significa respeitar e cumprir a Lei Divina. Em todos os momentos da vida, em todos os atos da vida de relação, no dia-a-dia. Não somente na Igreja, Templo ou Casa Espírita. Não somente no cumprimento de rituais.

Religiosidade sem prática diária da Lei de Amor, em cada instante da vida, é como o conhecimento teórico sem a prática devida. É o conhecimento que se encerra em que o tem, mas que não se transforma em aprendizado efetivo, pois não é vivenciado, não se transforma em habilidade, em aptidão.

Ter religião é praticar o bem, o amor e a caridade. Essa é a prática religiosa. Esse é o Evangelho do Mestre Jesus. Tudo o demais é teoria.

Busquemos a prática.


Carlos Augusto Parchen
Curitiba, Paraná
julho de 2002
Centro Espírita Luz Eterna - CELE


www.parchen.hpg.ig.com.br
http://www.carlosparchen.net/teoria140702.html




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