"A fatalidade da Lei Divina é a perfeição
do Espírito"
Joanna de Ângelis
Os acontecimentos que vêm marcando o primeiro
ano do terceiro milênio parecem indicar, numa análise menos
aprofundada, que a Humanidade está regredindo moralmente. O incremento
da violência no cenário mundial, o fanatismo em nome de
uma equivocada axiologia religiosa, a indiferença ante as carências
de muitos e o vazio existencial, fornecem elementos que poderiam anular
as aspirações de fraternidade e de paz entre os homens.
Em nome do Criador anunciam-se as "Guerras Santas",
com o propósito de eliminar os que não vivem em conformidade
com as regras que correspondem à vontade de Deus. Citam-se livros,
ditos sagrados, que impõem preceitos e normas de viver, ao sabor
das interpretações vinculadas às culturas, respaldando
o fanatismo inconseqüente. Interpretações distorcidas
pelo radicalismo induzem as criaturas a matar, matando-se, como forma
de desfrutar, com pompa e circunstância, as glórias do
paraíso.
"Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso
se faz que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados,
que unicamente ao bem aspirem. Como já chegou esse tempo, uma
grande emigração nesse momento se opera entre os que a
habitam."
Aprendemos com o Espiritismo, em O Livro dos Espíritos,
que a todos os homens facultou Deus os meios de conhecerem a Lei Natural.
Afirmam os benfeitores que todos os homens podem conhecê-la, mas
nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la
são os que melhor a compreendem. Todos, entretanto, a compreenderão
um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efetue.
O papel fundamental das religiões, fundadas pelos
homens à luz das revelações de Deus, é semelhante
ao dos pais: aproximar do Criador os seus filhos. Podemos ter uma religião
e nada acrescentar aos valores ético-morais que devem caracterizar
o homem de bem, assim como não professar nenhuma e viver em harmonia
com os princípios do bem, do amor, da justiça e da verdade.
"Nenhuma concepção religiosa, nenhuma
forma cultural é imutável. Dia virá em que os dogmas
e os cultos atuais irão reunir-se aos destroços dos antigos
cultos; o ideal religioso, porém, não há de perecer,
os preceitos do Evangelho dominarão as consciências, como
a grande figura do Crucificado dominará o fluxo dos séculos."
A História comprova que ao longo do tempo os
homens têm interpretado Deus conforme o grau de evolução
a que chegaram. Mesmo com o advento do Cristo, atos de guerra marcaram
a vida do homem, como as Cruzadas, cujo objetivo inicial era a retomada
de Jerusalém que, no século XI, havia caído sob
o poder dos turcos após a expulsão dos cristãos.
Na Irlanda do Norte, protestantes e católicos travam verdadeiras
batalhas, permeadas por atos de terrorismo até contra crianças.
No Oriente Médio, judeus e palestinos, abastecidos por ódio
milenar, buscam, pela destruição do inimigo, preservar
os conhecidos lugares sagrados, como "questão de honra"
para uma falsa dignidade.
Hoje assistimos, de um lado, a "Guerra Santa",
travada contra a "Liberdade Duradoura", do outro, envolvendo,
direta ou indiretamente, toda a Humanidade. Recursos materiais de larga
monta, suficientes para suprir as reais necessidade do homem na Terra,
são carreados para fomentar, em uma vertente, o ódio e
o fanatismo religioso, financiando o terrorismo, e na outra, a contrapartida
para eliminar seus efeitos, anulando a causa, porém ampliando
a destruição.
A dinâmica das Leis Divinas mostra-nos, sob a
lúcida ótica da Doutrina Espírita, que o progresso
é inexorável. Dar-se-á no tempo previsto e cumprirá
sua finalidade histórica. Como espírito e matéria
evoluem simultaneamente, infere-se que cada mundo, de tempos em tempos,
apresentará transformações tanto nas condições
físicas que o constituem, quanto na moralidade dos Espíritos
que o habitam.
"A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá
de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito
uma geração. A atual desaparecerá gradualmente
e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança
alguma na ordem natural das coisas.
Tudo, pois, se processará exteriormente, como
sói acontecer, com a única, mas capital diferença
de que parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí
não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que
nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que
antes nela encarnaria, virá um Espirito mais adiantado e propenso
ao bem."
A angústia e a aflição que vêm
ocupando espaço em nossas mentes marcam os tempos difíceis
que parecem prenunciar o início de uma nova era para a Humanidade.
O temor, o medo, a insegurança, grassam de forma
acelerada. Viajar em avião, entrar em uma lanchonete, ligar o
motor de um veículo ou receber uma simples carta pelo correio
tornam-se motivo de incerteza e apreensão.
"Infelizmente, a maioria, desconhecendo a Voz de
Deus, persistirá na sua cegueira e a resistência que virá
a opor mascarará, por meio de terríveis lutas, o fim do
reinado dos que a constituem. Desvairados, correrão à
sua própria perda; provocarão destruições
que darão origem a um sem número de flagelos e de calamidades,
de sorte que, sem o quererem, apressarão o advento da era de
renovação."
Jesus, o Cristo de Deus, trouxe para a Humanidade a
mensagem renovadora, conclamando os homens a amarem-se uns aos outros,
premissa para a manifestação do amor ao Pai. Somente então
poderemos compreender a presença da Divindade em nós.
Essa conquista ocorrerá "quando o arado substituir o carro
suntuoso dos triunfadores, nas exibições públicas
de grandeza coletiva; o livro edificante absorver o lugar da espada
no espírito do povo; a bondade e a sabedoria presidirem as competições
das criaturas, para que os bons sejam venerados; o sacrifício
pessoal em proveito de todos constituir a honra legítima da individualidade,
a fim de que a paz e o amor não se percam dentro da vida –
então uma Nova Humanidade estará no berço luminoso
do Divino Reino."
Como essa conquista é inevitável, por
força da regeneração em curso, a leitura dos sinais
sugere a reflexão sobre os momentos que vivemos para concluir
que seja lá como for, pelo amor ou pela dor, o progresso é
inevitável, podendo o homem, quando muito, embaraçar sua
marcha, porém jamais paralisá-la.
1) Kardec, Allan, Obras Póstumas,
ed. FEB, pág 322
2) Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, ed. FEB, Q 619
3) Denis, Léon, Cristianismo e Espiritismo, ed. FEB, pág
254
4) Kardec, Allan, A Gênese, ed. FEB, pág 418
5) Kardec, Allan, Obras Póstumas, ed. FEB, pág 325
6) Xavier, F. C., Jesus no Lar, pelo Espirito Neio Lúcio, ed.
FEB, pág 109
O autor é Gen Bda R/1, oriundo da arma
de Infantaria, atual Vice-Presidente da CME. Milita, também,
no Núcleo da Praia Vermelha – Urca da CME.
http://www.cme.org.br/tempos08.htm
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