... Miriam de Oxalá

> Desvendando a Umbanda

Artigos, teses e publicações




CERTA VEZ, SONHEI COM UM HOMEM, UM BAIANO DE SIMPATIA
CATIVANTE, QUE ME LEVOU A UM TRONO PERDIDO EM NUVENS.
HOMEM MAGNÍFICO, VESTIDO DE VERMELHO, MAJESTOSO COMO UM REI,
DISSE: “AJUDAREI, APESAR DELA NÃO SER UM DOS NOSSOS”.
NADA SABIA DE UMBANDA, TUDO IGNORAVA.
POR ISSO, DEDICO ESSE TRABALHO À XANGÔ.
KAÔ KABIECILÊ, SENHOR REI!




APRESENTAÇÃO

Gostaria de ter uma conversa com você. Aliás, antes de começar este trabalho, gostaria era de termos trocado idéias, ouvido suas opiniões, dúvidas e reais necessidades de conhecimentos. Já que não é possível, vamos esclarecer as razões que me motivaram a iniciar este livro e adotar alguns autores, de outras religiões. Sei que mais uma colcha de retalhos, uma coletânea de textos já escritos por outros autores não cabe. Bom, a idéia começou com um pequeno manual distribuído aos médiuns na casa de Umbanda que freqüento, com muito boa aceitação. Foi aí que vimos a urgência de algo bem simplificado, abrangente, gostoso e fácil de ler, diferente de toda a literatura escrita sobre o assunto. Algo que fizesse a difícil tarefa de acabar com os regionalismos, evitasse as muitas superstições infundadas que correm por aí. Mas é muito querer abordar tudo em um simples livrinho. Porém, fiquei satisfeita por pelo menos ter podido falar nos pontos básicos que todo o mundo quer saber. Nasci em lar espírita e toda a minha formação foi no Espiritismo, chegando a ser médium. O Espiritismo é uma doutrina brilhante, seus médiuns passam por uma boa escolarização, tornando-se disciplinados, estudiosos. Ninguém senta, sem constrangimento, em uma mesa sem saber o que é o passe magnético, como se processa e as noções científicas elementares que, mesmo sem se ter muita cultura, qualquer um pode compreender nos dias de hoje. Motivo houve para tornar-me umbandista, o qual ou os quais não me caberia citar. Todavia, desejo trazer elementos básicos encontrados na bibliografia espírita para explicar por que acendemos uma vela, um preto-velho dá uma baforada com o seu cigarrinho de palha (ou cachimbo) no consulente, para sabermos um pouco, afinal, do que estamos fazendo dentro de uma casa de Umbanda. Quero deixar bem claro que Umbanda não é Espiritismo, e vice-versa. São coisas completamente distintas, apesar de haver alguns pontos em comum. E são esses pontos que iremos abordar.

Agora vamos conversar sobre alguns prós e contras.

Quando me refiro a superstição, quero falar sobre aquelas afirmações mais estranhas, sem fundamento, aquelas que, por desconhecimento qualquer um diz o que bem entender a seu respeito. Nos anos de trabalho, pessoalmente, já escutei as coisas mais estranhas. Nesses casos, só temos de lamentar que se espalhem nas casas, o que é isto ou aquilo. Não basta dizer que fulano ou beltrano disse. Creio que isso não é resposta.

Duvidar não é pecado. Pecado é não compreender onde estamos nos metendo, não é mesmo?

Há muitas polêmicas.

Uma são os limites da Umbanda e o Candomblé (ou Xangô, ou Nação, ou como é chamado o Candomblé em sua localidade). Apesar de religiões irmãs, são diferentes. Na Linha Branca ou Umbanda são invocados os mesmos Orixás, daí estudá-los e recordar as suas origens. Mas não há sacrifícios e cobrança de dinheiro. Dinheiro é problema delicado. Uma das Leis de Umbanda diz que deve haver caridade desinteressada. Talvez, por esse motivo, os Exus ou Elebaras não “baixam”, não trabalham com o público, são evitados, por exigirem sacrifícios. Quem sabe, por trabalharem em fluidos mais densos, por falta de esclarecimento, são vistos como facas de dois gumes. Sem eles, não há trabalho. E as casas não “cruzadas” não querem fazer sacrifícios.

O que fazer?

Aí lembro de uma Pombagira que, um dia, disse que uma entidade superior a ensinara a buscar na natureza, em lugares específicos, os recursos que necessitava. Daí trabalhar sem “pagamento” e até gostar de fazer a caridade, apesar de, ainda, fazer parte das falanges de Quimbanda. Ou seja, trabalhava nos “dois lados”.

O que falta então? Orientar as entidades, esclarecê-las de suas reais necessidades no plano espiritual com carinho e respeito. Sobre dinheiro, os médiuns não devem receber “axés” ou remuneração pelos serviços. Deve-se limitar ao material gasto nas oferendas e utilizado nas sessões, tais como álcool, velas, ervas, defumação, etc. Há, inclusive, casas que de tão preocupadas com isso, pedem ao consulente que traga o material ou são cobradas taxas não obrigatórias, insignificantes, com fins de cobrar contas de água, luz e outras.

E tudo isso para quê?

Em todas as religiões, em todas as atividades humanas no mundo, há os exploradores da boa-fé alheia. Muitos tornam a mediunidade uma forma fácil e lucrativa de ganhar a vida. Solicitam trabalhos desnecessários, coagem as pessoas, assustando as que os procuram na esperança de solução dos seus problemas. Cobram preços exorbitantes, prometem milagres que não se cumprem. Tornam a “Umbanda” ou o Candomblé local em farsa, razão de pilhéria e descrédito. Por todos esses motivos reunidos, Jesus ensinou que deveríamos dar de graça o que de graça recebemos. Evita uma série de problemas ao próprio médium que, mais cedo ou mais tarde, vê-se em descrédito em seu meio, e surge o que o médium jura que acontece com
todo o mundo, menos com ele: os guias afastam-se para dar lugar a ferozes obsessores, tornando-se alvo dos “castigos dos Orixás”, que nada mais é do que o retorno de suas próprias más atitudes.

Como disse uma vez um preto-velho, o bem e o mal são bolas de borracha que, jogadas à parede, retornam a quem as jogou, com igual força e intensidade. Desconfie dos lugares onde circula o dinheiro. Das aparências. Verifique a real destinação dos recursos, e se existe o mais importante: o amor ao próximo. Na mediunidade, a moeda circulante é o amor. Sem ele, viramos mercenários. É preciso ser muito forte quando começam os presentes, os elogios, os valores dados com carinho para auxiliar aqui e ali. É nesses momentos que vemos até onde vai nossa vaidade pessoal, que acaba minando os círculos mediúnicos, e a enorme responsabilidade de servos dos Orixás, antes de tudo.

Para escrever, esbarramos na maior dificuldade: os regionalismos. E, para complicar ainda mais, as diferentes nações de origem de cada estado com língua, costumes e ritos diferentes de adoração aos Orixás. Com isso, sabemos, surgem os mais estranhos exotismos citados por pessoas malorientadas. Com a crescente divulgação de revistas e livros sobre os Orixás, suas origens, saudações, está havendo uma nova conscientização. E isso é excelente.

O que é puro, então? É o conhecimento e o respeito à nação de origem do culto que se está praticando, no Candomblé. Na Umbanda, apesar dos conceitos centenários vindos da África, isso não acontece. Muitos dos elementos existentes nos cultos são estranhos às nações africanas, de origem. Vidro, louça nas contas das guias, álcool, fumo americano, ervas, e a crescente mobilidade no aprendizado umbandista, diferenciam-no do Candomblé, em muito. Tudo deve ser adaptado aos meios e recursos disponíveis. Um exemplo a citar é que, ao ler a obra de Olga Gudolle Cacciatore sobre o Orixá Ogum, constatei que o mesmo recebia inhame assado em suas oferendas. Curiosa, procurei em vão pelo tal inhame que surgiu, muito recentemente, nos supermercados, como produto exótico e caro. Em suma, o inhame não cresce no Rio Grande do Sul. É praticamente desconhecido aqui. E agora? Oferecem-se outras coisas. É a solução! O jeito encontrado foi citar, apenas, as oferendas com materiais disponíveis em todos os lugares. Simplificar o máximo possível. Aliás, as oferendas sulistas são bem fáceis de preparar, muito diferentes da sofisticação das receitas baianas, por exemplo. Assim, o material básico mantém-se, porém, preparado sem maiores detalhes. Tentaremos evitar ao máximo o que é sabido e usado apenas no Rio Grande do Sul, para não destoar dos demais Estados. Entretanto, desde agora pedimos a sua compreensão
para essa dificuldade. E os Orixás respondem aos pedidos, oferecidos tão simplesmente. Posso afirmar que sim.

Vemos que o tempero principal é a fé. O amor
. O mesmo amor que faz entidades luminares tomarem a forma tosca de um preto-velho, visto de soslaio pelos intelectuais, tentando Ter acesso ao humilde que, sentindo-se à vontade, abre seu coração em confidências que irão mudar sua vida.
Um dia, espero, o amor será a única religião do mundo, como nos diz Miramez.
E haverá festa em Aruanda.
Meu carinho a você. Boa leitura.

ABC DE CIÊNCIA

1. O que é vibração?
Já ouvimos coisas do tipo: “sinto uma vibração no ar”. Para
explicar o que é, imagine um pêndulo. Balançando para cá e para
lá. Este movimento especial, para cá e para lá, chama-se
oscilação; e o tempo que ele leva para ir e voltar, período.
Então, tudo o que se move (visível ou não) em um vaivém, como uma
onda, subindo e descendo, pode-se dizer que vibra, ou seja, movese
continuamente, no mesmo ritmo.

2. O que é freqüência?
Sem conhecê-la, é muito difícil imaginar como conseguimos
perceber as cores, entender porquê nosso rádio capta uma emissora
FM, como chega o canto do passarinho na árvore ao lado. Sabia que
tudo isso, na natureza, são ondinhas no ar, indo e vindo? E que
nós podemos perceber (com nossos olhos ou ouvidos) apenas
algumas, aliás, muito poucas? Essas ondas, que vibram na mesma
maneira, formam o que chamamos de freqüência.

3. O que é um campo magnético?
Já consegue imaginar o nosso ar como milhares, infinitas ondinhas
andando para cá e para lá? Só para exemplificar quantas ondas
existem, cada uma movimentando-se mais ou menos rápida que as
outras, os raios gama (da explosão atômica), os raios x, a luz
visível, o infravermelho (o cozimento de nossos alimentos),
radar, televisão, rádio, etc. Todas elas, ao movimentar-se, criam em torno de si o que chamamos de campo magnético. Especial em cada uma.

4. Como acontece o campo magnético?
Imagine um ímã, atraindo objetos. Esta “atração” existe também no
corpo humano, que chamamos “magnetismo animal” diferente do
magnetismo mineral existente, por exemplo, na magnetita
(tetróxido de triferro). Já vimos que a onda, ao existir, cria
consigo um campo magnético capaz de atrair determinadas coisas.
Essa capacidade de atrair ou repelir é muito importante para
entendermos o processo de comunicação mediúnica.

