Espiritualidade e Sociedade





Adilson Mota

>    A Ciência do Magnetismo

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Adilson Mota
>   A Ciência do Magnetismo

Todos sabem que o Magnetismo era conhecido como ciência entre os magnetizadores clássicos. A intenção desse artigo, porém, é analisar o quanto ainda falta para fazermos dele, na atualidade, uma verdadeira ciência. Durante cerca de cento e cinquenta anos após o seu surgimento, o Magnetismo conseguiu produzir provas e evidências dos seus efeitos. As doenças eram curadas e os resultados eram visíveis, o que esclarecia os estudiosos dedicados e confundia os orgulhosos que, não querendo observar o que não acreditavam, tinham como fraude ou ilusão tudo que destoava da sua maneira de entender as coisas.

O verdadeiro pesquisador não procura confirmar os seus pontos de vista, ele busca a verdade, mesmo que tenha que admitir que estava em erro. O orgulhoso, por sua vez, anseia em encontrar confirmações das suas ideias, distorcendo a verdade muitas vezes. Falta-lhe humildade como sobra o desprezo pelos que não pensam como ele.

Depois de um hiato em que o Magnetismo praticamente desapareceu, agora ele retorna aliado ao Espiritismo, num crescimento lento, mas vigoroso, envolvendo as mentes e também os corações das pessoas sensíveis que vislumbraram naquele um grande potencial para a cura das diversas doenças físicas, psíquicas ou espirituais. Esse movimento ainda é tímido, insipiente, quase completamente restrito aos atendimentos das Casas Espíritas. Talvez por que seus adeptos não estejam convencidos da grandeza do recurso que têm nas mãos e do quanto esta ciência pode fazer pela Humanidade. A visão parece enxergar apenas o agora, sem vislumbrar as possibilidades vindouras que se abrirão desde que compreendamos o seu objetivo verdadeiro. Sem esta macrovisão estaremos fadados a manter o Magnetismo no rol das crenças particulares sem que ele nunca consiga influir verdadeiramente nos rumos da Humanidade, o que é o seu destino.


Barão Jules Denis du Potet de Sennevoy. (1796-1881)
Fundador do Journal de Magnétisme e dirigente da Socieade Mesmeriana.



Em carta enviada a Napoleão III, Imperador da França, o Barão du Potet ressalta a importância do Magnetismo.

Uma descoberta brilhante como o sol, fecunda como a natureza se expande hoje pelo mundo inteiro, sem o concurso dos sábios e apesar da poderosa liga que organizaram contra ela. Trata-se do magnetismo, força medicamentosa a qual nada se compara. Como agente de fenômenos, supera e muito a eletricidade e o galvanismo, como princípio de ciência moral, nossos conhecimentos atuais nada tem a lhe opor. Que espera então, Sua Majestade, para fazer prevalecer a verdade sobre a mentira? A sanção dos sábios? Nunca a terá plenamente, pois os fatos novos desarranjam seus cálculos e contrariam a fé que tem nas afirmações solenemente procla-madas por eles mesmos. Eles o enganaram sobre o valor real do magnetismo assim como enganaram seu tio, de gloriosa memória, a respeito do vapor. (1)

Mais adiante solicita o empenho do imperador para a criação de uma “cátedra de ensinamento do Magnetismo”. Seria uma forma dessa ciência ser melhor estudada e compreendida, estar mais protegida dos ataques dos inimigos, servir à verdade, triunfar sobre a má vontade dos homens e ser preservada para o futuro.

O Magnetismo no período clássico tinha os seus dignos estudiosos, sinceros amantes da verdade, que buscavam o seu desenvolvimento com inteligência e amor. Utilizavam métodos científicos que não deixassem dúvidas quanto aos resultados que ele podia produzir e almejavam a disseminação dessa arte que tantos benefícios trazia, e continua trazendo.

Apesar de alguns esforços ardentes e sinceros, o Magnetismo permanece ainda isolado em pequenos círculos sem, contudo, conseguir ir além dos limites do Centro Espírita. Carece que compreendamos qual a sua missão na Terra. É um bem da Humanidade que desconhece limites de crença, raça, cor, sexo, idade. É a chama da vida que impregna todo ser vivo e que mantém a vida no nosso planeta. Achá-lo patrimônio do Espiritismo é acreditar que somente nós espíritas temos o direito e as condições de utilizar, quando qualquer pessoa possui essa energia e, em tese, tem condições de aplicá-la em benefício de outrem.


Sir William Crookes (1832-1919).
Cientista, químico e estudioso do psiquismo, nascido em Londres, Inglaterra.

 


Foto do Espírito Katie King (materializado) de braços com William Crookes.

Numerosos cientistas de renome, mesmo diante dos fatos mais convincentes, hesitaram em proclamar a verdade, com receio das consequências que isso poderia acarretar aos olhos do povo. Crookes, porém, não agiu assim. Ele penetrou o campo das investigações com o intuito de desmascarar, de encontrar fraudes, entretanto, quando constatou que os casos eram verídicos, insofismáveis, ele rendeu-se à evidência, curvou-se diante da verdade, tornou-se espírita convicto e afirmou:

- "Não digo que isto é possível; digo: isto é real!"
(http://www.feparana.com.br/biografia.php?cod_biog=278)

 

É razoável que hoje o Espiritismo detenha o melhor conhecimento a respeito do magnetismo, mas daí há uma diferença em achar que é o seu proprietário.

