Como exemplo do uso da Empatia veja a seguir parte do livro Fazer
Acontecer, de Júlio Ribeiro, Editora
Cultura;
“(...) Tomemos por hipótese uma companhia que resolve lançar
um novo produto para completar a sua linha de inseticidas. O pensamento
‘com esse produto vamos nos tornar líderes na categoria’
enche o diretor de marketing de entusiasmo. Mas não necessariamente
o vendedor. Para ele, o novo produto representa mais um item na sua
lista. Mais uma cota para preencher, mais tempo
com cada cliente. A troco de que ele vai aderir?
Talvez a coisa possa mudar de figura numa conversa
do tipo:
- Manolo, o que você acha de a gente colocar
na linha de inseticidas um produto que ajude a vender os outros? Estava
pensando que, sem uma mata-baratas, nossa linha está incompleta.
O cliente tem que comprar produto por produto. Tô com vontade
de completar a linha com o melhor mata-baratas do mercado. A idéia
é permitir ao vendedor oferecer uma linha completa. Se der certo,
o vendedor pode faturar mais, em menos tempo, com menos esforço.
Além disso, se o cliente comprar a linha completa , a gente tira
a concorrência da jogada. O cliente passa comprar só do
vendedor. O que você acha?
Se o Manolo e sua equipe tiverem que entusiasmar, acho
mais provável que se liguem a alguma coisa que lhes traga benefícios.
E isso é verdade para a equipe da fábrica, para a diretoria,
a mulher do café, os clientes, as agências de propaganda
e todas as pessoas que de uma forma ou de outra possam colaborar para
que os objetivos sejam atingidos”.
Peter Drucker, a quem podemos considerar
que nos seus últimos 50 anos de vida (morreu com 96 anos de idade)
foi o guru dos gurus, também reforçou a importância
do uso da empatia. Sendo entrevistado pela Harvard Business Review,
assim falou Peter Drucker: “Você precisa não só
conhecer suas competências, mas também as forças
dos homens e mulheres a quem entrega atribuições, bem
como aquelas dos seus pares e do seu chefe. Muitos gerentes ainda se
guiam por médias. Eles ainda falam a respeito dos ‘nossos
engenheiros’. E eu digo: ‘Rapaz, você não tem
engenheiros. Você tem João, Maria, Jaime e Beto, e cada
um deles é diferente’. Não se pode mais gerenciar
uma força de trabalho; você gerencia indivíduos
e precisa conhecê-los bem (...)” .
Abrahm Lincoln, um dos lendários presidentes
dos Estados Unidos reforça a importância da empatia. No
seu preparo prévio ele se colocava no lugar do outro. Disse ele:
“Quando me preparo para discutir com um homem, passo um terço
do tempo pensando em mim - no que vou dizer - e dois terços pensando
nele e no que vai dizer”.
Você fala para seres pensantes, divagadores por
natureza. Se o ouvinte não se interessar pelo assunto você
passará a falar para paredes ou cadeiras. A empatia deve estar
presente no bom comunicador. Isto é, é preciso ser empático,
o que significa ter a preocupação de, ao transmitir sua
mensagem, colocar-se no lugar do outro, saber como e o quê o outro
gostaria de ouvir. Esteja sempre atento ao nível intelectual
do público, ao sexo predominante, à faixa etária
e ao conhecimento do público em relação ao tema,
pois, estes indicadores lhe mostrarão qual será a linguagem
e o conteúdo mais adequados. Esteja também atento às
diferenças individuais; as quais são as principais causas
dos insucessos dos comunicadores não habilidosos. Daí
a necessidade da aplicação da empatia, daí a importância
do comunicador colocar-se no “lugar” do outro.
Mas como conseguir tal façanha?
Como colocar-se no lugar de cada ouvinte dada
a diversidade de personalidades e opiniões?
Há solução para este problema.
Todo indivíduo tem algumas necessidades básicas
que são comuns a todas as pessoas. Satisfazendo estas necessidades
básicas (as quais devem ser selecionadas de acordo com o tema
e o objetivo de sua fala) você estará falando diretamente
para a mente do indivíduo.