5. O corpo humano tem realmente magnetismo, ou seja, capta e repele
coisas?

Sim, com certeza. Há partes definidas que atraem certas ondas
vibratórias que a pessoa consegue definir e descrever. “Tenho um
arrepio desagradável quando entro lá” ou “Sinto-me tão bem, como
se o ar fosse perfumado” são frases comuns. Os médiuns, na
verdade, são pessoas capazes de perceber, através de treinamento
em ambos os planos (espiritual e material), um número maior de
ondas.

6. O pensamento é também uma onda?
Sim. O pensamento, ao ser emitido por nossos corpos cheios de
magnetismo, forma também uma onda. E é captado pelos telepatas
ou, se o pensamento for de um desencarnado ou mesmo encarnado,
pelo médium.

7. Um médium é também um telepata?
Também é, mas por captar o pensamento dos mortos é chamado de
médium. O que me diz dos médiuns que “captam” línguas antigas,
ditadas por espíritos, que ninguém sabe na atualidade? As
mensagens sobre como seriam lugares aonde nunca o ser humano foi
e, mais tarde, se comprova a veracidade?

8. As propriedades magnéticas espalham-se por todo o corpo?
Não, de igual forma. Há lugares onde se concentram mais,
especialmente pontas, atraindo ou repelindo (lembra-se do páraraios?).
Esses lugares chamam-se pólos. O planeta Terra inteiro, e tudo o que nele existe e aí habita, é um campo magnético (tem Pólo Sul e Pólo Norte), os corpos também o são. No corpo humano, o magnetismo concentra-se especialmente nas mãos, sendo visto, em fotos de aura, em verdadeiros feixes elétricos. O que seria, então, um médium curador? Alguém que, com adestramento e por características próprias, detém grande concentração de energia magnética que transmite, pelas mãos, em determinada onda, feixes que curam as mais diversas doenças.

9. Por que, então, ao dar passe, alguns médiuns sentem-se fracos?
Há uma lei, na massa magnética, segundo a qual há uma relação matemática entre forças positiva e negativa. Assim, imagine o doador do passe com nota 10 e o recebedor com nota 2. Observe que o segundo está fraco em proporção ao primeiro. Ao receber o passe, ele (o fraco) fica com 8. Assim, 10 menos 2 são 8. Imagine o contrário. O fraco (2) dá passe no forte (10). Vai ficar com 8 negativo? Devendo forças? Isso explica por que não se deve trabalhar em sessões enfraquecidos, doentes, com magnetismo fraco. Vale também no mecanismo das obsessões e incorporações, para entendermos como acontecem.

10. E no plano espiritual, nesses casos, os espíritos não ajudam?
Muitas vezes, fornecendo (ao fraco) condições de trabalho.
Todavia, quando se torna verdadeira dependência do plano espiritual, o médium é abandonado para aprender o verdadeiro sentido de trabalhar como intermediário. Vale dizer que há certas substâncias no corpo humano que, somando-se, são verdadeiras barreiras para a incorporação. Excesso de carnes, álcool, vícios quaisquer e até mesmo chocolates tornam o médium “fraco”, desequilibrado em seu campo magnético.

11. Então o médium é um verdadeiro rádio?
Sim, só que transmite e recebe, ao mesmo tempo. Os médiuns mais adestrados, ligados ao plano astral superior recebem ondas AM e FM, por exemplo. Os médiuns desequilibrados, com magnetismo fraco, só recebem ondas AM. Não conseguem captar e sintonizar a onda vibratória que chamamos superior.

12. O que é, então, a prece?
É a sintonia com uma onda superior. Como mexemos com o dial do rádio na procura de uma estação, através da prece conseguimos elevar nossa capacidade de “captar” e “transmitir” na freqüência dos guias.

13. Falou-se em sintonia. O que é isto?
É a capacidade, nem que seja por instantes, de concordância de freqüências. O médium, então, através da prece, por horas, minutos ou segundos, consegue alcançar a mesma vibração das ondas de pensamento do guia ou do espírito comunicante. É um acordo mútuo.

14. E o som, a luz, as cores, são portadores de freqüências?
Tudo. É por isso que usamos certas cores em guias, cantamos certos pontos (notas musicais), tentando sintonizar com a faixa vibratória que chamamos Ogum, Xangô, Oxum, etc.

15. As ondas de freqüência deslizam em alguma coisa?
Sim. É o que a ciência chama de “éter”, os hindus de “prana” e os espíritas de “fluido cósmico universal”. É a mistura de todas elas, como o ar seria de todos os gases. É a matéria-prima que forma todos os seres, inclusive os espirituais.

16. O que é o plano espiritual?
Nossos corpos físicos são adaptados a captar apenas algumas freqüências. O que não captamos chamamos vulgarmente de energia. Podemos até sentir seus efeitos, mas não a vemos. Além da energia elétrica, há a química, a de radiação, a térmica, a mecânica e a hidráulica. Mas existem outras. Há outras freqüências, outras cores. Outros sons. Pertenceriam ao que chamamos plano espiritual. Aliás, o que ninguém percebe ao natural, a não ser médiuns.

ABC DE UMBANDA

1. O que é um Orixá?
São divindades africanas diretamente relacionadas às forças da natureza. Seriam as falanges específicas que trabalham especializadas em determinado meio, como mar, céus, plantas, etc. Um Orixá é um regente de uma das forças do mundo material, sempre abaixo de Olórum, o Deus Supremo. Fala-se, também, que seriam antigos governantes africanos tornados deuses após a morte.Na África, há em torno de 600 Orixás. No Candomblé, 16. Na Umbanda, seis (mais Yorimá).

2. O que é Candomblé?
É uma religião de origem africana, com seus rituais e sacrifícios, que cultua Orixás, Voduns e Inkices, dependendo das diversas Nações de que se compõe, a saber: Ketu, Jeje, Mina-Jeje, Fon, Ijexá, Nagô-Vodun – estas de origem sudanesa – e Angola, Congo e Muxicongo – de origem bantu.

3. O que é Nação?
É uma das diversas nações africanas que vieram ao Brasil no tempo da escravidão. Há a Sudanesa (Nagô, Jeje, Jeje-Nagô, Mina-Jeje, Muçurumin) e a Bantu (Angola, Congo, Angola-Congo). Pode designar, no Rio Grande do Sul, o Candomblé local, conhecido também como Batuque.

4. O que é Umbanda?
Surgiu em 1908, no Brasil. Grosso modo, seria a mistura do culto angola-congo (misturado com o nagô), noções de Espiritismo, esoterismo, pajelança e até mesmo budismo. Umbanda quer dizer “Arte de Curar” ou “Magia”.

5. O que é Quimbanda?
São assim chamados, pelos umbandistas, todas aquelas casas (terreiros, centros), trabalhadores ou falanges que trabalham com a magia negra, ou seja, “fazendo o mal”. A Quimbanda possui sete falanges (linhas) diferentes das da Umbanda, que trabalham muito com os Exus e Omolu.

6. O que é um Orixá de Cabeça?
O mesmo que Orixá de Frente. No Brasil, costuma-se dar uma pessoa a dois Orixás, normalmente formando casais, sem ser, com isso, regra. Em certos cultos, adotam-se três Orixás, os demais seriam conhecidos como “passagens”, exercendo menor influência. O Orixá de Cabeça corresponde à energia básica, fundamental, de um indivíduo, dando-lhe características mais marcantes em sua personalidade. O segundo é o Ajuntó, de características mais sutis, muitas vezes amenizando o caráter do Orixá de Cabeça, que poderá ter o caráter arrebatado por ser jovem e guerreiro. O terceiro seria o Orixá de Herança, que acompanha a família por algumas gerações.

7. Quais os Orixás que combinam entre si?
Varia muito de lugar para lugar, sendo vistos no jogo de búzios. Para alguns cultos e nações, o Orixá Exu apenas se combina com um tipo de Ogum, ou Oxalá apenas com Iemanjá e um tipo de Oxum.

8. O que é pemba?
Em sua origem, é um calcáreo extraído da terra, cuja finalidade é riscar os pontos que identificam a linha vibratória da entidade. Há de diversas cores. A mais comum é a branca, que serve para todos, pertencente a Oxalá.

9. Quais são as leis de Umbanda?
São 10 os princípios básicos que regem a Umbanda:
9.1 Crença em um Deus único, onipotente, eterno, incriado,
potência geradora de todo o Universo material e espiritual,
adorado sob vários nomes.
9.2 Crença em entidades superiores: Orixás, anjos e santos que
chefiam falanges.
9.3 Crença em guias, em planos médios, mensageiros dos Orixás,
anjos e santos.
9.4 Existência da alma e sua sobrevivência após a morte.
9.5 Prática da caridade desinteressada, na busca de aliviar o
carma do médium.
9.6 Lei do Livre-Arbítrio (da livre escolha), pela qual cada um
escolhe fazer o bem ou o mal, e o ser humano afiniza com sua
faixa vibratória e a do ambiente que o cerca.
9.7 O ser humano é a síntese do Universo.
9.8 Crença na existência de vida inteligente em todo o Universo,
vivendo e habitando.
9.9 Crença na reencarnação, na lei cármica de causa e efeito.
9.10 Direito de liberdade de todos os seres.

10. O que é reencarnação?
A crença no renascimento do espírito em um novo corpo, em eterno aprimoramento e evolução. Eterno porque perfeito é apenas Deus, pois, se não, já haveria muitos Deuses na Criação. Não se aceita a metempsicose (a reencarnação de um homem em corpo de um animal), pois haveria o retrocesso no aprendizado em determinado momento da evolução de cada indivíduo.

11. O que é a Lei de Causa e Efeito?
Todo efeito tem uma causa, assim como todo o malfeito é atraído de volta por sintonia fluídica, assim como o bem. Devemos entender que as pessoas são como ímãs que se atraem por afinidade de idéias e ambientes. É o popular “Colhe-se o que se planta” ou “Dize-me com quem andas e te direi quem és”.

12. O que é Chacra?
São os locais de concentração de magnetismo no corpo, onde se
aglomera os centros nervosos do corpo humano.

13. O que são as Linhas Auxiliares?
Como o nome diz, são os auxiliares dos guias. Normalmente, são os espíritos que tiveram sua última reencarnação em período mais atual. Os marinheiros atuam na Linha das Águas, como ativos auxiliares nos tratamentos de purificação, tais como vícios de qualquer espécie. Os baianos são o elo de ligação dos guias à Terra. Os boiadeiros cuidam da harmonia entre os médiuns durante os trabalhos.

14. O que são os boiadeiros?
Entidades responsáveis pelo bom andamento dos trabalhos e por tornar o grupo mediúnico harmonizado entre si. São conhecidos também por oguns, guardiões, vigilantes (dentro da literatura espírita, vistos em Nosso Lar, de André Luiz e outros).

15. O que é um ponto riscado?
Já vimos que o ponto cantado auxilia na sintonia mental com a linha vibratória que estamos invocando. O ponto riscado identifica a origem da entidade, quais os seus domínios e a quem é subordinada. Risca-se com a pemba.