Pensando no Magnetismo num sentido universal, podemos entender a nossa responsabilidade no sentido de fazê-lo extrapolar para além das instituições espíritas e fincar bandeira como terapia curativa eficaz. Para isso há um longo caminho a ser percorrido, das experimentações, das exaustivas pesquisas, das frias análises, buscando firmar o Magnetismo em bases sólidas, confiáveis e verificáveis por todos que desejem estudá-lo de maneira séria.

Citei a frieza das análises não me referindo à ausência de paixão e amor pelo que se faz, já que esses são elementos imprescindíveis que geram motivação e que ajudam a superar os desafios que se interpõem no caminho de quem segue algo de bom. Aludi à necessidade de frear a empolgação que nos faz ver a verdade em tudo, até mesmo na mentira, que ilude os olhos e o espírito e desencaminha o pesquisador. É preciso firmar os pés no chão enquanto a emoção nos leva a voar mais alto.

Sir William Crookes, um grande pesquisador dos fenômenos psíquicos e um dos maiores cientistas da sua época é um excelente exemplo. Foi-lhe sugerida uma investigação dos fenômenos espíritas a fim de desvendar de uma vez por todas o que havia por trás daquilo que os espiritistas afirmavam ser a alma dos mortos. Conta do livro “Katie King” de Wallace Leal V. Rodrigues a afirmação de Crookes com as características do verdadeiro sábio:

Não posso dizer que tenho pontos de vista ou opiniões sobre um assunto que não tenho a pretensão de entender.

Mais tarde voltou a declarar:

Prefiro entrar na questão sem nenhuma noção preconcebida, quanto ao que pode ou ao que não pode ser, mas com todos os meus sentidos alertados e prontos para transmitir informações racionais, acreditando que não temos de modo algum esgotado todo o conhecimento humano ou galgado todos os degraus do conhecimento humano e das forças físicas.

Dir-se-ia que o tiro saiu pela culatra quanto ao que os seus colegas cientistas esperavam como resultado da pesquisa. Agora o renomado físico possuía não uma opinião, mas uma certeza sobre os fenômenos e esta era completamente favorável à tese espírita, pois que se baseava em fatos.

Uma cura magnética pode não deixar dúvidas quanto à sua realidade, no magnetizador e naquele que está em tratamento, mas não servirá de elemento comprobatório, se levarmos em conta os moldes atuais das pesquisas científicas. Exige-se um rigor muito grande para que os resultados alcançados não possam ser explicados em termos de coincidência, acaso ou mesmo como consequência de outros fatores causais.

Uma pesquisa científica envolvendo tratamento por magnetismo teria que excluir qualquer possibilidade de influência de outras formas de tratamento, como medicamentos, sejam naturais ou químicos, terapia psicológica, etc. O paciente teria que ser tratado única e exclusivamente pela energia do magnetizador. Reconhecemos que haveria grandes dificuldades nesse sentido, porém somente assim teríamos certeza do que proporcionou a saúde ao doente.


Miss Florence Cook.
Médium que aos 15 anos de idade submeteu-se às experiências psíquicas com William Crookes.

Não para por aí, entretanto. A quantidade também é importante. Os resultados positivos alcançados com alguns poucos indivíduos é levado à conta de coincidência. É preciso uma quantidade razoável de participantes a fim de que a estatística seja favorável. Além disso, seria interessante comparar os resultados do magnetismo com os de outras formas de tratamento ou mesmo com grupos-controle (grupos sem tratamento algum) ou fazendo uso de placebo. (2)

O método científico requer precisão e não dá espaço para improvisações ou conclusões precipitadas. Mesmo assim, muitos não se convencerão e procurarão falhas na pesquisa, levados por um orgulho que não se dobra nem mesmo ante as evidências, assim como aconteceu às cautelosas conclusões de William Crookes. Haverá aqueles, todavia, que, seguidores da verdade, a enxer-garão, lamentando não terem estado antes diante dela.As dificuldades podem ser muitas, o caminho longo e pedregoso, mas não devemos desistir. Da mesma forma que nos preparamos para uma viagem, o objetivo do Magnetismo será alcançado se nos prepararmos para ele. As provisões são os conhecimentos, os estudos, aliados ao espírito crítico, à perseverança, à fé e à humildade, mantendo como sustentáculo a caridade que estabelece como regra o bem coletivo acima do individual.

Referências;

1 Publicada no Jornal do Magnetismo, pág. 30 a 32, de 1860.
2 Placebo – Preparado sem nenhuma ação ou efeito, usado em estudos para determinar a eficácia de substâncias medicinais. (Dicionário Michaelis)

 

 

Fonte: JORNAL VÓRTICE ANO VII, n.º 10 - março - 2015
http://espiritaespiritismoberg.blogspot.com.br/search?q=A+CI%C3%8ANCIA+DO+MAGNETISMO

 



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