Didática: os orientadores das Escolas Espíritas
de Evangelização, aos quais está
entregue a tarefa de conduzir as crianças nas Entidades Espíritas,
terão agora interessante roteiro de didática para o seu
trabalho. Nossa irmã Irene de Carvalho Oliveira esmerou-se para
trazer a todos nós interessantes e esclarecedores conceitos de
didática, procurando sempre observá-los sob a luz redentora
da Doutrina Espírita. Fazemos votos no sentido de que estes apontamentos
possam ser de real proveito para todos aqueles que se interessam pela
aplicação da didática as atividades libertadoras
do ensino espírita.
Extraído de uma série de artigos elaborados por Irene
de Carvalho Oliveira, no Mensário O Médium, da
Aliança Municipal Espírita de Juiz de Fora, Minas Gerais,
no ano de 1962.
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Sumário:
AOS EVANGELIZADORES DA INFÂNCIA
1) INTRODUÇÃO
2) CONCEITO DE DIDÁTICA
3) DIVISÃO DA DIDÁTICA
4) A EDUCAÇÃO E A DIDÁTICA
5) O ENSINO NAS ESCOLAS ESPÍRITAS DE EVANGELIZAÇÃO
6) O ORIENTADOR
7) PREPARAÇÃO PARA EVANGELIZAR
8) CARTA DE UM PAI A UMA PROFESSORA
9) BIBLIOGRAFIA
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AOS EVANGELIZADORES DA INFÂNCIA(1)
A criança espírita será o adulto
espírita dos dias porvindouros.
Os educadores junto dela são representantes do Espiritismo, religião
libertadora de consciências.
A tarefa é grave porque demanda muito amor por parte daqueles
que administram o ensinamento, não aquele fascínio sentimental
que aperta a criança nos braços, como quem adquiriu um
bibelô para brincar, - mas o devotamento que acolhe a criança
como criatura nos seus direitos naturais, em trânsito para o futuro.
Ao mesmo tempo, o encargo se reveste de profunda beleza porquanto o
professor espírita é chamado amoldar a Humanidade Nova
no espírito daqueles que retomam idéias e quefazeres da
reencarnação.
Para isso, os obreiros dessa ordem, antes de tudo, necessitam de paciência
para com os meninos, a fim de que eles se desenvolvam na vocação
e no entendimento trazidos da Espiritualidade, traços fundamentais
de visão e conduta que os diferenciam enormemente nos dos outros.
Os missionários da instrução espírita, no
plano da infância, necessitam amadurecer as próprias convicções.
Situar-se em lugar de pais mais compreensivos.
Cultivar o espírito da alegria.
Planejar com cuidado o programa didático.
Consagrar atenção a pesquisa.
Não podemos esquecer que estamos auxiliando a criança
no reencontro da confiança em Deus, na penetração
dos ensinamentos de Jesus, no ingresso aos princípios de Kardec,
no reconhecimento da reencarnação e amparando-a na retomada
do lugar que lhe compete na equipe doméstica e no conjunto social,
para que produza eficientemente os valores humanos de que seja capaz,
no nível evolutivo em que se encontra.
Que os nossos companheiros dedicados à edificação
espírita da infância não considerem nossos apontamentos
à conta de exigências e nem esmoreçam com dificuldades
que se nos anteponham, de momento, aos padrões apresentados.
Todos estamos caminhando no aperfeiçoamento gradativo de métodos
e roteiros para os serviços de nosso próprio burilamento.
Compreendamos, porém, que a criança dominará o
porvir, do porvir de que todos nós necessitamos para alcançarmos
a perfeição.
Entregar o melhor que possuímos na formação espírita
dos pequeninos de agora, será capitalizar o melhor da vida em
nosso favor, nas retribuições de amanhã.
André Luiz (psic. por Waldo Vieira na Comunhão
Espírita Cristã, Uberaba, 12/03/65)
1) INTRODUÇÃO(2):
O estudo da didática impõe-se como necessário
a todos aqueles que desejam tornar o ensino mais eficiente, e por isso
mesmo adaptado às possibilidades e necessidades do educando.
Pode dizer-se que é através da didática que se
consegue concatenar técnicas para dirigir o ensino.