16. Orixá é entidade?
Segundo os pesquisadores, não. Um Orixá é energia vinda de um elemento primordial. Existem entidades que trabalham com essas energias e são especializadas nelas. São com tais energias que os umbandistas trabalham. Assim, mesmo que a entidade se identifique como Oxóssi ou Odé, não é o Orixá em si, mas está se identificando em sua linha vibratória. Isso explica porque pode, em um mesmo trabalho ou simultaneamente em vários locais, haver entidades com o mesmo nome.

17. Existem proibições alimentares a filhos do mesmo santo?
Por uma questão de formação básica dos corpos, de afinidade das entidades, as proibições existem. Daí os africanos criarem as muitas lendas, tão conhecidas no Candomblé. Os filhos de Oxalá, tenho visto, têm verdadeira indigestão com o azeite-de-dendê. As entidades chamadas do Oriente detestam quando seus médiuns ingerem, no dia de trabalho, carnes vermelhas e alimentos picantes, sob a explicação do excesso de fluidos pesados que ficam no corpo do médium, sendo necessárias verdadeiras limpezas espirituais e físicas, antes da incorporação.

18. Umbanda é religião cristã?
Em seus princípios (leis de Umbanda), há a crença em um Deus único e a caridade desinteressada, visto nos mesmos princípios do Evangelho de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Jesus, por sua vez, ocupa seu lugar nas preces como o divino coordenador ou mesmo na figura excelsa de Oxalá, sendo Deus, Ifá (1). Por que, então, não considerá-la cristã?

19. O que são quiumbas?
Seriam os espíritos de mortos sem luz ou esclarecimento, escravizados pelos seus próprios sentimentos em grande ódio e revolta. São as levas de obsessores existentes na espiritualidade, que induzem idéias maléficas aos vivos, apreciam fingir que são entidades iluminadas, quando não o são. Da mesma forma, são os verdadeiros executantes da magia negra e os vampiros do astral.

20. E os mortos?
Não são Orixás, podendo se tornar um guia, Exu, auxiliar ou anjo, de acordo com sua elevação espiritual. São chamados de Eguns.
(1) Ifá, segundo os mitos, teria sido o primeiro babalaô (adivinho) e
é confundido com a própria figura de Orunmilá, por alguns autores.
Para outros, Orunmilá seria Deus. Na realidade, Deus é conhecido
como Olodumare ou Olorum (na mitologia iorubá) ou ainda Zambi (na
mitologia banto). Orunmilá é um Orixá/Imolê da categoria dos
funfun (Orixás brancos).
(Nota da autora).

21. O que é amaci?
Banho purificatório na cabeça, feito com folhas, flores, mel,
perfumes e outros, de acordo com orientação dada pelo diretor dos
trabalhos. Sua finalidade é auxiliar na incorporação e “assentar”
a mão do guia espiritual.

22. O que é amuleto e talismã?
Nada mais é do que um objeto magnetizado. O amuleto serve para
afastar fluidos pesados, alguns exemplos são: medalhas, figuras,
imagens, inscrições ou objetos variados. O talismã serve para
atrair bons fluidos. O patuá seria um dos mais populares
amuletos, feito com material preparado, costurado em tecido, sob
a forma de saquinhos, papel, etc.

23. O que é Aruanda?
Lugar onde moram os Orixás e as entidades superiores. No
Catolicismo é o Céu. No Espiritismo são as colônias espirituais.

24. O que é uma oferenda?
Na Umbanda trabalha-se com os quatro elementos da Natureza: água, fogo, terra e ar, como matéria-prima básica. Manejados convenientemente, por entidades especialistas, promovem o equilíbrio, o descarrego, a harmonia. Na Umbanda, em respeito à Natureza, nada pode ser retirado sem uma restituição ao elemento básico. Muitas vezes, ao entregar-se determinada oferenda, por afinidade fluídica, a mesma fica saturada dos fluidos densos retirados do solicitante, pelas entidades. Assim, os Exus utilizam o álcool com fins de evitar os vícios no médium; o dendê, para evitar a desordem psíquica; a farofa, para trazer bens materiais (alimentação); a pipoca, para atrair doenças cármicas dirigidas ao médium.

25. Existe o feitiço?
Infelizmente, sim. São trabalhos feitos pela quimbanda com fins de prejudicar alguém, perfeitamente lógicos, dentro do ponto de vista magnético.

26. Pode-se evitar o feitiço?
Já vimos no conceito de magnetismo que, dependendo da sintonia que vibre em cada um, pode-se assimilar o feitiço ou não. Nesses casos, quando a pessoa tem “um santo forte”, ou seja, vibra em freqüência mais elevada, a onda do mal emitida tende a ricochetear e, muitas vezes, retorna a quem o emitiu, que, na realidade, vibra nessa faixa, pelo simples fato de Ter desejado o mal.

27. Qual o valor das palavras na Umbanda?
A palavra, no Antigo Egito, era sinônimo de criação. Tanto é verdade, que uma palavra exprime uma idéia. Uma idéia, um pensamento. E um pensamento é onda que é emitida. Daí usar-se algumas palavras que exprimem complexos sentimentos carregados de amor, nos trabalhos de Umbanda. São os conhecidos mantras, na Índia.

28. O que é um ritual?
É um processo gradativo, onde se utilizam acessórios, os mais diferentes possíveis, até ser atingido o clímax desejado. Na verdade, assemelha-se a uma subida em uma escada, degrau a degrau, freqüência a freqüência, até a sintonia com as falanges desejadas, cujos objetivos podem variar sobremaneira.

29. Existe maldição ou praga?

Seria a mesma explicação dada na questão 27. As famosas pragas de mãe e madrinha nada mais são que palavras emitidas com poderoso influxo magnético acolhidas e realimentadas por quem as recebe, em baixo padrão vibratório. Como todas as coisas já vistas, o que pode repelir todas as coisas dirigidas ao mal é a elevação do pensamento, do teor vibratório, rechaçando por não afinidade magnética.

30. Há nomes que não devem ser ditos na Umbanda?
No Candomblé, o nome Xapanã, por exemplo, não deve ser pronunciado. No Sul do país popularizou-se, inclusive, abafando os nomes de Omolu e Obaluaiê, comuns no resto do país. Cada letra possui um som. Cada som produz uma freqüência. A soma das letras produz um nome que poderá, ou não formar uma melodia harmoniosa do ponto de vista espiritual. Todavia, antes de mais nada, não produz efeitos desastrosos se comparados ao teor de pensamento que exprime a palavra.

31. Por que é tão comum colocar-se, na magia negra, objetos dentro de
colchões, travesseiros, cobertas ou escondidos dentro das casas?

No primeiro caso, na tentativa de o objeto magnetizado ficar, o maior tempo possível, em contato com a pessoa visada. No segundo, para continuar irradiando, o maior tempo possível, sem ser descoberto no ambiente.

32. O pensamento tem cor?
Por incrível que pareça, tem. Segundo Ramatis: “A qualidade do pensamento determina-lhe a cor; a natureza do pensamento compõelhe a forma; e a precisão do pensamento determina-lhe a configuração exata”.
(Magia de Redenção, página 64, citado na bibliografia).
Dependendo da intensidade do mesmo, podem-se criar as conhecidas formas-pensamento, citações estas com volume, cor, som, verdadeiros marionetes espirituais de quem os criou. Na maioria das vezes, exprimem o verdadeiro interior de cada um, visíveis pelos guias que as analisam. São percebidas, também, pelos médiuns videntes e, muitas vezes, confundidas com entidades.

33. Por que é tão comum despachar-se objetos em água corrente?
Sabemos que a água é um dos mais poderosos elementos da natureza, no que se refere a sua capacidade de excelente condutor de eletricidade e fluidos quaisquer, sendo um poderoso solvente. Ao atirar-se o objeto saturado, a água de imediato absorve esse teor magnético, levando-o para longe do enfeitiçado (ou aquele que quer desvincular-se de objetos imantados). Assim, quebra os vínculos que antes existiam, por proximidade ou assimilação do dono.

34. E água fluida?
É digna de um livro sobre o assunto, tal sua complexidade e utilização. Já vimos que a água é um solvente magnífico, por sua formação molecular e magnética de elevado poder. É usada amplamente pelos marinheiros no tratamento de perturbações psíquicas e vícios. A água fluida nada mais é do que um veículo preparado com elementos espirituais e da natureza, saturada por hábeis manipuladores do astral, com fins terapêuticos. Pessoalmente, já tive a oportunidade de acompanhar os trabalhos de um preto-velho que, preparando vidros de água fluida, curou indivíduos minados de vícios de toda a espécie.

35. E o Sol? Por que há trabalhos antes e depois do entardecer?
A vida terrestre gira em torno do Sol. Sua radiação magnética de calor e luz são conhecidas. As de caráter espiritual, muito pouco. São nesses horários, antes e depois do pôr-do-sol que observamos a maior intensidade de raios infravermelhos (verdes, no plano espiritual) capazes de dissolver, especialmente, as formas nocivas de trabalhos dirigidos ao mal.

36. Por que se utilizam de unhas e cabelos da vítima em trabalhos?
São os conhecidos “endereços-vibratórios”, tão citados em obras. Por trazerem em si idêntico magnetismo da pessoa visada, servem, no plano espiritual, como verdadeiro roteiro para encontrá-la. Um exemplo são os médiuns que, tocando objetos pertencentes a alguém, localizam vítimas, locais, ou descrevem o portador com detalhes, o que fazia e sentia.

37. E as benzeduras?
Nada mais são do que passes magnéticos. Nossos pretos-velhos eram eficazes, assim como nossos índios. Utilizam-se de metais (tesouras, facas, excelentes condutores de eletricidade), água, ervas, saliva, etc. como condutores desse magnetismo curativo.

38. E os quebrantos? O olho-grande ou gordo?
Funcionam similar às pragas. Há pessoas que, de baixo teor espiritual e magnético, emitem algumas sem o desejar, poderosos feixes de caráter nocivo, capazes de matar plantas, animais ou causar mal-estar em pessoas. Desde criança ouvia uma história de um galo, muito bonito, vítima desse tipo de enfeitiçamento verbal, morto imediatamente após Ter sido emitido pela pessoa que o admirou.

39. E as figas, cruzes, elefantes de gesso e outros?
Objetos os mais variados possíveis em todo o mundo, tornam-se populares como “quebradores” de olho-grande. Ao serem colocados em locais visíveis, alguns preparados para dissolver descargas negativas, são a primeira coisa a ser vista por aqueles portadores desse tipo de magnetismo pesado, recebendo, em primeiro lugar, a descarga do mesmo. Ou seja, viram objetos de “descarrego” da limpeza, absorvendo ou dissolvendo tais vibrações na entrada das residências. Todos esses objetos e práticas auxiliam muito como paliativos, no teor magnético existente nas casas. Todavia, o mais importante é o tipo de ambiente que é criado pelas mentes que ali habitam. Se não, tornam se inúteis ou de muito baixa influência.

