Espiritualidade e Sociedade



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>    As personalidades controles ou guias espirituais dos médiuns espiritualistas

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"Controle" é um termo que designa uma entidade espiritual que funciona, "do outro lado", com um médium e que se encarrega dos procedimentos da sessão enquanto o médium está em transe. Tal operador pode ser chamado também de "guia". Geralmente o termo implica uma assistência persistente de uma personalidade distinta e contínua que usa o corpo do médium enquanto em transe. Alguns controles, como "Fletcher" de Arthur Ford, ficaram quase tão famosos quanto ao médium. Em algumas passagens, o controle se assemelha às entidades regulares que falam através de canais e dão um conjunto de ensinamentos. De fato, controles freqüentemente passam uma breve mensagem no início das sessões, mas sua função primária é dirigir o contato ordenado de várias entidades espirituais com as pessoas presentes. O motivo aparente de controles é fazer bem, para ser útil, e trabalhar sua salvação.

Espiritualistas, que visualizam o médium como uma ponte para um mundo repleto de entidades espirituais, acreditam que o controle apresenta uma variedade de funções durante a sessão: fornecendo diretamente mensagens ou repassando-as aos assistentes, mantendo a ordem entre aqueles que se apressaram para a "luz" (emanada do "outro lado"), mantendo afastados espíritos pouco desenvolvidos ou perversos, e saindo ocasionalmente do caminho para permitir uma entidade comunicar-se diretamente com os outros.

Espiritualistas alegam que o corpo do médium é um instrumento que exige considerável prática para manejo eficiente. O controle é um perito em comunicação que vigia a fluência dos procedimentos e freqüentemente intromete-se para explicar ou repetir expressões ininteligíveis. O aspecto dialogável das sessões é largamente devido à presença do controle.

A natureza da entidade controle e a maneira pela qual os controles funcionam permanecem obscuras. Existe, é claro, uma variedade de opiniões sobre exatamente o que um controle é. Hoje, muitos não-espiritualistas, especialmente cientistas psicológicos, consideram o controle uma parte da personalidade do médium. Outros - até mais céticos, levam em conta a quantidade significativa de fraudes encontradas entre médiuns no início do século XX - tendem a considerar os controles como criações mundanas dos médiuns. Os espiritualistas sugerem que a assistência a longo prazo dos controles de médiuns seja considerada, no outro lado, como uma espécie de trabalho missionário, ou como uma oportunidade ocasional para pesquisa experimental.

Algumas das partes mais críticas da evidência a ser considerada na avaliação da natureza dos controles espirituais sugerem que algumas entidades nas sessões podem ser personalidades artificiais criadas a partir das atitudes e dos pensamentos inconscientes dos assistentes. Em setembro de 1972, um grupo de experimentadores na Toronto Society for Psychical Research no Canadá criou uma entidade artificial chamada "Philip", meditando numa história para ela, em suas características e aparência, previamente escolhidas pelo grupo. Depois de resultados negativos por quase um ano, o grupo adotou o método da sessão Espiritualista convencional e logo recebeu mensagens de Philip através de raps na mesa. Alguns guias espirituais e controles obviamente são sintéticos e ilusórios, como na criação deliberada de Philip; Porém, pode ser que a aceitação momentânea deles como personalidades reais possa influenciar favoravelmente os fenômenos paranormais.

As qualidades humanas dos Controles

Existe um elemento humano no processo de estabelecimento dos controles. Entre as entidades espirituais, pode haver uma luta para o cargo, e um controle estabelecido pode ser substituído por outro, como testemunhado no caso de Leonora Piper. A luta pelo controle é freqüentemente levada ao médium por comunicações quebradas e movimentos espasmódicos da mão ou do viajante na tábua ouija.