A didática interessa-se mais pelo modo através do qual
o ensino se processa do que mesmo pelo ensino em si.
Hoje, a formação didática daqueles que desejam
ensinar está em primeiro plano; está havendo mesmo uma
tomada de consciência quanto da necessidade da didática
para o educando.
Havia uma idéia generalizada de que para ser bom professor bastava
conhecer a disciplina a lecionar. A única preocupação
era a disciplina. Porém, a prática vem mostrando que esta
afirmativa não é exata.
Para ensinar bem, é necessário além do conhecimento
da disciplina, que se saiba como ensiná-la e é esse como
que nos vem dar a Didática a qual nos mostra o que deve ser ministrado
ao aluno, levando-se em conta o seu meio físico afetivo e socio-cultural.
Apesar da didática ser única, ela indica procedimentos
que são adaptados aos diversos níveis de ensino quer primário,
secundário ou superior.
2) CONCEITO DE DIDÁTICA(3):
Didática é ciência e arte de ensinar.
É ciência enquanto pesquisa e experimenta novas técnicas
de ensino, com base, principalmente, na Biologia, Psicologia, Sociologia,
e Filosofia. É arte quando estabelece normas de ação
ou sugere formas de comportamento didático com base nos dados
científicos e empíricos da educação, isto
porque a didática não pode separar teoria e prática.
Ambas têm de fundir-se num só corpo, visando a maior eficiência
do ensino e seu melhor ajustamento às realidades humana e social
do educando.
A didática é uma disciplina orientada mais para a prática,
uma vez que tem, por objetivo primordial, o ensino.
A didática é um conjunto de normas destinadas a dirigir
a aprendizagem que se baseia em três fases fundamentais: Planejamento,
Execução e Verificação.
Planejamento: Visa os planos do curso, unidade de aula e atividades
extra curriculares. O planejamento é uma necessidade do ensino,
sem ele não é possível um bom desempenho de tarefa.
Não se pode ensinar sem prever a melhor maneira da consecução
dos objetivos, da prática escolar.
Execução: Visa a prática efetiva do ensino em correlação,
com as técnicas de ensino, motivação, material
didático, atividades extra curriculares, integração
da aprendizagem e direção das atividades discentes em
classe como fora dela.
Verificação: Visa saber se o planejamento foi bem feito,
tendo em vista as necessidades reais do ensino e se a execução
alcançou seus objetivos. É através da verificação
que se chega a constatar se há necessidades de retificações
no planejamento e na execução.
A didática apresenta seis elementos fundamentais de ensino: Aluno;
Objetivos; Professor; Matéria; Técnicas de ensino; Meio
geográfico, cultural e social.
Aluno: O aluno é quem aprende, ou digamos, quem deve aprender.
É para ele que existe a escola, que deve adaptar-se a ele, encarando-o
como um ser humano em crescimento com todas as suas capacidades e limitações,
peculiaridades, interesses, reações e impulsos. Assim
deve ser de início, pois o ideal é que haja uma perfeita
integração entre aluno e escola, cada um dando o melhor
de si para plena execução do interesse comum: a educação.
Objetivos: O procedimento didático supõe objetivos para
o encaminhar do aluno a plena expansão da sua personalidade,
levando-o a aquisição de conhecimentos, modificação
de comportamento e no nosso caso particular, integrá-lo na vida
como um cristão espírita.
Orientador: É o condutor do ensino. A ele cabe dirigir, estimular,
aplainar dificuldades, levando em conta peculiaridades e possibilidades
de cada aluno; é ele o guia na formação da personalidade
dos futuros espíritas.
Matéria: É o conteúdo do ensino através
da qual se alcançam os objetivos da escola.
Durante a elaboração do plano do curso sofrerá
por parte do orientador seleção que deve ter em vista
as realidades educacionais e de relações com o meio ou
ambiente de cada escola e as possibilidades de cada classe.
Técnicas de ensino: Devem ser tanto quanto possível, ativas,
pois que a psicologia de aprendizagem mostra a excelência das
técnicas ativas sobre as passivas. É evidente que o ensino
de cada disciplina exige técnicas específicas e o currículo
preparado para cada ciclo de ensino evangélico requer a adaptação
oportuna destas mesmas técnicas; o que deve ficar claro, porém,
é que o ensino nos diferentes ciclos deve ser orientando no sentido
de fazer o educando participar e viver o que esteja sendo o objetivo
de ensino.