40. Por que se pintam as figas de vermelho e outros objetos, na
Umbanda?

Na escala de cores, cada qual possui uma freqüência específica. O vermelho, enter as cores visíveis por nossos olhos, possui a mais baixa, de teor mais pesado, em comparação com as demais. As entidades das zonas umbralinas, do “inferno”, como são chamadas essas regiões no plano astral, costumam vestir-se de vermelho, cor enervante, sangüínea, que exprime as paixões inferiores, como nos cita André Luiz, na obra Libertação. Dentre as cores, misturadas, é a que primeiro chama a atenção, tal qual um perfume forte. Daí ser escolhida para trabalhos ou usada pelas entidades que se utilizam dos fluidos mais pesados, como vestuário, na espiritualidade.

41. E os objetos de cera, e as velas?
A cera natural, vinda das abelhas, é impregnada dos fluidos existentes nas flores, em grande quantidade. Este elemento, vindo da natureza, é utilizado na prática do bem e do mal como matéria-prima poderosa para somar-se com os teores dos pensamentos, tornando eficaz o trabalho e o objetivo ao qual se propõe. Comparada a uma bateria, uma pilha natural, a cera sempre foi utilizada em larga escala na magia.

42. E a vela?

É considerada, na espiritualidade, como uma das melhores oferendas por ter, em sua formação, os quatro elementos da natureza ativos, desprendendo energia. O fogo da chama, a terra (através da cera), o ar aquecido queimando resíduos espirituais. O umbandista não deve, jamais, retirar nada da natureza sem deixar, ao menos, uma vela para repor aos elementais o fluido retirado do seu ambiente, em profundo respeito à criação divina.

43. E os elementais?
Sem eles a Umbanda não existiria. São entidades primárias, quase infantis na espiritualidade, sempre dirigidas por entidades superiores, habitando um dos quatro elementos. No fogo, as salamandras que trabalham na área relacionadas ao amor, ao sexo, à amizade, à agressividade e proteção. Na terra há vários, sendo os mais conhecidos os gnomos, cuja atividade relaciona-se ao trabalho, à criatividade, à perseverança e aos bens materiais. As ondinas, nas águas, atuam na sabedoria, na doçura, nas atividades espirituais e mediúnicas. No ar, os silfos, ágeis e inquietos, dominam as áreas da saúde, da cura e do equilíbrio físico e mental. Todos eles participam dos trabalhos umbandistas como auxiliares valiosos e nas outras doutrinas e religiões, muitas vezes, em discreto anonimato.

44. E os elementares?
São diferentes dos elementais. São entidades muito primitivas em situação intermediária entre o animal e a racionalidade. Dirigidos por entidades, colaboram na limpeza, na guarda, tomando formas as mais variadas possíveis. São colaboradores dos Exus e boiadeiros, principalmente.

45. E a aura humana?
Sem ela fica muito difícil compreender a origem das energias existentes no magnetismo humano, principal responsável nos fenômenos do mau-olhado, do passe, na imantação dos objetos. É resultante da mistura e união das energias caloríficas e luminosas do sol, dos minerais subterrâneos, da radiação atômica na natureza, da água ingerida e da assimilação de energias de outros corpos, tais como plantas, animais e o próprio homem. Irradia, em torno do corpo físico, uma luminosidade que, pela análise de cor, varia do tom mais brilhante que, pela análise de cor, varia do tom mais brilhante ao mais escuro, se doente. É distinta da aura existente no duplo etéreo (perispírito, Ba egípcio, duplo, etc.), que é o elo de ligação semimaterial do espírito ao corpo físico. Pelo teor dos pensamentos e sentimentos do espírito, varia dos tons azulados e dourados, mais sublimes, aos tons avermelhados e escuros das paixões inferiores e doenças espirituais. O tamanho da aura do duplo etéreo varia em proporção ao grau de elevação espiritual do indivíduo.

46. E as crendices?
Onde há fumaça, há fogo, diz o ditado popular. Há crendices verdadeiras e falsas. Quando muitos dizem que determinada atividade é correta, deve-se analisar os fundamentos do ponto de vista científico e espiritual. Ou seja, devem ser analisadas friamente, sem serem repetidas, mecanicamente, sem discussão prévia. Certa vez ouvi que determinada imagem, dentro de casa, produziria efeito negativo na sexualidade feminina e coisas do gênero. Já falamos repetidamente que o que vale são os pensamentos e a magnetização dos objetos. Como foi comprovado, mais tarde, a dita imagem nada produziu de negativo, muito pelo contrário.

47. Por que se fala tanto em arruda, guiné e outras ervas?
São ervas que, pela utilização popular e orientação espiritual, ficaram muito conhecidas. As ervas, ao crescerem, absorvem as radiações do Sol, da Lua, dos minérios, enfim, de toda a natureza, e dos elementos espirituais, à semelhança da aura humana. A arruda é conhecida por murchar e secar em casas, terrenos ou regiões onde há abundância de fluidos danosos. Um verdadeiro termômetro da natureza.

48. E defumação?
Nada mais é do que plantas que, com todo o magnetismo absorvido da natureza, ao serem queimadas e suas emanações dirigidas por entidades encarregadas da purificação de ambientes, diluiriam fluidos pesados ou atrairiam boas vibrações. Usam-se desde a tradicional arruda ou outras ervas, cascas de alho, açúcar, resinas aromáticas, etc.

49. Por que incorporar Exu ou Pombagira?
É comum ouvir-se frases do tipo “deve-se deixar vir o povo de rua para ‘desamarrar’ a vida”. Ao incorporar um Elebara (Exu ou Pombagira), o médium é alertado conscientemente ou inconscientemente para não desenvolver os seus piores instintos ou evitar que esses comandem suas vidas. Pela assimilação magnética, os Elebaras costumam carrear excessos de fluidos pesados. Ao incorporar, no médium, em franca operação de limpeza, diz-se que “carregam” ou “assumem” parte do carma do mesmo, desta forma. Esclarece-se que eliminar o carma é impossível, mas aliviar o destino que daremos a nossas vidas é perfeitamente viável. Por isso, podemos afirmar que minimizam, reduzem, aliviam acidentes, minoram doenças, criam convicções de boa conduta e correção de caráter. São verdadeiros faxineiros do astral e preciosos amigos. Devido a seu caráter zombeteiro e brincalhão, alguns “pedichões” de oferendas, por falta de esclarecimento dos guias e médiuns, são vistos de soslaio com muita desconfiança nas casas ditas “não-cruzadas”, ou seja, onde não há trabalho específico dos Exus com o público (giras) e sacrifícios. São, infelizmente, muito confundidos com obsessores, arruaceiros, entidades “primitivas” e “ignorantes”, como são chamados. O que podemos dizer é que se deve observar o conteúdo das mensagens dessas entidades, o comportamento, o comprimento das promessas (sobretudo, o aval dos guias), conduta da casa e do grupo mediúnico, naqueles parâmetros do bom senso. Não devem ser temidos, mas respeitados. Em suma, pode-se afirmar que os Exus garantem, assim, muito maior proteção, uma vida menos problemática, um salutar vínculo de amizade criado entre trabalhadores de ambos os lados da espiritualidade.

50. Ouve-se muito falar nas fases da Lua propícias a trabalhos. No
que se fundamenta?

A ação eletromagnética da Lua é conhecida desde a mais remota antiguidade nos fenômenos das marés, na germinação e crescimento das plantas, na poda de plantações, na fecundação dos seres, nas alterações de humor e um sem número de fenômenos. Já que se trata de trabalhos, com fins quaisquer, é natural que se escolham dias em que a força eletromagnética da Terra, sob a influência lunar, crie um ambiente mais propício ao crescimento, ou não, do teor magnético nocivo ou benigno desses mesmos trabalhos.

51. Afinal, qual a diferença entre Exu e quiumba?
Os quiumbas são malfeitores do astral, avessos ao bem e altamente perturbadores. Tanto que há concordância entre autores quanto ao fato de serem eles os verdadeiros executores dos trabalhos destinados ao mal. São os costumeiros “encostos” ou “rabos de encruza”. Fazem-nos pensar que muitos quiumbas mistificam, fingindo, em casas desatentas, serem Exus ou até mesmo Orixás, com fins de alcançar seus objetivos.
Os Exus, não. São eles que desmancham os trabalhos de magia
negra, transportando magneticamente as mazelas, as dores e
doenças físicas e espirituais, aliviando carmas. Alguns Exus, por
estarem ainda no início de sua evolução, como trabalhadores do
bem, necessitam, necessitam orientação e doutrina, tanto pelo
médium como pelos diretores dos trabalhos (cacique, chefe ou
babalorixá) e devem ser colocados na disciplina da casa. Daí
temos os Exus orientados, que não pedem sacrifícios, com
oferendas mais simples, e aqueles que não tiveram uma colocação
correta, que se acostumam com extravagâncias e exigências
repletas de vaidades humanas.

52. Por que os Exus aparecem nas imagens em formas tão assustadoras?
Foi-nos explicado em uma consulta com entidades de sua linha. Os
Exus costumam tomar tais formas como meio de impor respeito e
medo a espíritos inferiores (quiumbas) e, desta forma, facilitar
o controle e vigilância que obtêm sobre estas mentes vinculadas
ao mal, para que não perturbem trabalhos ou até mesmo lares e
locais.

53. O que é Umbanda de Branco, Umbanda Branca ou de Cáritas?
Na verdade, varia infinitamente, de casa para casa. Mas seus
fundamentos básicos são que algumas casas recusam-se a trabalhar
com giras de Exus, por considerá-los indisciplinados e só
trabalharem com sacrifícios sangrentos, coisas que já sabemos
incorretas, apesar de serem idéias muito confundidas. Existem
sete falanges, dominadas por Orixás, Yorimá (Pretos-Velhos) e
Yori (Crianças). Na legião de Iemanjá haveria Orixás comandando
suas subdivisões, tais como Oxum, Iansã e Nanã. Em alguns locais,
os Orixás não “descem” pessoalmente, mas são representados por
Pretos-Velhos (antigos escravos), Caboclos (indígenas) e
espíritos de Crianças (entidades evoluídas que se apresentam sob
a forma infantil). Há rituais em matas, praias, pedreiras,
cachoeiras, etc. Nela foram abolidos rituais com sangue
(sacrifícios) e magia negra.

54. O que é Umbanda Cruzada?
Chamada de Quimbanda pelos umbandistas (ditos de linha branca) e
macumba, os seus trabalhos ou feitiços. Cultuam de dez a doze
Orixás, dependendo da nação africana de origem, sendo que os
Orixás “descem” pessoalmente, podendo haver, ou não, giras de
caboclos e pretos-velhos em outros dias, intercalados. Fazem
comidas (oferendas) mais elaboradas que na Umbanda Branca e
sacrifícios animais. Nela é comum o jogo de búzios e rituais
assemelhados ao Candomblé, feitos pelo pai ou mãe-de-santo ou
babalorixá ou yalorixá. O vestuário é elaborado, há toque de
instrumentos (algumas casas de Umbanda Branca aboliram), seu
cerimonial e ritualística possuem maior quantidade de preceitos,
proibições e quizilas (proibições alimentares). Cultuam-se,
sobremaneira, os Orixás ligados à morte e aos cemitérios, fonte
energética de muitos trabalhos de magia negra, como Xapanã (Omolu
ou Obaluaiê), Exu (Elebaras) e Iansã como dominadora de Eguns.


