“Sei que eu não esperava o verdadeiro resultado do experimento.
De minha parte, reconheço francamente que no início de
meus experimentos... estava tão distante de formular quaisquer
hipóteses que levassem às descobertas que fiz no decorrer
de minha investigação que, caso alguém as tivesse
sugerido, eu as teria considerado muito improváveis; e quando
os fatos decisivos finalmente se impuseram à minha atenção,
foi com muito vagar e com grande hesitação que me rendi
à evidência de meus sentidos.”
Essas foram as palavras do inglês Joseph
Priestley (1733-1804), cientista, teólogo
e filósofo, que deve sua fama ao fato de ter sido um dos descobridores
do oxigênio. Autor de estudos e pesquisas brilhantes, foi um dos
precursores da química moderna.
Dando continuidade a seus pensamentos Priestley faz uma revelação
surpreendente:
“Devemos mais ao que chamamos de acaso, ou seja, filosoficamente
falando, à observação de eventos que surgem de
causas desconhecidas, do que a qualquer projeto apropriado ou teoria
preconcebida nesta área”.
O acaso e as causas desconhecidas de que fala Priestley, nos remete
as instruções dadas pelos Espíritos superiores
em “O Livro dos Espíritos”:
“Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em
nossos atos?
- Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário,
são eles que vos dirigem.
De par com os pensamentos que nos são próprios,
outros haverá que nos sejam sugeridos?
- Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais
que, freqüentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre
o mesmo assunto e, não raro, contrários uns aos outros.
Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos
com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que
tendes em vós duas idéias a se combaterem.
Como havemos de distinguir os pensamentos que nos são
próprios dos que nos são sugeridos?
- Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão
de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios
são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é
de grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas
vezes, é útil que não saibais fazê-la. Não
a fazendo, obra o homem com mais liberdade. Se se decide pelo bem, é
voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho, maior será
a sua responsabilidade.
É sempre de dentro de si mesmos que os homens inteligentes
e de gênio tiram suas idéias?
- Algumas vezes, elas lhes vêm do seu próprio Espírito,
porém, de outras muitas, lhes são sugeridas por Espíritos
que os julgam capazes de compreendê-las e dignos de vulgarizá-las.
Quando tais homens não as acham em si mesmos, apelam para a inspiração.
Fazem assim, sem o suspeitarem, uma verdadeira evocação.”
Não existe acaso e muito menos causas desconhecidas,
porque “Deus é a inteligência suprema, causa primária
de todas as coisas”, acaso e causas desconhecidas são palavras
que empregamos para justificar a nossa ignorância.
Animismo ou mediunidade? Pouco importa, o que realmente
importa é que somos Espíritos encarnados em um corpo físico
e que não perdemos as memórias de vidas passadas, apesar
do véu do esquecimento material. O que importa é que não
estamos sozinhos e que podemos nos comunicar pelo pensamento com os
Espíritos, irmãos nossos despojados do corpo físico.
Não são apenas os místicos que são
iluminados em momentos especiais, cientistas também podem serem
assistidos pelos Espíritos superiores.
Poincaré, Henri (1854-1912) matemático e filósofo
francês, depois de várias tentativas para resolver um problema
matemático revela:
“Uma manhã, enquanto caminhava a idéia surgiu para
mim... de maneira breve, repentina e com uma certeza imediata... O mais
notável no início é este aspecto de iluminação
súbita, um sinal manifesto de um longo e prévio trabalho
inconsciente. O papel do trabalho inconsciente na invenção
matemática me parece incontestável.”
Se trocarmos a palavra inconsciente pela palavra Espírito...
Jacques-Salomon Hadamard (1865-1963) matemático
francês que foi dos fundadores do cálculo funcional, também
revela:
“Quando fui acordado abruptamente por um ruído externo,
de repente, surgiu uma solução que eu procurava há
muito tempo, sem o menor momento de reflexão de minha parte...
e vinda de uma direção bem diferente das que seguira antes.”
O matemático alemão Carl Friedrich Gauss
(1777-1855) que também era físico e astrônomo, que
teve seu nome utilizado para designar uma unidade de medida magnética
e uma conhecida lei de probabilidade (curva de Gauss), depois de quatro
anos procurando a solução de um problema matemático,
relata impressionado:
“Como um lampejo de luz repentino, o enigma estava resolvido...