O caráter e a limitação dos controles também suportam a condição humana. Eles podem ter uma grande experiência na vida no além, e ainda, em resposta a questões, eles freqüentemente confessam a ignorância e respondem que irão indagar de um outro que possa saber. Eles tendem a serem pacientes, e durante os tempos de fenômenos físicos estavam dispostos a produzi-los para a satisfação dos assistentes. Mas eles parecem avessos a ordens dadas; eles esperam um tratamento cortês, apreciam o que eles fazem e têm seus próprios caprichos. Freqüentemente eles trazem uma atmosfera religiosa, mas poucos deles parecem dispostos à santidade. "Walter," o controle de Mina Crandon (Margery) praguejava livremente se algo lhe descontentasse e mandava opositores irritantes ao inferno. Em sua íntegra indignação contra Houdini, ele o acusou de trapaça, jurou-o terrivelmente, conjurou severamente maldições para ele e usou o linguajar mais terrível.

"Eyen," o controle egípcio da Sra. Travers Smith (Hester Dowden), que alegava ter sido um sacerdote de Ísis no reinado de Ramses II, também amaldiçoou e jurou versos contra um membro do círculo que o expulsava através de sugestão hipnótica dada ao médium. "Peter", outro controle de Smith, era semelhante a "Walter," e se vinculava ao círculo para satisfazer a sua própria curiosidade e conduzir experiência psíquicas do outro lado. Ele era excelente em inventar testes, mas seu caráter deixava a desejar.

O poder dos controles constantes é normalmente maior que o dos comunicadores incidentais, e freqüentemente parece ser específico. "Eu tenho somente poderes para vozes," disse Cristo d'Angelo, quando foi solicitado a ser o controle nas sessões de Rossi. Existe um curioso paralelo com as semelhantes limitações dos médiuns, sustentando a teoria que o controle, em relação a outros espíritos, é igual a um psíquico, assim como o médium está em relação aos assistentes. Por exemplo, no caso Cristo d'Angelo, alguns espíritos, quando eram muito fracos para alcançar o assistente em suas próprias vibrações de voz, vinham através do controle, e resultava numa mistura de inflexão e predomínio ocasional do timbre do controle.

Durante o período que médiuns estavam sob extenso exame, os controles tornavam-se centrais para os efeitos físicos (um entendimento que deve ser integrado à crença de que a maioria dos médiuns físicos foi descoberta em alguma forma de fraude). Conseqüentemente, os controles com freqüência tinham ajudantes (alguns os chamariam de "confederados"); outro espírito preparava fenômenos físicos difíceis enquanto uma mensagem estava sendo entregue. Estes ajudantes às vezes auxiliavam também o controle, aumentando a coerência das mensagens.

Muitos exemplos de erros crassos cometidos por controles foram registrados nos escritos de Stainton Moses. Uma vez, pesados volumes de fumaça fosforescente foram produzidas, assustando o médium à medida que ele estava envolto no fogo. Foi posteriormente explicado que um acidente aconteceu durante a produção das luzes psíquicas. Outra vez, uma experiência de produção de perfume falhou e o assistente foi retirado do aposento em razão de um fedor insuportável.

Às vezes a ocorrência de um dano ao médium era reportada devido à negligência ou a descuidada carência de poder dos controles. Ocasionalmente controles falhavam em suas capacidades como porteiros, e elementos indesejáveis, malignos invadiam a sala de sessão. Em tais casos, eles imediatamente ordenavam o fim da sessão. Quando o médium acordava do transe, o controle desaparecia. O controle não podia se comunicar mais, mas poderia estar alerta e desejoso a enviar uma mensagem. Sra. Piper ocasionalmente recebia tais mensagens por suas próprias filhas em transe.

A presença do controle era percebida por vários meios. A voz em fala direta, a disposição da caligrafia ou a sensação experimentada na escrita automática, o estilo peculiar de batidas ou o balançar da mesa, ou os maneirismos reveladores da identidade do controle. Observações fisiológicas podem ser também exibidas. Sir Arthur Conan Doyle descobriu que a pulsação média de John Tichnor batia a 100 quando controlado por "Coronel Lee", 118 quando sob o controle de "Black Hawk", e 82 quando normal.