Meio geográfico, econômico e social: O ensino só
será eficiente se for alicerçado levando-se em conta o
aspecto geográfico, econômico e cultural do meio em que
esteja localizada a escola, que deve ser, atendendo sua função
social, um elemento capaz de promover a integração da
pessoa ao meio em que vive.
3) DIVISÃO DA DIDÁTICA(3):
A didática se divide em: Didática Geral e Didática
Especial.
Didática Geral: É aquela que estuda os
princípios e as técnicas que devem ser aplicadas de um
modo geral ao ensino de qualquer matéria ou disciplina. Estuda
os problemas de ensino de um modo geral sem se ater as minúcias
pertinentes a esta ou aquela matéria. O ensino para a Didática
Geral e visto como um todo. Estabelece princípios e normas gerais
que regulamentam o trabalho docente (de ensino) a fim de que bem conduza
a aprendizagem.
Didática Especial: A Didática Especial,
tem um campo mais restrito. Aplica as diretrizes da Didática
Geral a determinada disciplina, de maneira específica. Assim
preocupa-se com a solução dos problemas de cada matéria
tendo em mira: conteúdo e técnica de ensino para que sejam
mais condizentes com o ensino daquela matéria visada. Analisa
os programas de ensino; sua extensão e profundidade, bem como
a sua aplicação às necessidades reais do meio;
determina os objetivos de cada disciplina considerando os objetivos
de cada escola; cuida da adequação dos planos de aula
a cada matéria e a cada fase de aprendizagem; estuda a forma
mais eficiente para aferição da aprendizagem.
4) A EDUCAÇÃO E A DIDÁTICA(4):
Didática é orientação segura
da aprendizagem. Ela nos diz como devemos proceder para tornarmos o
ensino mais proveitoso para o educando; como devemos proceder para que
o mesmo queira educar-se; como devemos proceder para que a escola não
se transforme numa camisa de força, mas que seja uma indicadora
de caminhos libertadores de personalidade.
A didática é o instrumento e o caminho que a escola deve
percorrer, nas sua forma de ação junto aos educandos para
que estes, realmente, se eduquem e queiram educar-se.
A didática deve levar a realização plena de cada
um através de uma orientação ajustada à
maneira e à capacidade de aprender de cada qual, acompanhada
de compreensão, de segurança e de estímulo!
Diz Tacrster:
“Não temos de modo nenhum a intenção de menosprezar
as conquistas de nosso século, mas é necessário
que tenhamos a consciência da situação e que repitamos,
inexoravelmente, a afirmativa de que essas conquistas não serão
aproveitadas se não forem contrabalançadas por uma forte
cultura da alma e por um cuidado constante na formação
do caráter. De outra maneira correremos o perigo de ver todo
o nosso império sobre as forças da natureza acarretar
uma secura moral, em contraste com o nosso refinamento material. Com
o nosso domínio sobre o mundo dos bens materiais, crescem as
tentações de toda espécie e as inquietudes que
fazem surgir em nós, incessantemente, novas necessidades. Torna-se,
assim, cada vez mais urgente a necessidade de fortificar e aprofundar
o que existe de espiritual em nossa natureza. E isso é necessário,
não somente no interesse do espírito, senão também
no interesse da própria civilização industrial,
baseada sobre o trabalho da educação moral de longos séculos,
durante os quais os seus princípios têm sido os valores
civilizadores por excelência: o triunfo do homem interior, o auto
domínio, o culto do sacrifício, o amor ...”
É com essa finalidade que os orientadores espíritas de
crianças devem usar a didática, isto é, como meio
de aprimoramento espiritual e para a melhoria do caráter. Vendo
a matéria de ensino e vendo os alunos a estes, como seres em
formação que precisam de amor, amparo e estímulo
para poderem haurir forças para que os tornem capazes de enfrentar
os percalços que essa nova etapa de vida irá proporcionar-lhes,
por certo, a fim de conquistarem novos degraus na escalada do progresso
através dos vários mundos habitados.
