Espiritualidade e Sociedade



Robert Mcluhan

>    Apenas coincidência

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Robert Mcluhan
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Ontem (12/06/2008), para a Society for Psychical Research, palestrou a Doutora Penny Sartori, uma enfermeira que executou um estudo de cinco anos sobre EQMs na unidade de tratamento intensivo no hospital de Swansea, entre 1998 e 2003. Sete dos 39 pacientes que sofreram uma parada cardíaca durante este período reportaram uma EQM. Ela descreveu, antes do estudo começar, a maneira que colocava no topo dos monitores, acima das camas, símbolos onde que não podiam ser vistos do solo. A idéia era que, se qualquer paciente visse algum deles durante um episódio fora-do-corpo, ajudaria a verificar que isso era real, e não imaginado.

Tristemente, nenhum dos pacientes viu as imagens, na maioria dos casos seus relatórios eram difíceis de verificar. Por outro lado, quando comparados com um grupo de controle, seus relatórios mostraram uma precisão muito maior, sugerindo a presença de um processo desconhecido.

Alguma da melhor evidência disso ainda está naqueles casos fornecidos nos estudos dos anos 80 pelo cardiologista Michael Sabom, que podem ter tido uma vantagem sobre o estudo de Swansea por envolverem operações cirúrgicas no lugar de situações de tratamento intensivo. Os pacientes de Sabom fizeram ainda muitos comentários detalhados sobre as operações, por exemplo, observando a forma curiosa do coração, como o cirurgião o extraia e trabalhava nele, ou a profundidade da espinha quando um disco danificado era removido. Os membros de um grupo de controle foram solicitados a descrever a operação, e foram bem menos específicos e cometeram erros importantes.

O grupo de controle de Sabom foi criticado por usar pacientes que apenas tiveram backgrounds médicos semelhantes. Sartori melhorou nisso ao recrutar indivíduos que experimentaram ressuscitação. Mas, conforme foi esclarecido, estas pessoas não foram mais capazes que o grupo de Sabom para dizer o que poderia ter acontecido durante o período de inconsciência delas - algumas não sabiam, e outras simplesmente improvisaram dramas de hospitais de TV.

Sartori apontou para uma distinção clara entre indivíduos que sofrem alucinações, que são fortuitas e confusas, e os experimentadores de EQMs, cujas experiências são lúcidas e envolvem as mesmas imagens. French, analogicamente, contestou isso se referindo às experiências de abdução, onde existe evidência de pessoas que pensam que aquelas são reais, mas claramente estão alucinando. Pode haver um ponto ai, embora eu não siga isto completamente, e eu não estou certo o quanto é útil comparar estas duas situações bastante diferentes.

Sartori então contra-argumentou que as informações que alguns pacientes apresentaram, aparentemente enquanto eles estavam inconscientes, pareceram ter sido adquiridas paranormalmente. Um sujeito reportou ter encontrado sua neta falecida e que ela lhe disse que dissesse a mãe dela para não acreditar em tudo que os médiuns dizem a ela. Isto nada significava para ele, mas sua filha mais tarde confessou que ela regularmente se consultava com médiuns sem o conhecimento dele. Em outro caso, o pessoal na unidade assistiu um homem agonizante sentado e gesticulando para a parede por meia hora - ele mais tarde disse que sua irmã veio o visitar, embora ela tivesse morrido na semana passada, um fato que sua família havia decidido não revelar a ele.

Esperando a palavra final, French replicou que "um cético provavelmente ainda diria que tudo poderia ter sido uma coincidência". Interessante é que ali ele naturalmente disse isso na terceira pessoa. Perguntei-me se ele fez isto porque estaria pessoalmente envergonhado em se identificar com tal estratégia, neste caso, alguém teria que perguntar por que ele continua a pensar deste modo. Eu suponho que ele tenha enfeitado demais. Quando as coisas ficam bem complicadas, está na hora de falar besteiras e prevaricar. Deve ser difícil, às vezes, ser um cético compromissado.

Eu mencionei uma ou duas vezes da resistência heróica de Blackmore em Dying to Live sobre o mesmo assunto. Resumidamente, a abordagem dela é que, quando as pessoas dizem ver aquilo que os seus familiares e o pessoal do hospital estão fazendo ao redor do corpo inconsciente delas, elas estão apenas exagerando ou compondo material. Na rapidez dela, sem nenhum sentido, ela lida com um pedaço aparentemente incontestável da evidência, culpando o percipiente por fazer um estardalhaço desta. Seguramente, ela argumenta, isso pode significar somente uma coisa: que o percipiente não está realmente certo que isso aconteceu do modo que ela disse que foi. Como eu digo, para uma cientista séria ter que falar deste modo, deve soar humilhante.

Isso é levado ao extremo pelos psiquiatras Glen Gabbard e Stuart Twemlow no livro deles With the Eyes of the Mind (1984). Eles estão perturbados particularmente pelas reivindicações de Sabom sobre percepção fora-do-corpo em seus pacientes cardíacos. Eles conseguem prolongar o assunto até as últimas páginas, as quais indicam que eles parecem entender que, de alguma maneira, têm que impedir isso. Os resultados são cômicos: eles não têm uma pista. Eles pegam a ajuda de Terence Hines, cujo livro de desmistificação eles têm à mão, e que realmente tampouco sabe algo, mas que tem muito a dizer sobre Uri Geller e psíquicos fraudulentos. Tendo lido este material durante algum tempo, eles concluem que as reivindicações de percepção fora-do-corpo podem ser derrubadas por fraude, mas sem estruturar claramente se eles pensam que seja o doutor ou os pacientes que estão mentindo.

Você não pode culpar os céticos por se comportarem deste jeito - suas visões de mundo completamente se prendem a isso. Mas seria interessante se mais pessoas que essencialmente compartilham esta visão de mundo compreendessem as mudanças duvidosas que podem ser requeridas para manter esta visão um comércio.

(Incidentemente, Sartori acabou de publicar um livro baseado no estudo, e outra pesquisa realizada para sua tese de doutorado. Por £85 eu não consigo imaginar que nós todos iremos nos apressar e ir comprá-lo, mas eu tentarei pegar uma cópia e revisá-la em algum ponto).

Fonte: Paranormalia - http://parapsi.blogspot.com/


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