Geraldo José de Paiva

>     Religião, enfrentamento e cura: perspectivas psicológicas

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Geraldo José de Paiva
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RESUMO

Discute-se, a partir da etimologia da palavra, mas do ponto de vista da Psicologia, o conceito de cura como cuidado e como recuperação da doença, relacionando-o em particular com o enfrentamento religioso, forma específica de cuidado consigo e com outrem.

Distinguem-se várias possíveis relações entre cura e religião, que determinam o sentido da pergunta de Pargament acerca da singular eficácia do enfrentamento religioso na cura da doença.

Defende-se que a Psicologia, como ciência empírica, não é competente para se pronunciar quanto à eficácia do religioso no enfrentamento, embora o possa fazer quanto à eficácia do sagrado. Reconhecem-se, daí, competências diversas ao psicólogo, ao teólogo e ao agente pastoral.

 

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(início do texto)

Um antigo provérbio latino dizia medicus curat, Deus sanat, isto é, o médico cura, Deus sara. Se o médico cura, ainda haverá lugar para Deus sarar?

Uma reflexão psicológica acerca das relações entre religião, enfrentamento e cura poderia começar pela etimologia da palavra cura. Curar, em latim, significa literalmente "cuidar". Muitos termos do português conservaram esse sentido literal: curador, curatela, curioso. Outros termos há, como procurar, descurar, segurar (de securus, sem cuidado), que literalmente significam cuidar de alguma coisa ou estar dela descuidado.

Sem dúvida, no caso da saúde e da doença o verbo curar/cuidar é muito apropriado. Cuidar da saúde, por exemplo, sugere atenção com a saúde antes da instalação da doença. Cuidar da doença, ou do doente, significa ter cuidado para a saúde não se deteriorar ou o doente não piorar.

(..)

Há um estudo notável do sociólogo da religião Rodney Stark, "O crescimento do cristianismo" (The rise of Christianity) (Stark, 1997), com o subtítulo "como o obscuro e marginal movimento de Jesus tornou-se, dentro de poucos séculos, a força religiosa dominante no mundo ocidental". Segundo Stark, uma poderosa razão da mortalidade dos pagãos, da sobrevivência dos cristãos e da conversão dos pagãos ao cristianismo foi a maneira de os cristãos e os pagãos, respectivamente, cuidarem ou deixarem de cuidar de seus doentes por ocasião das grandes epidemias que assolaram o império romano nos primeiros séculos da era cristã. A caridade, ou seja, o amor ao próximo induziu os cristãos, diferentemente dos pagãos, a providenciar para os irmãos de fé cuidados elementares, como "simples provisão de comida e água que permitem aos temporariamente enfraquecidos lutar por si mesmos pela recuperação em vez de perecer miseravelmente" (McNeill, 1976, citado em Stark, 1997, p.88). Esse cuidado, segundo Stark, não só preservou proporcionalmente muito mais vidas de cristãos do que de pagãos como encaminhou conversões de pagãos ao cristianismo.

 

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Fonte: Estud. psicol. (Campinas) v.24 n.1 Campinas jan./mar. 2007 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2007000100011&lng=pt&nrm=iso

PAIVA, Geraldo José de. Religião, enfrentamento e cura: perspectivas psicológicas. Estud. psicol. (Campinas), Campinas , v. 24, n. 1, p. 99-104, mar. 2007 .
Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2007000100011&lng=pt&nrm=iso>.
acessos em 06 mar. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2007000100011.

 

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