A educação sistemática é aquela que tem
por objetivos definidos, sistemáticos; caráter seletivo;
aspectos positivos e úteis à vida, enfim é aquela
que deve ser objeto e objetivo das Escolas Espíritas de Evangelização
e que será alcançada se os orientadores tiverem sempre
presente o que preconiza a didática.
5) O ENSINO NAS ESCOLAS ESPÍRITAS DE EVANGELIZAÇÃO(5):
Os objetivos do ensino são as transformações
conseguidas no aluno, pelo professor através da matéria
que ele leciona, fazendo-se sentir pelo progresso expresso no modo de
exprimir-se, sentir e agir.
São esses também os objetivos do ensino nas Escolas Espíritas
de Evangelização. Cabe ao orientador fazer com que seus
alunos exprimam-se, sintam e ajam dentro dos princípios de sã
moral. Não basta que formem cristãos, é necessário
que os alunos tenham formação Cristã Espírita.
É este o objetivo primordial do ensino a ser ministrado nas Escolas
Espíritas de Evangelização. Tudo mais são
caminhos para se atingir este fim.
As deficiências no ensino não podiam deixar de existir,
pela falta de elemento humano especializado para a tarefa de ensinar
nas Escolas Espíritas de Evangelização; pela falta
de instalações adequadas; pela carência de material
didático; pela deficiência de pessoal habilitado para sua
administração.
Mas essas deficiências só serão sanadas se os orientadores
fizerem alguma coisa de si em seu favor do ensino e essa alguma coisa
é compreensão, paciência, enfim, amor a tarefa.
Lembrando de Meimei em sua “Mensagem da Criança”
o orientador terá ânimo para levar avante o compromisso
assumido, quem sabe, noutra vida...
MENSAGEM DA CRIANÇA
Dizes que sou o futuro.
Não me desampares o presente.
Dizes que sou a esperança da paz.
Não me induzas a guerra.
Dizes que sou a promessa do bem.
Não me confies o mal.
Dizes que sou a luz dos teus olhos.
Não me abandones às trevas.
Não espero somente o teu pão.
Dá-me luz e entendimento.
Não desejo só a festa de teu carinho.
Suplico-te amor com que me eduques.
Não te rogo apenas brinquedos.
Peço-te bons exemplos e boas palavras.
Não sou simples ornamento de teu caminho.
Sou alguém que te bate a porta em nome de Deus.
Ensina-me o trabalho e a humildade, o devotamento e o perdão.
Compadece-te de mim e orienta-me para o que seja bom e justo!...
Corrige-me enquanto é tempo, ainda que sofra...
Ajuda-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.
6) O ORIENTADOR(6):
O orientador é, nas Escolas Espíritas
de Evangelização, o elemento primordial de ensino.
Dele depende, comumente, o sucesso ou o insucesso do aluno na escola.
Nada se compara à sua ação eficiente e consciente,
é ele a mola real, o manancial propulsor de vida escolar. Sem
a sua ação eficaz, de nada valem instalações
principescas e adequadas, abundância de material didático.
É ele a alma da escola que vai se utilizar das poucas possibilidades
que lhe faculta o meio, para muito conseguir com sua dedicação,
compreensão e ajuda decidida, uma grande seara onde as sementes
germinem e se produza cem por um em favor do Mestre.
Citamos a seguir algumas das qualidades requeridas para evangelizar(7):
a) Capacidade Didática: O orientador tem necessidade
premente de aperfeiçoar seus métodos didáticos.
Não basta que seja um grande conhecedor de Doutrina; é
necessário que saiba transmitir seus conhecimentos à criança.
Que saiba fazê-lo, quando fazê-lo e porque o faz desta ou
daquela forma;
b) Conhecimento da Doutrina: A Doutrina é para
os orientadores a matéria de ensino. Sendo assim, é o
meio para se conduzir os alunos ao fim, que é a formação
de mentalidade de espíritas, isto é, de pessoas humanas
que sintam e vivam claramente a luz dos ensinamentos Espíritas,
os seus direitos e as obrigações, para consigo mesmas,
para com seu próximo, para com Deus, conseguindo, dessa forma
atingir aquilo que é o fim último de todos nós,
a Perfeição.
