Marcus Alberto De Mario

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Todo Centro Espírita, por força da legislação, é uma pessoa jurídica, ou associação religiosa sem fins lucrativos, tendo que eleger periodicamente, conforme disposto em seu estatuto, os diretores, ou seja, aqueles trabalhadores que se tornam dirigentes administrativos e respondem juridicamente pela instituição.

Historicamente os Centros Espíritas utilizam, em sua maioria, a organização presidencialista, destacando a figura do presidente. Os demais diretores exercem os cargos/funções de vice-presidente, secretário, tesoureiro e outros. Nesta formação, os departamentos, tais como infância e juventude, serviço assistencial, orientação doutrinária e outros, não participam diretamente das discussões e decisões, ocasionando graves prejuízos ao processo administrativo-doutrinário do Centro Espírita.

São conhecidos os problemas: centralização do poder no presidente; disputas políticas por cargos; decisões arbitrárias sem a participação direta dos interessados. Não é regra geral, mas esses problemas estão sempre em evidência quando se debate a realidade do Centro Espírita.

Para melhorar esse quadro e minimizar os problemas, está crescendo no movimento espírita a proposta de uma nova organização administrativa e doutrinária: o Colegiado. Os diretores continuariam existindo, mas sem nomenclaturas diferenciadas, e a figura do presidente é substituída pela escolha de um Coordenador Geral, pelo período de um ano, substituído automaticamente em cada início do calendário anual. Exemplo: digamos que a diretoria tem mandato de três anos, teremos então, nesse período, três coordenadores gerais, escolhidos entre os próprios diretores. Para efeito jurídico, o coordenador geral é o que representa legalmente o Centro Espírita.

Mas o Colegiado não é somente isso, e se o fosse já seria uma maneira bem diferente e salutar de gerenciar. É, na verdade, a reunião de companheiros e companheiras para uma finalidade comum, com igualdade de direitos, funcionando como um grande conselho administrativo, onde todos podem opinar e as decisões são estabelecidas por consenso da maioria. Assim, o co-ordenador geral iguala-se ao diretor da área de cursos doutrinários, por exemplo.

O sistema do Colegiado é salutar, mas para seu bom funcionamento não basta alterar o estatuto. É, antes, necessário trabalhar a mentalidade do trabalhador espírita, aplicar-se o movimento espírita em fornecer capacitação para o mesmo, sob pena de termos um bonito ideal no papel, mas com sua prática eivada de vícios trazidos do sistema anterior de administração.

Aquele que se torna diretor do Centro Espírita deve ter em mente que está sendo escolhido sim pelas suas capacidades, mas que isso não significa que passa a ser dotado de poderes ilimitados, mas apenas que foi considerado mais apto a colaborar para o bom funcionamento das atividades ofertadas pela instituição no campo do bem e do amor ao próximo. Se assim não considerar, a erva daninha do personalismo sufocará qualquer boa intenção.

Para o bem do Colegiado precisamos saber ouvir as diversas opiniões, ponderar com bom senso, estudar sempre a doutrina, trabalhar incessantemente e lembrar todos os dias que grupo coeso, harmonizado, é muito melhor que individualidades isoladas.

Na verdade, todo sistema gerencial é bom quando utiliza as ferramentas que acima comentamos. A questão não é tanto de forma, mas de fundo. Contudo, somos de opinião que o Colegiado é válido e muito importante, sendo um dos caminhos para que o Centro Espírita melhor se adeque às suas finalidades.

Lembramos ainda, por oportuno, que todos nós somos trabalhadores da seara do Cristo, e o que deve nos impulsionar na tarefa dentro do Centro Espírita, seja qual for a tarefa que nos compete, é o amor ao próximo e, neste caso, o próximo é aquele que está conosco no exercício de responsabilidades administrativas e doutrinárias, ou seja, os outros trabalhadores que igualmente se dispuseram a trabalhar, como nós estamos trabalhando.

 


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