Um caso curioso de dois controles conversando audivelmente, cada um usando seu próprio médium, foi testemunhado nas sessões de Mina Crandon, quando a outra médium, Srta. Scott, também caiu em transe. O controle, "Walter," que estava encarregado da sessão do outro lado, instruiu ao espírito de Sra. Scott, mãe da médium, como proceder, quando começar e quando parar de falar.

O elemento pitoresco

As alegações dos controles de terem existido anteriormente como humanos encarnados apresentam outro problema em suas avaliações. A maior parte dos controles alega uma vida distante e discreta que afronta qualquer verificação. O controle de D. D. Home sempre falava no plural e nunca dava seu nome. Stainton Moses era ocupado por uma liga organizada de controles que incluíam personagens bíblicos, filósofos, sábios e personalidades históricas. Os personagens bíblicos chamavam-se "Imperator" (Malaquias), "Preceptor" (Elias), "O Profeta" (Haggai), "Vates" (Daniel), "Ezequiel", "Theophilus" (São João Batista), "Theosophus" (São João, o Apóstolo), e "Theologus" (São João, o Divino).

Os filósofos e sábios incluíam uma seleção prestigiosa entre famosos e poucos desconhecidos: Solon, Platão, Aristóteles, Sêneca, Athenodorus (Doctor), Hippolytus (Rector), Plotino (Prudens), Alexander Achillini (Philosophus), Algazzali ou Ghazali (Mentor), Kabbila, Chom, Said, Roophal e Magus. Moses esteve atravessado de dúvidas por muito tempo sobre a identidade deles e finalmente concluiu que, "julgando como eu gostaria de ser julgado, eles são o que pretendem ser".

Imperator era um dos controles espirituais mais antigos, mas ele foi precedido por quase mil anos pela "Senhora Nona" (a guia de "Rosemary"), que alegava ter vivido no Egito no tempo dos faraós. "Black Hawk", o controle de Evan Powell, insistia que um livro tinha sido publicado a respeito dele na América. Em 1932 o livro foi encontrado; foi impresso em 1834 em Boston.

Existem vários exemplos em que o mesmo controle se manifestou por diferentes médiuns. Eles prestavam favores particulares a um médium de cada vez, porém, na morte do médium o poder é passado para um outro. "John King", que também alegava ter sido Sir Henry Owen Morgan, um rei pirata, primeiro apareceu nas sessões de Davenport e manifestou-se nas sessões de outros médiuns por muito tempo, enquanto "Katie King", filha dele, parecia ter passado para uma esfera mais elevada depois de se despedir de Florence Cook. Katie, porém, fez um retorno inesperado ao círculo do Dr. Glen Hamilton em 1932. Roy Stemman reportou que Katie King materializou-se em Roma, em julho de 1974, com o médium Fulvio Rendhell.

Controles nativo-americanos

Nativo-americanos atingiram um status especial dentro dos círculos Espiritualistas, assim habitualmente eles atuavam como controles. O Espiritualismo, de fato, apresenta uma das tentativas mais antigas em construir uma imagem positiva dos nativo-americanos entre o público europeu-americano (europeus ou descendentes de europeus que residem nos EUA). Estes controles usam nomes românticos ou simplesmente indianos; por exemplo, "North Star" (Gladys Osborne Leonard), "Red Cloud" (Estelle Roberts), "White Feather" (John Sloan), "Greyfeather" (J. B. Johnson), "Grey Wolf" (Hazel Ridley), "Bright Eyes" (May Pepper), "Red Crow" (F. F. Craddock), "Black Hawk" (Evan Powell), "Black Foot" (John Myers), "Red Jacket" (Dr. C. T. Buffum) e Emily French, "Old John" e "Big Bear" (Dr. Charles B. Kenney), "Hawk Chief" e "Kokum" (George Valiantine), "Moonstone" (Alfred Vout Peters), "Tecumseh" (W. H. Powell), e "Segaske" (T. d 'Aute Hopper). Poucos dos guias nativo-americanos ultrapassaram a fama de "White Eagle" e "Silver Birch", controles de dois médiuns britânicos famosos, Grace Cooke e Maurice Barbanell, respectivamente.