Isto só poderá o orientador conseguir se conhecer a Doutrina,
ou melhor, se souber o que é a Doutrina, seus postulados, o que
preceitua. Este cabedal de saber, só se consegue com estudo,
sistematizado e constante dessa mesma Doutrina;
c) Inteligência: Não há necessidade
de que os orientadores sejam “gênios”, mas que sejam
criaturas de inteligência mediana, que tenham capacidade de compreensão
e apreensão das reações da classe, que saibam raciocinar
com clareza e rapidez;
d) Bom Senso: É ser simples, lógico.
Saber dar soluções cabíveis e rápidas nos
problemas, sem avultar-lhes ou diminuir-lhes a importância, mas
agir com equilíbrio;
e) Espírito de Liderança: O líder
estimula, coordena, faz com que o grupo trabalhe, é sóbrio,
comedido, sensato, age horizontalmente e não verticalmente;
f) Clareza de Expressão: O orientador deve saber
o que diz e fazer com que os alunos percebam o que está a dizer.
Suas idéias e seus pensamentos devem, por sua linguagem clara
e gestos devidos, ser traduzidos com tanta precisão que não
venham a produzir dúvidas no espírito infantil;
g) Cultura Geral: O orientador tanto quanto possível,
deve procurar melhorar a sua cultura geral, procurando informar-se dos
assuntos científicos, econômicos, políticos e sociais
do seu tempo e meio;
h) Espírito e Convicção Religiosa(8):
Dizem os educadores “Não é possível educar
sem Deus. Educar é espiritualizar, não é apenas
treinar para fazer coisas”. Que diremos nós então
da educação nas nossas Escolas de Evangelização
Espírita? Diremos que o orientador, um dos agentes da educação
nessas escolas, tem que ter convicção espírita
para poder desempenhar a contento a sua missão. Deve encarar
o Espiritismo nos seu tríplice aspecto: filosófico, científico
e religioso, lembrando-se que só conseguirá infundir nos
alunos princípios a respeito dos quais possuir idéias
fundamentadas em saber profundo e vivências conscientes;
i) Idealismo: O idealismo é a chama da vida.
Só os idealistas conseguem transpor obstáculos intransponíveis
para os cépticos, e é esta chama que cabe ao orientador
valorizar em si e passá-la a seus alunos, a fim de que o seu
trabalho atinja a meta desejada. O orientador idealista consegue sobrepor-se
às dificuldades ambientais da escola, à deficiência
do material didático, à pouca ou nenhuma homogeneidade
intelectual e social da turma. Sobrepuja tudo com o ideal sublime de
servir a Jesus, burilando as almas infantis das quais falou Guerra Junqueira
escrevendo:
“As almas infantis
São brancas como a neve.
São pérolas de leite
Em urnas virginais.
Tudo que ali se grava
Tudo que ali se escreve
Cristaliza-se em seguida
Não se apaga mais!”
j) Amor a Criança: A criança é
um ser em formação que depende do adulto para guiá-la,
ampará-la, corrigí-la, formar-lhe o caráter, aprimorando
as tendências boas e canalizando as más. O desempenho dessa
missão só será pleno se tivermos a norteá-lo
o Amor, mas, amor vivência, amor simpatia que faz compreensão,
tolerância, carinho e que faz conseguir que a própria criança
seja o dínamo propulsor do seu progresso íntimo. Só
com amor se educa. Educar é amar.