ABC DOS ORIXÁS
EXU (ELEBARAS)


Na linha do Orixá Exu trabalham os Elebaras. São formados pelos
Exus (entidades que se manifestam como homens) e Pombagiras ou
Bombo-Giras (como mulheres), brincalhões, atrevidos e até
malcriados, mas sempre muito responsáveis naquilo que fazem.
É impossível desvincular Exu da Umbanda, a chamada de Linha
Branca, já que suas falanges determinam o bom andamento dos
trabalhos, mesmo que, por determinação da diretoria das casas, não
incorporem junto ao público.

É Exu o policial, o executante das ordens de todos os Orixás no plano mais denso. É o mensageiro, o que entra e sai das zonas umbralinas, sem temor, assumindo formas ameaçadoras para fazer-se respeitar. Sem ele, a força dos Orixás não atuaria no mundo, pois é ele o operário incansável. Temido por não admitir a desobediência, é ele quem aplica os castigos, fazendo, na verdade, cumprir a lei de causa e efeito, desmanchando a magia negra. Mesmo punindo, quando há mérito, Exu cura, concede maiores facilidades em alcançar o que desejamos. São os faxineiros do astral, porque purificam os ambientes e pessoas. É comum ver-se suas legiões preocupadas em alertar contra males, jamais trabalhando contra a lei divina do amor.

Seus Filhos
Amplo, imenso sorriso. Têm sempre uma observação matreira, uma mentira para todos darem boas gargalhadas. Ou expor o defeito alheio, sem nenhuma piedade. Não se preocupam com o bem ou o mal, querem apenas viver e se divertir. Se alguma coisa os desagrada, não temem ser violentos, usando de todos os truques que aprenderam em sua atribulada vida. Sempre criando confusões, são boêmios, amam o sexo e são muito sedutores em suas conquistas.

Oferendas
As oferendas a Exu são muito variáveis, de acordo com as orientações de cada Elebara. Há 21 tipos básicos diferentes de Exu. Mas, normalmente, se Exu masculino, em encruzilhadas abertas, aceita cachaça, charutos, pipoca sem sal, farofa de dendê, balas de mel. Detesta pimenta. Se Pombagira, muito apreciam cachaça, contudo, o que é mais comum é oferecer champanhas ou filtrados*, doces, cigarros ou cigarrilhas, pipoca sem sal, tudo banhado com mel, maçãs, doces e chocolates. Sua vela pode ser branca (oferecida a qualquer Orixá) ou vermelha, de preferência na segunda-feira. O número para elementos da oferenda é o sete.

OGUM
Sem sua energia a civilização morreria. É Ogum quem domina o
campo do desenvolvimento e do aperfeiçoamento das técnicas. Com o
manejo dos metais, traz o progresso material. É ele o governante dos
impulsos de iniciar todas as coisas, impelindo nas conquistas.
Na defesa dos povos e lares, suas falanges lutam contra as
investidas das trevas. Temido por sua ferocidade, amado pelo carinho
que dispensa a quem os invoca.
Possui muita afinidade com Exu, por rondarem o mundo; por serem
suas falanges os cobradores do carma de cada indivíduo. Também se
assemelham por estarem próximos dos locais onde se percebe maior
concentração de suas forças: a Exu, as encruzilhadas; a Ogum, as
estradas. Com Oxossi (Ode), divide o controle das matas, sendo que
muitos caboclos lhe pertencem.

Seus Filhos
Tendem a ser magros, rosto comprido, olhar penetrante. Seus filhos
costumam ser implicantes, impertinentes, de subidas explosões de
raiva,
(*) Filtrados seriam imitações de champanha, incluindo sidras.
Parecendo que estão sempre “comprando briga” à sua volta. As bebidas
e a boemia lhes fascinam, como aos filhos de Exu. Ambos são
inconstantes nos amores, possuindo grande sedução natural. No
trabalho são hábeis, rápidos e muito honrados nos compromissos que
assumem.

Oferendas
Nas terças ou quintas-feiras, sob a sombra de uma árvore,
próxima a uma estrada de terra, oferece-lhe um prato de feijão
torrado ou feijoada, ou mesmo uma carne de costela bovina, com
farinha de mandioca. Ao lado, uma vela vermelha, verde e branca,
cores que abrangem todas as legiões de Ogum, inclusive aquelas que
vibram no azulão. Sua bebida favorita é a cerveja branca ou vinho
tinto. Sua flor é o cravo vermelho. Seu sincretismo é com São Jorge
ou Santo Antônio e o número de itens variam entre sete, 14 ou 21.

OXÓSSI (ODÉ)
Seus recursos, na Umbanda, vêm de todo o verde do mundo, já que
a ele estão associados Ossãe (o Orixá das ervas medicinais e
religiosas), Otim e todos os Orixás das matas e campos agrícolas.
Comandam as plantações, e, de certa forma, o tempo exterior através
do manuseio dos ventos de Iansã, das chuvas, das estações.
Suas entidades participam das atividades de cura, extraindo os
mais diferentes recursos da natureza, vitais no processo de
extermínio dos males físicos e espirituais. Congrega doutrinadores
de grande porte e evangelizadores, ligados alguns às linhas de
Xangô, na busca incessante das almas escravizadas no erro, daí ser
explicado o termo “caçador”, visto do ponto de vista espiritual. Na
linha de Ogum, trabalham cruzados os conhecedores dos segredos das
matas e dos caminhos que levam ao conhecimento dos remédios.

Seus Filhos
O ar esquivo dos filhos de Oxóssi é inconfundível. Muitos são
amorenados, parecendo caboclos, outros possuem como características
físicas o porte longilíneo e ágil. São frios, calmos e, se
porventura não forem belos, coisa rara de acontecer, seu charme de
aparência distante torna-os cativantes. Para eles, a solidão não é
incômodo. O silêncio que tanto procuram os fazem intelectuais,
curiosos, artistas ou atletas. São muito francos e simples de modos,
daí detestarem reuniões onde rola a frivolidade. São modestos nas
qualidades que possuem.

Oferendas
Frutos da terra, em geral, como moranga, abóbora ou milho
cozidos, charutos, cerveja branca ou vinhos, entregues em matas ou
sob a sombra de uma frondosa árvore. Sendo o javali sua caça
favorita, é comum oferecer-lhe bifes de carne de porco. Sua vela é
verde e é sincretizado com São Sebastião ou, na Bahia, com São
Jorge.

XAPANÃ
Suas falanges trabalham atuando nos cemitérios; desperta medo
por sua forma misteriosa, sob as palhas da cabeça aos pés em suas
manifestações no Candomblé. Xapanã (Omolu ou Obaluaiê) merece ser
citado como um dos principais Orixás de Umbanda.
É invocado como o médico dos pobres, pois além de ser o
causador de todas as epidemias e doenças, pode curar, sem distinção
nenhuma. Suas falanges atuam no acompanhamento do desencarne e no
controle do fluxo de fluidos densos vindos dos cemitérios e de
regiões pantanosas, com fins curativos ou de cobrança de carmas dos
indivíduos através das moléstias.

Seus Filhos
O pessimismo é sua principal característica. Não são belos, nem
sensuais, mas possuem uma mente privilegiada. Um sentimento de
rejeição inexplicável acompanhado de melancolia lhes persegue,
tornando-os tristes e frios. Se conquistados em seu afeto, são
extremamente leais, honestos e amáveis. Possuem doenças de pele,
desde acne excessiva a cicatrizes vindas de doenças na infância.
Alguns têm facilidade de machucar as pernas. Seus rostos parecem
desprovidos de rubor, com tendência à palidez.

Oferendas
Na Umbanda, Xapanã aceita suas oferendas em encruzilhadas, com
Exu. São oferendas destinadas a cura de males físicos, consistindo
de pipocas sem sal, feijão ou milho cozido ou torrado, amendoim e,
opcionalmente, bife de carne bovina. Sua vela poderá ser preta e
branca, vermelha e preta ou roxa. Seu número é o 14 e seu dia a
segunda-feira. É sincretizado com São Lázaro (São Bento ou São
Roque).

XANGÔ
Justiça. Toda a sua força pode ser resumida nesse palavra. É o
senhor dos trovões, dos raios, do fogo, que divide com Iansã, sua
lendária rainha. É a ele que os ofendidos, os humilhados, recorrem
em busca de reparo. Seu domínio se estende a todas as atividades
intelectuais, filosóficas ou científicas. Promove o desenvolvimento
da cultura, da aplicação das leis, do poder como gerador do
progresso, daí associá-lo sempre à figura do rei doador do trabalho,
das atribuições que cada um tem no mundo. Divide com Ogum as
demandas judiciais que nascem da sabedoria de Xangô e da força de
vencer do outro. Aqueles que procuram descobrir a verdade recorrem a
Xangô. É ele que faz a melhora nos estudos e a capacidade de
exprimir as idéias através das palavras. Favorece as promoções e a
procura de trabalho. Nos casos de calúnia e falsidades faz justiça,
estendendo sua atuação às associações humanas de toda a espécie.

Seus Filhos
Parecem príncipes. Altivos, passando por arrogantes. No físico,
são atarracados, baixos, famosos pelas testas altas e olhar franco.
São ciumentos e possessivos naquilo que conquistam. Nunca lhes
faltam recursos para viver e será raro ver-se um filho de Xangô na
miséria. São ousados, persuasivos, irresistíveis pela sua retidão de
caráter e facilidade de expressão. Não são preguiçosos, mas gostam
da vida onde seja exigido menor esforço. Adoram boas comidas, roupas
e acessórios. Aos seus filhos, Xangô não tolera a mentira, a
corrupção dos valores e a deslealdade.

Oferendas
Sua comida, em todo o Brasil, é o amalá, preparado com os mais
diversos materiais, mas, principalmente, angu de farinha de
mandioca, mel, frutas, em especial as bananas. Sua oferenda deve ser
muito bem decorada, em gamelas de madeira, entregue em pedras
naturais (não colocadas pela mão do homem). Ao lado deve brilhar uma
vela marrom, charutos, cerveja preta. Número de Xangô é o 12, 6 ou
4, e seu dia é quarta-feira. O sincretismo é São Jerônimo (por
possuir livros ou ainda, ter ao seu lado o leão, símbolo da realeza
na África).

IANSÃ
A força de Xangô e Iansã são complementares, tanto que muitos
estudiosos consideram ser a Orixá a face feminina do mesmo. Suas
falanges controlam a energia do fogo e dos ventos, dominam os Eguns
(os mortos) tanto que, a ela são associadas muitas Pombagiras. Como
atributo principal lhe é dado o domínio, a capacidade de controlar
todas as coisas, na manutenção das normas, tanto que o casamento lhe
pertence, como instituição.
É a destruidora, a que quebra velhos costumes, a rebelde
inquieta que busca novos caminhos. Tanto que, nos mitos, aparece
como a energia que rompe as barreiras, interferindo nos destinos
humanos, como no caso em que rouba, com seus fortes ventos, as
folhas medicinais de Ossãe, distribuindo-as aos diferentes Orixás.
Suas falanges unem-se às demais para que a justiça de Xangô
impere, concretizem-se as leis de cobrança de Ogum, ou colaborando
com Xapanã, através do temor que impõe aos mortos.

