Espiritualidade e Sociedade





Idalina Aparecida Silva Magro

>    Da Educação - Segundo a Doutrina Espírita

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Idalina Aparecida Silva Magro
> Da Educação - Segundo a Doutrina Espírita

 

“Saber o que todos sabem é nada saber. O saber começa onde começa o que o mundo ignora”
Remy de Gourmont (“Le pas sur le sable”)

A educação e os valores do mundo

Há cerca de 2500 anos morria um homem condenado à morte. Seu crime foi impiedade e corrupção de jovens. Impiedade vem da palavra ímpio, que é aquele que não tem fé, incrédulo. Aquele homem não acreditava nos deuses gregos, (daí ser condenado por impiedade), mas em apenas um criador único. Por um outro lado, ensinava aos mais jovens a verdade mais pura, os princípios reais, a nobreza imperecível do espírito. Denunciava as máscaras, as inverdades e corrupções escondidas por detrás dos belos discursos dos sofistas (cada um dos filósofos gregos, contemporâneo de Sócrates que chamavam a si a profissão de ensinar a sabedoria e a habilidade). Este homem, Sócrates, foi condenado a tomar um veneno poderoso para que, de sua boca não saíssem mais palavras que transformassem pessoas.

Hoje vivemos no terceiro milênio. Começamos nova era. As escolas são modelos de tecnologia, de avanço, de informação de vanguarda.

Vivemos numa região com padrão próximo ao de 1º. mundo. Os pais escolhem o que há de melhor, não importando preço, mas que seu filho possa ter condição de competição Optam também para que ele tenha objetos que lhes facilitem engajamento num meio social discutível, porém desejável. É preciso a marca, o som, o intercâmbio, os diversos cursos. Tudo comprado, nada conquistado basta pedir, ou exigir.

— “Fomos acostumados a ter tudo, me dizia um desses jovens. Só não tivemos o costume do beijo, do colo, do olhar, do abraço e do não. Como não tem loja disso, eles (meus pais) não souberam nos dar”.

Perguntam-lhe: "Você se arrepende do crime que fez?"

Ele responde: “Não sei o que é isto”.

Não sabe mesmo. Não estimulamos o sentir em nossos filhos. Só estimulamos o desejar, o ter.

Vivemos um momento muito especial em que os valores essenciais estão muito encobertos.

A nossa sociedade tem se tornado essencialmente mecanicista, consumidora, com desejos de poder e de ter, que sobrepujam a qualquer outra intenção que não seja a posse.

Por outro, há o conflito no ar. Vivemos a era da angústia e da depressão. Pais deprimidos com filhos de pouca idade sofrendo ansiedades, pânico, insegurança, vítimas dos valores precários e posteriormente vítimas da indústria farmacêutica. Estas verão neles um grande filão e lhes darão ansiolíticos e anorexígenos, para que se mantenham calmos e magros, como a moda, a sociedade, e - pasmem - a família, requer. A família é a primeira forma de sociabilidade do novo ser que vem ao mundo. É nela que ele se adestra para a vida social. E é nela também que se processa o seu desenvolvimento afetivo, a sua evolução moral, com o rompimento do egocentrismo. As relações familiares têm uma finalidade essencial: a formação das novas condições emocionais das criaturas reencarnadas para uma nova existência.

Mas dissemos que se sofre do conflito. E haja sofrimento. E que santo é esse sofrimento. Neste momento confuso, ocorre a dúvida. E esta é a causa do conflito.

Há um incômodo, um mal estar. E saem levas de pais e filhos para os neurologistas, cardiologistas e depois para os psiquiatras e psicólogos. Poucos vão em busca de novos valores, os essenciais, que falam por si, que não têm rótulos, marca ou etiqueta, que saltam aos olhos, que vibram e encantam, contagiam e transformam, que não se confundem, não são de época ou estação, mas são perenes. Não se compram em lojas caras, mas se encontram nos simples, não são impostos ou propagandeados, mas adivinhados. Poucos pais sabem do que se tratam esses valores, poucos os jovens são os que os possuem. Quem os têm são serenos. Quem não os têm são intranqüilos.

Os novos valores têm sido ofertados ao homem à milênios. Tantos já morreram para deixá-los em evidência, para que pudéssemos enxergá-los e optar por eles. E hoje é muito mais fácil. Temos Jesus e há tão pouco tempo recebemos a Doutrina Espírita que tudo esclarece e simplifica.

Buscar os valores que os ladrões não roubam, as traças não roem, a ferrugem não destrói, eis a questão. Pudessem todos, ou ao menos uma maioria entender o que é o simples do ensinamento e não teríamos em nossa própria cidade e em outras do mundo, jovens com um cabedal de conhecimento obtido nas melhores escolas, e usuários de drogas, libertinos, falsários, comprometidos até com crimes.

Mas já há, sim, famílias que apesar de tudo o que é estimulado pela mídia, conseguem preservar em seus jovens o bem, o nobre, o puro. Esses são poucos, uma pequena minoria mesmo. Mas quando eles se fazem presentes, como são bem-vindos, como se destacam e como fazem bem ao espírito de quem os observa e convive com eles.

Vale a pena se engrandecer e educar nossos jovens em bases da grandiosidade e sabedoria. Tenhamos Jesus como mestre, a Doutrina Espírita como roteiro, os grandes sábios como exemplos, e a nós mesmo e aos nossos filhos, como objetivo.

 

Fonte: Jornal Verdade e Luz – jan/2003 / http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/

 



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