Nelson Moraes

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OS COMPADRES NO CINEMA
Nelson Moraes

– Olá, Cumpadre! Que os bons ventos desta manhã possa trazer alegria e paz para o teu coração!

– Obrigado. Tô precisando mesmo

– Não diga isso Cumpadre, o que está te preocupando?

– Cumpadre, eu fui assistir o filme Nosso Lar e fiquei realmente preocupado com o tal do Umbral. Se André Luiz que era um doutor, foi parar naquele pântano com aquela lama toda, que dirá eu que sou quase analfabeto e tenho cometido mais ou menos os mesmos erros que ele, não quero nem imaginar.

– Não é nada disso Cumpadre, o filme foi produzido por leigos e não houve a preocupação de maiores esclarecimentos sobre a vida além da vida, os produtores e os responsáveis envolvidos, se preocuparam mais com imagens do que com o roteiro, o qual ficou baldo de informação.

– Então o Umbral não é como mostraram as cenas do filme?

– Cumpadre, o inferno e o céu são um estado de consciência projetando o indivíduo à sua própria realidade, a qual no mundo espiritual é revestida com imagens criadas pela mente culpada. André Luiz, arrependido pela insensatez que o dominou durante sua vida e pela sua intemperança no trato com o seu semelhante, desprovido de amigos que não soube conquistar, vagou durante oito anos na solidão ouvindo as vozes da própria consciência, nesse transe consciencial, tudo à sua volta parecia-lhe um pântano sombrio.

– O Umbral é a porta por onde entramos para o mundo espiritual, não é um lugar específico de condenação. Quando a nossa consciência ainda se acha atormentada pelos apegos materiais ou pelas culpas, não conseguimos atravessá-la, ficamos em condições Umbralinas, vagando pelas ruas e lares em busca de continuarmos alimentando nossas ilusões ou nos projetamos ao arrependimento, impondo-nos situações "pantanosas" de sofrimentos, segundo o grau da nossa culpabilidade e a gravidade dos nossos erros.

– Ufa! Que alívio.

– Cumpadre, da forma como o filme revelou o Umbral, sem maiores esclarecimentos, incorreu em uma grave contradição doutrinária suscitando dúvidas para o leigo. Várias obras de autores de alta credibilidade como as de Chico Xavier, revelam espíritos perversos desencarnados, vivendo sem grandes transtornos e até influenciando os encarnados a praticarem toda sorte de atitudes infelizes. Então fica a pergunta do leigo: porque não foram condenados e projetados para as regiões pantanosas como André Luiz, cujos erros praticados não foram tão graves e que são peculiares à grande maioria dos encarnados?

– Cumpadre, você consegue enxergar o que muitos não enxergam. Me sinto esclarecido e consolado!

– Para os espíritas, o filme foi motivo de festa, mas para o Espiritismo é preciso ponderar, Emmanuel afirma: "Espiritismo vitorioso, pode ser apenas festa."

– Realmente, os espíritas festejaram o lançamento do filme.

– Cumpadre, enquanto nós espíritas aplaudimos e festejamos as obras espíritas baldas de informação, e que só os espíritas entendem e gostam, o povo continuará órfão do Espiritismo.

– Obrigado pelo esclarecimento, vou voltar pro Umbral, aliás, pra roça, adeus Cumpadre.

– É Cumpadre, vejo que você entendeu o que é o Umbral, até mais...

 



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