Geraldo José de Paiva

>     Ciência, religião, psicologia: conhecimento e comportamento

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Geraldo José de Paiva
>     Ciência, religião, psicologia: conhecimento e comportamento

 

Geraldo José de Paiva é professor do Instituto de Psicologia Universidade de São Paulo.

Versão de conferência proferida no XII Congresso Nacional do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos, Belo Horizonte, 7-10 de setembro de 2000

 

RESUMO

Comparam-se as respostas ao Questionário de Leuba relativo à crença dos cientistas num Deus pessoal e na imortalidade pessoal, obtidas em 1916, 1933, 1996 e 1998, as quais não apresentam grande variedade estatística. Apresentam-se, a seguir, algumas tentativas recentes de entendimento mútuo entre ciência e religião, com destaque das posições de Barbour, Haught e Hefner, que propõem a superação do confronto e da indiferença pelo diálogo e pela integração. Finalmente, discute-se a relação do cientista com a religião do ponto de vista não mais epistemológico, mas psicológico, com base em pesquisa com pesquisadores universitários das áreas das ciências físicas, biológicas e humanas.

 

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(início do texto)

Ciência e Religião têm sido um binômio problemático em algumas áreas da cultura ocidental moderna. O acréscimo da Psicologia a esse binômio tem o sentido de destacar a extensão da ciência natural e biológica para a ciência humana e de apontar a dimensão psicológica que vincula o cientista à religião e o religioso à ciência.

De alguma forma, ciência e religião têm sido relacionadas como entidades em conflito. No entanto, as relações entre ambas não foram sempre conflituosas, nem na área acadêmica nem na área religiosa. Lembre-se a palavra sempre citada de Galileu relacionando o estudo natural dos corpos celestes e a doutrina bíblica: a Bíblia não nos diz como são feitos os céus, mas o que devemos fazer para chegar até lá. Recorde-se também que foram muitos os religiosos que propugnaram pela liberdade acadêmica (Marsden & Longfield, 1992).

Em todo o caso, contemporaneamente, além do desencanto fin de siècle com a falta da "Resposta" às questões que a ciência se vem propondo (Horgan, 1997), presenciamos manifestações que vão de um certo desalento com a falta de novidade no trato das relações entre ciência e religião (Hutchinson, 1991), até o entusiasmo com novos centros e sociedades dedicados ao tema: na Europa, a Sociedade Européia para o Estudo da Ciência e da Teologia (até 1989, da Ciência e da Religião); nos Estados Unidos, o Centro para a Teologia e as Ciências Naturais, em Berkeley, CA, e o Centro para a Religião e a Ciência, de Chicago. A revista Zygon: Journal of Religion and Science, cujo redator-chefe é Philip Hefner, recebe, para exame, no mínimo três vezes mais artigos do que é capaz de aceitar (Hefner, 1997). Não deixa de chamar a atenção, contudo, a direção geral desse interesse: como observa Jones (1994) no caso da psicologia, não são os cientistas que debatem as relações da ciência com a religião, mas pessoas religiosas, inclusive cientistas, que se interessam pela questão. Um exemplo recente notável dessa direção é a Encíclica Fides et Ratio de João Paulo II. Mas podem citar-se outras publicações, como Spiritual Evolution: Scientists discuss their beliefs (Templeton & Giniger, 1998), com contribuições de cientistas representativos da Austrália, Inglaterra, Alemanha e dos Estados Unidos, nas áreas de astronomia, biologia, química, genética, medicina, física e zoologia; Science & Religion: From conflict to conversation (Haught, 1995); as Terry Lectures, Belief in God in an Age of Science (Polkinghorne, 1998) e o sempre famoso Religion in an Age of Science, atualizado pelo When Science Meets Religion, de I. Barbour (Barbour, 1990, 2000), agraciado em 1999 com o Prêmio Templeton (Herrmann, 1999).

 

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Fonte: Psicologia: Reflexão e Crítica, 2002, 15(3), pp. 561-567
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722002000300010&lng=pt&nrm=iso
PAIVA, Geraldo José de. Ciência, religião, psicologia: conhecimento e comportamento. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre , v. 15, n. 3, p. 561-567, 2002 .
Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722002000300010&lng=pt&nrm=iso>.
acessos em 06 mar. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722002000300010.

 

 

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