Em outras nacionalidades, principalmente naquelas identificadas com culturas que ensinam a sabedoria antiga, freqüentemente também acontecia, como "Tien-Sen-Tie" (o guia chinês de J. J. Morse), "Eyen" (um guia egípcio de Hester Dowden), e "Feda" (o guia indígena asiático de Gladys Leonard). Além de Hooper ser freqüentado por um faquir, Annie Brittain por uma criança Senegalesa e Eileen Garrett por um controle árabe. Não obstante, os controles nativos americanos eram a maioria.

Nas fotografias de espíritos, os controles nativo-americanos apareciam em imagens populares, com longos tufos de cabelo no topo da cabeça raspada e mantos tribais. O primeiro organizador deles pareceu ter sido John King, salvo, antes do aparecimento deste romântico pirata, os primeiros controles indígenas manifestados nas comunidades Shakers na América. Eles vinham coletivamente, como uma tribo. Um golpe era ouvido na porta e, quando o espírito era convidado, eles possuíam a todos. Gritos indígenas ecoavam na casa; os obsidiados falavam línguas nativas entre si e dançavam danças nativo-americanas.

Os espíritos nativo-americanos não ensinavam qualquer coisa. Pelo contrário, os Shakers chegaram à conclusão que eles tinha que ensinar e converter os espíritos. O trabalho dos Shakers era o início do que mais tarde se tornou conhecido nos grupos Espiritualistas como um círculo de salvação. As visitas aconteceram entre 1837 a 1844. Quando os espíritos partiram, eles informaram a seus instrutores (aos Shakers) que retornariam logo e invadiriam o mundo, entrando em palácios e cabanas. Mas geralmente os controles nativo-americanos restringiam suas atividades a manifestações físicas.

E. W. Wallis, co-autor com M. H. Wallis de Guide to Mediumship, escreve: "muitos espíritos indígenas tornam-se amigos verdadeiros e fiéis. Eles agem como 'porteiros' protetores, por assim dizer - para com seus médiuns. Eles fazem o trabalho duro de desenvolvimento no círculo e previnem a intrusão de espíritos indesejáveis. Às vezes eles são tempestuosos e exuberantes em suas operações e manifestações e, enquanto nós não compartilhamos dos pré-julgamentos que são expressos contra eles, nós pensamos ser sábio exercitar a influência contida nas demonstrações deles. Eles geralmente possuem forte poder de cura e freqüentemente põem seus médiuns num curso de exercícios calistênicos - que, embora benéficos à saúde do médium e, na presença de alguns amigos, podem passar sem comentários adversos, provavelmente seriam criticado se apresentados a uma assembléia pública".

Aparte dos nativo-americanos, e na luz da discussão contemporânea da criança como um elemento no "eu" subconsciente do indivíduo, crianças forneceram o grupo mais interessante de controles. Entre os mais conhecidos estão "Feda" (Gladys Osborne Leonard), "Nelly" (Rosina Thompson), "Dewdrop" (Bessie Williams), "Sunshine" (Anne Meurig Morris), "Little Stasia" (Stanislawa Tomczyk), "Nina" e "Yolanda" (Elizabeth d'Esperance), "Belle" (Annie Brittain), "Bell" (Florence Perriman), "Harmony" (Sussannah Harris), "Snow Drop" (Maud Lord Drake), e "Pocka" (Srta. C. E. Wood).

Antes de Emanuel Swedenborg, o elemento humano era amplamente carente do contato espiritual. Paracelso, por exemplo, conversava com criaturas elementares; O espírito de John Dee visto em "shew stone" não foi identificado com um homem; e sonâmbulos acreditavam ser possuídos pelo diabo ou pelo Senhor. Os primeiros controles como guias espirituais apareceram nas experiências de G. P. Billot na França, por volta de 1820. Os espíritos que possuíam os médiuns dele alegavam ser os anjos da guarda destes. Alguns controles alegavam ser espíritos puros (nunca encarnaram), como "Little Stasia" de Stanislawa Tomczyk e "Nona" de Lujza Linczegh Ignath.

