José Plinio Monteiro

>   Os Tempos São Chegados

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José Plinio Monteiro
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"A fatalidade da Lei Divina é a perfeição do Espírito"
Joanna de Ângelis

 


Os acontecimentos que vêm marcando o primeiro ano do terceiro milênio parecem indicar, numa análise menos aprofundada, que a Humanidade está regredindo moralmente. O incremento da violência no cenário mundial, o fanatismo em nome de uma equivocada axiologia religiosa, a indiferença ante as carências de muitos e o vazio existencial, fornecem elementos que poderiam anular as aspirações de fraternidade e de paz entre os homens.

Em nome do Criador anunciam-se as "Guerras Santas", com o propósito de eliminar os que não vivem em conformidade com as regras que correspondem à vontade de Deus. Citam-se livros, ditos sagrados, que impõem preceitos e normas de viver, ao sabor das interpretações vinculadas às culturas, respaldando o fanatismo inconseqüente. Interpretações distorcidas pelo radicalismo induzem as criaturas a matar, matando-se, como forma de desfrutar, com pompa e circunstância, as glórias do paraíso.

"Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso se faz que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que unicamente ao bem aspirem. Como já chegou esse tempo, uma grande emigração nesse momento se opera entre os que a habitam."

Aprendemos com o Espiritismo, em O Livro dos Espíritos, que a todos os homens facultou Deus os meios de conhecerem a Lei Natural. Afirmam os benfeitores que todos os homens podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem. Todos, entretanto, a compreenderão um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efetue.

O papel fundamental das religiões, fundadas pelos homens à luz das revelações de Deus, é semelhante ao dos pais: aproximar do Criador os seus filhos. Podemos ter uma religião e nada acrescentar aos valores ético-morais que devem caracterizar o homem de bem, assim como não professar nenhuma e viver em harmonia com os princípios do bem, do amor, da justiça e da verdade.

"Nenhuma concepção religiosa, nenhuma forma cultural é imutável. Dia virá em que os dogmas e os cultos atuais irão reunir-se aos destroços dos antigos cultos; o ideal religioso, porém, não há de perecer, os preceitos do Evangelho dominarão as consciências, como a grande figura do Crucificado dominará o fluxo dos séculos."

A História comprova que ao longo do tempo os homens têm interpretado Deus conforme o grau de evolução a que chegaram. Mesmo com o advento do Cristo, atos de guerra marcaram a vida do homem, como as Cruzadas, cujo objetivo inicial era a retomada de Jerusalém que, no século XI, havia caído sob o poder dos turcos após a expulsão dos cristãos. Na Irlanda do Norte, protestantes e católicos travam verdadeiras batalhas, permeadas por atos de terrorismo até contra crianças. No Oriente Médio, judeus e palestinos, abastecidos por ódio milenar, buscam, pela destruição do inimigo, preservar os conhecidos lugares sagrados, como "questão de honra" para uma falsa dignidade.

Hoje assistimos, de um lado, a "Guerra Santa", travada contra a "Liberdade Duradoura", do outro, envolvendo, direta ou indiretamente, toda a Humanidade. Recursos materiais de larga monta, suficientes para suprir as reais necessidade do homem na Terra, são carreados para fomentar, em uma vertente, o ódio e o fanatismo religioso, financiando o terrorismo, e na outra, a contrapartida para eliminar seus efeitos, anulando a causa, porém ampliando a destruição.

A dinâmica das Leis Divinas mostra-nos, sob a lúcida ótica da Doutrina Espírita, que o progresso é inexorável. Dar-se-á no tempo previsto e cumprirá sua finalidade histórica. Como espírito e matéria evoluem simultaneamente, infere-se que cada mundo, de tempos em tempos, apresentará transformações tanto nas condições físicas que o constituem, quanto na moralidade dos Espíritos que o habitam.

"A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas.

Tudo, pois, se processará exteriormente, como sói acontecer, com a única, mas capital diferença de que parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espirito mais adiantado e propenso ao bem."

A angústia e a aflição que vêm ocupando espaço em nossas mentes marcam os tempos difíceis que parecem prenunciar o início de uma nova era para a Humanidade.

O temor, o medo, a insegurança, grassam de forma acelerada. Viajar em avião, entrar em uma lanchonete, ligar o motor de um veículo ou receber uma simples carta pelo correio tornam-se motivo de incerteza e apreensão.

"Infelizmente, a maioria, desconhecendo a Voz de Deus, persistirá na sua cegueira e a resistência que virá a opor mascarará, por meio de terríveis lutas, o fim do reinado dos que a constituem. Desvairados, correrão à sua própria perda; provocarão destruições que darão origem a um sem número de flagelos e de calamidades, de sorte que, sem o quererem, apressarão o advento da era de renovação."

Jesus, o Cristo de Deus, trouxe para a Humanidade a mensagem renovadora, conclamando os homens a amarem-se uns aos outros, premissa para a manifestação do amor ao Pai. Somente então poderemos compreender a presença da Divindade em nós. Essa conquista ocorrerá "quando o arado substituir o carro suntuoso dos triunfadores, nas exibições públicas de grandeza coletiva; o livro edificante absorver o lugar da espada no espírito do povo; a bondade e a sabedoria presidirem as competições das criaturas, para que os bons sejam venerados; o sacrifício pessoal em proveito de todos constituir a honra legítima da individualidade, a fim de que a paz e o amor não se percam dentro da vida – então uma Nova Humanidade estará no berço luminoso do Divino Reino."

Como essa conquista é inevitável, por força da regeneração em curso, a leitura dos sinais sugere a reflexão sobre os momentos que vivemos para concluir que seja lá como for, pelo amor ou pela dor, o progresso é inevitável, podendo o homem, quando muito, embaraçar sua marcha, porém jamais paralisá-la.

1) Kardec, Allan, Obras Póstumas, ed. FEB, pág 322
2) Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, ed. FEB, Q 619
3) Denis, Léon, Cristianismo e Espiritismo, ed. FEB, pág 254
4) Kardec, Allan, A Gênese, ed. FEB, pág 418
5) Kardec, Allan, Obras Póstumas, ed. FEB, pág 325
6) Xavier, F. C., Jesus no Lar, pelo Espirito Neio Lúcio, ed. FEB, pág 09

O autor é Gen Bda R/1, oriundo da arma de Infantaria, atual Vice-Presidente da CME. Milita, também, no Núcleo da Praia Vermelha – Urca da CME.



Fonte: http://www.cme.org.br/tempos08.htm


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