Você verá a seguir 36 (trinta e seis!...)
necessidades básicas dos indivíduos, as quais foram extraídas
do livro Como Persuadir Falando (vale a pena adquiri-lo), Ediouro, de
Marques Oliveira.
a) Todos querem ser:
Bons Pais; Sociáveis e hospitaleiros; Atualizados;
Criadores; Orgulhosos dos seus sucessos; Líderes positivos; Gregários;
Eficientes; Bem sucedidos em tudo; Reconhecidos como autoridades.
b) Todos querem obter:
Saúde; Tempo; Dinheiro; Popularidade; Aparência
melhorada; Conforto; Lazer; Prazer em suas realizações;
Progresso profissional, econômico e social; Satisfação
em tudo que faz.
c) Todos querem fazer:
Expressar suas personalidades; Resistir a dominação
dos outros; Satisfazer a curiosidade; Emular o admirável; Apreciar
o Belo; Adquirir ou colecionar coisas; Ganhar a afeição
de todos; Aperfeiçoar-se de modo geral.
d) Todos querem evitar:
Perda de tempo; Perda de tempo; Trabalho excessivo
e desnecessário; Desconforto; Preocupações; Dúvidas;
Riscos; Embaraço pessoal.
Portanto, se o objetivo de sua fala for a persuasão,
não deixe de utilizar as necessidades básicas acima.
SABERMOS QUE “TODO MUNDO TEM RAZÃO”,
A PRINCIPAL TÉCNICA DA EMPATIA
Mesmo nosso próximo emitindo opiniões
ou argumentos contraditórios, sem o raciocínio lógico
ideal, ele tem a sua razão, ainda que esta parta de uma premissa
falsa. Ter razão não implica em estar certo. Para entendermos
melhor, relembremos o significado da palavra razão: razão
é o resultado do raciocínio lógico sobre o conhecimento.
Se o conhecimento for verdadeiro, a razão será verdadeira.
Se o conhecimento for falso, a razão será falsa, mas não
deixará de existir. Em outras palavras, aquela pessoa que segundo
nosso conceito está totalmente errada, ela assim não se
vê. Pois as “verdades” ou as razões das pessoas
são diferentes.
Mas será que o conhecimento desta regra implica
em sairmos dizendo a cada pessoa do nosso grupo: “você tem
razão”? Não. Não é este o objetivo
da regra que diz que “todo mundo tem razão”. O objetivo
desta regra é melhorarmos a qualidade da nossa argumentação.
Como? Sabendo que, para colocarmos nossos argumentos com eficácia,
temos que, obrigatoriamente, refletirmo-nos sobre a razão do
próximo, em vez de , como a maioria procede, tentarmos incontinente
expor a nossa razão.
Analisando a razão ou a “verdade”
do outro, nossas palavras serão mais adequadas para transformarmos
nossa fala em comunicação.
Lembre-se sempre deste ensinamento universal (autor
desconhecido): “Toda verdade tem três faces: uma, a verdade
como você a vê; outra, como eu a vejo; e a terceira, a verdadeira”.
Para a produtiva convivência é preciso
que aceitemos a verdade do outro. Lembrando que “aceitar”
é diferente de “concordar”. Por exemplo, temos o
direito de discordar do nosso filho de 12 anos que não sai da
frente do vídeo game. Mas para bem conviver e para conseguirmos
mudança de comportamento dele, temos que aceitar que o vídeo
game do nosso filho é o nosso “jogo de peão”
ou “bola de gude” do nosso tempo de criança. Nosso
filho nasceu no tempo da tecnologia, e isto é um fato. E fato
não se muda. Portanto, há duas formas de agir se você
achar necessário argumentar com seu filho, esclarecendo-lhe que
está excedendo o limite do bom senso, em termos de quantidades
de horas diárias à frente do vídeo game:
a) Desabafar-se e não conseguir resultados duradouros;
b) Discordar da quantidade de horas, mas aceitar que
ele nasceu num mundo completamente diferente do nosso tempo de criança.
Se escolhermos a alternativa “b”, a probabilidade
de bem argumentarmos aumenta exponencialmente, pois “nos colocamos
no lugar no nosso filho”, entendemos “sua razão”
e, assim, torna-se mais fácil ele nos ouvir e até a negociarmos
um acordo.
Alkíndar de Oliveira
ALKÍNDAR DE OLIVEIRA é escritor
e consultor de empresas. Visite o site: www.alkindar.com.br e veja apresentação
on line de quatro minutos com o professor Alkíndar de Oliveira.
Escola de Líderes - Desenvolvendo a liderança saudável.
São Paulo (SP), e-mail escoladelideres@alkindar.com.br
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