Controle de um vivo

Em vários casos registrados, as mensagens fornecidas pelo médium foram provada terem sido emanadas de indivíduos vivos. Isso introduz a importante questão se o vivo pode atuar como controle. Descobriu-se que as mensagens dos vivos freqüentemente viam sem o conhecimento deles, na maioria dos casos, quando eles estavam adormecidos. Isto sugeriria que ocasionalmente a entidade espiritual comunicante poderia também estar inconsciente do que faz - poderia estar sonhando através do médium. As repetidas declarações dos controles da Sra. Piper de que eles têm que entrar num estado de sonho para se comunicar dá uma curiosa direção a esta idéia.

O francês Allan Kardec e o americano John Edmonds foram os primeiros a declarar que as comunicações espirituais podem emanar dos vivos. Em seu Spiritual Tracts (24 de outubro de 1857), Edmonds escreve:

"Num dia, quando estava em West Roxbury, chegou-me por Laura [a filha dele], uma médium, o espírito de alguém com quem eu fui bastante familiarizado, mas de quem eu estava separado faz uns quinze anos. Ele tinha um caráter muito peculiar - alguém diferente de qualquer outro homem que eu já conheci, e então fortemente assinalei que era difícil me enganar sobre a identidade dele. Eu não o via há vários anos; ele não estava de nenhuma maneira na minha mente no momento, e ele era desconhecido da médium. Ainda assim ele identificou-se de modo inequívoco, não apenas por suas características peculiares, mas referindo-se a assuntos conhecidos apenas por ele e por mim. Com isto considerei que ele estava morto, e fiquei surpreso depois de saber que ele não estava. Ele ainda estava vivo... e desde então tenho conhecimento de muitas manifestações semelhantes, de forma que eu não posso mais duvidar do fato que às vezes nossas comunicações vêm tanto dos espíritos dos vivo como também dos mortos".

Outros casos interessantes podem ser encontrados em Seen and Unseen (1907) de E. K. Bate, The Fringe of Immortality (1920), de M. Monteith, Animismus und Spiritismus (1890) de A. N. Aksakov e There Is No Death (1892) de Florence Marryat.

Num exemplo o espírito de Florence Marryat foi evocado quando ela estava dormindo. Na experiência da autora, os espíritos dos vivos invariavelmente pedem para voltar ou serem permitidos a ir, como se eles estivessem acorrentados à vontade do médium. Entres seus dons mediúnicos, Marryat alegava o poder de evocar os espíritos dos vivos.

Alguns dos primeiros clarividentes sugeriam que a única diferença perceptível entre os espíritos de vivos daqueles dos mortos era que uma delicada linha de luz aparecia no processo daqueles, aparentemente unindo-os ao corpo físico distante. Alguns clarividentes modernos reivindicavam ter descoberto outra distinção. O espírito encarnado parece inanimado, morto, como uma estátua, enquanto que o desencarnado é intensamente vivo.

Catherine Berry escreve em Experiences in Spiritualism (1876): "a mesa no mesmo instante começou a girar de uma extraordinária maneira, de forma que nós dificilmente podíamos segurá-la. Nós perguntamos qual era o assunto, e foi soletrado 'Nós estamos navegando e contornando o cabo e devermos estar em casa em três dias'. Nós não sabíamos o que isto queria dizer. Alguém sugeriu que nós devíamos perguntar o nome a quem isso se referia. Um cavalheiro presente então, de uma vez, disse 'é você, Alfred?' Resposta: 'Sim.' 'Então você está a bordo do Great Eastern?' 'Sim.' Vocês estão bem?' 'Sim.' Neste momento, eu devia dizer, não se escutava sobre o navio por dez dias ou duas semanas; e exatamente no fim dos três dias o navio chegou. Este espírito "Alfred" estava encarnado no momento e também agora; e embora ele tenha sido questionado, ele nada sabia das circunstâncias ou de ter desejado enviar-nos tal comunicação".

