Nem sempre estamos bem acompanhados, e
uma dessas companhias perturbadoras é a que nos faz infelizes
ao perceber a felicidade do outro.
A inveja não está na simples constatação
do triunfo alheio. Ela se apresenta quando essa constatação
nos faz mal, produz em nós sentimentos negativos de revolta,
de indignação.
Essa filha do orgulho instala-se em nossa alma e nos
leva aos precipícios morais do ódio sem razão.
Muito mais fácil do que buscar nossa felicidade,
nossas próprias conquistas é criticar, questionar, destruir
a dos outros.
A inveja é preguiça moral, é acomodação
do Espírito que ainda não está desperto e disposto
a empreender a necessária luta pelo crescimento.
Ao invés de se empenhar na autovalorização,
o paciente da inveja lamenta o triunfo alheio e não luta pelo
seu. Apela, muitas vezes, para a intriga e a maledicência, fica
no aguardo do insucesso do suposto adversário, perseguindo-o,
buscando satisfazer seu prazer mórbido.
Egocêntrico, não saiu da infância
psicológica e pretende ser o único centro da atenção,
credor de todos os cultos e referências.
Insidiosa, a inveja é resultado da indisciplina
mental e moral, que não considera a vida como patrimônio
divino para todos.
Trabalha, por inveja, para competir, sobressair, destacar-se.
Não tem ideal, nem respeito pelas pessoas e pelas suas árduas
conquistas.
Esse sentir doentio descarrega correntes mentais prejudiciais
dirigidas às suas vítimas, que somente as alcançam
se estiverem em sintonia. Porém, os danos ocorrem em quem gera
esse sentir, perturbando-lhe a atividade, o comportamento.
Assim, o invejoso sempre sairá perdendo. Não
apenas não resolverá seu problema - se é que ele
existe - como sempre aumentará sua frustração,
sua infelicidade.
* * *
A terapia para a inveja consiste, inicialmente,
na cuidadosa reflexão do eu profundo em torno da sua destinação
grandiosa, no futuro.
Consiste em avaliar os recursos de que dispõe
e considerar que a sua realidade é única, individual,
não podendo ser medida nem comparada com outras em razão
do processo da evolução de cada um.
O cultivo da alegria, pelo que é e dos recursos
para alcançar novos patamares, enseja o despertar do amor a si
mesmo, ao próximo e a Deus.
Esse despertar facultará à criatura a
perfeita compreensão dos mecanismos da vida e as diferenças
entre as pessoas, formando um todo holístico na grande unidade.
* * *
Fazei vossa felicidade e vosso verdadeiro
tesouro sobre a Terra em obras de caridade e de submissão, as
únicas que devem contribuir para serdes admitidos no seio de
Deus.
Essas obras do bem farão vossa alegria e vossa
felicidade eternas.
A inveja é uma das mais feias e das mais tristes
misérias do vosso globo.
A caridade e a constante emissão da fé
farão desaparecer todos esses males, à medida que os homens
de boa vontade se multiplicarem.
* * *
Redação do Momento Espírita
com base em texto da Revista Espírita, de Allan Kardec,
de julho de 1858 e no cap. 5 da obra O ser consciente, pelo Espírito
Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 02.03.2011.