Espiritualidade e Sociedade



Jeffrey Mishlove

>    Recentes Estudos Sobre Reencarnação

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Jeffrey Mishlove
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O European Values Survey explora diferenças e semelhanças nacionais, também concernentes a crenças religiosas que expressam suposições populares a respeito da natureza do homem e do estado ontológico da consciência. Estes pareceres diferem radicalmente da visão científica dominante, também em psicologia acadêmica. Os países Nórdicos variam consideravelmente em suas crenças sobre a vida depois da morte e sobre a reencarnação, com metade dos respondentes acreditando na vida depois de morte, e 43 por cento destes acreditando na reencarnação, o que também vai contra os pareceres estabelecidos pela Igreja cristã. Isto mostra a independência de autoridades científicas assim como de religiosas. Será um resíduo de crenças pré-cristãs, devida à exposição aos conceitos budistas e hinduístas, ou um sinal de pensamento independente? Meio século de regimes anti-religiosos na Europa Oriental não parece ter tido nenhum efeito importante nas crenças sobre a sobrevivência pessoal, e o European Values Survey mostra uma crença comum em reencarnação.
[1]

Para obter um entendimento da função psicossocial da reencarnação entre os Drusos, entrevistas foram conduzidas com nove sujeitos masculinos que tinham experimentado a reencarnação (Notq) e com um ou dois membros de sua família. A análise destas entrevistas revelou que o princípio de Notq tipicamente ocorre em entre dois e cinco anos de idade. Cinco dos sujeitos tinham exibido angústia psicológica em sua infância a qual foi aliviada depois do Notq. Uma vez que a criança exibia indicações iniciais de reencarnação, tal como mencionar nomes que a família interpreta como de uma vida passada, a família toma um papel ativo em construir a história de vida passada e combinando-a a uma história real conhecida envolvendo uma morte trágica. Esta combinação cria uma nova ordem na vida da criança, da família e da família de vida prévia. Todos se se beneficiam desta nova ordem: a criança recebe nova atenção especial e amor e torna-se capaz de controlar e de manipular os pais; os pais são aliviados porque vêem a criança feliz, beneficiada pela atenção social e afeto que recebe; e o lamentar da família afligida da vida passada é aliviado pela confirmação de que a alma de seu filho perdido ainda vive. [2]

Em 1933 uma bem educada garota húngara de 16 anos, Íris Farczády, que tinha se aventurado extensamente na mediunidade, repentinamente sofreu uma mudança drástica de personalidade, reivindicando ser Lucia renascida, uma trabalhadora espanhola de 41 anos, dizendo por ela ter morrido naquele ano. Transformada em "Lucia", Íris falou depois em espanhol fluente, uma linguagem que ela aparentemente nunca tinha aprendido, nem tido a oportunidade de adquirir e não podia entender qualquer outro idioma. A Lucia permaneceu em controle desde então e, agora com 86, ela ainda considera que Íris foi uma pessoa diferente, que deixou de existir em 1933. Os três autores deste artigo encontraram Lucia em 1998 e uma gravação de entrevistas foi feita, sob auspícios da SPR. Tentativas foram feitas para localizar a reinvidicada família espanhola de Lucia, mas estas não foram bem-sucedidas. Enquanto o aspecto da reencarnação do caso não foi apoiado, aí permanece o quebra-cabeça de como Íris adquiriu seu conhecimento da linguagem espanhola, costumes e cultura popular, e por que Íris deve ter permitido ou se submetido a sua "substituição" por Lucia. [3]

Os casos mais impressionantes de crianças que reivindicam lembrar de uma vida passada estão sendo publicados com maior freqüência que os casos mais razoáveis, dando uma impressão distorcida dos fenômenos para os leitores. Trinta crianças que falam sobre uma vida prévia em resumo foram entrevistadas para um estudo psicológico no Líbano. Três crianças casualmente foram selecionadas para uma completa investigação de um total de 29 destas crianças (o caso de uma criança já tinha sido investigado). Num caso uma pessoa morta foi identificada cujas circunstâncias de vida assemelharam-se às declarações da criança. Em outro caso nenhuma pessoa adequadamente combinando com as declarações da criança foi achada, conseqüentemente verificar a correção de suas declarações foi impossível devido a razões práticas. No terceiro caso, a família da criança foi relacionada à suposta personalidade prévia, a qual podia ter dado a criança e a seus pais ampla oportunidade para aprender por meio normal sobre a personalidade prévia. Além do suposto aspecto da memória, alguns casos exibem perplexos fatores psico-fisiológicos e características comportamentais. [4]