A história de uma comunicação por batidas de um homem vivo é informada na Revista Espírita, em janeiro de 1911 por uma Sra. Bardelia. Esta médium reportou a ocorrência sob a observação de Gustave Le Bon. Aconteceu em 1908 em St. Petersburg. O gerente do hotel onde o médium estava pediu a gentileza de uma sessão. Ele estava ávido para conseguir uma mensagem de seu pai, que morrera recentemente. O gerente ficou insatisfeito quando, com a ajuda do alfabeto, as primeiras batidas disseram um nome bastante diferente do que ele esperava. O sobrenome brevemente seguiu-se, e ele exclamou, "por que, este é o nome de meu melhor amigo; mas ele certamente não está morto, eu recentemente ouvi sobre ele num hotel em Moscou, onde ele está empregado." Tanto o gerente quanto a médium ficaram surpresos, e Bardelia buscou informações adicionais. O espírito contou: "eu não estou morto, mas num estado de coma; eu devo morrer hoje à noite." O gerente perguntou, "você está em seu hotel?" "Não, no hospital," foi a resposta. As batidas cessaram.

O gerente, ainda cético, disse que imediatamente telefonaria para Moscou a fim de verificar a mensagem. Algumas horas mais tarde ele retornou, muito pálido e excitado. Um porta-voz do hotel disse que, delirando e morrendo, seu amigo tinha sido removido ao hospital de manhã e não se esperava que vivesse à noite.

Sra. J. H. Conant, uma médium americana, podia manifestar-se a outros médiuns enquanto seu corpo estava em transe e sob o controle de um espírito.

Wsevolod Solowiof, um conhecido escritor russo, e automatista que normalmente produzia escritos exemplares, numa ocasião escreveu o nome "Vera". Numa investigação foi obtido que um parente dele estava se comunicando. "Sim; eu durmo, mas eu estou aqui, e eu vim para lhe dizer que nós devemos nos encontrar nos jardins de verão". Isto aconteceu. Além disso, a jovem menina contou a sua família que sonhara visitar seu primo e de ter dito a ele sobre o encontro.

Hereward Carrington, em seu prefácio para The Projection of the Astral Body (1929) de Sylvan J. Muldoon, narra sua tentativa pessoal numa projeção para aparecer a uma determinada jovem senhora, uma perfeita pianista, com uma memória musical fenomenal: "um dia, eu perguntei a ela, se já ouvira falar de uma velha canção, 'Sparrows Build', famosa há anos atrás, de Jenny Lind, e uma das favoritas de minha infância. Ela declarou não conhecer. Eu disse que, se conseguisse a cação, enviaria alguma hora uma cópia, pois pensei que ela gostaria disto. E no momento nada mais foi dito a respeito e nenhuma importância em particular esteve ligada a isto. Algumas noites mais tarde eu tentei aparecer a ela, e como sempre, eu despertava de manhã sem saber se minha experiência teve 'sucesso' ou não. Um pouco mais tarde eu recebi uma chamada telefônica e a jovem senhora em questão informava-me que eu apareci a ela à noite anterior - bem mais vivamente que o habitual - e que por causa disso ela teve um impulso a escrever automaticamente - o resultado sendo um verso de poesia. Naquela tarde, eu a visitei, fui informado da experiência, foi-me mostrada a poesia e confessei que fiquei momentaneamente bastante estimulado. A poesia consistia nas linhas iniciais da canção 'When Sparrows Build', absolutamente precisa, com exceção de uma palavra".

O caso Gordon Davis registrado por S. G. Soal nas Atas da Society for Psychical Research (vol. 35) é um dos casos mais famosos em toda a pesquisa psíquica. Numa série de sessões com Blanche Cooper em 1922, uma voz bem sucedida emergiu, a qual Soal reconheceu como a de Gordon Davis, um conhecido que aquele acreditava ter morrido na guerra. Detalhes sobre a casa e a família foram fornecidos de uma maneira muito convincente. Três anos mais tarde, Soal encontrou Davis, ainda bem vivo. Ele nada sabia das comunicações que pareciam ter vindo dele. Vários casos semelhantes são registrados por W. Leslie Curnow num artigo de 1927 na Psychic Science.