De minha parte, sou incapaz de nomear a natureza do fio que conectava
o que antes eu sabia com isso que tornou meu sucesso possível.”
O físico francês André-Marie Ampère
(1775-1836) que podemos considerar como pai da eletrodinâmica,
também relatou surpreso:
“Dei um grito de alegria... Há sete anos propus um problema
a mim mesmo, que eu não conseguia resolver diretamente, mas para
o qual havia encontrado uma solução de modo casual; sabia
que era correta, sem conseguir provar isto. A questão voltava
muitas vezes à minha mente e procurei vinte vezes por esta solução,
em vão. Por alguns dias, ruminei essa idéia continuamente.
Até que, não sei como, eu a descobri, juntamente com um
grande número de considerações novas e curiosas
relativas à teoria das probabilidades.”
O químico alemão August Kekulé von Stradonitz
(1829-1896) descreveu a sua primeira revelação que, ocorreu-lhe
em sonho no verão de 1854:
“Em um belo final de tarde de verão, eu retornava no último
ônibus, através das ruas desertas da metrópole,
que em outras horas são cheias de vida. Entrei em um devaneio
e veja só! Os átomos estavam saltando à minha frente...
eu vi como, muitas vezes, dois átomos menores uniam-se para formar
um par, como um maior abraçava dois menores; como um maior ainda
se prendia a três ou até quatro dos menores, e o conjunto
ficava rodopiando em uma dança vertiginosa. Vi como os maiores
formavam uma cadeia, arrastando os menores atrás deles... O grito
do condutor “Rua Clapham” despertou-me do sonho, mas passei
parte da noite fazendo alguns esboços destas formas oníricas
no papel. Assim começou a teoria estrutural.”
Em “O Livro dos Espíritos” no cap. VIII com o título
“Da Emancipação da Alma” nos subtítulos
“O sono e os sonhos”, “Visitas
espíritas entre pessoas vivas” e “Transmissão
oculta do pensamento”, temos a explicação
para o sonho de Kekulé.
O sonho mais conhecido de Kekulé, veio em 1864,
onde ele decifra o enigma da estrutura do benzeno:
“Estava sentava escrevendo meu manual, mas o trabalho não
progredia; meus pensamentos estavam dispersos. Virei minha cadeira para
a lareira e cochilei. Novamente os átomos saltavam à minha
frente. Desta vez os grupos menores permaneciam modestamente no fundo.
Meu olho mental, aguçado pelas repetidas visões do gênero,
discernia estruturas mais amplas de conformação múltipla;
longas fileiras às vezes mais estreitamente encaixadas, todas
rodando e torcendo-se em movimentos de cobra. Mas veja só! O
que é aquilo? Uma das cobras havia agarrado a própria
cauda e a forma rodopiava de modo zombeteiro ante meus olhos. Como se
à luz de um relâmpago, despertei; e desta vez, também
passei o resto da noite tentando estender as conseqüências
da hipótese.”
O inventor da tabela periódica Dmitri Mendeleiev
(1834-1907) tinha o hábito de cochilar durante o dia. Uma tarde,
em seu escritório, de repente acordou de um sonho, sentindo-se
estranhamente animado. De uma só vez o sonho havia revelado a
ele praticamente toda a ordem dos elementos.
As grandes descobertas de Kekulé e Mendeleiev
foram reveladas em sonho e não em laboratórios de química
sofisticados, o que nos leva a pensar que a lei de progresso não
depende apenas de tecnologia avançada, mais também da
intervenção dos Espíritos, via sonhos, pensamentos
ocultos e até mesmo da mediunidade.
Dizer que somos dirigidos pelos acasos, mutações, causas
desconhecidas e genes fantásticos, não explica, complica.
Somos Espíritos (encarnados ou desencarnados) e temos na inteligência
que “é um atributo essencial do Espírito”
a causa e a resposta para todos os fenômenos, sejam eles físicos
ou espirituais.
Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, 76ª edição,
FEB, “Influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos
e atos”, Questões, 459,460, 461 e 462
Eureca! – Descobertas Científicas que Revolucionaram o
Mundo, Leslie Alan Horvitz, tradução Marcia Epstein Fiker,
Difel, 2003
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