Espiritualidade e Sociedade



Sergio Mauricio

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Falo um pouco do que penso sobre o passe.

Afirmo inicialmente que são opiniões construídas a partir de meus estudos pessoais. Portanto, jamais se arvoram a pretensiosa posição de "verdades", pois tenho a absoluta consciência que são apenas as minhas opiniões. E mais, não pretendo ensinar nada a ninguém já que muito tenho a aprender. Então jamais tome minhas singelas palavras como ensinamentos, porque realmente não o são, eu as tenho apenas como minha simplória opinião, sem qualquer ranço dogmático ou impositivo.

Kardec, em suas obras, faz uma análise criteriosa sobre o magnetismo (vide diversos artigos da sua "Revista espírita"). Divide-o em magnetismo animal, praticado pelos magnetistas, e o magnetismo espiritual, usado com finalidades terapêuticas pelos espíritos que por ela se interessam, através do médiuns. E entre eles, sempre há a mistura das duas possibilidades, pois nas atividades mediúnicas acaba se por usar os dois instrumentos, tornando a prática uma mistura de fluidos animais e espirituais.

Entretanto, em todos os seus textos, Kardec e os espíritos que o auxiliaram na construção de sua obra alertam para o fato de que o médium curador (essa é a expressão kardecista, jamais "passista") deve buscar abster-se ao máximo de seus fluidos animais, pois sempre estão carregados de sentimentos e vibrações não condizentes com a atividade terapêutica. Assim, através da prece deve pedir o auxílio e o amparo dos bons espíritos e seus fluidos no processo mediúnico, esforçando-se em anular a sua contribuição fluídica pessoal.

Há exemplos diversos nos textos da excepcional "Revista espírita" de Kardec, e em todos eles a manipulação fluídica sempre esteve ao encargo dos espíritos, jamais do médium, sendo, portanto, desnecessária e ineficiente qualquer tentativa de manipulação dos fluidos ao nosso redor. Até porque, por serem fluidos, não estão passíveis de manipulação através de movimentos do nosso corpo físico. Seria como tentar impedir uma onda eletromagnética de passar colocando ante seu caminho a nossa mão. A impossibilidade de tal feito ilustra que os movimentos manuais para distribuir ou concentrar fluidos não passam de crenças sem qualquer fundamentação científica. Portanto não fazem parte do corpo doutrinário espírita, que se ampara no positivismo científico e na racionalidade filosófica.

Livros diversos foram escritos sobre o tema "passes", como o de Jacob Melo é triste exemplo, pois apenas com o amparo do seu credo não-espírita, constrói toda uma fantasia de técnicas de passe, como se úteis ou mesmo coerentes fossem. Mas sua obra não é a única. Há ainda outras com expressão religiosa similar.

O espiritismo busca outro caminho, conforme as propostas kardecistas. A mediunidade curadora apenas impõe suas mãos sobre o atendido, e através da prece sincera e amorosa deixa aos espíritos toda a manipulação fluídica, que seria mesmo inacessível aos nossos movimentos desnecessários e sem sentido. Retomarei o tema trazendo alguns artigos de Kardec, que ilustram com primor aquilo que aqui argumento. Não pretendo convencer ninguém de nada. Estou apenas dando a minha modesta contribuição do entendimento que tenho das minhas leituras e estudos de Kardec. Cada um segue seu caminho. Se achar que deve rodar e circular as mãos, porque nisso crê (e é apenas crença mesmo, sem nenhum amparo epistêmico), deve continuar. Se achar que deve estalar os dedos, deve também continuar. Se achar que baforar fumaça sobre o atendido, deve continuar. Mas, como disse, prefiro a positividade kardecista e seus sólidos argumentos racionais. E isso é apenas a minha escolha, sem pretensões do certo ou errado.

Continuarei no tema em breve e espero seus comentários para que possamos melhor compreender assunto tão instigante.

Abraços fraternais.

 


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