As crianças que reivindicam lembrar-se de fragmentos de uma vida passada são achadas em alguns países. Várias explicações foram propostas quanto ao porque as supostas memórias se desenvolvem, variando de reencarnação à "recurso terapêutico". Este estudo põe à prova o papel de algumas características psicológicas e as circunstâncias em que as crianças vivem, tal como fantasia, sugestionabilidade, isolamento social, dissociação e procura de atenção. Para trinta crianças no Líbano que persistentemente tinha falado de memórias de vida passada, e para 30 crianças de comparação, foram administradas provas relevantes e questionários. O grupo alvo obteve contagens mais altas para devanear, busca por atenção e dissociação, mas não para isolamento social e sugestionabilidade. O nível de dissociação era muito abaixo em comparação a casos de múltipla personalidade, e assim clinicamente não relevante. Havia alguma evidência de sintomas similares a stress pós-traumáticos. 80% das crianças falaram sobre memórias de vidas passadas com circunstâncias de uma morte violenta (principalmente acidentes, baixas de guerra e assassinatos). [5]

As crianças que falam de memórias de uma vida prévia podem explicar marcas de nascimentos como relacionadas às feridas infligidas sobre elas na vida anterior. Este artigo informa o caso de uma menina de nove anos no Sri-Lanka que alegou ter sido fabricante de incenso e morrido num acidente de trânsito. Depois que a situação fora narrada, um fabricante de incenso foi identificado cuja vida correspondida a muitas das declarações daquela criança. Ele tinha morrido num acidente de trânsito dois anos antes do nascimento dela; e o relatório posterior à morte revelou que as feridas que ele sofrera foram na mesma área das marcas de nascimentos dela. [6]

Examinaram-se crianças no Sri Lanka que reivindicaram memórias de uma vida prévia. A personalidade e medidas psicológicas foram administradas a 27 pares de crianças entre 5,4-10,2 anos dentre as que alegaram e as que não reivindicaram memórias de vidas prévias. Os questionários sobre comportamento, desenvolvimento e ambiente familiar foram administrados aos pais delas. Os resultados mostram que crianças que alegam memórias de vida passada se saíam melhor na escola que seus pares e que não eram mais sugestionáveis que estes. A Child Behavior Checklist revelou que as crianças com memórias de vida prévia exibiram mais problemas comportamentais, incluindo características oposicionais, obsessão e características de perfeccionismo. A Child Dissociation Checklist mostrou que estas crianças têm tendências de dissociação, como mudanças rápidas na personalidade e freqüentes devaneios. A estrutura do ambiente familiar delas não diferiu mensuravelmente daquela das crianças que não alegam memórias de uma vida prévia. A influência da crença na reencarnação e a educação religiosa é discutida, à medida que crianças falando de uma vida prévia foram achadas principalmente entre famílias budistas. [7]

Foi realizado um relatório de caso descrevendo um indivíduo burmês com uma marca de nascimento rara e defeitos de nascimento pensados por pessoas locais serem ligados a acontecimentos acerca da morte do primeiro marido da mãe dele. A natureza do elo é explorada, incluindo a suposição de que uma ligação poderia ter levado a acontecimentos subseqüentes. [8]

Foram documentados três casos clínicos de gêmeos monozigóticos que se lembraram de uma vida prévia. No Caso 1, Vinod lembrou-se da vida de um pastor, e Pramod lembrou-se da vida de um pescador; ambos percebidos como sendo amigos. No Caso 2, ambos os gêmeos Narender e Surender Babu reivindicaram ter vivido numa aldeia vizinha numa vida prévia, como irmãos. No Caso 3, Indika e Kakshappa não reivindicaram nenhum relacionamento em vida prévia. Os resultados sugerem que a teoria da reencarnação ajuda a explica diferenças e semelhanças em gêmeos que não podem ser explicados por fatores ambientais e genéticos. [9]

No seguinte caso, um rapaz do Sri Lanka que fez várias declarações concernentes a uma vida prévia, entre elas, onde ele havia vivido e como foi morto quando viajou num caminhão por uma floresta. O rapaz associou duas marcas de nascimentos com suas memórias reivindicadas. Suas declarações foram registradas e publicadas, e depois uma pessoa foi achada na região cujas circunstâncias tinham correspondido às declarações do rapaz. As marcas de nascimentos corresponderam à situação de feridas da pessoa mais tarde identificada como a personalidade prévia. [10]

Outros relatos interessantes foram obtidos em três casos clínicos de crianças no Sri Lanka reivindicando terem sido monges em vidas anteriores. O processo de verificação das declarações feito por Duminda Bandara Ratnayake (b. 1984), começado aos três anos de idade e confirmado por membros da família, mostrou grande semelhança aos dados biográficos de Gunnepana Saranankara (d. 1929), um monge inciciante do Mosteiro Asgiriya que possuía um carro vermelho. Um 2º caso é de Sandika Tharanga (b. 1979), uma criança de pais católicos que exibia muitos comportamentos de monges. Gamage Ruvan Tharanga Perera (b. 1987) cantou estrofes em Pali em tenra idade; suas memórias suportam semelhanças próximas à vida de Ganihigama Pannasekhara. [11]