Shamar, o controle hindu de Hester Dowden, era especializado em trazer comunicadores vivos. Num exemplo, o nome de um amigo íntimo (de Hester Dowden) foi bem sucedido: "ele (o amigo) declarou não estar dormindo completamente e assim a mensagem entraria aos poucos, o que sucedeu. Ele disse que estava sentado diante da lareira em sua sala de visitas; ninguém mais estava no aposento. Eu pedi a ele para entregar a minha irmã uma mensagem minha; ele disse, 'Desculpe, eu não consigo; eu esquecerei de tudo isso quando despertar'. Ele então disse adeus e que ele não poderia falar mais quanto mais acordado estivesse ficando".

Sir Lawrence J. Jones, em seu discurso presidencial a Society for Psychical Research em 1928, estendeu-se sobre a mediunidade de Kate Wingfield, dizendo, "em quatro ocasiões diferentes minha menina mais jovem, de nove anos, professou, durante seu sono, controlá-la, falando com grande animação e muito caracteristicamente. Em primeiro lugar, ela (a menina) estava em Ripley, umas quinze milhas de Wimbledon, onde K. Wingfield estava. Mais tarde em Valescure ela estava dormindo ou na mesma casa ou numa vila vizinha. Na primeira ocasião, foi perguntado a criança, depois de algum diálogo, "que tal a roupa do marinheiro?" A resposta veio: "nós fomos a uma loja. mamãe acabou de dizer, 'Você joga aquelas coisas fora. Isto é da altura dela.' E eles pegaram-nas; nada mais há para ser feito, nada mudou - eles acabaram de mandá-las para casa. É disso que eu gosto".

Essa foi uma versão correta do que aconteceu naquela tarde. A criança tinha sido levada por sua mãe a Londres, mas nenhum de nós foi a Wimbledon neste dia, então K. e os outros membros do círculo apenas sabiam que havia um plano para comprar uma roupa de marinheiro. Aqui o guia de Herbert comentou, "em muitos casos um espírito em nosso lado é bastante incapaz de dizer se uma pessoa está morta, ou inconsciente, ou apenas dormindo, se o espírito está do lado de fora; por algum tempo depois da morte o cordão suspende-se livremente antes de ser absorvido no corpo espiritual e, freqüentemente, ao dormir, o relaxamento do cordão apresenta a mesma aparência".

Este exemplo pode ser comparado com o caso "Beard", no Journal of the Society for Psychical Research (vol. 23), onde o Sr. Beard foi descrito como tendo falecido muito recentemente numa sessão realizada cerca de oito horas antes de seu falecimento real.

Mercy Phillimore (no Light, 9 de maio de 1931) contou de sua experiência em 1917, numa sessão com Naomi Bacon, quando um homem foi descrito e a quem ela reconheceu como um amigo vivo: "no momento minha mente percebeu a presença dele e uma certa tranqüilidade parecia invadir a sessão e ele tomava o controle direto da médium. O controle durou de cinco a dez minutos, mas antes de finalizar, o comunicador solicitou-me nunca se referir à experiência a ele (ao amigo) em seu estado normal. Os fatos comunicados estavam corretos. Em outra sessão, um ano mais tarde, o amigo vivo novamente professou estar presente. Suas comunicações foram evidenciais".

Numa sessão de voz direta dada por William Cartheuser a American Society for Psychical Research em 26 de outubro de 1926, Sra. X, uma conhecida dama de Malcolm Bird, recebeu o que ela considerou uma comunicação de seu ex-sogro. Ele disse ter morrido de um problema no pulmão e que tentava a muito custo impressionar a Sra. X noites atrás. Ele deu uma descrição correta do que ela estava fazendo naquela época em particular. Depois da sessão, Sra. X descobriu que o comunicador estava vivo e em grande angústia mental na data da sessão (Psychic Research, 1927).