Seus Filhos
São fáceis de identificar. Muito extrovertidos, gesticulam
muito, turbulentos, parecendo verdadeiros temporais. Não passam
despercebidos, pois tudo fazem para chamar a atenção, sendo
brilhantes em qualquer atividade ou reunião. Têm iniciativa, mas são
autoritários e não admitem questionamentos. E, se houver, sofrem
súbitas crises de cólera, tornando-se cruéis. Um filho de Iansã
veste-se com ousadia, com muita originalidade. Se solteiros, trocam
de parceiros constantemente. Se não, são dedicados e sinceros.

Oferendas
Sincretizada com Santa Bárbara, sua oferenda consiste de 9
itens (seu número). Sua comida favorita é o acarajé e aprecia o
amalá. Mais simplesmente, pode-se oferecer fatias de batata-doce
fritas sobre pipocas estouradas, sem sal, recobertas com azeite-dedendê.
Sua vela será branca e vermelha ou rosa, apreciando todos os
tipos de bebida, de preferência de forte teor alcoólico. Deverão ser
entregues em bambuzais na beira de riachos ou rios e, se não houver,
aceita nas encruzilhadas, com Exu. Jamais devem ser oferecidas
abóboras em doce ou qualquer tipo de preparo.

OXUM
As legiões de Oxum, na Umbanda, trabalham subordinadas a
Iemanjá, assim como todos os Orixás das águas. Comanda a gestação e,
portanto, a reencarnação de todos os seres e a proteção das crianças
que ainda não falam. Sua linha é formada por entidades delicadas, de
índole feminina em sua grande maioria, que distribuem a riqueza
material vinda dos metais e da fartura dos alimentos (vinda de
Oxóssi). São atraídas pela beleza, pelas artes, desenvolvendo tais
atividades entre a Humanidade. Incrementam a doçura nos lares,
amainam pessoas e ambientes, estimulando a energia que comandam: o
amor puro. Mesmo sendo Oxóssi o regulador das matas, é a ela que
pertence a fecundidade na Natureza. Por deter a sensibilidade e o
amor, está diretamente relacionada aos jogos adivinhatórios,
atributo natural dos filhos desse Orixá.

Seus Filhos
Um filho de Oxum é arredondado, por adorar doces e boas
comidas. Seu rosto é harmonioso, delicado, sempre com um sorriso
suave e olhares meigos. Fala amenidades o tempo todo, tendo um dom
natural de descobrir os defeitos alheios e expô-los com leviandade e
graça. Se provocado, nunca discute, mas trama a revanche em silêncio
e será raro ver-se um filho desse Orixá sofrendo infortúnios na
vida, sempre contando com o apoio de alguém para auxiliá-lo.
Explicado pelos mitos, seus filhos possuem enorme paixão por jóias,
tendo sempre uma coleção, de acordo com suas posses. Apesar de
discretos, são muito dengosos e sensuais, cultivando todos os
prazeres da vida.

Oferendas
Sendo o ovo consagrado a Oxum, costuma-se lhe oferecer
quindins. Também milho (canjica) cozido ou pirão de farinha de
milho, sempre regados com muito mel. Gosta de guaranás, sua vela
sempre será amarela, seu número 16, 8, 4 ou 2, e deverão ser
entregues em cachoeiras, rios ou córregos de água doce, seu
elemento. É sincretizada com diversas Nossas Senhoras, em especial
aquelas cercadas de crianças, tal qual Nossa Senhora da Conceição.

IEMANJÁ
“A Mãe dos Peixinhos”, como seu nome significa é, sem dúvida, a
mais popular na América. Seu caráter maternal e protetor é célebre
nos mitos, tanto que divide as atribuições da gestação e fartura na
Natureza com Oxum, sendo que a segunda tornou-se a guardiã das
crianças pequenas (as que não falam ainda) e Iemanjá continua
acalentando, maternalmente, toda a Criação. No Brasil, teria gerado
todos os Orixás com Oxalá, o pai mítico, com exceção dos filhos de
Nana. E, mesmo assim, teria adotado e curado o jovem Xapanã, filho
daquela, abandonado pela mãe ao nascer.
Na Umbanda não lhe pertence apenas o majestoso mar, mas todas
as águas materiais e espirituais, agregando em si as falanges de
Oxum, Iansã, Nana, Oba e Eua, presentes separadamente no Candomblé.
Por isso, as legiões de Iemanjá manipulam os trabalhos de
purificação e desobsessão, junto ao seu elemento, em amplo
descarrego magnético. Determinam a cura das doenças mentais e seu
tratamento, pois detêm toda a área dos sentimentos nobres que
procuram estimular em todas as criaturas.

Seus Filhos
Serão explicados apenas os filhos de Iemanjá, tendo-a como
Orixá de cabeça, não se citando as demais senhoras das águas. As
mulheres costumam ser robustas, de andar pesado e lento. Prendem
tudo à sua volta, sendo extremamente apegadas aos filhos, ao lar e
às coisas. Tudo guardam, nada põe fora. São queixosos, lamurientos,
não sendo ativos. Guardam rancores por longo tempo, sendo difícil
perdoarem. Mas são bondosos, pacientes e muito bons educadores.

Oferendas
Manjares brancos como arroz em papa, angu de farinha de mandioca,
milho branco (canjica); tudo cozido em água ou leite, adoçado com
açúcar e regado a mel. Doces brancos, tais como cocadas, merengues e
marias-moles podem constar, com uma vela azul clara, entregues
próximos às águas, de preferência o mar. Alguns incluem guaranás.
Seu dia é o sábado, como Oxum, e o número de itens pode variar
muito. É sincretizada com diversas Nossas Senhoras, sendo as mais
comuns a Nossa Senhora dos Navegantes, da Conceição, da Glória e das
Candeias.

Oxalá e Ibeji
As falanges de Oxalá ocupam o grau mais alto da hierarquia
espiritual. São os anjos, os santos, as entidades que trabalharam na
Terra como missionários. São os administradores do mundo, os que
organizam todas as falanges dos demais Orixás. Distribuidores da
paz, da harmonia entre todos os seres, daí os demais lhe renderem
respeito e chamá-lo de “pai”. Seu domínio é tudo, abrangendo todo o
céu, que lhe é consagrado.
Ibeji ou, como é conhecido em Umbanda, Cosme e Damião, é entidade que assume a forma infantil nas manifestações, protetor das crianças, vibrando nas linhas de Ogum, Xangô e Oxalá, principalmente. Governa os nascimentos, os princípios, na Natureza ou nos fatos da vida. Possui a capacidade de tornar os ambientes alegres e felizes pela sua vibração característica, estimulando as diversões e prazeres com fins de aliviar as tensões surgidas com as atribulações, dono da energia mais sublime, canalizada dos planos mais elevados.

Seus Filhos
Apesar de faltarem-lhe iniciativa, os filhos de Oxalá são os melhores companheiros. Cuidadosos, responsáveis, calmos, francos.
Sabem dar bons conselhos, daí serem chamados para apresentarem seus
pareceres. Não trocam de parceiros, sendo muito estáveis, mesmo que,
alguns, sejam galanteadores e idealistas. Não gostam de discussões,
porém apreciam mais as conversas que os livros. Parece que tudo
sabem, mesmo não tendo estudado, possuindo grande sensibilidade.

Oferendas
As mesmas de Iemanjá, oferecidas em lugares abertos,
verdejantes e com muitas flores, entregues em dia ainda claro. Seu
dia, no Candomblé, é sexta-feira, mas lhe costumam dedicar, na
Umbanda, também o domingo, junto com Cosme e Damião. Sua vela sempre
será branca e seu sincretismo será com Jesus Cristo, como Nosso
Senhor do Bonfim, com exceção de Nosso Senhor dos Passos, pois
aparece carregando a cruz, muito ferido, sendo que, em algumas
nações, sincretiza-se com Xapanã.
As oferendas de Ibeji consistem em doces variados, desde bolos
a balas e chocolates, nas praças e lugares freqüentados por
crianças. Alguns, por considerarem Ibeji uma das formas de Xangô,
oferecem-lhe amalá. Deverão ser entregues ainda em dia claro,
geralmente à tardinha, com vela azul, rosa e branca, ou apenas rosa.
São sincretizados em todo o Brasil com Cosme e Damião, algumas vezes
constando Doum como terceiro elemento.


ABC DAS PROIBIÇÕES

Como já dissemos anteriormente, algumas proibições são válidas,
algumas se tornaram populares, mas carecem de fundamento. Citaremos
algumas mais importantes e conhecidas que aceitamos como
verdadeiras:

- as oferendas deverão ser entregues a partir das sete horas da
noite ou pela manhã, antes do sol firmar-se no céu, com exceção a
Oxalá e Ibeji que aceitam em dia claro. Nunca deverão ser entregues
a partir da meia-noite, quando se nota maior acúmulo de entidades
perturbadoras à procura de encarnados dedicados aos prazeres mais
inferiores.

- Nada será despachado durante a chuva. Podem ser entregues nas
estiagens, nas horas em que a chuva passa.

- Na lua minguante são entregues os trabalhos destinados a
diminuir ou acabar com algo, como doenças ou vícios, dias esses com
poderoso influxo magnético lunar de retração. Nos dias de lua cheia
ou crescente, para trabalhos de crescimento, tais como os destinados
a melhoria no trabalho, estudos, amor e saúde. Na lua nova não
recomendamos, pois já é sentida a influência da passagem da lua
minguante.

- O respeito à Natureza é um dos atributos do umbandista. Em
respeito aos Orixás e manutenção de seus locais, jamais deixe lixo
de qualquer espécie após as oferendas, como sacolas, papéis,
embalagens, com exceção de garrafas de vidro.

- Escute sempre a entidade que solicita a oferenda. Orientarão
se preferem bandejas de papelão ou potes de barro, louça, que tipo
de flor, quais as cores, quantidades, etc.

- Tanto consulentes quanto médiuns devem se abster de ingerir,
nos dias de trabalho, bebidas alcoólicas, comidas picantes, excesso
de carne vermelha e, dentro do possível, evitar discussões e
agitações de toda a espécie. Já falamos de entidades, principalmente
do Oriente, que não admitem o consumo de carne de gado, porco ou
carneiro pelo seu médium no dia de trabalho. Incluem-se aqui também
nesses itens o excesso de café, chás e chocolates.

- Todos os itens da oferenda deverão ser comprados por quem os
oferece, sem nenhuma exceção. Como dizem as entidades, tudo deve ser
“chorado” e não pago por outrem.

- O local escolhido não poderá ter outras oferendas ou ter
havido agitações ultimamente, com exceção das encruzilhadas que são
muito ocupadas.

- Cumprimente o local e as entidades que ali trabalham e estão
assistindo à entrega, e saia respeitosamente, em silêncio, não se
voltando para trás.