“É preciso tornar as crianças felizes para poder
educá-las” (Fernando de Azevedo);
k) Bondade e Espírito de Justiça: O orientador
precisa ser bom sem ser “bobo”. Bondade inclui segurança,
firmeza e energia, espírito de justiça, honestidade, amor
à verdade, correção;
l) Boa Conduta Moral: A conduta moral do orientador
tem que ser irrepreensível, mesmo porque é ele olhado
por seus alunos e pela sociedade como paradigma (modelo, padrão,...);
m) Entusiasmo: O entusiasmo é contagiante. É
necessário que o orientador seja entusiasta, a fim de que seu
trabalho seja executado vibrante, de modo a contagiar as almas e todos
os membros da equipe que trabalha na escola;
n) Companheirismo(9): É preciso que seja companheiro
de seus alunos, interessar-se pelo progresso dos mesmos na escola de
evangelização. Estar junto deles como um condutor de almas
(que é bem a sua missão) antes das aulas, durante as aulas
, depois delas;
o ) Alegria, Bom Humor: “Qualquer trabalho realizado
sem alegria é estéril” diz Sanderson. Daí
a necessidade de que o orientador seja bem humorado;
p) Espírito Renovador: A rotina torna o trabalho
monótono, enfadonho, sem interesse. O bom orientador deve fazer
com que as suas aulas fujam da rotina: “variar para agradar”;
q) Cortesia: A gentileza e cortesia usadas com sobriedade
conquistam, animam e agradam os alunos. O trato cortês é
elemento educativo por excelência;
r) Disciplina: A obediência – interior
e exterior – deve ornar o caráter do orientador que também
deve criar bons hábitos psíquicos e físicos;
s) Auto-domínio: paciência, calma, prudência,
tolerância devem nortear o trabalho do orientador que deve saber
quando agir, porque age e a fim de que age. O orientador deve estar
sempre a se auto-avaliar para que saiba se agiu com prudência,
se agiu devidamente, no momento exato;
t) Assiduidade e Pontualidade: O não faltar
a responsabilidade assumida por qualquer motivo banal (chuva, frio,
males ligeiros). O estar sempre presente no dia exato, à hora
exata, vencendo as dificuldades pessoais e sociais é obrigação
fundamental do orientador;
7) PREPARAÇÃO PARA EVANGELIZAR(10):
A preparação do elemento humano para a
tarefa de evangelização é uma necessidade fundamental
dentro da seara espírita e não carece de justificativa,
pois que há necessidade de que seja preparado quanto ao conhecimento
da criança, quanto ao conhecimento da Doutrina, assim como dos
métodos de ensino e do meio social.
Não seria justo que numa época em que se fala de especializações
de toda a sorte, que se deixasse os orientadores surgirem ao léu
do destino, sendo formados sem um norte, sem uma aprendizagem sistematizada.
Está preparação é imprescindível
para o exercício da empreitada a cumprir. Exige preparo esmerado
e formação conscenciosa.
Em nossos dias escreve William Burtan, citado por Alves Mattos: “O
ensino não é coisa fácil; não pode ser feito
com qualquer base de sucesso, por indivíduos indiferentes, mal
informados e sem habilitação, portadores de uma personalidade
inexpressiva e de limitada experiência vital. O ensino exige amplo
conhecimento e sutil perspicácia, aptidões definidas e
uma personalidade que caracterize por sua estabilidade, firmeza e dinamismo...
O trabalho de ensinar é bem mais complexo do que qualquer outra
atividade profissional. Na verdade para ser executada com perfeição,
é dentre todas as atividades humanas, uma das mais difíceis”.
Portanto, aplicando estes conceitos aos ensino evangélico formemos
orientadores que serão responsáveis pelo progresso humano,
que formarão cidadãos úteis à comunidade
terrena. Formação significa desabrochamento total das
virtualidades de um ser, mediante a auto-atividade de um princípio
vital. Sob o prisma educacional, formar é orientar a personalidade
no sentido de certos valores ideais. Para os orientadores educar é
formar espíritas. E a formação, uma vez adquirida,
permanece, mesmo que seus veículos se percam.
“O homem, - diz De Havre -, tal como é, com o que sente,
com o que quer e com o que ama, é o dínamo que aciona
e dirige toda a vida intelectual”.
Apoiados nessa afirmativa procuremos formar orientadores os quais formarão
os futuros espíritas.
8) CARTA DE UM PAI A UMA PROFESSORA(11)
“Cara Professora:
Esta semana vamos enviar-lhe nosso filhinho. Durante os próximos
anos, irá a Sr.a tê-lo em suas mãos, será
a pessoa que maior influência exercerá sobre ele, depois
de sua mãe e de mim.
É um garoto tão pequeno ainda! Um par de pernas fortes,
ombros tostados, olhos brilhantes, uma cabeça de estopa e um
sorriso contagioso.
Ele não teme coisa alguma. Seu espírito é vivo
e rápido para aprender. Seu corpo é sadio, sua curiosidade
sem limites, sua obstinação crescente.