Alfred Vout Peters, o famoso clarividente londrino, teve várias experiências semelhantes. Em quatro ocasiões distintas, Laura Finch ("Phygia") controlou Peters enquanto ela, encarnada, estava em Paris e ele em Londres. Ela prometeu fazer o que pudesse. "Todos que a conhecem são unânimes em declarar que era a própria personalidade de Phygia falando; seu maneirismo estava ali; coisas eram ditas e as quais apenas ela tinha ciência, e quando testes eram antecipadamente combinados na forma de certas frases a serem articuladas, elas invariavelmente eram usadas" (Light, 2 de setembro de 1899). Em outra ocasião, foi descoberto que um controle que se manifestava através de Peters estava vivo na África.

Almirante J. G. Armstrong relatou (Light, 25 de abril de 1931) que em uma ocasião enquanto ele estava em Londres, sua mãe, que vivia em Devonshire, falou com ele por um médium. Ela estava adormecida no momento e teve a impressão, ao despertar, de ter feito uma longa jornada. Durante uma conferência naval em Londres, um oficial da marinha a quem ele conhecia há muitos anos, semelhantemente estava vivo, e foi bem sucedido, e aconselhou-lhe a protestar contra os cortes na marinha. O oficial forneceu fatos sobre seu recente serviço. Em investigação, Armstrong descobriu que o homem estava vivo e servia no oriente. Considerando a diferença de tempo, era provável que ele estivesse dormindo na hora da comunicação.

Existem alguns casos registrados em que uma aparição materializada era descoberta ser de um vivo. Alfred Vout Peters viu, numa sessão com Cecil Husk, o fantasma de um amigo que deveria estar em casa dormindo no momento. Outros tiveram experiências semelhantes com a mesma médium. Stanley de Brath viu, em quatro ocasiões, o rosto materializado de uma senhora (então na Índia) de quem ele havia perdido a trilha. Posteriormente ele recebeu uma carta dela. Um clérigo da Igreja Anglicana viu o rosto materializado de seu irmão que estava morando na África do Sul (Light, 1903).

Na controvérsia que se sucedeu, um correspondente escreveu ao Light sobre a materialização do General Sherman nos Estados Unidos, que não só anunciava sua identidade, mas também declarava que acabara de morrer. O General, porém, que estava na época em seu leito de morte, não morreu até um ou dois dias mais tarde.

Alegam que alguns médiuns têm materializado fantasmas de animais. De uma perspectiva Espiritualista, a pergunta que poderia surgir é, não seria possível espíritos de animais controlarem homens em transe? A confissão de Charles Albert Beare, auto-intitulado o falso médium de Peckham, Londres no Daily Express (18 de setembro de 1931), contém esta curiosa passagem: "numa noite em Bermondsey. eu vi uma mulher professando ser controlada por um macaco. Ela saltou em cadeiras, na mesa e lançou-se por toda parte do quarto exatamente como um macaco - de fato, ela tinha todo o maneirismo e as características do macaco. Foi uma apresentação horripilante, e quando o controle terminou sobre a mulher, ela teve que ser reanimada com água e pelas pessoas batendo em suas mãos".

Referências

Berger, Arthur S., and Joyce Berger. The Encyclopedia of Parapsychology and Psychical Research. New York: Paragon House, 1991.

Curnow, W. Leslie. "Spirits in the Flesh." Psychic Science (January 1927).

Marryat, Florence. There Is No Death. New York: John Lovell, 1891. Reprint, New York: Causeway Books, 1973.

Moore, J. D. "A Medium Appearing in a Materialized Form." Facts 6 (March 1887).

Owen, Iris M., and Margaret Sparrow. Conjuring Up Philip. New York: Harper & Row, 1976.

Stemmen, Roy. Spirits and Spirit Worlds. Garden City, N.Y.: Doubleday, 1975.

 


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