- Por deixarmos imantados os objetos com nosso toque, a mulher
menstruada não deve preparar ou oferecer nada, por estar eliminando
nesses períodos cargas negativas expelidas com o sangue.

- Não ofereça bebidas geladas.

- Tudo deve ser aberto, desenrolado, inclusive balas.

- Pode-se acender ou não cigarros e charutos. A caixa de
fósforo deve ficar ao lado, aberta.

- Os Orixás não se preocupam com a quantidade de itens
oferecida, mas sim com o axé mínimo para a troca fluídica e o valor
da intenção do pedinte.

- Peça justiça, nunca o mal de alguém. A Umbanda não admite
trabalhos voltados para o lado da Quimbanda.

- Os vinhos a Ogum costumam ser tintos e secos. Os de pretosvelhos,
rosados e suaves. Mas tudo isso é muito variável, como já
foi dito, de acordo com a solicitação feita. Se oferecida a toda a
falange, aí sim cabem os itens mais comuns a qualquer uma.

- Procure banhar-se, se possível, com banhos de descarga, na
entrega e na chegada das oferendas.

- Não use cores escuras nas roupas, inclusive os consulentes,
nos dias de receber passe, quando deverão ser orientados no local.

- Não devem ser comidos ou provados os itens da oferenda. O que
foi preparado deve ser entregue e, se sobrar, posto fora.

- O centro das encruzilhadas é um verdadeiro redemoinho
magnético, geralmente de forças perturbadoras. Procure evitar cruzar
o local em diagonal. Atravesse de calçada a calçada.

- Os despachos (oferendas a Exu) devem ser entregues em um dos
quatro cantos da encruzilhada. Alguns trabalhos, com a devida
orientação, constam também no centro. Nunca faça, sem o devido
preparo e aval das entidades, tais oferendas. Limite-se a velas,
charutos e cachaças.

- As ervas devem ser frescas, se possível, e nunca
demasiadamente fervidas.

- Na Umbanda, não há proibições do tipo não cortar o cabelo
porque o Orixá não gosta, usar esta ou aquela coisa, ou outras
observações presentes em outras linhas de trabalho. Há maior
flexibilidade nessas questões.


ABC DAS LINHAS DE UMBANDA

1ª. LINHA: OGUM

Como já vimos, Ogum domina a primeira Linha de Umbanda, que
controla todos os fatos de execução e cobrança do carma de cada
indivíduo ou grupo, daí serem soldados.

1. Falange de Ogum Beira-Mar
Colaboradores de Iemanjá, Ogum Beira-Mar trabalha sobre a areia
molhada, enquanto Ogum Sete-Ondas trabalha sobre as ondas.
Aceitam oferendas com velas nas cores branca, verde, vermelha e
azul-clara.

2. Falange de Ogum Rompe-Mato

Ogum Rompe-Mato trabalha para Oxóssi (Ode) e Ossãe, nas matas.
Ogum das Pedreiras trabalha para Xangô, nas pedreiras. Em
ambos os casos, é a mesma falange que trabalha para os dois
Orixás, com nomes diferentes. Rompe-Mato aceita suas oferendas
na entrada da mata, nas cores verde, vermelha e branca, sendo
a vela vermelha. Ogum das Pedreiras aceita suas oferendas em
torno das pedreiras, nas cores verde e vermelha (misturadas
geram o marrom), com velas nas mesmas cores.

3. Falange de Ogum Megê
É colaborador de Iansã; seu nome significa “Sete”. É o guardião
dos cemitérios, rondando suas calçadas, lidando diretamente com
a Linha das Almas. Toda sua oferenda será em vermelho e branco,
próxima ao cruzeiro do cemitério (calunga pequena).

4. Falange de Ogum Naruê
Seu nome significa “Aquele que é o primeiro a gerar valor”.
Trabalhando diretamente na Linha das Almas, desmanchando a
magia negra, controla as almas quibandeiras. Aceita suas
oferendas com Ogum Megê ou, ainda, dentro ou fora dos
cemitérios, nas cores branca e vermelha. Alguns incluem uma
pedra-ímã nos itens a oferecer-lhe.

5. Falange de Ogum Matinata
Com poucos médiuns que o incorporam, sua falange protege os
campos de Oxalá, os locais abertos, floridos e iluminados. Mas
não trabalha diretamente para esse Orixá. Aceita suas oferendas
nos campos floridos, nas cores vermelha e branca.

6. Falange de Ogum Iara
Seu nome significa “Senhor”, trabalhando para Oxum. Suas
oferendas deverão ser entregues na beira de rios, lagos ou
cachoeiras, onde vibram, nas cores vermelha e branca ou verde e
branca.

7. Falange de Ogum Delê (ou de Lei)
“Aquele que Toca o Solo”; como seu nome significa, é uma
falange que vibra na linha pura de Ogum. São eles que trabalham
diretamente no carma e sua cobrança, rondando o mundo. Suas
cores são vermelha e branca e suas oferendas podem ser em
qualquer lugar, ao ar livre.

Oferendas: todas as falanges citadas recebem velas nas cores
indicadas, cravos vermelhos (alguns aceitam cravo branco também),
cerveja branca, ou, menos comum, vinhos, charutos e fósforos,
sobre um pano branco.
Ervas: as mais comuns são espada-de-são-jorge, losna, jurubeba,
comigo-ninguém-pode, romã.

2ª. LINHA: XANGÔ

1. Falange de Xangô Caô
Dominam a sabedoria adquirida com o tempo, atuando nas
pedreiras abertas. Sua cor é o marrom-escuro. É conhecido
também como Xangô Velho.

2. Falange de Xangô Alafim (ou Alafim-Echê)
Seu nome vem do título dado ao rei de Oyó, na África. Defendem
a pureza moral, atuando nas pedras solitárias dos caminhos.
Suas cores são marrom e branca.

3. Falange de Xangô Alufã
O Xangô “Sacerdote”, determina as diretrizes dos desencarnados,
atuando nas pedras dos rios, mares, cachoeiras e todas as
águas, daí ser o protetor dos pescadores. Suas velas são o
marrom e o branco.

4. Falange de Xangô Agodô
Seu nome significa “Grandeza”, atuando nas pedras mergulhadas
nas águas de toda a espécie, inclusive nas “pedras iniciáticas
e na pedra batismal”.

5. Falange de Xangô Abomi (ou Abomim)
“Aquele que derrama água de uma vasilha” ou “Aquele que
Batiza”, muitas vezes é sincretizado com São João Batista,
talvez devido ao seu nome. Trabalha nas montanhas, nas
cordilheiras, protegendo nos momentos de angústia, nas horas de
aflições e perdas, inclusive no casamento. Sua cor é o marrom
e, nos casos de amor, oferece-se junto uma vela para Iemanjá.

6. Falange de Xangô Aganjú
É um Xangô jovem, vibrando nas linhas de Xangô e Oxum,
trabalhando nas pedras da cachoeira. Traz harmonia entre as
forças de amor e justiça. Suas cores são o branco e o marrom.

7. Falange de Xangô Djacutá
Seu nome significa “pedra”, dominando a força de Xangô no
meteorito e nos raios, sendo muito invocado nas injustiças que
conduzem a aflições, defendendo as vítimas desses abusos. Suas
cores são o branco e o marrom.

Oferendas: Além das já citadas anteriormente, dedicadas ao Orixá,
basicamente consistem de velas, nas cores indicadas, charutos,
fósforos, cerveja preta, rosas ou lírios brancos.
Ervas: folhas de eucalipto, manga, goiaba, camaná, alecrim e
limão.

3ª. LINHA: OXÓSSI

Toda a parte doutrinária e evangélica, com fins de trazer fé às
almas desgarradas no mal, interferindo nos males psíquicos e
físicos, pertencem a essa falange. Daí, por trazer as almas ao
caminho do bem, Oxóssi é chamado de caçador de almas. Rege também
a disciplina e obediência.

1. Falange dos Caboclos Peles-Vermelhas
Excelentes doutrinadores, com grande sabedoria, pertencem a
antigas civilizações indígenas (maias, astecas, incas, etc).
Falam estranhos “dialetos” quando “descem”. Nessa falange,
entre os itens básicos que citaremos adiante, entram incenso
queimado, folhas de alecrim e alfazema frescas.

2. Falange do Caboclo Araribóia
Como Oxóssi é caçador, é ele que coordena, na vida material, o
trabalho, com o objetivo de trazer recursos à mesa. Por isso,
essa falange se dedica a proteger aos injustiçados no seu
direito de sustento e sobrevivência de suas famílias, vibrando
nas matas das montanhas. Gostam de flores variadas.

3. Falange da Cabocla Jurema
Formada por entidades meigas, amorosas, traz os recursos da
Natureza e os transformam em energias vitais próprias a serem
utilizadas em purificação de locais, pessoas e na medicina
espiritual, aos serviços de Oxóssi e Ossãe. Gostam de muito mel
nas oferendas, fitas coloridas, menos o preto.

4. Falange dos Caboclos Guaranis
São guerreiros. Defendem as matas, junto a Ogum Rompe-Mato.
Onde os guaranis estão, impõe a paz, daí serem chamados de
“Falange da Paz”. Nunca recebem mel em suas oferendas.

5. Falange dos Caboclos Tamoios
Humildes e pacientes, são eles os conhecidos “domadores de
feiticeiros” ou “bumba na calunga”, vencendo a feitiçaria.
Trazem as almas ao bem, daí serem os “caçadores de almas”, na
atribuição legítima das falanges de Oxóssi. A ela pertencem
Muiraquitã e Grajaúna. Apreciam folhas de arruda em suas
oferendas, guiné, rosas de qualquer cor e muito mel.

6. Falange dos Caboclos Tupis
São os conhecidos Tatauys, conhecidos por serem muito ágeis,
bons caçadores, muito brincalhões. Apreciam sucos de frutas,
mel e rosas de qualquer cor.

7. Falange do Caboclo Urubatã
São os mais velhos, sábios e conhecedores da mata. Há poucos
médiuns que os incorporam. Trabalham nas colinas floridas, pois
se ligam à vibração de Oxalá. Nas suas oferendas vão muito mel
e flores brancas. Sua vela inclui a cor branca, sendo a única
falange que recebe outra cor, além do verde.

4ª LINHA: IEMANJÁ

Nessa falange, na Umbanda, trabalham todas as Iabás (Senhoras
dos Rios), agrupadas com os nomes de janaínas, caboclas ou
sereias. Sua missão é trabalhar diretamente com a força emotiva
por meio dos sentimentos de maternidade, misericórdia e amor.

1. Falange da Sereia do Mar
Entidades que assumem formas encantadas, residindo em todo o
elemento água. Possuem total domínio sobre as energias desse
meio. Aceitam as tradicionais oferendas a Iemanjá, entregues
para serem levadas ao fundo dos mares, lagos ou rios.

2. Falange da Cabocla Iara
Dominam a força nascida do encontro das águas doces e salgadas,
muito ligadas ao Orixá Ogum. É também o nome das entidades
chefes da falange conhecidas como Caboclas do Rio. São alegres
e juvenis. Sua vela será azul clara e uma verde, vermelha e
branca, para Ogum.