Há muita coisa a fazer por ele nos próximos anos. Faço
votos para que as realize. Ensine-lhe a continuar sem medo. Nunca pronuncie
esta palavra na sua frente e, talvez, ele nunca chegue a saber o que
ela significa. Respeito pelo perigo, precaução e cuidado,
sim, mas não medo.
Cultive esta sã curiosidade de que ele é dotado. Deixe-o
fazer-lhe um milhão e mais uma perguntas, dê-lhe um milhão
e uma respostas e espere o resto. Mantenha viva esta chispa de interesse
pelo povo, por tudo que o cerca, e por si mesmo. Assim, ele nunca se
sentirá aborrecido e desinteressado, pois sua curiosidade nunca
estará satisfeita.
Naturalmente terá que conter, de vez em quando, seu ardor. Nós
também o fazemos. Ensine-lhe a ser disciplinado, e respeitar
a autoridade, as leis e os regulamentos, mas não dobre o seu
espírito. Não o deixe tornar-se um autômato arregimentado
que segue os outros pela vida, nunca procurando um momento melhor, ou
diferente de realizar alguma coisa e estando sempre contente com o estabelecido.
Desenvolva nele o culto a lealdade e uma profunda admiração
pela justiça. Não o deixe ser o fanfarrão da escola,
nem o covarde da mesma. Mostre-lhe que uma coisa é lutar pelos
próprios direitos e outra, muito diferente, procurar tirar o
direito dos outros. Desperte nele a compaixão pelos fracos e
o sentimento de bondade para com os oprimidos.
Ele já tem uma idéia de Deus e já conhece o amor.
Os dois são sinônimos em seu pensamento. Alimente as brasas,
sopre sobre elas com compreensão e carinho para que se tornem
uma forte e duradoura chama. Instrua-o nas maravilhas do universo e
na glória do trabalho de Deus.
Não deixe o veneno da intolerância atingir e tostar a sua
alma límpida. Não permita que se abrigue neste cerebrozinho
um pensamento, uma idéia de malícia, de antagonismo ou
de ódio com relação a qualquer dos filhos de Deus.
Cultive nele o valor da limpeza. Auxilie-o a manter limpos seus ideais,
seu espírito e seu corpo. Prove-lhe, por meio de exemplos, como
é nobre uma vida limpa. Desperte nele um profundo sentimento
de honra e a idéia de que a integridade não é apenas
uma palavra, mas um modo de vida. Diga-lhe que a reputação
de um homem não é assim tão importante, pois reputação
não é mais do que o que o mundo pensa de uma pessoa. Mostre-lhe
que o caráter é o que realmente importa, pois caráter
é o que Deus pensa de uma de suas criaturas.
Nosso pequeno entrará esta semana para a sua escola, para seu
coração. Ajude-o a aprender todas estas coisas. E quando
elas começarem a ser aprendidas – a aritmética,
a escrita, a leitura, e todo o resto pode ser também aprendido.
Faça um bom trabalho e algum dia sentir-se-á tão
orgulhosa de seu aluno como eu me sinto agora de meu filho.
Sinceramente
Papai.”
(Extraído de “O Mundo Espírita”)
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9) BIBLIOGRAFIA:
(1) O Médium, Mensário da
Aliança Municipal Espírita de Juiz de Fora, p. 12-13,
no 311, Ano 33, Jan/1966.
(2) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 4, no 266, Ano 29, Mar/1962.
(3) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 8-9, no 267, Ano 29, Abr/1962.
(4) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 13, no 268, Ano 29, Mai/1962.
(5) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 23, no 269, Ano 29, Jun/1962.
(6) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 16, no 270, Ano 30, Jul/1962.
(7) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 6, no 272, Ano 30, Set/1962.
(8) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 23, no 273, Ano 30, Out/1962.
(9) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 25 , no 274, Ano 30, Nov/1962.
(10) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 11, no 275, Ano 30, Dez/1962.
(11) O Médium, Mensário da Aliança Municipal Espírita
de Juiz de Fora, p. 28-29 , no 319, Ano 34, Out/1966.
http://www.espirito.org.br/portal/artigos
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