Tentou-se aplicar a hipótese socio-psicológica (SPH) ao fenômeno da recordação de experiências de vida passada, chamado de "casos do tipo reencarnação" (CORT). O SPH supõe que uma criança que parece falar sobre uma vida prévia será encorajada a dizer mais. Isto orienta os pais a acharem outra família cujos membros venham a acreditar que a criança tem falado sobre um parente morto destes. As duas famílias trocam informação detalhadas, e elas acabam por creditar ao sujeito como ele tendo mais conhecimento sobre a pessoa morta do que realmente existiu. Doravante, baseado no SPH, esperar-se-ia que uma porcentagem mais baixa de declarações corretas, nos casos em que as declarações foram registradas antes das famílias serem encontradas (B) do que nos casos em que as declarações foram registradas depois das serem famílias encontradas (A). Todos os casos completamente investigados da Índia e do Sri Lanka, onde o número de declarações corretas e incorretas foi contado e registrado, foram usados. Isto forneceu um total de 21 casos de B e 82 casos de A. Contrariamente à expectativa, os casos B e A deram, aproximadamente, porcentagens iguais de declarações corretas e o número total médio de declarações foi mais baixo para os casos A. Assim, o SPH por si só parece incapaz de explicar CORT. [12]

Existem relatos de casos para três crianças na Índia que reivindicaram se lembrar de vidas passadas que envolviam mudanças de religião, do Hindu ao Muçulmano ou do Muçulmano ao Hindu. As crianças eram um indivíduo masculino e um feminino, ambos Muçulmanos, que se lembraram terem sido Hindus em vidas prévias e um masculino Hindu que se lembrou ter sido Muçulmano. Várias hipóteses normais e paranormais são consideradas para explicar os comportamentos das crianças, mas o autor conclui que a reencarnação parece ser a mais capaz para explicar todas as características. [13]

Referências:


[1] Haraldsson, Erilendur. Popular psychology, belief in life after death and reincarnation in the Nordic countries, Western and Eastern Europe. Nordic Psychology. 2006, Jul, Vol 58(2), 171-180.

[2] Dwairy, Marwan. The psychosocial function of reincarnation among Druze in Israel. Culture, Medicine and Psychiatry. 2006, Mar, Vol 30(1), 29-53.

[3] Barrington, Mary Rose; Mulacz, Peter; Rivas, Titus. The Case of Iris Farczády--A Stolen Life. Journal of the Society for Psychical Research. 2005, Apr, Vol 69(2), 49-77.

[4] Haraldsson, Erlendur; Abu-Izzeddin, Majd. Three Randomly Selected Lebanese Cases of Children Who Claim Memories of a Previous Life. Journal of the Society for Psychical Research. 2004, Apr, Vol 68(875)[2], 65-84.

[5] Haraldsson, Erlendur. Children who speak of past-life experiences: Is there a psychological explanation? Psychology and Psychotherapy: Theory, Research and Practice. 2003, Mar, Vol 76(1), 55-67.

[6] Haraldsson, Erlendur. Birthmarks and claims of previous-life memories: I. The case of Purnima Ekanayake. Journal of the Society for Psychical Research. 2000, Jan, Vol 64(858), 16-25.

[7] Haraldsson, Erlendur; Fowler, Patrick C.; Periyannanpillai, Vimala. Psychological characteristics of children who speak of a previous life: A further field study in Sri Lanka. Transcultural Psychiatry. 2000, Dec, Vol 37(4), 525-544.

[8] Keil, H. H. Jürgen; Tucker, Jim B. An unusual birthmark case thought to be linked to a person who had previously died. Psychological Reports. 2000, Dec, Vol 87(3, Pt 2), 1067-1074.

[9] Pasricha, Satwant K. Twins who claimed to remember previous lives. NIMHANS Journal. 2000, Jan-Apr, Vol 18(1-2), 39-51.

[10] Haraldsson, Erlendur. Birthmarks and claims of previous-life memories: II. The case of Chatura Karunaratne. Journal of the Society for Psychical Research. 2000, Apr, Vol 64(859), 82-92.

[11] Haraldsson, Erlendur; Samararatne, Godwin. Children who speak of memories of a previous life as a Buddhist monk: Three new cases. Journal of the Society for Psychical Research. 1999, Oct, Vol 63(857), 268-291.

[12] Schouten, Sybo A.; Stevenson, Ian. Does the socio-psychological hypothesis explain cases of the reincarnation type? Journal of Nervous and Mental Disease. 1998, Aug, Vol 186(8), 504-506.

[13] Pasricha, Satwant K. Children who claimed to remember previous lives with major change in religion. NIMHANS Journal. 1998, Apr, Vol 16(2), 93-100.

Comentários:

O presente artigo mostra uma coletânea de artigos recentes discutindo a reencarnação. É importante notar que em apenas um deles Ian Stevenson foi autor, reforçando a importância da replicação dos achados. Desde 1960, quando houve a primeira publicação de Stevenson, houve muitos achados e discussões acerca do assunto. Mas, acima de tudo, é fundamental perceber que os casos foram se multiplicando mundo afora e hipóteses reducionistas não foram (pelo menos até o momento) satisfatórias para explicar o fenômeno.

 

Fonte: Texto original - http://jeff.gaia.com/blog/2008/8/scientific_studies_of_reincarnation

Texto traduzido - http://parapsi.blogspot.com/2008/08/recentes-estudos-sobre-reencarnao.html

 


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