3. Falange da Cabocla Nana
A Cabocla Nana Burucum é chefe da falange das Ondinas. Suas
entidades trabalham na beira das fontes e trazem uma vibração
capaz de proporcionar paz e compreensão nos lares. Protegem as
atividades ligadas ao ensino, como o magistério. Sua vela será
clara e lilás, ao Orixá Nana.

4. Falange da Cabocla Iansã
A Cabocla Iansã representa o Orixá com o mesmo nome, junto à
Iemanjá. Trabalha sob os fortes temporais e chuvas, forças
essas capazes de proporcionar grande resistência nas
dificuldades da vida. Aceitam velas azuis-claras e vermelha e
branca ao Orixá Iansã. Podendo ser entregues junto às oferendas
de Xangô nos bambuzais ou na beira de cachoeiras, longe da
queda d’água.

5. Falange da Cabocla Oxum
As energias do amor puro e da luz que irradia sobre as
cachoeiras são a matéria-prima para suas atividades, ligadas à
Iemanjá. Através de sua falange, os fluidos benfeitores são
trazidos através das “águas espirituais”, ou seja, o prana ou
fluido cósmico universal. Sua vela será azul-clara e amarela,
dedicada ao Orixá Oxum.

6. Falange da Cabocla Indaiá
Sua falange é das Caboclas do Mar, ligadas a Yori, ou seja, a
Falange de Cosme e Damião. Absorvem energias de vários
elementos e transmutam na energia alegre e vibrante das
crianças. Suas velas serão azuis-claras e rosas.

7. Falange da Cabocla ou Sereia Janaína
Estão sob sua guarda a força do amor conjugal e da procriação.
Ligam-se muito ao Orixá Oxalá. Suas velas serão azuis claras e
brancas.

Oferendas: basicamente, todas as falanges de Iemanjá aceitam
sobre pano branco e azul-claro, fitas azuis, espelhos, pentes,
perfumes de seiva de alfazema ou seiva de rosas, flores brancas
ou azuis, rosas, lírios, mel, guaranás ou bebidas doces e
delicadas. A Falange da Cabocla Iansã recebe cerveja preta como
bebida. Observa-se que as cores das velas e algumas observações
variam da bibliografia, com fins de uniformizar com as cores
utilizadas na Umbanda, e não no Candomblé.
Ervas: lágrimas-de-nossa-senhora, camomila, espada-de-iansã,
folhas de bambu e qualquer planta aquática.

5ª. LINHA: YORI

Yori quer dizer “Vitalidade saindo da luz”. É formada pelas
entidades que, por opção, quiseram manter a forma infantil,
algumas já em preparo para uma reencarnação próxima. Onde for
necessária uma vibração dirigida à alegria, à fraternidade e à
comunhão, lá estará a Linha de Yori que, por essa bela qualidade,
domina as energias mais sublimes do plano espiritual.
Uma criança brincando, em um trabalho, não é uma atividade
infrutífera, como pensam alguns. É uma entidade que sabe
perfeitamente o que está fazendo, com o objetivo de descarrego de
tudo o que está em volta.

1. Falange de Tupanzinho (Idolu ou Idossu)
São entidades que vibram na Linha de Oxóssi, protegendo os
lenhadores e animais. Gostam, nas oferendas, de apetrechos
indígenas bem enfeitados, fitas verdes e vela rosa.

2. Falange de Doum
São entidades que nasceram no período do cativeiro como Doum,
eram filhos de mãe indígena e pai africano. Auxiliam os
tratamentos médicos, protegendo os profissionais da saúde e os
enfermos, proporcionando mais integração entre ambos. Cruzamse
com a Linha de Yorimá (dos Pretos-Velhos) e aceitam suas
oferendas em jardins e praças.

3. Falange de Alabá
Cruzam-se com Ogum, Oxumarê e Iemanjá. Da vibração dos três
Orixás, recebem condição de trabalhar com os militares, dando
coragem e piedade aos que usam farda. Suas oferendas são
próximas a cachoeiras, pois as cores do arco-íris atraem muito
essa falange.

4. Falange de Dansu
Espalham-se nos dias de tormenta, com fins de proteger adultos
e crianças nesses dias, trabalhando também para Xangô. Gostam
de fitas marrons e até seixos rolados em suas bandejas,
entregues nas pedras de cachoeiras.

5. Falange de Sansu
Legião de entidades que se apresentam como meninas,
distribuidoras de ternura, vinda de Deus. Trabalham cruzadas
com Iemanjá. Devem ser entregues a elas: conchinhas e
estrelas-do-mar, na beira da praia, junto com os outros itens
da oferenda.

6. Falange de Damião
Cruzam-se com Cosme e Doum, cuidando das crianças do espaço,
ou seja, das entidades recém-desencarnadas ainda crianças, de
grande poder de cura. Vibram, de preferência, nas praias e
jardins, seu lugar para a entrega de oferendas.

7. Falange de Cosme
São eles que detêm a responsabilidade da guarda das crianças
recém-desencarnadas na Linha de Oxalá. Com o qual cruzam.
Alimentam-nas com fluidos delicados, chamados de “mel”, ou,
talvez, os fluidos extraídos desse alimento.
Oferendas: Apesar de diferentes, as falanges de Yori incluem, em
suas oferendas, muito mel, doces em geral, balas, pirulitos,
brinquedos, fitas na cor rosa e nas cores com os quais cada
falange se cruza, velas na cor rosa, guaranás, flores brancas e
gostam muito de bicos (chupetas) azuis ou rosas, de acordo com a
falange ou entidade reverenciada (se meninas ou meninas, ou
ambos).

Ervas
: folhas de manjericão, amoreira, alfazema, alecrim, trevo.

6ª. LINHA: YORIMÁ

Seu nome significa a lei na aplicação da vitalidade saindo da
luz. É a linha do aprendizado a duros custos, da compreensão das
aflições, valorizando as lições da vida. É a prática da caridade
teórica, da humildade adquirida sob as mais cruéis provações. São
aqueles que ensinam que, mesmo mergulhados no erro, ainda há
esperanças. São os Pretos-Velhos.

1. Falange do Povo da Costa (Rei Cambinda)
Cruzam-se com Iemanjá e ensinam que, através da resignação das
provas, haverá o resgate das dívidas do passado. Consolam e
auxiliam os sofredores, com muito amor. Suas oferendas são
entregues nas praias.

2. Falange do Povo de Congo (Rei Congo)
Com Yori conseguem a energia pura e infantil dessa falange
que, transformada, vence a dor e traz a alegria. Junto a sua
oferenda vai uma vela rosa oferecida às crianças.

3. Falange do Povo de Angola (Pai Joaquim)
Libertam os escravos de hoje, presos aos vícios, maldades e
erros, despertando-os para a vida, por meio de esclarecimentos
ou ritos. Vibram nas matas e sua vela será roxa, a cor mística
por excelência.

4. Falange do Povo da Guiné (Pai Guiné)
Possuem o conhecimento das calungas (grande, o mar; pequena, o
cemitério), profundos conhecedores da magia e da sabedoria
para a cura de todos os males. Recebem suas oferendas no
cruzeiro do cemitério ou na beira do mar.

5. Falange do Povo de Moçambique (Pai Jerônimo)
Trabalham na lei do livre-arbítrio (ou da livre escolha), com
fins de inspirar a libertação do indivíduo durante sua vida
terrena. Vibram na mata, sobre pedras em especial, ou nos
lugares abertos nesse local, próprios ao repouso e à oração.

6. Falange do Povo de Luanda (Pai José)
Combatem demandas, fazem cumprir rigorosamente os rituais e
trabalham muito na caridade, sendo exigentes, mas muito
bondosos. Recebem suas oferendas no cruzeiro de cemitério.

7. Falange de Bengala (Pai Tomé)
Por terem sofrido muito na Terra, compreendem as misérias
humanas, trabalham na busca da paz, da fraternidade e
estimulam a caridade. Vibram nas colinas abertas e floridas.
Oferendas: cada Preto-Velho tem sua oferenda e gostos. Mas todos
recebem cigarros de palha, café, velas brancas e pretas (alguns,
roxas), doces tradicionais tipo pés-de-moleque, rapaduras, sagu,
farofa com lingüiça picada e comidas típicas do interior e da
época em que viveram.

Ervas
: arruda, guiné, benjoim, cipreste, folhas de café, alfavaca
e vassourinha branca.

7ª. LINHA: OXALÁ

É a fusão de todas as outras. As legiões de Oxalá são a sétima
e última falange de todas as Linhas já vistas anteriormente. É
responsável pela integração das demais. Coordenadora, sendo a
manifestação cósmica do céu, da terra, da luz e da energia, da
paz e do amor.

Suas falanges são:
1. Falange de Ogum Delê (Ogum)
2. Falange de Xangô Djacutá (Xangô)
3. Falange do Caboclo Urubatã (Oxóssi)
4. Falange da Cabocla Janaína (Iemanjá)
5. Falange de Cosme (Yori)
6. Falange do Povo de Bengala (Yorimá)
7. Falange dos Caboclos de Oxalá

Lembramos que os Caboclos de Oxalá dificilmente incorporam,
sendo os responsáveis pela coordenação das demais falanges e da
missão que cada guia-chefe assume perante a Umbanda.

Ervas
: são o tapete-de-oxalá (boldo), mariô, folhas de
limoeiro, manjericão, erva-cidreira, trevo e café.


PONTOS RISCADOS

Os diversos sinais, alguns originários da Cabala, unidos,
expressam uma idéia que identifica as entidades que os riscam,
seus campos de atuação, a quem se subordinam. Veremos, adiante
os mais comuns e um exemplo, para auxiliar na compreensão do
que já dissemos.

A estrela de cinco pontas significa o conhecimento sobre o bem
e o mal.

A flecha é a energia dirigida, a vontade, princípio da vida e
da morte.

Cruz é a regeneração pela provação. A transformação.

Meia-lua com ondas é Iemanjá. A alma e a regeneração.

Machado ou balança é Xangô.

Coração é Oxum.

Circulo, muitas vezes delimitando o ponto, é o limite de
atuação.

Círculo com ponto (no centro) é o sol, a energia total do
espírito.

Espada é Ogum.

X ou encruzilhada são os resíduos espirituais.

O Triângulo é a sabedoria de Deus.

A cruz de seis pontas é Oxalá.

O duplo raio é Iansã.

A onda com flecha é Yori. A pureza e o conhecimento.

As cruzes, nessa formação, são Xapanã. A transformação da
matéria.

Espiral é a evolução final.

O traço vertical é a busca ao Criador.

Exemplo:

Um ponto como esse identifica uma entidade cruzada nas linhas
de Ogum com Oxóssi. As espadas de Ogum confirmam ser a entidade
dessa Linha. A flecha mostra as espadas voltadas, dirigidas
para os X, ou resíduos espirituais. O círculo delimita a
atuação. Em resumo, o ponto significa a força de Ogum dirigida
na queima e na destruição dos resíduos espirituais.

BIBLIOGRAFIA

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