Espiritualidade e Sociedade



Momento Espírita

>   Caridade substituindo o Egoísmo

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MOMENTO ESPÍRITA
-> CARIDADE SUBSTITUINDO O EGOÍSMO

Desde que dois homens estejam juntos, contraem, por isto mesmo, deveres recíprocos; se quiserem viver em paz, serão obrigados a se fazerem mútuas concessões.

Esses deveres aumentam com o número dos indivíduos; as aglomerações formam um todo coletivo que também tem suas obrigações respectivas.

Temos, pois, além das relações de indivíduo a indivíduo, as de cidade a cidade, de país a país.

Essas relações podem ter dois móveis que são a negação um do outro: o egoísmo e a caridade, pois que há também egoísmo nacional.

Com o egoísmo, prevalece o interesse pessoal, cada um vive para si, vendo no semelhante apenas um antagonista, um rival que pode concorrer conosco, que podemos explorar ou que pode nos explorar; aquele que fará o possível para chegar antes de nós: a vitória é do mais esperto e a sociedade - coisa triste de dizer - muitas vezes consagra essa vitória.

Disso resulta uma sociedade dividida em duas classes principais: os exploradores e os explorados.

Temos aí um antagonismo perpétuo, que faz da vida um tormento, um verdadeiro inferno.

Substituí o egoísmo pela caridade e tudo se modificará; ninguém procurará fazer o mal ao seu vizinho; os ódios e os ciúmes se extinguirão por falta de combustível, e os homens viverão em paz, ajudando-se mutuamente em vez de se dilacerarem.

Se a caridade substituir o egoísmo, todas as instituições sociais serão fundadas sobre o princípio da solidariedade e da reciprocidade; o forte protegerá o fraco, em vez de o explorar.

É um belo sonho, dirão; infelizmente não passa de um sonho; o homem é egoísta por natureza, por necessidade e o será sempre.

Se assim fosse, o que seria muito triste, é o caso de se perguntar com que objetivo o Cristo veio até nós pregar a caridade aos homens? Equivaleria a pregar aos animais.

Examinemos, contudo, a questão: Há progresso do selvagem ao homem civilizado? Não se procura, diariamente, abrandar os costumes dos selvagens? Mas, com que finalidade, se o homem é incorrigível?

Estranha bizarrice! Espera-se corrigir selvagens e pensa-se que o homem civilizado não pode melhorar-se!

Se o homem civilizado tivesse a pretensão de haver atingido o último limite do progresso acessível à espécie humana, bastaria comparar os costumes, o caráter, a legislação, as instituições sociais de hoje com as de outrora.

E, no entanto, os homens de outrora, também eles, acreditavam ter alcançado o último degrau.

Que teria respondido um grão-senhor do tempo de Luís XIV se lhe tivessem dito que poderia dispor de uma ordem de coisas melhor, mais equitativa, mais humana do que a então vigente?

Que esse regime mais equitativo seria a abolição dos privilégios de castas e a igualdade do grande e do pequeno diante da lei?

O audacioso que assim falasse talvez pagasse caro sua temeridade.

Disso concluímos que o homem é eminentemente perfectível, e que os mais adiantados hoje poderão parecer tão atrasados dentro de alguns séculos quanto o são os da Idade Média em relação a nós.

Negar o fato seria negar o progresso (*), que é uma lei da natureza.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base em trecho da obra Viagem espírita em 1862 e outras viagens, de Allan Kardec, ed. Feb.


(*)

A cada nova existência o Espírito tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal. Quando o Espírito entra na sua vida de origem, o mundo espírita, toda a sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas cometidas e que são causa do seu sofrimento, bem como aquilo que poderia tê-lo impedido de cometê-las; compreende a justiça da posição que lhe é dada e procura então a (re)encarnação necessária para reparar a que acaba de escoar-se. Procura provas semelhantes àquelas por que passou, ou as lutas que acredita apropriadas ao seu adiantamento. Contudo, o Espírito encarnado, se não tem, durante a vida corpórea, uma lembrança precisa daquilo que foi, e do que fez de bem ou de mal em suas existências anteriores, tem, entretanto, a sua intuição. Suas tendências instintivas são uma reminiscência do seu passado, às quais a sua consciência, que representa o desejo por ele concebido de não mais cometer as mesmas faltas. A consciência que é onde está escrita a lei de Deus, o adverte que deve resistir de não cometer as mesmas faltas do passado, isto se dá segundo o grau de perfeição a que tenha chegado e conforme a sua capacidade de conservar a lembrança intuitiva.


Ler mais in
A LEI DO PROGRESSO
http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/A_LEI_DO_PROGRESSO.html
Estudo com base in O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro 3, cap. VIII.
Obra codificada por Allan Kardec

 

Fonte: Redação do Momento Espírita
http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=3795&stat=0


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